Foram encontradas 292 questões.
Texto 2 para responder à questão.
A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova
dos nove”.
GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações
Com relação às ideias e aos sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A expressão “‘um certame dessa natureza’” caracteriza a Semana de Arte Moderna como uma investida brasileira inovadora, na qual produtos de categorias artísticas diversas foram apresentados.
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Texto 2 para responder à questão.
A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova
dos nove”.
GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações
Com relação às ideias e aos sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O neologismo “‘bandeirantemente’” descreve, em linguagem conotativa, o pioneirismo de Mário de Andrade como modernista brasileiro e sua preferência por não se apresentar simplesmente como um artista regido pelos ideais futuristas de Marinetti, e sim por ideais libertários.
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Texto 2 para responder à questão.
A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova
dos nove”.
GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações
Com relação às ideias e aos sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A contradição entre “futurismo” e “passadismo” define as propostas artísticas que se apresentavam no cenário artístico do início do século 20, o que representa realidades estéticas bem distintas e alheias uma à outra.
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Texto 2 para responder à questão.
A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova
dos nove”.
GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações
Com relação às ideias e aos sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
Os poetas modernistas consideravam as propostas futuristas como inovadoras, pois elas indicavam uma ruptura radical com o passado academicista da literatura do século 19.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
No que tange aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto, julgue o item a seguir.
Os pronomes oblíquos em “desmerecê-lo” e “desviá-lo” referem-se ambos a “literato”.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
No que tange aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto, julgue o item a seguir.
O sujeito da forma verbal “podem” é composto por dois núcleos: “escravidão” e “liberdade”.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
No que tange aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto, julgue o item a seguir.
O pronome pessoal “eles” relaciona-se ao seu antecedente “os homens”.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
No que tange aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto, julgue o item a seguir.
O termo “fosfoream” possui sentido crítico e remete à debilidade dos produtores de arte no Brasil.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
Com relação aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto apresentado, julgue o item a seguir.
As vírgulas que separam as expressões “com razão” e “as ciências” justificam-se pela mesma explicação sintática.
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Texto 1 para responder à questão.
Discurso sobre a história da literatura do Brasil Através das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns espíritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes a essas luzes errantes que o peregrino admira em solitária noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-á, com razão, acusar o Brasil de não ter produzido inteligências de mais subido quilate? Mas que povo escravizado pôde cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua existência torturaram? Que colono tão feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas páginas da memória? Quem, não tendo a consciência da sua livre existência, só rodeado de cenas de miséria, pôde soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade? Não, as ciências, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, não são partilhas do escravo, irmãs da glória, fogem do país amaldiçoado,
onde a escravidão rasteja e só com a liberdade habitar podem.
Se refletirmos, veremos que não são poucos os escritores, para um país que era colônia portuguesa, para um país onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a glória uma independência individual, e um título de mais reconhecimento público, parece, ao contrário, desmerecê-lo e desviá-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: é um poeta! Sem distinguir se apenas é um trovista ou um homem de gênio, como se dissessem: eis aí um ocioso, um parasita, que não pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.
MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Discurso sobre a história da literatura do Brasil (manifesto publicado na revista Nictheroy em 1836). Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br>. Acesso em: 3 mar. 2022 (fragmento).
Com relação aos aspectos linguísticos e ao sentido do texto apresentado, julgue o item a seguir.
De acordo com o texto, as artes literárias encontram terreno fértil em uma terra onde haja liberdade.
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