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2312103 Ano: 2020
Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu Capítulo IV, que versa sobre o Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer, ao assinalar o direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho das crianças e dos jovens, assegura-lhes

( ) que haja diversidade de condições para o acesso e permanência na escola;

( ) direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;

( ) o acesso gratuito à escola, mesmo que distante de sua residência.

Com relação ao direito à educação, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.

Assinale a alternativa que apresente a ordem correta, de cima para abaixo.

 

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2312101 Ano: 2020
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Para assegurar o acesso ao Ensino Fundamental, como direito público subjetivo, no seu artigo 5º, a LDB instituiu medidas que se interpenetram ou complementam, estabelecendo que, para exigir o cumprimento pelo Estado desse ensino obrigatório, qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, podem acionar o poder público. Essa medida se complementa com a obrigatoriedade atribuída aos Estados e aos Municípios, em regime de colaboração, e com a assistência da União, de recensear a população em idade escolar para o Ensino Fundamental, e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso, para que seja efetuada a chamada pública correspondente

Quanto à família, os pais ou responsáveis são obrigados a matricular a criança no Ensino Fundamental, a partir da idade de

 

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2312100 Ano: 2020
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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No texto das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, afirma-se: “...tendo como base o teor do artigo 27 da LDB, pode-se entender que o processo didático em que se realizam as aprendizagens fundamenta-se na diretriz que assim delimita o conhecimento para o conjunto de atividades”.

Sendo assim, o documento assinala que os conteúdos curriculares da Educação Básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes:

I. a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática;

II. consideração das condições de escolaridade dos estudantes em cada estabelecimento;

III. orientação para o trabalho.

Analise os itens acima e assinale

 

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2312099 Ano: 2020
Disciplina: Pedagogia
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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O currículo pode ser analisado com um vasto campo de estudos que se relaciona com as práticas, as políticas e é permeado por diferentes concepções e perspectivas.

Quando nos referimos às práticas cotidianas nas salas de aula, podemos dizer que estamos com o foco no currículo praticado, em ação. Em relação ao currículo praticado, as alternativas a seguir apresentam afirmativas verdadeiras, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a

 

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2312098 Ano: 2020
Disciplina: Pedagogia
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Em tempos de pandemia, por conta da covid-19, nunca foi tão importante pensar sobre a função social da escola. Com os estudantes afastados das escolas, revelam-se, com força, as desigualdades sociais de nosso país e enfatiza-se o lugar de destaque das escolas públicas para as classes populares.

Em relação ao lugar que a escola ocupa na vida das pessoas, analise as afirmativas a seguir:

I. A cultura, que nos identifica e nos dá lugar nesse mundo, é parte significativa da escola, como espaço de circulação de diferentes expressões culturais.

II. A escrita é uma experiência escolar determinante, na qual colocar em ordem o pensamento é um exercício escolar que determina o sentido próprio da escola.

III. A diferença é condição de uma formação escolar que prima pela homogeneização dos tempos e ritmos de aprendizagem, condição para a escolaridade.

Assinale

 

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2312097 Ano: 2020
Disciplina: Pedagogia
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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As tecnologias digitais têm ocupado um papel central nas profundas mudanças experimentadas em todos os aspectos da vida social. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) têm tido um papel fundamental no ensino remoto, diante da impossibilidade de aulas presenciais, no contexto da Pandemia por coronavírus.

O uso dessas tecnologias tem sido um desafio para professores e estudantes. As aulas remotas têm acontecido por meio de diferentes plataformas e redes sociais, tais como Facebook, Youtube, Zoom, Google Meet, Stream Yard.

Os conceitos de ensino remoto, educação on-line e educação a distância são distintos. Por ensino remoto, é correto compreender

 

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2312096 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.

Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.

Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.

Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.

Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professoraa. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.

Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionistab da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.

À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópicoc em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.

Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.

A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- coloniale, tematizando a misoginiad associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.

A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)

Assinale a alternativa em que a palavra tenha sido formada por composição, e não derivação.

 

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2312095 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.

Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.

Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.

Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.

Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.

Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.

À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.

Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.

A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.

A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)

Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d’água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.

Em relação ao segmento imediatamente anterior, o trecho entre parênteses, sublinhado no excerto acima, introduz uma

 

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2312094 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou culturae — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.

Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC'sa, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.

Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua épocad — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presenteb. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.

Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.

Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.

Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.

À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.

Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.

A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichiec, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.

A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)

Assinale a alternativa em que NÃO se tenha indicado caso de aposto presente no texto.

 

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2312093 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.

Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.

Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.

Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.

Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.

Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.

À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.

Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.

A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.

A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)

Ainda não cancelaram José de Alencar – escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idílico das populações indígenas conveniente ao Estado imperial de sua época – mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente.

Assinale a alternativa em que se apresente pontuação igualmente correta para o período acima.

 

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