Magna Concursos

Foram encontradas 492 questões.

2646250 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

Julgue (C ou E) o item, a propósito das ideias e de aspectos morfossintáticos do texto de Francisco de Assis Barbosa.

A supressão da vírgula empregada logo após “livro” atenderia às normas gramaticais, porém violaria a coerência do texto.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646249 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

Julgue (C ou E) o item, a propósito das ideias e de aspectos morfossintáticos do texto de Francisco de Assis Barbosa.

As informações e a correção gramatical do texto seriam preservadas, caso a conjunção aditiva “E” fosse grafada em minúscula; o ponto final que a antecede fosse substituído por vírgula; e, apenas na ocorrência da linha 2, essa conjunção fosse seguida de vírgula.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646248 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

Julgue (C ou E) o item, a propósito das ideias e de aspectos morfossintáticos do texto de Francisco de Assis Barbosa.

Depreende-se do texto que poucas vezes Graciliano Ramos escreveu de chofre, mas quando o fez, reescreveu tudo depois, ao passar a limpo, e é por isso que, para ele, escrever era muito trabalhoso.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646247 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

A respeito da linguagem e do vocabulário empregados no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

Depreende-se que a qualidade de “explicativa”, atribuída à letra de Graciliano Ramos pelo autor do texto, foi empregada com o sentido de clara, legível, inteligível.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646246 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

A respeito da linguagem e do vocabulário empregados no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

No primeiro parágrafo, o emprego, em sentido figurado, do substantivo “calor” e da forma verbal “morrem” contribuiu para a expressividade da linguagem dos segmentos em que esses vocábulos se inserem.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646245 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

A respeito da linguagem e do vocabulário empregados no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

Embora contenha trechos de fala, o texto está isento de coloquialismo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646244 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

No modesto apartamento em que mora na rua Conde de Bonfim, Graciliano Ramos mostrou-me alguns originais dos seus trabalhos. Via de regra, escreve em papel sem pautas, de um só golpe, ao calor da composição. A forma definitiva vem depois. Emenda muito. E até mesmo quando passa a limpo, com sua letra explicativa de escrevente de cartório, corta muita coisa, tudo o que depois vai achando ruim. Às vezes risca linhas inteiras. As palavras morrem sob o traço forte de tinta de uma igualdade assombrosa, como feito à régua.

Graciliano guarda os originais dos livros já publicados. Assim pude verificar um curioso detalhe da feitura de Vidas Secas. Os capítulos, datados, indicaram-me a ausência de seguimento na elaboração da narrativa. “Baleia”, o nono capítulo, foi o primeiro a ser escrito, em 4 de maio de 1937. Um mês e pouco depois, precisamente no dia 18 de 16 junho, escreveu o quarto capítulo, “Sinha Vitória”. E assim todo o livro, que não obedeceu a nenhum plano antecipado.

— Escrevi a história de um cachorro de meu avô — conta o romancista, cigarro Selma com ponta de cortiça entre os dedos queimados de fumo. — Os episódios foram-se amontoando. O livro foi crescendo. E assim arrumei Vidas Secas, que pensei em chamar “O mundo coberto de penas”, título de um dos capítulos do livro.

A vida de Graciliano Ramos está sempre presente na sua obra, no que ela tem de mais humano e doloroso.

Caetés é uma história de Palmeira dos Índios. São Bernardo se passa em Viçosa. Angústia tem um pouco do Rio, um pouco de Maceió e muito de mim mesmo. Vidas Secas são cenas da vida de Buíque [Pernambuco].

Todos esses romances exigiram do autor um longo e penoso trabalho de composição.

— Não sou como José Américo — disse —, que primeiro escreve na cabeça e depois transporta o livro para o papel. A obra de criação, para mim, é quase sempre imprevista. E espontânea. Refaço tudo, depois. Escrever dá muito trabalho. A gente muitas vezes não sabe o que vai fazer. Sai tudo diverso do que se imaginou.

Francisco de Assis Barbosa. Graciliano Ramos, aos cinquenta anos. Reportagem biográfica. In: jornal Diretrizes, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional RJ, 1942. Apud: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla (Orgs.). Conversas – Graciliano Ramos. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 119 - 20.

