Magna Concursos

Foram encontradas 118 questões.

2488793 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 1

A questão da(s) norma(s)

A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.

Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.

Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.

Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.

FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:

desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].

Assinale a alternativa correta em que o vocábulo à direita pode substituir o da esquerda, sem prejuízo de sentido no texto.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2488753 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Com relação à fala e à escrita, assinale a alternativa correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2488646 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 1

A questão da(s) norma(s)

A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.

Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.

Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.

Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.

FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:

desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].

Verifique se as afirmativas abaixo estão em consonância com o texto 1 e identifique as verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).

( ) “[O] padrão tem sua importância e utilidade como força centrípeta no interior do vasto universo centrífugo que caracteriza as línguas” (FARACO, 2008, p. 80). Esta assertiva é corroborada pela proposta do autor no último parágrafo do texto.

( ) “[A] palavra norma tem, no uso contemporâneo, dois sentidos. No primeiro, norma se correlaciona com normalidade […]. No segundo, norma se correlaciona com normatividade […]” (FARACO, 2008, p. 76). A primeira acepção de norma recobre as noções de norma culta e norma-padrão; a segunda remete à noção de norma curta.

( ) “[S]e a pessoa for ao dicionário Houaiss, vai encontrar a informação de que o verbo adequar é regular, tendo – em sua conjugação – todas as formas, inclusive as rizotônicas […], como eu adéquo, ela adéqua […], e assim por diante” (FARACO, 2008, p. 106). Esta citação evidencia que o dicionário apresenta problemas em relação a regras da norma culta/ comum/standard.

( ) “Napoleão Mendes de Almeida a propósito do nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, [chama-o] de ‘derrotista da nossa gramática’” (FARACO, 2008, p. 96). Esta citação ilustra a noção de norma curta.

( ) “Celso Luft registra a mudança ocorrida na regência do verbo ‘assistir’ de transitivo indireto para direto: observa que a regência inovadora é de uso corrente na escrita literária […]. Isso não impede, diz ele, que se aconselhe o uso da regência clássica em situações mais formais” (FARACO, 2008, p. 101). Esta citação atesta que a norma culta é heterogênea.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2488564 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 7

A atividade discursiva

O primeiro sentido de enunciação é o de ato produtor do enunciado. Benveniste diz que a “enunciação é essa colocação em funcionamento da língua por um ato individual de utilização” (1974, p. 80). Anscombre e Ducrot afirmam: “A enunciação será para nós a atividade linguageira exercida por aquele que fala no momento em que fala”. E continuam: “Ela é, portanto, por essência histórica, da ordem do acontecimento e, como tal, não se reproduz nunca duas vezes idêntica a si mesma” (1976, p. 18). Ora, se a enunciação for considerada como ato singular, daí decorre logicamente sua impossibilidade de constituir um objeto científico. Conforme mostra Todorov, ela será “o próprio arquétipo de incognoscível” (1970, p. 3). Como demonstra Catherine Kerbrat-Orecchioni, opera-se aqui um deslizamento semântico (1980, p. 29-30). O linguista não mais opõe “a enunciação ao enunciado como o ato a seu produto, um processo dinâmico a seu resultado estático”, mas, impossibilitado de estudar diretamente o ato da enunciação, busca “identificar e descrever os traços do ato no produto”.

FIORIN, José Luiz. As astúcias da enunciação:

as categorias de pessoa, espaço e tempo. São Paulo: Ática, 1996. p. 31.

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) a partir do texto 7.

( ) Trata-se de uma perspectiva de língua que é condizente com as seguintes abordagens teóricas: análise do discurso, análise da conversação, pragmática, teoria da argumentação e estruturalismo europeu.

( ) Sendo a enunciação um evento, seu estudo positivista e sistematizável torna-se improcedente, uma vez que não é possível prever a duplicação de um acontecimento.

( ) Nessa perspectiva há uma ruptura com a linguística tradicional, a partir de um novo objeto que se configura sem o suporte da língua enquanto sistema.

( ) O estudo da língua enquanto enunciado implica considerar que as formas linguísticas são mobilizadas a partir de um projeto discursivo.

( ) O conceito de enunciação considera dois planos interligados, a história e o discurso.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2488170 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 1

A questão da(s) norma(s)

A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.

Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.

Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.

Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.

FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:

desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].

No que se refere à organização textual e a aspectos linguísticos do texto 1, analise as afirmativas abaixo.

1. No primeiro parágrafo, em “Enquanto a primeira é […], a segunda é […]”, o caráter contrastivo das ideias sobressai mais que a concomitância dos fatos, tornando-se a relação temporal secundária.

2. No segundo parágrafo, em “Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão [..]”, a construção “Se […] é também” tem valor argumentativo, articulando uma causa e um efeito.

3. No segundo parágrafo, em “[…] ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes”, a partícula “se” está funcionando como conjunção condicional e introduz uma situação hipotética.

4. No terceiro parágrafo, em “A resposta parece ser bem clara”, o autor utiliza o recurso estilístico da antítese, relacionando termos que expressam conteúdos opostos para dar relevo a pensamentos contraditórios.

5. No terceiro parágrafo, em “Cabe perguntar se o Brasil […]” e “A questão é saber se a natural diversidade […]”, a partícula “se” está funcionando como conjunção integrante e introduz, em ambos os casos, uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2487777 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Considerando os tipos de gramática, correlacione as colunas a seguir.

Coluna 1

1. Gramática normativa
2. Gramática descritiva
3. Gramática reflexiva
4. Gramática do uso

Coluna 2

( ) “é a gramática em explicitação. Esse conceito se refere mais ao processo do que aos resultados: representa as atividades de observação e reflexão sobre a língua que buscam detectar […] a constituição e funcionamento da língua” (TRAVAGLIA, 1996, p. 33)

( ) “só pode partir da noção de uma linguagem a ser descrita na enunciação e pela enunciação. O componente pragmático é determinante.” A gramática ativa dois sistemas de regras, a reger os enunciados e a própria atividade linguística. (NEVES, 2012, p. 191)

( ) “a preocupação central é tornar conhecidas, de forma explícita, as regras de fato utilizadas pelos falantes – daí a expressão ‘regras que são seguidas’” (POSSENTI, 1996, p. 65)

( ) “descreve e registra para uma determinada variedade da língua […] as unidades e categorias linguísticas existentes, os tipos de construção possíveis e a função desses elementos, o modo e as condições de uso.” ((TRAVAGLIA, 1996, p. 32)

( ) “Não é um conceito científico, mas pedagógico, pois define gramática como um conjunto de conhecimentos ou habilidades aprendidos na escola e que capacitam os indivíduos para participarem de situações socio- comunicativas em que é necessário o domínio da língua padrão. (AZEREDO, 2000, p. 31-32).

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2487706 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

ALVES, Rubem. A complicada arte de ver. Disponível em:

<http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml> Acessado em 31 de março de 2014.

Considere o trecho abaixo extraído do texto.

“Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Analise as afirmativas a seguir:

1. A informação do período introduzido por “entretanto” contrasta com a informação do período precedente.

2. O segmento “cortada a cebola” é uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de particípio.

3. As formas verbais “fizera” e “havia visto” correspondem ao tempo verbal pretérito mais-que-perfeito, podendo ser reescritas como “tinha feito” e “vira”, respectivamente, mantendo-se o mesmo valor temporal.

4. A expressão “o mesmo” é uma retomada por encapsulamento, cujo escopo é o trecho “Percebi que […] para ser vista!”.

5. “Agora” está funcionando como operador argumentativo que introduz uma conclusão relativamente a argumentos apresentadas nos enunciados anteriores.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2487634 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 3

Os segredos

O que acontece às vezes com minha ignorância é que ela deixa de ser sentida como uma omissão e se torna quase palpável, assim como a escuridão, a gente às vezes parece que pode ser pegada. Quando é sentida como uma omissão, pode dar a sensação de mal-estar, uma sensação de não estar a par, enfim de ignorância mesmo. Quando ela se torna quase palpável como a escuridão, ela me ofende. O que ultimamente tem-me ofendido – e é uma ofensa mesmo porque dessa eu não tenho culpa, é uma ignorância que me é imposta – o que tem ultimamente me ofendido é sentir que em vários países há cientistas que mantêm em segredo coisas que revolucionariam meu modo de ver, de viver e de saber. Por que não contam o segredo? Porque precisam dele para criar novas coisas, e porque temem que a revelação cause pânico, por ser precoce ainda.

Então eu me sinto hoje mesmo como se estivesse na Idade Média. Sou roubada de minha própria época. Mas entenderia eu o segredo se me fosse revelado? Ah, haveria, tinha de haver um modo de eu me pôr em contato com ele.

Ao mesmo tempo estou cheia de esperanças no que o segredo encerra. Estão nos tratando como criança a quem não se assusta com verdades antes do tempo. Mas a criança sente que vem uma verdade por aí, sente como um rumor que não sabe de onde vem. E eu sinto um sussurro que promete. Pelo menos sei que há segredos, que o mundo físico e psíquico seria visto por mim de um modo totalmente novo – se ao menos eu soubesse. Eu tenho que ficar com a tênue alegria mínima do condicional “se eu soubesse”. Mas tenho que ter modéstia com a alegria. Quanto mais tênue é a alegria, mais difícil e mais precioso de captá-la – e mais amado o fio quase invisível da esperança de vir a saber.

LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. p. 32-33.

Considere o fragmento abaixo extraído do texto 3.

“a gente às vezes parece que pode ser pegada” (primeiro parágrafo)

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), tendo em vista a norma culta da língua portuguesa.

( ) O termo “a gente” exerce a função de sujeito de “pode ser pegada”, encontrando-se deslocado no enunciado.

( ) A oração subordinada exerce a função de objeto direto de “parece”.

( ) A concordância nominal de gênero com “a gente” deveria ser feita no masculino, pois se trata de uma expressão pronominal neutra, embora tenha um núcleo feminino.

( ) Na construção “a gente às vezes pode ser pegada, parece”, a palavra sublinhada passa a funcionar como modalizador epistêmico.

( ) O particípio da construção passiva apresenta-se em sua forma regular tradicional “pegada”, que se encontra, atualmente, em variação com a forma irregular inovadora “pega”.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2487044 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Dicionarização de ‘‘quando’’

Nos dicionários Houaiss e Aurélio, a entrada de quando abriga as categorias advérbio e conjunção. Vejamos as acepções apresentadas para a categoria conjunção.

No Houaiss:

quando (…) ∙ Conj. 2 conj. sub. introduz oração subord. adv., dando ideia de: 2.1 conj. temp. tempo: durante o tempo que, no tempo em que, sempre que; enquanto <q. chove, fica em casa> 2.2 conj. prop. proporção: à medida que, ao passo que <q. iam entrando em casa, tiravam os sapatos> 2.3 conj. cond. condição: se, acaso <q. achava bom, ia em frente> 2.4 conj. concs. concessão: ainda que, apesar de que <costuma convidá-la para jantar, q. sabe muito bem que ela está de regime>.

No Aurélio:

quando (…) ∙ Conj. 2 No tempo em que; no momento em que: “Quando chegaste, os violoncelos/ Que andam no ar cantaram hinos” (A. G. Obra poética, p. 212). 3 Ainda que; mesmo que; se acaso; se: “– De maneira que te sacrificas a um desejo nosso? / Quando fosse sacrifício, fá-lo-ia de boa cara; mas não é.” (M. A., Helena, p. 180). 4 Apesar de que: “Puseram-nos no almoço manteiga, rabanetes e azeitonas, quando nós só comemos azeitonas.” (F. J., Folhetins, p. 288). 5 ao passo que: Eles têm todas as regalias, quando nós temos só os encargos.

NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática passada a limpo:

conceitos, análises e parâmetros. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. p. 110-111. [Adaptado]

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o texto.

( ) O Houaiss apresenta uma subclassificação seguida de algumas conjunções/locuções conjuntivas sinônimas acompanhadas de exemplo, ao passo que o Aurélio não subclassifica gramaticalmente, apresentando apenas uma listagem de acepções exemplificadas.

( ) As ideias de tempo, proporção, condição e concessão estão presentes, nessa ordem, nos dois dicionários.

( ) Há categorizações não coincidentes entre os dois dicionários no que se refere às ideias de concessão e condição, as quais podem ser interpretadas como indício de expansão polissêmica gradual, típica de certas mudanças linguísticas.

( ) Em ambos os dicionários, o registro das acepções parte de um valor mais abstrato (tempo), estendendo-se gradativamente para valores mais concretos.

( ) Em “Prometeu visitá-la mas não disse quando”, a categoria do vocábulo sublinhado não é contemplada em nenhuma das acepções apresentadas.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2487042 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Analise as afirmativas abaixo sobre oralidade e letramento.

1. Oralidade e letramento são práticas sociais com finalidades sociocomunicativas e, portanto, só assumem sentido enquanto inscritas em contextos sociais específicos.

2. As capacidades necessárias para a realização da leitura, na ótica dos estudos dos letramentos, são basicamente de natureza cognitiva, envolvendo as percepções visual e auditiva e a memória.

3. No letramento, a fluência da leitura ocorre de forma gradual, linear e progressiva, partindo de micro estruturas até as construções sintáticas mais elaboradas.

4. A oralidade, diferentemente do letramento, é de amplo uso cotidiano e se distingue claramente da escrita, por se apoiar inteiramente na língua falada.

5. A leitura implica mais do que a decodificação de grafemas e fonemas; envolve processos elaborados de compreensão e produção dos sentidos.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas