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3234667 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 3

Memento mori: um convite à reflexão sobre a vida e a morte

Joana Coelho

Memento mori é uma expressão em latim que significa "lembre-se de que você irá morrer''. Apesar de parecer algo mórbido, funciona como um convite à reflexão para que nós pensemos sobre o nosso modo de viver e valorizemos mais a vida, cumprindo nossos deveres e desejos sem perder tempo e estando prontos para o momento em que a morte chegar.

Acredita-se que a expressão memento mori tenha surgido na Roma Antiga, onde os povos tinham a tradição de realizar um desfile de gala em homenagem a um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha. Era uma cerimônia tão surpreendente e admirável que poderia fazer com que o general se sentisse um verdadeiro deus. Por isso, sempre havia um servo que tinha como única função ficar atrás do general dizendo "Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!" que significa "Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer!".

Esperava-se que a frase fosse um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal, forçando-o a assimilar a cerimônia com sabedoria e razão e fazendo-o se lembrar de que a fama e glória são temporárias.

A reflexão sobre a morte, de alguma maneira, passou por todas as gerações e diferentes culturas. Os filósofos estoicos, por exemplo, apesar de não usarem diretamente a expressão memento mori, em diversos momentos : refletiram sobre a maneira ideal de se viver. Marco Aurélio, antigo Imperador Romano, frequentemente se lembrava de sua morte. Uma de suas frases demonstra isso: "Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom." Séneca, um dos filósofos e escritores estoicos, também refletia sobre o assunto. Em sua carta ao amigo Lucllio, intitulada "Da economia do tempo", ele diz: "Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisto, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte".

Assim como esses filósofos, outros pensadores acreditam que, ao se lembrar da morte, pode-se valorizar melhor a vida e aprender a viver melhor. Essa é a ideia e a função da expressão memento mori que, nos tempos modernos, segue sendo um convite à reflexão.

A ideia do memento mori inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crênios, esqueletos e outros slmbolos da morte. Essas artes eram exibidas para fazer com que os espectadores meditassem sobre a morte e refletissem sobre suas vidas.

Memento mori também foi um gênero de música de réquiem e funeral comum na Europa antiga. O gênero denominado dança macabra ou dança da morte foi uma espécie de memento mori e se tratava de uma peça dramática que destacava a universalidade e inevitabilidade da morte.

Na literatura, a reflexão sobre a morte também é extensa. Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática. Em uma passagem da obra Hamlet, o personagem de mesmo nome ergue o crênio do bobo da corte e lamenta o que acontece com todas as pessoas após a morte, até mesmo com as mais vivas e vibrantes: todas são reduzidas a um crênio oco.

Em todos esses pensamentos, reflexões, contextos e expressões artísticas, o ideal do memento mori é o mesmo: nos fazer lembrar da nossa mortalidade, livrando-nos de vaidades e futilidades terrenas e incentivando-nos a valorizar e viver melhor a vida.

Disponível em: https://www.ecycle.eom.br/memento-mori/. Acesso em 22 de outubro de 2022. Texto adaptado.

Analise as afirmativas abaixo.

I- Acredita-se que a expressão memento morí tenha surgido na Roma Antiga, onde um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha, ao ser homenageado, sentia-se um verdadeiro deus. Era necessário que um servo ficasse atrás do general lembrando-lhe de que, embora fosse um deus, ainda era mortal e, portanto, deveria morrer.

II- Memento Morí era um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal. Dessa forma, ele deveria receber as homenagens de modo sábio e racional, a fim de que não se esquecesse de que reconhecimento e resplendor não são eternos.

III- Várias gerações e diversas culturas assimilaram, direta ou indiretamente, a reflexão proposta pelo Memento Mori, como, por exemplo, os filósofos e Imperadores, porém alguns, reconhecendo que falharam, acreditavam que isso era coisa do passado.

Assinale a opção correta.

 

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3234666 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 3

Memento mori: um convite à reflexão sobre a vida e a morte

Joana Coelho

Memento mori é uma expressão em latim que significa "lembre-se de que você irá morrer''. Apesar de parecer algo mórbido, funciona como um convite à reflexão para que nós pensemos sobre o nosso modo de viver e valorizemos mais a vida, cumprindo nossos deveres e desejos sem perder tempo e estando prontos para o momento em que a morte chegar.

