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Foram encontradas 86 questões.

3343589 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, para responder à questão.

Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.

— Mamãe, tire esse cabelo da testa.
— É um pouco da franja ainda.
— Mas você fica feia assim.
— Tenho o direito de ser feia.
— Não tem!
— Tenho!
— Eu disse que não tem!

E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sérioa: uma pessoa, meu filho no caso, estava- me cortando a liberdadeb. E eu não suportei, nem vindo de filhoc. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade.d Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele:e o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.

(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)

A zeugma é uma das formas da elipse. Consiste em fazer participar de dois ou mais enunciados um termo expresso apenas em um deles.

(Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo, 2001. Adaptado.)

Identifica-se, no último parágrafo da crônica, o emprego da zeugma em:

 

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3343588 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, para responder à questão.

Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.

— Mamãe, tire esse cabelo da testa.
— É um pouco da franja ainda.
— Mas você fica feia assim.
— Tenho o direito de ser feia.
— Não tem!
— Tenho!
— Eu disse que não tem!

E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sério: uma pessoa, meu filho no caso, estava- me cortando a liberdade. E eu não suportei, nem vindo de filho. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade. Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele: o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.

(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)

Ao se transpor a fala “— Mamãe, tire esse cabelo da testa.” para o discurso indireto, o verbo sublinhado assume a forma:

 

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3343587 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, para responder à questão.

Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.a

— Mamãe, tire esse cabelo da testa.
— É um pouco da franja ainda.
— Mas você fica feia assim.
— Tenho o direito de ser feia.b
— Não tem!
— Tenho!
— Eu disse que não tem!

E assim foi que se formou o clima de brigac. O motivo não era fútil, era sério: uma pessoa, meu filho no caso, estava- me cortando a liberdade. E eu não suportei, nem vindo de filho. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade. Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele: o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal?d Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.e

(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)

O gênero textual crônica pode provocar reflexões profundas a partir da apresentação de situações banais do cotidiano. A autora demonstra ter consciência desse aspecto no trecho:

 

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3343586 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

Pede o desejo, dama, que vos veja,

Não entende o que pede, está enganado.

É este amor tão fino e tão delgado1,

Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousa a qual natural seja

Que não queira perpétuo seu estado,

Não quer logo o desejo o desejado,

Por que não falte nunca onde sobeja2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,

Que como a grave4 pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.

Assi5 o pensamento (pela parte

Que vai tomar de mim, terrestre, humana)

Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.

2 sobejar: sobrar, ter em excesso.

3 afeito: afeto, sentimento.

4 grave: pesada.

5 assi: assim.

“Que como a grave pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.”

Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:

 

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3343585 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

Pede o desejo, dama, que vos veja,a
Não entende o que pede, está enganadob.
É este amor tão fino e tão delgadob1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.a

Não há cousa a qual natural sejac
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobejac2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,e
Que como a grave4 pedra tem por arted
O centro desejar da natureza.

Assi5 o pensamento (pela parted
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)e
Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.

Classifica-se como rica a rima que ocorre entre palavras de classes gramaticais diferentes. Esse tipo de rima ocorre no par:

 

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3343584 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.

Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.

Em “É este amor tão fino e tão delgado, / Que quem o tem não sabe o que deseja.”, o trecho sublinhado expressa, em relação à oração que o antecede, ideia de

 

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3343583 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.

Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.

Na terceira estrofe, ao comparar seu sentimento com uma pedra, o eu lírico reforça

 

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3343582 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

Pede o desejo, damab, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.d
É este amor tão finoe e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousaa a qual natural seja
Que não queira perpétuod seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da naturezac.

Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestrec, humanab)
Foi, senhorab, pedir esta baixezae.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.

Há no soneto um conflito entre a afeição espiritual e o desejo carnal. Ratifica essa oposição o emprego dos termos

 

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3343581 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o trecho do romance Encarnação, de José de Alencar, para responder à questão.

Conheci outrora uma família que morava em São Clemente. Havia em sua casa agradáveis reuniões de que fazia os encantos uma filha, bonita moça de dezoito anos, corada como a aurora e loura como o sol.

Amália seduzia especialmente pela graça radiante, e pela viçosa e ingênua alegria, que manava dos lábios vermelhos, como dos olhos de topázio, e lhe rorejava1 a lúcida beleza.

Sua risada argentina era a mais cintilante das volatas2 que ressoavam entre os rumores festivos da casa, onde à noite o piano trinava sob os dedos ágeis da melhor discípula do Arnaud.

Acontecia-lhe chorar algumas vezes por causa de um vestido que a modista não lhe fizera a gosto, ou de um baile muito desejado que se transferia; mas essas lágrimas efêmeras, que saltavam em bagas dos grandes olhos luminosos, iam nas covinhas da boca transformar-se em cascatas de risos frescos e melodiosos.

Tinha razão de folgar.

Era o carinho dos pais e a predileta de quantos a conheciam. Muitos dos mais distintos moços da corte a adoravam. Ela, porém, preferia a isenção de menina; e não pensava em escolher um dentre tantos apaixonados, que a cercavam.

Os pais, que desejavam muito vê-la casada e feliz, sentiam quando ela recusava algum partido vantajoso. Mas reconheciam ao mesmo tempo que formosa, rica e prendada como era, a filha tinha o direito de ser exigente; e confiavam no futuro.

Outra e bem diversa era a causa da indiferença da moça.

Amália não acreditava no amor. A paixão para ela só existia no romance. Os enlevos3 de duas almas a viverem uma da outra não passavam de arroubos de poesia, que davam em comédia quando os queriam transportar para o mundo real.

Tinha sobre o casamento ideias mui positivas. Considerava o estado conjugal uma simples partilha de vida, de bens, de prazeres e trabalhos.

Estes não os queria: os mais ela os possuía e gozava, mesmo solteira, no seio de sua família.

Era feliz; não compreendia, portanto, a vantagem de ligar- se para sempre a um estranho, no qual podia encontrar um insípido companheiro, se não fosse um tirano doméstico.

Estes pensamentos, Amália não os enunciava, nem os erigia em opiniões. Eram apenas os impulsos íntimos de sua vontade; obedecendo a eles, não tinha a menor pretensão à excentricidade.

Ao contrário, como sabia do desejo dos pais, aceitava de boa mente a corte de seus admiradores. Mas estes bem percebiam que para a travessa e risonha vestal4 dos salões, o amor não era mais do que um divertimento de sociedade, semelhante à dança ou à música.

Conservando a sua independência de filha querida, e moça da moda, Amália não nutria prejuízos contra o casamento, que aliás aceitava como uma solução natural para o outono da mulher.

Ela bem sabia, que depois de haver gozado da mocidade, no fim de sua esplêndida primavera, teria de pagar o tributo à sociedade, e como as outras escolher um marido, fazer-se dona-de-casa, e rever nos filhos a sua beleza desvanecida.

Até lá, porém, era e queria ser flor. Das suas lições de botânica lhe ficara bem viva esta recordação, que o fruto só desponta quando as pétalas começam a fanar-se: se vem antes disso, eiva5.

(Encarnação, 2003.)

1 rorejar: gotejar.

2 volata: série de notas musicais executadas rapidamente.

3 enlevo: êxtase, deleite.

4 vestal: sacerdotisa da deusa romana Vesta; mulher muito bonita que devia guardar rigorosa castidade.

5 eivar: falhar.

“o fruto só desponta quando as pétalas começam a fanar-se: se vem antes disso, eiva.”

O ensinamento presente nesse trecho corresponde ao provérbio:

 

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3343580 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o trecho do romance Encarnação, de José de Alencar, para responder à questão.

Conheci outrora uma família que morava em São Clemente. Havia em sua casa agradáveis reuniões de que fazia os encantos uma filha,a bonita moça de dezoito anos, corada como a aurora e loura como o sol.

Amália seduzia especialmente pela graça radiante, e pela viçosa e ingênua alegria, que manava dos lábios vermelhos, como dos olhos de topázio, e lhe rorejava1 a lúcida beleza.

Sua risada argentina era a mais cintilante das volatas2 que ressoavam entre os rumores festivos da casa, onde à noite o piano trinava sob os dedos ágeis da melhor discípula do Arnaud.

Acontecia-lhe chorar algumas vezes por causa de um vestido que a modista não lhe fizera a gosto, ou de um baile muito desejado que se transferia; mas essas lágrimas efêmeras, que saltavam em bagas dos grandes olhos luminosos, iam nas covinhas da boca transformar-se em cascatas de risos frescos e melodiosos.

Tinha razão de folgar.

Era o carinho dos pais e a predileta de quantos a conheciam. Muitos dos mais distintos moços da corte a adoravamb. Ela, porém, preferia a isenção de menina; e não pensava em escolher um dentre tantos apaixonados, que a cercavam.

Os pais, que desejavam muito vê-la casada e feliz, sentiam quando ela recusava algum partido vantajoso. Mas reconheciam ao mesmo tempo que formosa, rica e prendada como era, a filha tinha o direito de ser exigente; e confiavam no futuro.

Outra e bem diversa era a causa da indiferença da moça.

Amália não acreditava no amor. A paixão para ela só existia no romance. Os enlevos3 de duas almas a viverem uma da outra não passavam de arroubos de poesiac, que davam em comédia quando os queriam transportar para o mundo real.

Tinha sobre o casamento ideias mui positivas. Considerava o estado conjugal uma simples partilha de vida, de bens, de prazeres e trabalhos.

Estes não os queria: os mais ela os possuía e gozava, mesmo solteira, no seio de sua família.

Era feliz; não compreendia, portanto, a vantagem de ligar- se para sempre a um estranho, no qual podia encontrar um insípido companheiro, se não fosse um tirano doméstico.

Estes pensamentos, Amália não os enunciava, nem os erigia em opiniõesd. Eram apenas os impulsos íntimos de sua vontade; obedecendo a eles, não tinha a menor pretensão à excentricidade.

Ao contrário, como sabia do desejo dos pais, aceitava de boa mente a corte de seus admiradores. Mas estes bem percebiam que para a travessa e risonha vestal4 dos salões, o amor não era mais do que um divertimento de sociedade, semelhante à dança ou à música.

Conservando a sua independência de filha querida, e moça da moda, Amália não nutria prejuízos contra o casamento, que aliás aceitava como uma solução natural para o outono da mulher.

Ela bem sabia, que depois de haver gozado da mocidade, no fim de sua esplêndida primavera, teria de pagar o tributo à sociedade, e como as outras escolher um marido, fazer-se dona-de-casa, e rever nos filhos a sua beleza desvanecida.

Até lá, porém, era e queria ser flor. Das suas lições de botânica lhe ficara bem viva esta recordação,e que o fruto só desponta quando as pétalas começam a fanar-se: se vem antes disso, eiva5.

(Encarnação, 2003.)

1 rorejar: gotejar.

2 volata: série de notas musicais executadas rapidamente.

3 enlevo: êxtase, deleite.

4 vestal: sacerdotisa da deusa romana Vesta; mulher muito bonita que devia guardar rigorosa castidade.

5 eivar: falhar.

Quando repetido em uma oração, a fim de reforçar a mensagem, o objeto direto classifica-se como pleonástico. Identifica- se esse tipo de objeto direto em:

 

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