A respeito da linguagem e do vocabulário empregados no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

No terceiro parágrafo, o repórter abandona a narrativa e, sem intervir, reproduz, em discurso direto, o relato de Graciliano Ramos acerca da produção de Vidas Secas.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646243 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

Distingo, no português histórico, dois períodos principais: o português antigo, que se escreveu até os primeiros anos do século XVI, e o português moderno. Robustecida e enriquecida de expressões novas, a linguagem usada nas crônicas desse segundo período, que relatam os descobrimentos em África e Ásia e os feitos das armas lusitanas no Oriente, culmina no apuro e no gosto do português moderno d’Os Lusíadas (1572). É o século da Renascença literária, e tudo quanto ao depois se escreve é a continuação da linguagem desse período. E como não ficou estacionário o português moderno, denominou-se quinhentista, seiscentista, setecentista a linguagem própria a cada era. Reservo a denominação de português hodierno para as mudanças características do falar atual criadas ou fixadas recentemente, ou recebidas do século XIX, ou que por ventura remontam ao século XVIII.

Limites entre os diversos períodos não podem ser traçados com rigor. Ignoram-se a data ou o momento exato do aparecimento de qualquer alteração linguística. Neste ponto, nunca será a linguagem escrita, dada a sua tendência conservadora, espelho fiel do que se passa na linguagem falada. Surge a inovação, formulada acaso por um ou poucos indivíduos; se tem a dita de agradar, não tarda a generalizar-se o seu uso no falar do povo. A gente culta e de fina casta repele-a, a princípio, mas, com o tempo, sucumbe ao contágio. Imita o vulgo, se não escrevendo com meditação, em todo o caso no trato familiar e falando espontaneamente. Decorrem muitos anos, até que por fim a linguagem literária, não vendo razão para enjeitar o que todo o mundo diz, se decide a aceitar a mudança também. Tal é, a meu ver, a explicação não somente de fatos isolados, mas ainda do aparecimento de todo o português moderno.

Não é de crer que poucos anos depois de 1500, quase que bruscamente e sem influxo de idioma estranho, cessassem em Portugal inveterados hábitos de falar e se trocasse o português antigo em português moderno. Nem podemos atribuir a escritores, por muito engenho artístico que tivessem, aptidões e autoridade para reformarem, a seu sabor, o idioma pátrio e sua gramática. Consistiria a sua obra antes em elevar à categoria de linguagem literária o falar comum, principalmente o das pessoas educadas, tornando-o mais elegante e desterrando locuções que lhe dessem aspecto menos nobre. Mas os escritores antigos evitavam afastar-se da prática recebida de seus avós e, posto que muitas concessões tivessem de fazer ao uso para serem entendidos, propendiam mais a utilizar-se de recursos artificiais que dessem ao estilo certo ar de gravidade e acima do vulgar.

O século XVI, descerradas as cortinas que encobriam o espetáculo de novos mundos, e dada a facilidade de pôr a leitura das obras literárias ao alcance de todos, graças ao desenvolvimento da imprensa, devia fazer cessar a superstição do passado, mostrar o caminho do futuro e ditar a necessidade de se exprimirem os escritores em linguagem que todos entendessem. Resolveram-se a fazê-lo. Serviram-se da linguagem viva de fato, como o demonstram os diálogos das comédias de então, que reproduzem o falar tradicional da gente do povo. Trariam estes diálogos os característicos gramaticais do português antigo, se fosse este ainda o idioma corrente.

M. Said Ali. Prólogo da Lexeologia do português histórico, 1.ª ed. 1921. In: Gramática histórica da língua portuguesa. 8.ª ed. rev. e atual. por Mário Eduardo Viaro. São Paulo: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 2001, p. 17-8 (com adaptações).

O item subsequente apresenta uma proposta de reescrita de trecho do texto de M. Said Ali, que deve ser julgada certa se estiver devidamente pontuada e gramaticalmente correta e mantiver as informações do texto, ou errada, em caso contrário.

