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Foram encontradas 492 questões.

2646220 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto de Graciliano Ramos.

A expressão “toda essa gente” retoma o complemento do adjetivo “cheias” no segmento de sentido conotativo “cheias de nomes novos”.

 

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2646219 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Com base nas ideias desenvolvidas no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

Depreende-se do texto que, segundo o autor, a colonização cultural no Brasil ultrapassou o período da colonização política, fato evidenciado na dificuldade de afirmação da identidade literária brasileira.

 

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2646218 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Com base nas ideias desenvolvidas no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

A sentença “José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas” é metáfora que expressa a crítica de Graciliano à descrição pormenorizada utilizada por José Veríssimo, em detrimento da construção de personagens verossímeis e de obras em cujo enredo ações e diálogos fossem adequados às figuras nelas retratadas.

 

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2646217 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Com base nas ideias desenvolvidas no texto anterior, julgue (C ou E) o item seguinte.

A frase “Tivemos damas das camélias em segunda mão” expressa, em linguagem figurada, o que Graciliano denomina “contrafação de literaturas estranhas” e, como indica o emprego da expressão “em segunda mão”, o desapreço do autor à produção literária que revelava tal influência.

 

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2646215 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Celso Cunha tinha, na minha geração literária, a posição que, na geração anterior à nossa, coube a Souza da Silveira. Ou seja: a do mestre que, conhecendo profundamente a língua portuguesa, nas suas minúcias e no seu conjunto, associou a esse saber admirável a sensibilidade de quem nascera para apreciá-la na condição de obra de arte.

Antes do mestre das Lições de Português, tivéramos aqui as sucessivas gerações dos professores que se consideravam exímios na colocação dos pronomes, na guerra sistemática aos galicismos, na sujeição aos modelos clássicos, e, com isto, impunham mais o terror gramatical que o saber verdadeiro.

Houve quem passasse a escrever registo, em vez de registro, e preguntar, em vez de perguntar, porque assim se escrevia em Portugal. Já ao tempo de José de Alencar, um publicista ríspido, José Feliciano de Castilho, viera de Lisboa para o Rio de Janeiro, com a missão de ensinar-nos a escrever como se escrevia em Portugal. Daí a reação do romancista cearense no prefácio de seus Sonhos d’Ouro, em 1872: “Censurem, piquem, ou calem-se, como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva, neste meu Brasil, coisa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata.”

Josué Montello. Mestre Celso Cunha. In: Cilene da Cunha Pereira, Paulo Roberto Dias Pereira (Orgs.). Miscelânea de estudos linguísticos, filológicos e literários in memoriam Celso Cunha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 57-8 (com adaptações).

Com relação a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.

Os elementos semântico-sintáticos do fragmento de texto apresentado são insuficientes para se depreender a referência da expressão “mestre das Lições de Português”.

 

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2646214 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Celso Cunha tinha, na minha geração literária, a posição que, na geração anterior à nossa, coube a Souza da Silveira. Ou seja: a do mestre que, conhecendo profundamente a língua portuguesa, nas suas minúcias e no seu conjunto, associou a esse saber admirável a sensibilidade de quem nascera para apreciá-la na condição de obra de arte.

Antes do mestre das Lições de Português, tivéramos aqui as sucessivas gerações dos professores que se consideravam exímios na colocação dos pronomes, na guerra sistemática aos galicismos, na sujeição aos modelos clássicos, e, com isto, impunham mais o terror gramatical que o saber verdadeiro.

Houve quem passasse a escrever registo, em vez de registro, e preguntar, em vez de perguntar, porque assim se escrevia em Portugal. Já ao tempo de José de Alencar, um publicista ríspido, José Feliciano de Castilho, viera de Lisboa para o Rio de Janeiro, com a missão de ensinar-nos a escrever como se escrevia em Portugal. Daí a reação do romancista cearense no prefácio de seus Sonhos d’Ouro, em 1872: “Censurem, piquem, ou calem-se, como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva, neste meu Brasil, coisa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata.”

Josué Montello. Mestre Celso Cunha. In: Cilene da Cunha Pereira, Paulo Roberto Dias Pereira (Orgs.). Miscelânea de estudos linguísticos, filológicos e literários in memoriam Celso Cunha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 57-8 (com adaptações).

Com relação a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.

O emprego da expressão explicativa “Ou seja” no início de período revela que, em 1995, ano de publicação do texto, já estava em curso essa variante sintática — substituição da vírgula que deveria isolar essa expressão por ponto final —, a qual só recentemente foi abonada nas gramáticas normativas, desde que, no período assim construído, esteja explícita a oração principal.

 

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2646213 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Celso Cunha tinha, na minha geração literária, a posição que, na geração anterior à nossa, coube a Souza da Silveira. Ou seja: a do mestre que, conhecendo profundamente a língua portuguesa, nas suas minúcias e no seu conjunto, associou a esse saber admirável a sensibilidade de quem nascera para apreciá-la na condição de obra de arte.

Antes do mestre das Lições de Português, tivéramos aqui as sucessivas gerações dos professores que se consideravam exímios na colocação dos pronomes, na guerra sistemática aos galicismos, na sujeição aos modelos clássicos, e, com isto, impunham mais o terror gramatical que o saber verdadeiro.

Houve quem passasse a escrever registo, em vez de registro, e preguntar, em vez de perguntar, porque assim se escrevia em Portugal. Já ao tempo de José de Alencar, um publicista ríspido, José Feliciano de Castilho, viera de Lisboa para o Rio de Janeiro, com a missão de ensinar-nos a escrever como se escrevia em Portugal. Daí a reação do romancista cearense no prefácio de seus Sonhos d’Ouro, em 1872: “Censurem, piquem, ou calem-se, como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva, neste meu Brasil, coisa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata.”