Acredita-se que a expressão memento mori tenha surgido na Roma Antiga, onde os povos tinham a tradição de realizar um desfile de gala em homenagem a um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha. Era uma cerimônia tão surpreendente e admirável que poderia fazer com que o general se sentisse um verdadeiro deus. Por isso, sempre havia um servo que tinha como única função ficar atrás do general dizendo "Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!" que significa "Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer!".

Esperava-se que a frase fosse um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal, forçando-o a assimilar a cerimônia com sabedoria e razão e fazendo-o se lembrar de que a fama e glória são temporárias.

A reflexão sobre a morte, de alguma maneira, passou por todas as gerações e diferentes culturas. Os filósofos estoicos, por exemplo, apesar de não usarem diretamente a expressão memento mori, em diversos momentos : refletiram sobre a maneira ideal de se viver. Marco Aurélio, antigo Imperador Romano, frequentemente se lembrava de sua morte. Uma de suas frases demonstra isso: "Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom." Séneca, um dos filósofos e escritores estoicos, também refletia sobre o assunto. Em sua carta ao amigo Lucllio, intitulada "Da economia do tempo", ele diz: "Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisto, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte".

Assim como esses filósofos, outros pensadores acreditam que, ao se lembrar da morte, pode-se valorizar melhor a vida e aprender a viver melhor. Essa é a ideia e a função da expressão memento mori que, nos tempos modernos, segue sendo um convite à reflexão.

A ideia do memento mori inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crênios, esqueletos e outros slmbolos da morte. Essas artes eram exibidas para fazer com que os espectadores meditassem sobre a morte e refletissem sobre suas vidas.

Memento mori também foi um gênero de música de réquiem e funeral comum na Europa antiga. O gênero denominado dança macabra ou dança da morte foi uma espécie de memento mori e se tratava de uma peça dramática que destacava a universalidade e inevitabilidade da morte.

Na literatura, a reflexão sobre a morte também é extensa. Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática. Em uma passagem da obra Hamlet, o personagem de mesmo nome ergue o crênio do bobo da corte e lamenta o que acontece com todas as pessoas após a morte, até mesmo com as mais vivas e vibrantes: todas são reduzidas a um crênio oco.

Em todos esses pensamentos, reflexões, contextos e expressões artísticas, o ideal do memento mori é o mesmo: nos fazer lembrar da nossa mortalidade, livrando-nos de vaidades e futilidades terrenas e incentivando-nos a valorizar e viver melhor a vida.

Disponível em: https://www.ecycle.eom.br/memento-mori/. Acesso em 22 de outubro de 2022. Texto adaptado.

No trecho "A ideia do memento morí inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crânios, esqueletos e outros símbolos da morte. Essas artes eram exibidas [ ... ]" (5º§), os termos destacados estabelecem relações lexicais pertencentes ao mesmo campo semântico. Assinale a opção em que os vocábulos apresentam, respectivamente, o mesmo tipo de relação que ocorre no trecho acima.

 

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3234665 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 3

Memento mori: um convite à reflexão sobre a vida e a morte

Joana Coelho

Memento mori é uma expressão em latim que significa "lembre-se de que você irá morrer''. Apesar de parecer algo mórbido, funciona como um convite à reflexão para que nós pensemos sobre o nosso modo de viver e valorizemos mais a vida, cumprindo nossos deveres e desejos sem perder tempo e estando prontos para o momento em que a morte chegar.

Acredita-se que a expressão memento mori tenha surgido na Roma Antiga, onde os povos tinham a tradição de realizar um desfile de gala em homenagem a um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha. Era uma cerimônia tão surpreendente e admirável que poderia fazer com que o general se sentisse um verdadeiro deus. Por isso, sempre havia um servo que tinha como única função ficar atrás do general dizendo "Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!" que significa "Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer!".

Esperava-se que a frase fosse um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal, forçando-o a assimilar a cerimônia com sabedoria e razão e fazendo-o se lembrar de que a fama e glória são temporárias.

A reflexão sobre a morte, de alguma maneira, passou por todas as gerações e diferentes culturas. Os filósofos estoicos, por exemplo, apesar de não usarem diretamente a expressão memento mori, em diversos momentos : refletiram sobre a maneira ideal de se viver. Marco Aurélio, antigo Imperador Romano, frequentemente se lembrava de sua morte. Uma de suas frases demonstra isso: "Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom." Séneca, um dos filósofos e escritores estoicos, também refletia sobre o assunto. Em sua carta ao amigo Lucllio, intitulada "Da economia do tempo", ele diz: "Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisto, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte".

