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O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando.
Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A terceira estrofe contém a figura de linguagem hipérbato, caracterizada pela inversão da ordem dos elementos da oração, e apresenta a palavra “coração” como sujeito.
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O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando.
Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A segunda estrofe contém uma sinestesia.
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O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando.
Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A palavra “lida”, na segunda estrofe, não é um substantivo e não designa o feminino de “lide”, no sentido de labuta, luta da vida.
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O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando.
Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A repetição da palavra “dor” constitui a figura de linguagem anáfora.
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A democracia transformou-se em um regime semianárquico, que terá como consequência o “esboroamento” do Estado. […] A democracia parlamentar está a transformar-se cada vez mais em um regime autocrático. Mais do que na transformação, parece útil ao nosso objetivo concentrarmos a reflexão a respeito da distância entre os ideais democráticos e a “democracia real”. […] Um ouvinte meu chamou-me a atenção para as palavras de conclusão que Pasternak põe na boca de Gordon, o amigo do Doutor Jivago: “Aconteceu várias vezes ao longo da história. O que fora concebido como algo nobre e elevado tornou-se matéria bruta. Assim, a Grécia transformou-se em Roma […]”. Assim, acrescento eu, o pensamento liberal e democrático de um Locke, de um Rousseau, de um Tocqueville, de um Bentham ou de um John Stuart Mill transformou-se na ação de ... (e aqui introduza cada um o nome que entender […]).
BOBBIO, Norberto. O futuro da
democracia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 27, com adaptações.
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
Para seguir a linha de argumentação do autor, as reticências inseridas após o período “transformou-se na ação de” poderiam ser completadas, por exemplo, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948.
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A democracia transformou-se em um regime semianárquico, que terá como consequência o “esboroamento” do Estado. […] A democracia parlamentar está a transformar-se cada vez mais em um regime autocrático. Mais do que na transformação, parece útil ao nosso objetivo concentrarmos a reflexão a respeito da distância entre os ideais democráticos e a “democracia real”. […] Um ouvinte meu chamou-me a atenção para as palavras de conclusão que Pasternak põe na boca de Gordon, o amigo do Doutor Jivago: “Aconteceu várias vezes ao longo da história. O que fora concebido como algo nobre e elevado tornou-se matéria bruta. Assim, a Grécia transformou-se em Roma […]”. Assim, acrescento eu, o pensamento liberal e democrático de um Locke, de um Rousseau, de um Tocqueville, de um Bentham ou de um John Stuart Mill transformou-se na ação de ... (e aqui introduza cada um o nome que entender […]).
BOBBIO, Norberto. O futuro da
democracia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 27, com adaptações.
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A “matéria bruta” se refere ao substrato original da democracia, que precisa ser lapidado na história das sociedades.
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A democracia transformou-se em um regime semianárquico, que terá como consequência o “esboroamento” do Estado. […] A democracia parlamentar está a transformar-se cada vez mais em um regime autocrático. Mais do que na transformação, parece útil ao nosso objetivo concentrarmos a reflexão a respeito da distância entre os ideais democráticos e a “democracia real”. […] Um ouvinte meu chamou-me a atenção para as palavras de conclusão que Pasternak põe na boca de Gordon, o amigo do Doutor Jivago: “Aconteceu várias vezes ao longo da história. O que fora concebido como algo nobre e elevado tornou-se matéria bruta. Assim, a Grécia transformou-se em Roma […]”. Assim, acrescento eu, o pensamento liberal e democrático de um Locke, de um Rousseau, de um Tocqueville, de um Bentham ou de um John Stuart Mill transformou-se na ação de ... (e aqui introduza cada um o nome que entender […]).
BOBBIO, Norberto. O futuro da
democracia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 27, com adaptações.
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A ênfase do autor recai sobre o processo de transformação da democracia, mais do que sobre a distância entre seus ideais e sua realidade.
