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Leia o Texto abaixo, para responder à questão.
Texto
A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.
Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.
Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.
Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.
A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?
A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.
CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).
Levando em consideração o quarto parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
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Texto
A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.
Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.
Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.
Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.
A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?
A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.
CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).
Levando em consideração o terceiro parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
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Texto
A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.
Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.
Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.
Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.
A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?
A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.
CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).
Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
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Dado o número complexo z = 2 + 4i , o valor de z3 é
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Quanto aos mecanismos de busca para redes peer-to-peer (P2P), analise as assertivas abaixo.
I. Transmissão de inundação de consultas: este mecanismo envia a consulta para pares específicos considerados possíveis locais onde o recurso pode ser encontrado.
II. Sistemas de seleção por encaminhamento: quando um par realiza uma consulta, ela é transmitida para todos os seus pares vizinhos. Se um par vizinho não fornecer resultados, então esta consulta é transmitida para os pares vizinhos do vizinho. Se o recurso for encontrado, aquele par envia uma mensagem para o par que originou a consulta, indicando que encontrou resultados para a consulta e, então, estabelece uma conexão P2P.
III. Redes de hash table descentralizada: cada arquivo armazenado no sistema possui uma identidade (id) única do seu conteúdo, sendo utilizada para identificá-lo e localizá-lo, o que torna a localização mais rápida e impede uma busca nebulosa (fuzzy) dentro da rede, de forma que, se um par procura um arquivo de um outro par, ele obrigatoriamente deverá ter uma identificação adequada para poder receber o arquivo.
É correto o que se afirma em
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Considerando o HTTP, correlacione as colunas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Coluna A
1. GET.
2. POST.
3. CONNECT.
4. TRACE.
Coluna B
( ) Acrescenta algo a uma página web.
( ) Usa um proxy com conexão segura.
( ) Lê uma página web.
( ) Ecoa a solicitação recebida.
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- Fundamentos de ProgramaçãoAlgoritmosAlgoritmos de OrdenaçãoInsertion Sort
- Fundamentos de ProgramaçãoComplexidade
- Fundamentos de ProgramaçãoLógica de Programação
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Sobre a API Wi-fi Direct do Android 4.0, analise as assertivas abaixo.
I. Permite que dispositivos com o hardware adequado se conectem diretamente entre si por meio Wi-fi sem a necessidade de um ponto de acesso (AP).
II. Permite descobrir e conectar dispositivos que suportam Wi-fi Direct, e comunicar por uma conexão rápida por distâncias maiores do que uma conexão bluetooth.
III. Métodos que permitem a descoberta e conexão com outros dispositivos são definidos na classe WifiP2pManager.
É correto o que se afirma em
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- Fundamentos de ProgramaçãoAlgoritmosAlgoritmos Greedy
- Fundamentos de ProgramaçãoAlgoritmosConstrução de Algoritmos
- Fundamentos de ProgramaçãoAlgoritmosProgramação Dinâmica
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Caderno Container