Josué Montello. Mestre Celso Cunha. In: Cilene da Cunha Pereira, Paulo Roberto Dias Pereira (Orgs.). Miscelânea de estudos linguísticos, filológicos e literários in memoriam Celso Cunha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 57-8 (com adaptações).

Com relação a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.

Em razão do arranjo sintático na expressão “na geração anterior à nossa”, torna-se obrigatório o emprego do sinal indicativo de crase, apesar de esta preceder um pronome possessivo.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2646212 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Celso Cunha tinha, na minha geração literária, a posição que, na geração anterior à nossa, coube a Souza da Silveira. Ou seja: a do mestre que, conhecendo profundamente a língua portuguesa, nas suas minúcias e no seu conjunto, associou a esse saber admirável a sensibilidade de quem nascera para apreciá-la na condição de obra de arte.

Antes do mestre das Lições de Português, tivéramos aqui as sucessivas gerações dos professores que se consideravam exímios na colocação dos pronomes, na guerra sistemática aos galicismos, na sujeição aos modelos clássicos, e, com isto, impunham mais o terror gramatical que o saber verdadeiro.

Houve quem passasse a escrever registo, em vez de registro, e preguntar, em vez de perguntar, porque assim se escrevia em Portugal. Já ao tempo de José de Alencar, um publicista ríspido, José Feliciano de Castilho, viera de Lisboa para o Rio de Janeiro, com a missão de ensinar-nos a escrever como se escrevia em Portugal. Daí a reação do romancista cearense no prefácio de seus Sonhos d’Ouro, em 1872: “Censurem, piquem, ou calem-se, como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva, neste meu Brasil, coisa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata.”

Josué Montello. Mestre Celso Cunha. In: Cilene da Cunha Pereira, Paulo Roberto Dias Pereira (Orgs.). Miscelânea de estudos linguísticos, filológicos e literários in memoriam Celso Cunha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 57-8 (com adaptações).

Com relação a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.

Na oração ‘como lhes aprouver’, foi empregada uma forma flexionada do verbo aprazer, cujo radical é o mesmo que o do adjetivo aprazível, de uso corrente na atualidade.

 

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2646211 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Com base nas ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

Num carro, a caminho do Alto da Boa Vista, sigo com alguns jovens — alguns extremamente jovens — que se embriagam e rompem ampolas de Kelene, em cujo rótulo leio anestesiante. Sim, é fértil em recursos essa mocidade, mas do que precisamente procura ela se anestesiar? Nenhum deles sofre de algum mal profundo — e, no entanto, esse mal pior de não sofrer de mal nenhum... — e são hábeis e versados nessas coisas de éter e entorpecentes, pronunciando esse nome — Kelene — com familiaridade, nome sem dúvida mais que usual nos hospitais, mas que ouço pela primeira vez e onde julgo distinguir inquietas ressonâncias, sombrias previsões, o não sei que tom amputado e doloroso, que reflete salas de hospitais, asilos de alienados e antros escuros de vícios, todos os lugares enfim onde a alma impaciente pode passear sem arroubos finais seus gritos destruidores. Kelene, mesmo inocente, tem, no frio do seu jato efêmero e cristalino, toda uma melodia secreta de delírios fúnebres, alvorecer em êxtase e desabrochamento de deliquescências reprimidas. E o que me espanta é que esses jovens moderados, de atitudes e costumes mais que burgueses, a isto se atirem com gritos de prazer e estremecimentos animais: como que da sombra alguma coisa mais primitiva e mais antiga do que o próprio homem acorda em suas faces necrosadas o gosto do imundo.

Lúcio Cardoso. Diário completo. Rio de Janeiro: INL, 1970, p. 194-5 (com adaptações).

Com base nas ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

No texto, não há qualquer evidência de que o narrador, possivelmente mais idoso que as demais pessoas que o acompanham, seja usuário do produto descrito.

 

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2646210 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Num carro, a caminho do Alto da Boa Vista, sigo com alguns jovens — alguns extremamente jovens — que se embriagam e rompem ampolas de Kelene, em cujo rótulo leio anestesiante. Sim, é fértil em recursos essa mocidade, mas do que precisamente procura ela se anestesiar? Nenhum deles sofre de algum mal profundo — e, no entanto, esse mal pior de não sofrer de mal nenhum... — e são hábeis e versados nessas coisas de éter e entorpecentes, pronunciando esse nome — Kelene — com familiaridade, nome sem dúvida mais que usual nos hospitais, mas que ouço pela primeira vez e onde julgo distinguir inquietas ressonâncias, sombrias previsões, o não sei que tom amputado e doloroso, que reflete salas de hospitais, asilos de alienados e antros escuros de vícios, todos os lugares enfim onde a alma impaciente pode passear sem arroubos finais seus gritos destruidores. Kelene, mesmo inocente, tem, no frio do seu jato efêmero e cristalino, toda uma melodia secreta de delírios fúnebres, alvorecer em êxtase e desabrochamento de deliquescências reprimidas. E o que me espanta é que esses jovens moderados, de atitudes e costumes mais que burgueses, a isto se atirem com gritos de prazer e estremecimentos animais: como que da sombra alguma coisa mais primitiva e mais antiga do que o próprio homem acorda em suas faces necrosadas o gosto do imundo.

Lúcio Cardoso. Diário completo. Rio de Janeiro: INL, 1970, p. 194-5 (com adaptações).

Com base nas ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

O texto evoca o estranhamento do narrador em relação a jovens que não teriam qualquer razão perceptível para usar Kelene, bem como ao fato de que nenhum dos jovens ofereceu-lhe o anestesiante.

 

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