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A democracia transformou-se em um regime semianárquico, que terá como consequência o “esboroamento” do Estado. […] A democracia parlamentar está a transformar-se cada vez mais em um regime autocrático. Mais do que na transformação, parece útil ao nosso objetivo concentrarmos a reflexão a respeito da distância entre os ideais democráticos e a “democracia real”. […] Um ouvinte meu chamou-me a atenção para as palavras de conclusão que Pasternak põe na boca de Gordon, o amigo do Doutor Jivago: “Aconteceu várias vezes ao longo da história. O que fora concebido como algo nobre e elevado tornou-se matéria bruta. Assim, a Grécia transformou-se em Roma […]”. Assim, acrescento eu, o pensamento liberal e democrático de um Locke, de um Rousseau, de um Tocqueville, de um Bentham ou de um John Stuart Mill transformou-se na ação de ... (e aqui introduza cada um o nome que entender […]).
BOBBIO, Norberto. O futuro da
democracia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 27, com adaptações.
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O texto contém crítica de fundo aos princípios democráticos que se concretizam, na realidade histórica, em regimes anárquicos e autocráticos.
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Quem mais contribuiu para a difusão do mito do bom selvagem foi Américo Vespúcio. […] Em carta de 1502, diz o navegador que os índios “não têm fé nem lei alguma, vivem segundo a natureza, […] não possuem consigo bens próprios, pois tudo é comum. Não têm fronteiras de reinos ou províncias, não têm rei […] Não administram justiça, […] porque em seu meio não reina a cobiça […] Não dão qualquer valor nem ao ouro, nem à prata, nem a joias” […] “Vivem segundo a natureza, podendo dizer-se mais epicuristas que estoicos” […]
O mito do bom selvagem se consolidou graças ao franciscano André Thévet e ao calvinista Jean de Léry. […] Em 1557, […] foi Thévet que inaugurou a tradição de criticar a cultura europeia por meio do confronto com os costumes indígenas. […]
Também Jean de Léry […] desculpa o que parecia chocante nos costumes indígenas. A antropofagia, por exemplo, não é pior do que a prática da usura, na Europa, já que os usurários “sugam o sangue e a medula, e por conseguinte comem vivos as viúvas, os órfãos e outros infelizes […] Esses agiotas são portanto mais cruéis do que os selvagens”. […]
A guerra nesse país é nobre e generosa […] Seu único fundamento é a glória, a virtude, no sentido antigo. Os prisioneiros têm uma coragem indômita, desprezam a morte […].
ROUANET, Sergio Paulo. O mito do
bom selvagem. Arte pensamento, 1999. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2023, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A palavra "indômita" significa que a coragem dos prisioneiros é difícil de ser domada.
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Quem mais contribuiu para a difusão do mito do bom selvagem foi Américo Vespúcio. […] Em carta de 1502, diz o navegador que os índios “não têm fé nem lei alguma, vivem segundo a natureza, […] não possuem consigo bens próprios, pois tudo é comum. Não têm fronteiras de reinos ou províncias, não têm rei […] Não administram justiça, […] porque em seu meio não reina a cobiça […] Não dão qualquer valor nem ao ouro, nem à prata, nem a joias” […] “Vivem segundo a natureza, podendo dizer-se mais epicuristas que estoicos” […]
O mito do bom selvagem se consolidou graças ao franciscano André Thévet e ao calvinista Jean de Léry. […] Em 1557, […] foi Thévet que inaugurou a tradição de criticar a cultura europeia por meio do confronto com os costumes indígenas. […]
Também Jean de Léry […] desculpa o que parecia chocante nos costumes indígenas. A antropofagia, por exemplo, não é pior do que a prática da usura, na Europa, já que os usurários “sugam o sangue e a medula, e por conseguinte comem vivos as viúvas, os órfãos e outros infelizes […] Esses agiotas são portanto mais cruéis do que os selvagens”. […]
A guerra nesse país é nobre e generosa […] Seu único fundamento é a glória, a virtude, no sentido antigo. Os prisioneiros têm uma coragem indômita, desprezam a morte […].
ROUANET, Sergio Paulo. O mito do
bom selvagem. Arte pensamento, 1999. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2023, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O huguenote citado faz uso de linguagem conotativa para matizar a antropofagia, comparando-a com a usura.
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