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Os princípios da recta ratio, orientando a lex praeceptiva, emanam da consciência humana, afirmando a inter-relação ineludível entre o direito e a ética. [...] Um pequeno grupo de países – os nucleares – não pode continuar a fazer abstração ou minimizar as numerosas resoluções das Nações Unidas, válidas para todos os estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), acerca da obrigação de desarmamento nuclear. Assim sendo, meu voto dissidente assumiu uma posição diametralmente oposta à da maioria (dividida) da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com base em princípios e valores fundamentais. A CIJ, como órgão judicial principal das Nações Unidas – concluí em meu voto dissidente – deveria ter mostrado sensibilidade a respeito da matéria, e dado assim sua contribuição ao desarmamento nuclear, matéria que constitui uma das maiores preocupações da comunidade internacional vulnerável, e na verdade da humanidade como um todo.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A obrigação
universal de desarmamento nuclear. Brasília: FUNAG, 2017, p. 46-47, com adaptações.
Considerando as ideias e os aspectos semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O autor critica a CIJ, o órgão máximo das Nações Unidas, por não ter mostrado sensibilidade diante de uma das maiores preocupações da humanidade.
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Os princípios da recta ratio, orientando a lex praeceptiva, emanam da consciência humana, afirmando a inter-relação ineludível entre o direito e a ética. [...] Um pequeno grupo de países – os nucleares – não pode continuar a fazer abstração ou minimizar as numerosas resoluções das Nações Unidas, válidas para todos os estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), acerca da obrigação de desarmamento nuclear. Assim sendo, meu voto dissidente assumiu uma posição diametralmente oposta à da maioria (dividida) da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com base em princípios e valores fundamentais. A CIJ, como órgão judicial principal das Nações Unidas – concluí em meu voto dissidente – deveria ter mostrado sensibilidade a respeito da matéria, e dado assim sua contribuição ao desarmamento nuclear, matéria que constitui uma das maiores preocupações da comunidade internacional vulnerável, e na verdade da humanidade como um todo.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A obrigação
universal de desarmamento nuclear. Brasília: FUNAG, 2017, p. 46-47, com adaptações.
Considerando as ideias e os aspectos semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O autor justifica o próprio voto alinhado ao da maioria dos juízes da CIJ, em favor do desarmamento nuclear.
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Os princípios da recta ratio, orientando a lex praeceptiva, emanam da consciência humana, afirmando a inter-relação ineludível entre o direito e a ética. [...] Um pequeno grupo de países – os nucleares – não pode continuar a fazer abstração ou minimizar as numerosas resoluções das Nações Unidas, válidas para todos os estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), acerca da obrigação de desarmamento nuclear. Assim sendo, meu voto dissidente assumiu uma posição diametralmente oposta à da maioria (dividida) da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com base em princípios e valores fundamentais. A CIJ, como órgão judicial principal das Nações Unidas – concluí em meu voto dissidente – deveria ter mostrado sensibilidade a respeito da matéria, e dado assim sua contribuição ao desarmamento nuclear, matéria que constitui uma das maiores preocupações da comunidade internacional vulnerável, e na verdade da humanidade como um todo.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A obrigação
universal de desarmamento nuclear. Brasília: FUNAG, 2017, p. 46-47, com adaptações.
Considerando as ideias e os aspectos semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O sentido de “fazer abstração” é o de desconsiderar, reduzir a importância.
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Os princípios da recta ratio, orientando a lex praeceptiva, emanam da consciência humana, afirmando a inter-relação ineludível entre o direito e a ética. [...] Um pequeno grupo de países – os nucleares – não pode continuar a fazer abstração ou minimizar as numerosas resoluções das Nações Unidas, válidas para todos os estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), acerca da obrigação de desarmamento nuclear. Assim sendo, meu voto dissidente assumiu uma posição diametralmente oposta à da maioria (dividida) da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com base em princípios e valores fundamentais. A CIJ, como órgão judicial principal das Nações Unidas – concluí em meu voto dissidente – deveria ter mostrado sensibilidade a respeito da matéria, e dado assim sua contribuição ao desarmamento nuclear, matéria que constitui uma das maiores preocupações da comunidade internacional vulnerável, e na verdade da humanidade como um todo.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A obrigação
universal de desarmamento nuclear. Brasília: FUNAG, 2017, p. 46-47, com adaptações.
Considerando as ideias e os aspectos semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O sentido de “ineludível” remete à suposta ilusão das relações entre o direito e a ética.
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Tendo em vista a estrutura gramatical do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O conectivo “pois” tem valor conclusivo acerca do silenciamento de escritores que acabam sendo esquecidos, uma vez que a referida conjunção se apresenta após a forma verbal “é”.
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Tendo em vista a estrutura gramatical do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A forma verbal “há”, poderia ser substituída, no texto, tanto por existe quanto por existem, sem que isso acarretasse alteração de sentido ao texto, nem incorreção gramatical.
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Tendo em vista a estrutura gramatical do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A oração iniciada por “na medida em que”, introduz a causa do conforto que se sente com a perspectiva da mobilidade e do processo constante de redefinição da história da literatura.
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Tendo em vista a estrutura gramatical do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
No trecho “Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira”, a segunda oração exerce a mesma função que o termo sublinhado em “Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes”
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
Para David Perkins, a literatura depende dos discursos construídos acerca de uma obra em determinado período histórico de uma cultura e, por isso, ao narrar, o historiador é influenciado por um conjunto de emoções diversas que justificam as próprias omissões e ênfases.
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Por uma reescrita da história literária brasileira
Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?
Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
Por meio de linguagem denotativa, a autora trata do cânone literário utilizando-se de analogia entre as narrativas da história da literatura e as narrativas literárias, bem como da referência a diferentes períodos de produção de autoria feminina.
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