Assim como esses filósofos, outros pensadores acreditam que, ao se lembrar da morte, pode-se valorizar melhor a vida e aprender a viver melhor. Essa é a ideia e a função da expressão memento mori que, nos tempos modernos, segue sendo um convite à reflexão.

A ideia do memento mori inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crênios, esqueletos e outros slmbolos da morte. Essas artes eram exibidas para fazer com que os espectadores meditassem sobre a morte e refletissem sobre suas vidas.

Memento mori também foi um gênero de música de réquiem e funeral comum na Europa antiga. O gênero denominado dança macabra ou dança da morte foi uma espécie de memento mori e se tratava de uma peça dramática que destacava a universalidade e inevitabilidade da morte.

Na literatura, a reflexão sobre a morte também é extensa. Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática. Em uma passagem da obra Hamlet, o personagem de mesmo nome ergue o crênio do bobo da corte e lamenta o que acontece com todas as pessoas após a morte, até mesmo com as mais vivas e vibrantes: todas são reduzidas a um crênio oco.

Em todos esses pensamentos, reflexões, contextos e expressões artísticas, o ideal do memento mori é o mesmo: nos fazer lembrar da nossa mortalidade, livrando-nos de vaidades e futilidades terrenas e incentivando-nos a valorizar e viver melhor a vida.

Disponível em: https://www.ecycle.eom.br/memento-mori/. Acesso em 22 de outubro de 2022. Texto adaptado.

Assinale a opção que apresenta a reescritura correta, na segunda pessoa do plural, do trecho "Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom." (4º§).

 

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3234664 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 3

Memento mori: um convite à reflexão sobre a vida e a morte

Joana Coelho

Memento mori é uma expressão em latim que significa "lembre-se de que você irá morrer''. Apesar de parecer algo mórbido, funciona como um convite à reflexão para que nós pensemos sobre o nosso modo de viver e valorizemos mais a vida, cumprindo nossos deveres e desejos sem perder tempo e estando prontos para o momento em que a morte chegar.

Acredita-se que a expressão memento mori tenha surgido na Roma Antiga, onde os povos tinham a tradição de realizar um desfile de gala em homenagem a um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha. Era uma cerimônia tão surpreendente e admirável que poderia fazer com que o general se sentisse um verdadeiro deus. Por isso, sempre havia um servo que tinha como única função ficar atrás do general dizendo "Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!" que significa "Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer!".

Esperava-se que a frase fosse um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal, forçando-o a assimilar a cerimônia com sabedoria e razão e fazendo-o se lembrar de que a fama e glória são temporárias.

A reflexão sobre a morte, de alguma maneira, passou por todas as gerações e diferentes culturas. Os filósofos estoicos, por exemplo, apesar de não usarem diretamente a expressão memento mori, em diversos momentos : refletiram sobre a maneira ideal de se viver. Marco Aurélio, antigo Imperador Romano, frequentemente se lembrava de sua morte. Uma de suas frases demonstra isso: "Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom." Séneca, um dos filósofos e escritores estoicos, também refletia sobre o assunto. Em sua carta ao amigo Lucllio, intitulada "Da economia do tempo", ele diz: "Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisto, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte".

Assim como esses filósofos, outros pensadores acreditam que, ao se lembrar da morte, pode-se valorizar melhor a vida e aprender a viver melhor. Essa é a ideia e a função da expressão memento mori que, nos tempos modernos, segue sendo um convite à reflexão.

A ideia do memento mori inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crênios, esqueletos e outros slmbolos da morte. Essas artes eram exibidas para fazer com que os espectadores meditassem sobre a morte e refletissem sobre suas vidas.

Memento mori também foi um gênero de música de réquiem e funeral comum na Europa antiga. O gênero denominado dança macabra ou dança da morte foi uma espécie de memento mori e se tratava de uma peça dramática que destacava a universalidade e inevitabilidade da morte.

Na literatura, a reflexão sobre a morte também é extensa. Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática. Em uma passagem da obra Hamlet, o personagem de mesmo nome ergue o crênio do bobo da corte e lamenta o que acontece com todas as pessoas após a morte, até mesmo com as mais vivas e vibrantes: todas são reduzidas a um crênio oco.

