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Foram encontradas 492 questões.

2646230 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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O subúrbio de S. Geraldo, no ano de 192..., já misturava ao cheiro de estrebaria algum progresso. Quanto mais fábricas se abriam nos arredores, mais o subúrbio se erguia em vida própria, sem que os habitantes pudessem dizer que transformação os atingia. Os movimentos já se haviam congestionado e não se poderia atravessar uma rua sem desviar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam, enquanto um automóvel impaciente buzinava atrás lançando fumaça. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e sanguinolentos. De manhã, entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina, transportando madeira e ferro, as cestas de peixe se espalhavam pela calçada, vindas, através da noite, de centros maiores. Dos sobrados desciam mulheres despenteadas com panelas, os peixes eram pesados quase na mão, enquanto os vendedores em mangas de camisa gritavam os preços. E quando, sobre o alegre movimento da manhã, soprava o vento fresco e perturbador, dir-se-ia que a população inteira se preparava para um embarque.

Clarice Lispector. A cidade sitiada. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 15-6.

Com referência às ideias e às estruturas do texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

A relação estabelecida entre as duas primeiras orações do segundo período do texto expressa a proporcionalidade da mudança em curso no subúrbio de S. Geraldo.

 

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2646229 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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O subúrbio de S. Geraldo, no ano de 192..., já misturava ao cheiro de estrebaria algum progresso. Quanto mais fábricas se abriam nos arredores, mais o subúrbio se erguia em vida própria, sem que os habitantes pudessem dizer que transformação os atingia. Os movimentos já se haviam congestionado e não se poderia atravessar uma rua sem desviar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam, enquanto um automóvel impaciente buzinava atrás lançando fumaça. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e sanguinolentos. De manhã, entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina, transportando madeira e ferro, as cestas de peixe se espalhavam pela calçada, vindas, através da noite, de centros maiores. Dos sobrados desciam mulheres despenteadas com panelas, os peixes eram pesados quase na mão, enquanto os vendedores em mangas de camisa gritavam os preços. E quando, sobre o alegre movimento da manhã, soprava o vento fresco e perturbador, dir-se-ia que a população inteira se preparava para um embarque.

Clarice Lispector. A cidade sitiada. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 15-6.

Com referência às ideias e às estruturas do texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

No primeiro período do texto, Clarice Lispector, em linguagem figurada, refere-se ao contexto híbrido do subúrbio de S. Geraldo na década de 20 do século passado, resultante da chegada do progresso.

 

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2646228 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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O subúrbio de S. Geraldo, no ano de 192..., já misturava ao cheiro de estrebaria algum progresso. Quanto mais fábricas se abriam nos arredores, mais o subúrbio se erguia em vida própria, sem que os habitantes pudessem dizer que transformação os atingia. Os movimentos já se haviam congestionado e não se poderia atravessar uma rua sem desviar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam, enquanto um automóvel impaciente buzinava atrás lançando fumaça. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e sanguinolentos. De manhã, entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina, transportando madeira e ferro, as cestas de peixe se espalhavam pela calçada, vindas, através da noite, de centros maiores. Dos sobrados desciam mulheres despenteadas com panelas, os peixes eram pesados quase na mão, enquanto os vendedores em mangas de camisa gritavam os preços. E quando, sobre o alegre movimento da manhã, soprava o vento fresco e perturbador, dir-se-ia que a população inteira se preparava para um embarque.

Clarice Lispector. A cidade sitiada. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 15-6.

Com referência às ideias e às estruturas do texto acima, julgue (C ou E) o item que se segue.

Os segmentos “um automóvel impaciente buzinava” e “entre os caminhões que pediam passagem” expressam a mesma figura de linguagem.

 

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2646227 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.

Sou formado em desencontros.

A sensatez me absurda.

Os delírios verbais me terapeutam.

Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).

(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.

Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

As antíteses congraçam.

Manoel de Barros. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 49.

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo ao poema de Manoel de Barros.

O uso da função fática da linguagem na oração “palavra aceita tudo” ressalta o didatismo que permeia o poema.

 

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2646226 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.

Sou formado em desencontros.

A sensatez me absurda.

Os delírios verbais me terapeutam.

Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).

(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.

Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

As antíteses congraçam.

Manoel de Barros. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 49.

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo ao poema de Manoel de Barros.

As palavras “inconexo” e “absurda” foram formadas pelo mesmo processo de derivação, que resulta em mudança de categoria gramatical de um vocábulo, sem que haja alteração morfológica.

 

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2646225 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.

Sou formado em desencontros.

A sensatez me absurda.

Os delírios verbais me terapeutam.

Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).

(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.

Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

As antíteses congraçam.

Manoel de Barros. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 49.

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo ao poema de Manoel de Barros.

O último verso do poema — “As antíteses congraçam” — resume o que a própria composição dos demais versos demonstra.

 

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2646224 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.

Sou formado em desencontros.

A sensatez me absurda.

Os delírios verbais me terapeutam.

Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).

(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.

Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

As antíteses congraçam.

Manoel de Barros. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 49.

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo ao poema de Manoel de Barros.

No trecho “E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso”, a omissão da vírgula necessária para isolar a oração adjetiva explicativa introduzida pelo pronome “que” é desvio da norma gramatical circunscrito à denominada licença poética.

 

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2646223 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto de Graciliano Ramos.

Os termos “escandalosamente” e “bonito” exercem, nas orações a que pertencem, a mesma função sintática.

 

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2646222 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto de Graciliano Ramos.

Dada a posição que ocupa na oração, o termo adverbial “Na literatura de ficção” deveria estar isolado por vírgula, se atendido o rigor gramatical.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2646221 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão.

Nestes quatrocentos anos de colonização literária, recebemos a influência de muitos países. Sempre tentamos reproduzir, com todas as minudências, a língua, as ideias, a vida de outras terras. Não sei donde vem esse medo que temos de sermos nós mesmos. Queremos que nos tomem por outros.

(...)

Na literatura de ficção é que a falta de caráter dos brasileiros se revelou escandalosamente. Em geral, os nossos escritores mostraram uma admirável ignorância das coisas que estavam perto deles. Tivemos caboclos brutos semelhantes aos heróis cristãos e bem-falantes em excesso. Os patriotas do século passado, em vez de estudar os índios, estudaram tupi nos livros e leram Walter Scott. Tivemos damas das camélias em segunda mão. Tivemos paisagens inúteis em linguagem campanuda, pores do sol difíceis, queimadas enormes, secas cheias de adjetivos. José Veríssimo construiu um candeeiro em não sei quantas páginas.

Muito pouco — rios, poentes cor de sangue, incêndios, candeeiros.

Os ficcionistas indígenas engancharam-se regularmente na pintura dos caracteres. Não mostraram os personagens por dentro: apresentaram o exterior deles, os olhos, os cabelos, os sapatos, o número de botões. Insistiram em pormenores desnecessários, e as figuras ficaram paradas.

Os diálogos antigos eram uma lástima. Em certos romances, os indivíduos emudeciam, em outros, falavam bonito demais, empregavam linguagem de discurso. Dois estrangeiros, perdidos nas brenhas, discutiam política, sociologia, trapalhadas com pedantismo horrível, que se estiravam por muitas dezenas de folhas. Via-se perfeitamente que o autor nunca tinha ouvido nada semelhante ao palavrório dos seus homens.

Felizmente, vamo-nos afastando dessa absurda contrafação de literaturas estranhas. Os romancistas atuais compreenderam que, para a execução de obra razoável, não bastam retalhos de coisas velhas e novas importadas da França, da Inglaterra e da Rússia.

(...)

O que é certo é que o romance do Nordeste existe e vai para diante. As livrarias estão cheias de nomes novos. Não é razoável pensarmos que toda essa gente escreva porque um dia o Sr. José Américo publicou um livro que foi notado com espanto no Rio:

— Um romance do Nordeste! Que coisa extraordinária!

Graciliano Ramos. In: Thiago Mio Salla (Org.). Garranchos/Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 138-9 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto de Graciliano Ramos.

O termo “de outras terras” especifica os três núcleos do complemento do verbo “reproduzir” — “língua”, “ideias” e “vida”.

 

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