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1993719 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança...

Assinale a alternativa em que se tenha feito corretamente a transposição do trecho acima para a forma vós.

 

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1993718 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essase águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tala instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, issoc não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eisb o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estasd estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Assinale a alternativa em que, no texto, a palavra exerça papel catafórico.

 

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1993717 Ano: 2020
Disciplina: Português
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Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

...da mesma maneira que ansiamos por segurança...

Assinale a alternativa em que, alterando-se o trecho acima, desprezando-se as mudanças de sentido, se tenha mantido a correção gramatical.

 

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1993716 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Com base na leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:

I - Ao longo da história da humanidade, no afã de tudo conhecer e dominar, o homem, ao se deparar com algo que escapa ao seu domínio, atribui-lhe explicações sobrenaturais.

II - Uma das características da ciência reside na possibilidade de construção de verdades temporárias, até que se sobreponham, a essas, novas hipóteses que alcancem o status de novas verdades.

III - A ciência, sendo fruto do pensamento e da investigação racional do homem, se coloca imune a interferências externas, seja da cultura, da religião ou do contexto social e histórico.

Assinale

 

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1993715 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outrosc momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanosb, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansara, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuaisd restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazere científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Assinale a alternativa em que a palavra indicada seja, no texto, substantivo.

 

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1993714 Ano: 2020
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Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Da forma como os três primeiros parágrafos se estruturam e se ordenam, é correto admitir, por meio de inferências, implícitos e subentendidos, que

 

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1993713 Ano: 2020
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Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderável. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas queb colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações quea nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidez no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios quec rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo qued o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentes.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizou na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de quee forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizada por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Assinale a alternativa em que o QUE, no texto, se classifique como conjunção integrante.

 

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1993712 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ

Ciência e teorias da conspiração em tempos de pandemia Desconcertado por uma crise sanitária sem precedentes, o ano de 2020 renovou o sentido de imponderávele. Até há pouco, não se imaginava que o mundo seria tragado por uma espiral de incertezas que colocaria em xeque muitas de nossas convicções, necessidades e vontades. Como em outros momentos marcados por perturbação e perplexidade, buscamos explicações e orientações que nos guiem por essas águas turbulentas.

Enquanto seres humanos, todos temos necessidades que vão além das exigências fisiológicas, como a de nos alimentar ou descansar, por exemplo. Também temos o desejo de sermos aceitos por nossos pares e fazer parte de uma comunidade, da mesma maneira que ansiamos por segurança — não somente em uma conotação pragmática de estarmos protegidos contra malefícios que nos podem ser causados, mas no seu sentido mais abrangente, traduzido por solidezb no presente e confiança no futuro.

Os seres humanos se inclinam a uma busca por certezas e explicações sobre o mundo e seus fenômenos complexos e imprevisíveis. Se há algo em comum entre mais diversos sistemas de crenças, é a tentativa de responder qual o sentido da vida e como devemos interpretar e lidar com os inevitáveis infortúnios que rodeiam a nossa breve e frágil existência. À humanidade sempre tendeu a desejar minimamente que as coisas estejam sob controle e, quando escapam a ele, é comum associar a mudança de curso a forças e entidades sobre-humanas, manifestações espirituais ou à ação de deuses. Isso é legitimo e autêntico, uma vez que - e a modernidade possibilitou essa separação — a dimensão religiosa pode ser encarada como uma das formas possíveis de conhecimento que desenvolvemos e às quais temos acesso enquanto participantes de uma cultura.

Até há alguns séculos, sociedades e comunidades tradicionais do chamado Ocidente definiam e aceitavam, predominantemente, a origem das doenças e das epidemias a partir de explicações religiosas ou míticas. O advento da Revolução Científica e do Muminismo, nos séculos XVII & XVII, respectivamente, foram dois pontos de inflexão nessa longa relação entre o homem é o mundo que o cerca. Dai por diante, a razão se tornou a ferramenta por excelência para decifrar a realidade. Com tal instrumento em mãos, a ciência desenvolveu um método original cujos resultados, ofertados por sucessivas ondas de descobertas e aprimoramentos técnicos, são surpreendentesa.

Em pouco tempo, o racionalismo deixou de ser um privilégio de circulos intelectuais restritos para ocupar parte do sistema educacional, que se universalizouc na esteira da afirmação dos Estados nacionais. À antiga crença de que forças externas controlavam tudo o que ocorria no cotidiano dos homens perdeu o vigor de outrora é ganhou um concorrente de peso. Não que o pensamento religioso precisasse ser eliminado, muito pelo contrário, mas agora o discurso científico também dava as cartas na hora de explicar os mais variados fenômenos naturais. Um dos reflexos dessa crescente racionalização foi a tendência a delegar à esfera política parte relevante da responsabilidade na área da saúde, com políticas públicas e agências reguladoras. Por motivos óbvios, isso não impede que, diante de uma calamidade, muitos possam, de forma individual e livre, se apoiar nas explicações religiosas que lhes convenham.

A ciência trabalha com probabilidades e aponta caminhos sobre “verdades provisórias”. À entrega de certezas perenes seria negar seu próprio método, pautado no ceticismo, no falibilismo e na verificação empírica. Ao invés de oráculos, mitos e tradições, as suas afirmações são estruturadas a partir de hipóteses e de teorias que buscam se sustentar na experiência e na observação dos fatos, mas todas elas refutáveis em caso de fortes evidências que as contradigam. Eis o trunfo da ciência: ser um sistema aberto de pensamento e de debate, no qual cada conclusão deve ser devidamente avalizadad por especialistas daquela área. Para não trair seus próprios princípios, ela deve evitar ao máximo os argumentos de autoridade, daí sua mobilidade e atualização constantes.

Por outro lado, a ciência é fruto do pensar e agir humanos. O seu desenvolvimento está sujeito a interferências políticas e possui, evidentemente, historicidade, refletindo seu contexto de produção. Ela também avança a partir de interesses e pode ser instrumentalizada para os mais diversos fins — incluindo a dominação e a destruição, sendo exemplos eloquentes o colonialismo e as guerras mundiais. Por isso, seria errôneo afirmar que o fazer científico é neutro, mesmo do ponto de vista das escolhas e de certas inclinações teóricas. Seja como for, o conhecimento cientifico estará sempre aberto à crítica e à contestação, desde que estas estejam calcadas, por sua vez, em afirmações submetidas ao mesmo e rigoroso método.

(...)

(Leandro Gavião é Daniel Martinez de Oliveira, Le Monde Diplomatigue Brasil, 3 de setembro de 2020)

Assinale a alternativa em que a palavra indicada tenha sido formada por processo distinto do das demais.

 

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2312121 Ano: 2020
Disciplina: Matemática
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Um decorador resolveu indicar para um cliente uma mesa circular de 6 lugares, onde o conjunto precisa ser formado da seguinte maneira: cada cadeira de uma cor diferente das demais e de um modelo também diferente das demais. O decorador oferece ao cliente um catálogo com opções de 8 cores e outro catálogo com 7 opções de modelos de cadeira para compor a sua mesa. De quantas maneiras diferentes é possível escolher o conjunto de cadeiras para compor essa mesa?

Questão Anulada

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2312102 Ano: 2020
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Instituto Acesso
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Em relação à obrigatoriedade de permanência do estudante na escola, principalmente no Ensino Fundamental, há, na Lei 9.394/96, exigências que se centram nas relações entre a escola, os pais ou responsáveis, e a comunidade, de tal modo que a escola e os sistemas de ensino se tornam responsáveis pelos itens listados nas alternativas a seguir, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a.

Questão Anulada

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