Em todos esses pensamentos, reflexões, contextos e expressões artísticas, o ideal do memento mori é o mesmo: nos fazer lembrar da nossa mortalidade, livrando-nos de vaidades e futilidades terrenas e incentivando-nos a valorizar e viver melhor a vida.

Disponível em: https://www.ecycle.eom.br/memento-mori/. Acesso em 22 de outubro de 2022. Texto adaptado.

Analise as afirmativas abaixo.

I- A virgula em "Marco Aurélio, antigo Imperador Romano, frequentemente se lembrava de sua morte." (4º§) é usada para isolar aposto.

II- A virgula em "Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro [ ... ]" (4°§) é usada para isolar conjunção conclusiva.

III- A virgula em "Na literatura, a reflexão sobre a morte também .é extensa [ ... ]" (8°§) é usada para isolar o adjunto adverbial antecipado.

IV- A virgula em "Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática." (8º§) é usada para isolar vocativo.

Assinale a opção correta.

 

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3234663 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

Analise as afirmativas abaixo:

I- Escolha a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

II- O rei vizinho era feliz, porém sofria por ter de deixar tudo depois que morresse.

III- O rei, durante a caçada, encontrou um homem felicíssimo numa vinha distante.

Assinale a opção que apresenta em qual(is) afirmativa(s) o superlativo foi empregado.

 

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3234662 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

Que função da linguagem predomina no trecho "- Escute, jovem, deve me fazer um favor." (25°§)?

 

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3234661 Ano: 2023
Disciplina: Português
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Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

No trecho "Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos." (1º§), ocorrem dois exemplos de coesão referencial. Assinale a opção que apresenta qual mecanismo básico foi utilizado, respectivamente.

 

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3234660 Ano: 2023
Disciplina: Português
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Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

Assinale a opção em que o trecho"- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo." (29º§) está transposto para o discurso indireto corretamente.

 

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3234659 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

Assinale a opção em que a regência verbal está empregada corretamente.

 

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3234658 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto 2

A Camisa do Homem Feliz

Ítalo Calvino

Um rei tinha um filho único e gostava dele como da luz dos próprios olhos. Mas o prlncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

- Mas o que lhe falta? - perguntava-lhe o rei. O que é que você tem? - Está apaixonado? Se quer uma moça qualquer, diga-me e será sua esposa, seja ela a filha do rei mais poderoso da terra ou a mais pobre camponesa.

- Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas! Teatros, bailes, música, cantos; mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram pessoas mais instruldas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o prlncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e voltaram à presença do rei.

- Majestade, pensamos, lemos as estrelas; eis o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora, a fim de procurar o homem mais feliz.

Levaram-lhe um padre.

- O senhor é feliz? Perguntou o rei.

- Sim, majestade!

- Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

- Quem me dera, Majestade!

- Rua! Fora daqui! Procuro um homem feliz e contente com a sua condição; e não um que deseja estar melhor do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei vizinho, disseram-lhe, que era feliz e contente de fato: tinha esposa bonita, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra e seu pais estava em paz. Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

- Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudol Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

E os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou em uma lebre e pensava havê-la atingido, mas a lebre, mancando, fugiu. O rei a perseguiu e afastou-se do séquito. No meio dos campos, ouviu um homem cantando uma cançoneta. O rei parou: "Quem canta assim, só pode ser felizl", e seguindo o canto entrou numa vinha, vendo entre as fileiras um jovem que cantava, podando as videiras.

- Bom dia, Majestade - cumprimentou o jovem. Tão cedo e já pelos campos?

- Bendito seja você! Quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

-Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar nem com o Papa.

- Mas por que você, um rapaz tão forte ...

- Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

"Finalmente um homem feliz!", pensou o rei.

- Escute, jovem, deve me fazer um favor.

- Se puder, de todo o coração, Majestade.

- Espere um momento. E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito: - Venham! Venham! Meu filho está salvo. E os conduz até o jovem. - Bendito jovem, diz, dar-lhe-ei tudo o que quiser! Mas me dê, me dê ...

- O que, Majestade?

- Meu filho está à beira da morte! Só você poderá salvá-lo. Venha aqui, espere!

E o segura, começa a desabotoar-lhe o casaco. De repente, estaca. Tombam-lhe os braços.

O homem feliz não tinha camisa.

Calvino, I. Fábulas Italianas. Companhia de bolso. 1990.

Assinale a opção em que a classificação da oração destacada está INCORRETA.

 

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