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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas.
Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no período acima tenha sido feita de acordo com a norma culta. Não leve em consideração as mudanças de sentido.
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Taisa instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aquie marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essab marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essad tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido estac universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Assinale a alternativa em que a palavra, no texto, NÃO exerça papel anafórico.
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição.
Assinale a alternativa em que, alterando-se a estrutura do segmento sublinhado no trecho acima, tenha-se mantido a correção gramatical. Não leve em consideração possíveis alterações de sentido.
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Para comprovar a ideia central do texto, o autor se vale, mormente, de
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudob que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literaturae nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitosc surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outrosa homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interiord de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Assinale a alternativa em que a palavra exerça, no texto, papel adjetivo.
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil.
No trecho acima, foi realizada a concordância correta no trecho sublinhado. Assinale a alternativa em que isso igualmente tenha ocorrido.
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
idílico só NÃO poderia, sob pena de grave alteração de sentido, ser substituído por
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Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas
Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário — conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura — tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino.
Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Mater., identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de Sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais MC's, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando.
Ainda não cancelaram José de Alencar — escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idilico das populações indigenas conveniente ao Estado imperial de sua época — mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. À indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus, Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobri” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da Universidade Federal do Tocantins.
Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. À discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 20148 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo paírono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito (Conceição recebeu apenas um voto), sua presença nos estudos literários veio para ficar: a Universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d'água, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. À maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais & ganhando atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna critica.
À Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou para seu exame de acesso a obra de uma mulher negra, nascida em 1977 na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provém boa parte de seus estudantes. Na Uerj, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido esta universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na ferra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de 55 | extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker BO retrata no livro as agruras de uma menina negra no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai — de quem engravida e dá à luz dois filhos -, posteriormente obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
A Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós- colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso, Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawiess, da popstar Beyoncé.
A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo. À entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.
(José Ruy Lozano. Le Monde Diplomatique Brasil. diplomatique.org.br 31 de agosto de 2020)
Com base na leitura do texto e possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:
I. A escola vem passando por mudanças em relação ao tratamento e à eleição de cânones literários, encontrando-se num estágio ainda intermediário dessa mudança, por não ter abandonado estudos que poderiam ser considerados impróprios ao mundo contemporâneo.
II. Com a mudança de paradigmas provocada pelas exigências de leituras pelas Universidades em seus processos vestibulares, os professores de Ensino Médio têm de se adaptar a essa nova abordagem da história da literatura no Brasil, o que implica reaprendizado.
III. A mudança de leituras selecionadas abre a oportunidade para que os educadores redimensionem o lugar da literatura e do fazer literário. Com esse cenário, as obras lidas e os estudos literários mais se aproximam da realidade dos educandos.
Assinale
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Disciplina: Matemática
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
Um decorador resolveu indicar para um cliente uma mesa circular de 6 lugares, onde o conjunto precisa ser formado da seguinte maneira: cada cadeira de uma cor diferente das demais e de um modelo também diferente das demais. O decorador oferece ao cliente um catálogo com opções de 8 cores e outro catálogo com 7 opções de modelos de cadeira para compor a sua mesa. De quantas maneiras diferentes é possível escolher o conjunto de cadeiras para compor essa mesa?
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Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
Em relação à obrigatoriedade de permanência do estudante na escola, principalmente no Ensino Fundamental, há, na Lei 9.394/96, exigências que se centram nas relações entre a escola, os pais ou responsáveis, e a comunidade, de tal modo que a escola e os sistemas de ensino se tornam responsáveis pelos itens listados nas alternativas a seguir, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a.
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