“Surge a inovação, formulada acaso por um ou poucos indivíduos; se tem a dita de agradar, não tarda a generalizar-se o seu uso no falar do povo.”: A novidade aparece, criada, talvez, por uma ou algumas pessoas; se elas tem a sorte de satisfazer o povo, não demora a propagar-se a utilização na fala.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646242 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

Distingo, no português histórico, dois períodos principais: o português antigo, que se escreveu até os primeiros anos do século XVI, e o português moderno. Robustecida e enriquecida de expressões novas, a linguagem usada nas crônicas desse segundo período, que relatam os descobrimentos em África e Ásia e os feitos das armas lusitanas no Oriente, culmina no apuro e no gosto do português moderno d’Os Lusíadas (1572). É o século da Renascença literária, e tudo quanto ao depois se escreve é a continuação da linguagem desse período. E como não ficou estacionário o português moderno, denominou-se quinhentista, seiscentista, setecentista a linguagem própria a cada era. Reservo a denominação de português hodierno para as mudanças características do falar atual criadas ou fixadas recentemente, ou recebidas do século XIX, ou que por ventura remontam ao século XVIII.

Limites entre os diversos períodos não podem ser traçados com rigor. Ignoram-se a data ou o momento exato do aparecimento de qualquer alteração linguística. Neste ponto, nunca será a linguagem escrita, dada a sua tendência conservadora, espelho fiel do que se passa na linguagem falada. Surge a inovação, formulada acaso por um ou poucos indivíduos; se tem a dita de agradar, não tarda a generalizar-se o seu uso no falar do povo. A gente culta e de fina casta repele-a, a princípio, mas, com o tempo, sucumbe ao contágio. Imita o vulgo, se não escrevendo com meditação, em todo o caso no trato familiar e falando espontaneamente. Decorrem muitos anos, até que por fim a linguagem literária, não vendo razão para enjeitar o que todo o mundo diz, se decide a aceitar a mudança também. Tal é, a meu ver, a explicação não somente de fatos isolados, mas ainda do aparecimento de todo o português moderno.

Não é de crer que poucos anos depois de 1500, quase que bruscamente e sem influxo de idioma estranho, cessassem em Portugal inveterados hábitos de falar e se trocasse o português antigo em português moderno. Nem podemos atribuir a escritores, por muito engenho artístico que tivessem, aptidões e autoridade para reformarem, a seu sabor, o idioma pátrio e sua gramática. Consistiria a sua obra antes em elevar à categoria de linguagem literária o falar comum, principalmente o das pessoas educadas, tornando-o mais elegante e desterrando locuções que lhe dessem aspecto menos nobre. Mas os escritores antigos evitavam afastar-se da prática recebida de seus avós e, posto que muitas concessões tivessem de fazer ao uso para serem entendidos, propendiam mais a utilizar-se de recursos artificiais que dessem ao estilo certo ar de gravidade e acima do vulgar.

O século XVI, descerradas as cortinas que encobriam o espetáculo de novos mundos, e dada a facilidade de pôr a leitura das obras literárias ao alcance de todos, graças ao desenvolvimento da imprensa, devia fazer cessar a superstição do passado, mostrar o caminho do futuro e ditar a necessidade de se exprimirem os escritores em linguagem que todos entendessem. Resolveram-se a fazê-lo. Serviram-se da linguagem viva de fato, como o demonstram os diálogos das comédias de então, que reproduzem o falar tradicional da gente do povo. Trariam estes diálogos os característicos gramaticais do português antigo, se fosse este ainda o idioma corrente.

M. Said Ali. Prólogo da Lexeologia do português histórico, 1.ª ed. 1921. In: Gramática histórica da língua portuguesa. 8.ª ed. rev. e atual. por Mário Eduardo Viaro. São Paulo: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 2001, p. 17-8 (com adaptações).

O item subsequente apresenta uma proposta de reescrita de trecho do texto de M. Said Ali, que deve ser julgada certa se estiver devidamente pontuada e gramaticalmente correta e mantiver as informações do texto, ou errada, em caso contrário.

“Neste ponto, nunca será a linguagem escrita, dada a sua tendência conservadora, espelho fiel do que se passa na linguagem falada.”: A linguagem escrita nesse aspecto jamais será cópia exata àquilo que ocorre na linguagem oral, por sua propensão tradicionalista.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2646241 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto para a questão.

Distingo, no português histórico, dois períodos principais: o português antigo, que se escreveu até os primeiros anos do século XVI, e o português moderno. Robustecida e enriquecida de expressões novas, a linguagem usada nas crônicas desse segundo período, que relatam os descobrimentos em África e Ásia e os feitos das armas lusitanas no Oriente, culmina no apuro e no gosto do português moderno d’Os Lusíadas (1572). É o século da Renascença literária, e tudo quanto ao depois se escreve é a continuação da linguagem desse período. E como não ficou estacionário o português moderno, denominou-se quinhentista, seiscentista, setecentista a linguagem própria a cada era. Reservo a denominação de português hodierno para as mudanças características do falar atual criadas ou fixadas recentemente, ou recebidas do século XIX, ou que por ventura remontam ao século XVIII.

Limites entre os diversos períodos não podem ser traçados com rigor. Ignoram-se a data ou o momento exato do aparecimento de qualquer alteração linguística. Neste ponto, nunca será a linguagem escrita, dada a sua tendência conservadora, espelho fiel do que se passa na linguagem falada. Surge a inovação, formulada acaso por um ou poucos indivíduos; se tem a dita de agradar, não tarda a generalizar-se o seu uso no falar do povo. A gente culta e de fina casta repele-a, a princípio, mas, com o tempo, sucumbe ao contágio. Imita o vulgo, se não escrevendo com meditação, em todo o caso no trato familiar e falando espontaneamente. Decorrem muitos anos, até que por fim a linguagem literária, não vendo razão para enjeitar o que todo o mundo diz, se decide a aceitar a mudança também. Tal é, a meu ver, a explicação não somente de fatos isolados, mas ainda do aparecimento de todo o português moderno.

Não é de crer que poucos anos depois de 1500, quase que bruscamente e sem influxo de idioma estranho, cessassem em Portugal inveterados hábitos de falar e se trocasse o português antigo em português moderno. Nem podemos atribuir a escritores, por muito engenho artístico que tivessem, aptidões e autoridade para reformarem, a seu sabor, o idioma pátrio e sua gramática. Consistiria a sua obra antes em elevar à categoria de linguagem literária o falar comum, principalmente o das pessoas educadas, tornando-o mais elegante e desterrando locuções que lhe dessem aspecto menos nobre. Mas os escritores antigos evitavam afastar-se da prática recebida de seus avós e, posto que muitas concessões tivessem de fazer ao uso para serem entendidos, propendiam mais a utilizar-se de recursos artificiais que dessem ao estilo certo ar de gravidade e acima do vulgar.

O século XVI, descerradas as cortinas que encobriam o espetáculo de novos mundos, e dada a facilidade de pôr a leitura das obras literárias ao alcance de todos, graças ao desenvolvimento da imprensa, devia fazer cessar a superstição do passado, mostrar o caminho do futuro e ditar a necessidade de se exprimirem os escritores em linguagem que todos entendessem. Resolveram-se a fazê-lo. Serviram-se da linguagem viva de fato, como o demonstram os diálogos das comédias de então, que reproduzem o falar tradicional da gente do povo. Trariam estes diálogos os característicos gramaticais do português antigo, se fosse este ainda o idioma corrente.

M. Said Ali. Prólogo da Lexeologia do português histórico, 1.ª ed. 1921. In: Gramática histórica da língua portuguesa. 8.ª ed. rev. e atual. por Mário Eduardo Viaro. São Paulo: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 2001, p. 17-8 (com adaptações).

O item subsequente apresenta uma proposta de reescrita de trecho do texto de M. Said Ali, que deve ser julgada certa se estiver devidamente pontuada e gramaticalmente correta e mantiver as informações do texto, ou errada, em caso contrário.

“Mas os escritores antigos evitavam afastar-se da prática recebida de seus avós e, posto que muitas concessões tivessem de fazer ao uso para serem entendidos, propendiam mais a utilizar-se de recursos artificiais que dessem ao estilo certo ar de gravidade e acima do vulgar.”: Porém os escritores antigos furtavam-se a distanciar-se do uso adquirido de seus avós e, uma vez que diversas transigências se tivesse de fazer à prática a fim de serem compreendidos, inclinavam-se mais a empregar meios factícios que imprimissem ao seu modo de escrever alguma mostra de sobriedade e superior ao popular.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas