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Foram encontradas 492 questões.

2538226 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto
“Ah, o Brasil, que país!”, exclama uma personagem de La Vie Dangereuse. “Que país, esse Brasil!”, repetirão, com diferentes entonações, o melancólico capitão de longo curso, um agente da Terceira Internacional, a mulher de um diplomata reformado. Na verdade, as dimensões míticas desse subcontinente verde, sobrecarregado de movimento e de vida, só poderiam fascinar a imaginação de Blaise Cendrars. Viajante sem bagagem e sem descanso, o poeta do Transiberiano já se havia declarado irrevogavelmente contra as descrições de paisagens. Penetrar as coisas, interpretá-las, descrever ao seu modo animais e homens era a missão do viajante algo entediado.
A dança da paisagem... As sempre mesmas Europas... Diante delas: o Brasil, vaga expressão geográfica, país novo, quase um desconhecido de si mesmo, imenso laboratório de culturas onde coexistiam as mais contraditórias experiências de tempo social. A síntese psicológica e cultural, a paisagem humana feita de contrastes tão variados do Brasil teriam de exercer gradativamente sobre Cendrars atração irresistível.
Mesmo antes da Grande Guerra — está-se farto de saber —, o jovem escritor suíço pretendia, com argumentos mais ou menos míticos, haver conhecido os países decisivos do mundo, da China aos Estados Unidos da América, da Alemanha ao Egito. O seu prestígio no mundo literário, consolidado já a partir de 1912 — data da primeira edição de Les Pâques à New York —, crescera definitivamente, no ano seguinte, com a Prose du Transsibérien et de la Petite Jehanne de France, para não falarmos de outros textos que publica em revistas de vanguarda. É preciso não esquecer também algumas plaquettes ilustradas pelos pintores cubistas mais conhecidos, e que os colecionadores disputam. A Anthologie Nègre, de 1921, vem a ser um êxito de público e de crítica; consegue mesmo rejuvenescer um pouco ainda a moda primitivista, já em desfavor nos meios mais à vanguarda.
É depois da publicação da Anthologie que o compositor Darius Milhaud, interessado pelo jazz desde o final da guerra, procura a colaboração do poeta para um balé de tema negro que deseja compor. De 1917 a 1918, Milhaud fora adido à Legação francesa no Rio de Janeiro. Viera para essa cidade a convite de Paul Claudel, então chefe da missão diplomática do seu país junto ao governo brasileiro, e que não desejava interromper a colaboração intelectual que ambos mantinham na Europa. Compositor e poeta continuarão a trabalhar juntos no Brasil, em busca de uma integração dramática entre música e teatro declamado. Para Darius Milhaud, entretanto, que também escreve a música incidental para a farsa lírica O Urso e a Lua, do seu chefe, a descoberta da música popular brasileira — o maxixe, o choro, o tanguinho, o samba —, com os seus problemas específicos de ritmo, foi muito estimulante. No Rio, ele conhecera o jovem Villa-Lobos — para quem Stravinski acabara de ser uma revelação —, que começava a encarar a possibilidade de utilizar, de maneira orgânica, o vasto folclore nacional. Por sua vez, Milhaud, introduzido no ambiente da música popular do Rio, recolhe o material que utilizará em seguida no Boeuf sur le Toît, chaplinesca “cinema-sinfonia sobre temas sul-americanos”, cujo título e frenético dinamismo se inspiram, entre outros motivos, no maxixe Boi no Telhado, de Zé Boiadêro.
Darius Milhaud foi, sem dúvida, o primeiro intelectual a despertar a curiosidade de Cendrars pelo Brasil. Conhecedor do singular temperamento do amigo novo, o compositor percebeu o interesse que a experiência de um mundo inteiramente inédito — dessa paisagem deveras anônima, conforme Gobineau a classificara com hepático mau humor cinquenta anos antes — iria provocar no poeta do Panama. Mesmo assim, é pouco provável que, nessa época, Cendrars alimentasse o mais vago propósito de partir para a América do Sul, rumo ao país delirante e ingênuo dos bois no telhado. Os acontecimentos, porém, se precipitam. La Création du Monde seria dançada pelos Ballets Suédois, de Rolf de Maré, em outubro de 1923, e, em janeiro do ano seguinte, com o irônico desprendimento do turista ocasional, Cendrars estava zarpando para o Brasil a bordo do Formoso, vapor que batia bandeira francesa.
Alexandre Eulálio. A aventura brasileira de Blaise Cendrars. São Paulo: Quíron, 1978, p.14-6 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto, julgue o item subsequente.
Segundo o autor do texto, Blaise Cendrars foi instigado a viajar ao Brasil devido à existência, no país, de ritmos musicais exóticos, entre os quais o maxixe.
 

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2538225 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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“Ah, o Brasil, que país!”, exclama uma personagem de La Vie Dangereuse. “Que país, esse Brasil!”, repetirão, com diferentes entonações, o melancólico capitão de longo curso, um agente da Terceira Internacional, a mulher de um diplomata reformado. Na verdade, as dimensões míticas desse subcontinente verde, sobrecarregado de movimento e de vida, só poderiam fascinar a imaginação de Blaise Cendrars. Viajante sem bagagem e sem descanso, o poeta do Transiberiano já se havia declarado irrevogavelmente contra as descrições de paisagens. Penetrar as coisas, interpretá-las, descrever ao seu modo animais e homens era a missão do viajante algo entediado.
A dança da paisagem... As sempre mesmas Europas... Diante delas: o Brasil, vaga expressão geográfica, país novo, quase um desconhecido de si mesmo, imenso laboratório de culturas onde coexistiam as mais contraditórias experiências de tempo social. A síntese psicológica e cultural, a paisagem humana feita de contrastes tão variados do Brasil teriam de exercer gradativamente sobre Cendrars atração irresistível.
Mesmo antes da Grande Guerra — está-se farto de saber —, o jovem escritor suíço pretendia, com argumentos mais ou menos míticos, haver conhecido os países decisivos do mundo, da China aos Estados Unidos da América, da Alemanha ao Egito. O seu prestígio no mundo literário, consolidado já a partir de 1912 — data da primeira edição de Les Pâques à New York —, crescera definitivamente, no ano seguinte, com a Prose du Transsibérien et de la Petite Jehanne de France, para não falarmos de outros textos que publica em revistas de vanguarda. É preciso não esquecer também algumas plaquettes ilustradas pelos pintores cubistas mais conhecidos, e que os colecionadores disputam. A Anthologie Nègre, de 1921, vem a ser um êxito de público e de crítica; consegue mesmo rejuvenescer um pouco ainda a moda primitivista, já em desfavor nos meios mais à vanguarda.
É depois da publicação da Anthologie que o compositor Darius Milhaud, interessado pelo jazz desde o final da guerra, procura a colaboração do poeta para um balé de tema negro que deseja compor. De 1917 a 1918, Milhaud fora adido à Legação francesa no Rio de Janeiro. Viera para essa cidade a convite de Paul Claudel, então chefe da missão diplomática do seu país junto ao governo brasileiro, e que não desejava interromper a colaboração intelectual que ambos mantinham na Europa. Compositor e poeta continuarão a trabalhar juntos no Brasil, em busca de uma integração dramática entre música e teatro declamado. Para Darius Milhaud, entretanto, que também escreve a música incidental para a farsa lírica O Urso e a Lua, do seu chefe, a descoberta da música popular brasileira — o maxixe, o choro, o tanguinho, o samba —, com os seus problemas específicos de ritmo, foi muito estimulante. No Rio, ele conhecera o jovem Villa-Lobos — para quem Stravinski acabara de ser uma revelação —, que começava a encarar a possibilidade de utilizar, de maneira orgânica, o vasto folclore nacional. Por sua vez, Milhaud, introduzido no ambiente da música popular do Rio, recolhe o material que utilizará em seguida no Boeuf sur le Toît, chaplinesca “cinema-sinfonia sobre temas sul-americanos”, cujo título e frenético dinamismo se inspiram, entre outros motivos, no maxixe Boi no Telhado, de Zé Boiadêro.
Darius Milhaud foi, sem dúvida, o primeiro intelectual a despertar a curiosidade de Cendrars pelo Brasil. Conhecedor do singular temperamento do amigo novo, o compositor percebeu o interesse que a experiência de um mundo inteiramente inédito — dessa paisagem deveras anônima, conforme Gobineau a classificara com hepático mau humor cinquenta anos antes — iria provocar no poeta do Panama. Mesmo assim, é pouco provável que, nessa época, Cendrars alimentasse o mais vago propósito de partir para a América do Sul, rumo ao país delirante e ingênuo dos bois no telhado. Os acontecimentos, porém, se precipitam. La Création du Monde seria dançada pelos Ballets Suédois, de Rolf de Maré, em outubro de 1923, e, em janeiro do ano seguinte, com o irônico desprendimento do turista ocasional, Cendrars estava zarpando para o Brasil a bordo do Formoso, vapor que batia bandeira francesa.
Alexandre Eulálio. A aventura brasileira de Blaise Cendrars. São Paulo: Quíron, 1978, p.14-6 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto, julgue o item subsequente.
O trecho “paisagem deveras anônima”, que apresenta expressão atribuída a Gobineau, faz referência a um lugar novo e ainda desconhecido, tendo sentido similar ao do trecho “um mundo inteiramente inédito” (R. 63 e 64).
 

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1043235 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Tendo em vista que, na primeira metade do século XX, houve importantes inovações nos padrões culturais e estéticos, julgue o seguinte item.
O painel Guernica, de Pablo Picasso, representa o impacto social do uso de armas de destruição em massa, como os bombardeios aéreos e as metralhadoras, durante a Primeira Guerra Mundial.
 

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1043234 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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“Os acontecimentos são como a espuma da história, bolhas que, grandes ou pequenas, irrompem na superfície e, ao estourar, provocam ondas que se propagam a maior ou menor distância”. São de Georges Duby essas observações. De acordo com ele, “acontecimentos sensacionais” — a exemplo da chegada da corte portuguesa à cidade do Rio de Janeiro, em 1808; da criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815; da oficialização do rompimento entre Brasil e Portugal, em 1822; da outorga da Carta Constitucional do Império, em 1824; e da abdicação de D. Pedro I, em 1831 — podem apresentar valor inestimável para a compreensão das circunstâncias históricas nas quais se evidenciaram.

Cecília Helena de Salles Oliveira. Repercussões da revolução: delineamento do império do Brasil, 1808/1831. In: Keila Grinberg e Ricardo Salles (Orgs.). O Brasil imperial (vol. I - 1808-1831). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 17 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto precedente como referência inicial e considerando aspectos marcantes do processo de independência do Brasil, julgue o item seguinte.

Decisão estratégica de D. João VI, a criação do Reino Unido, em 1815, objetivou demonstrar, às forças políticas que passaram momentaneamente a dominar o cenário europeu devido à derrota imposta a Bonaparte e ao pretenso aniquilamento do legado da Revolução Francesa, que Portugal não se curvava aos ditames do Congresso de Viena.

 

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1043233 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Acerca das correntes ideológicas radicais que marcaram o cenário político do século XIX, julgue o item a seguir.
O anarquismo do século XIX, que se desenvolveu a partir do pensamento e da ação de figuras como Pierre-Joseph Proudhon e Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, foi marcado pelo ideal de supressão do Estado, pela aceitação da violência como tática política e pela rejeição do antissemitismo.
 

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1043232 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Tendo em vista que, na primeira metade do século XX, houve importantes inovações nos padrões culturais e estéticos, julgue o seguinte item.
Le Corbusier propunha que a arquitetura superasse o desnível entre a modernidade tecnológica, presente na indústria, e o atraso nas cidades sem estética e nas residências populares com conforto precário.
 

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1043231 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Acerca das correntes ideológicas radicais que marcaram o cenário político do século XIX, julgue o item a seguir.
Como intelectual engajado e agitador político, Karl Marx procurou cultivar laços com diferentes grupos socialistas da Europa, ainda que, paralelamente, tenha, com frequência, sublinhado o caráter “científico” da sua versão da teoria socialista e criticado o “socialismo utópico” de alguns dos seus contemporâneos.
 

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1043230 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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No ano em que ocorreu, a campanha das Diretas Já mobilizou milhares de pessoas, mas, naquele mesmo ano, a mobilização foi logo frustrada, retardando-se com isso o avanço da democracia representativa. Em seguida, assistiu-se no país à nova mobilização da sociedade, agora voltada para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Ou, melhor dizendo, de um Congresso Constituinte. Aí, até a redação final e aprovação da Constituição de 1988, de tudo se discutiu. A Constituição resultante, apesar de tudo, representou o marco de um novo período da história do Brasil contemporâneo.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Senac São Paulo, 2008, p. 872 (com adaptações).
Considerando a abrangência histórica do período a que o texto anterior se refere, julgue o item que se segue.
A volta do poder civil, depois de duas décadas de regime autoritário sob os militares, deu-se de forma inesperada: eleito indiretamente pelo mesmo colégio eleitoral que a ditadura criara, Tancredo Neves não chegou a tomar posse, abatido por enfermidade que o levaria à morte algum tempo depois. Seu vice, José Sarney, que fizera boa parte de sua carreira política apoiando o regime militar, acabou por ser o condutor do novo cenário político que fazia o país reencontrar-se com as liberdades democráticas.
 

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1043229 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Acerca das correntes ideológicas radicais que marcaram o cenário político do século XIX, julgue o item a seguir.
O socialismo no século XIX fundou-se não apenas nas formulações teóricas dos intelectuais que o idealizaram, como Charles Fourrier, Louis Blanc e Karl Marx, mas também na prática de movimentos como o socialismo cristão, o sindicalismo e o cooperativismo.
 

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1043228 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Acerca das repercussões da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais em diferentes aspectos nas sociedades latino-americanas, julgue o item seguinte.
A Argentina manteve-se neutra durante quase toda a Segunda Guerra Mundial, tendo declarado guerra à Alemanha em 1945, para reunir condições de participar da Conferência de São Francisco.
 

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