Foram encontradas 50 questões.
Analise as palavras destacadas nas frases
presentes no quadro a seguir.
1 -A imagem dela refletiu bem naquele espelho;
2 -A filha refletiu muito sobre o conselho da mãe.
Após análise dos termos em destaque nas frases, pode-se afirmar que se tratam de palavras:
1 -A imagem dela refletiu bem naquele espelho;
2 -A filha refletiu muito sobre o conselho da mãe.
Após análise dos termos em destaque nas frases, pode-se afirmar que se tratam de palavras:
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Leia a tirinha da Mafalda a seguir e responda à questão.
Após leitura da tirinha da Mafalda, analise, como verdadeiras (V) ou falsas (F), as afirmativas a seguir.
( ) A palavra “indicador” possui o mesmo significado no segundo e no quarto quadrinho da tirinha da Mafalda.
( ) O termo “AAAAAH!...” classifica-se, morfologicamente, como uma preposição.
( ) No período “Esse deve ser o tal indicador de desemprego de que tanto se fala!”, há três orações.
( ) A oração “de que tanto se fala” trata-se de uma subordinada adjetiva.
Após análise das afirmativas, conclui-se que a sequência correta é:
Após leitura da tirinha da Mafalda, analise, como verdadeiras (V) ou falsas (F), as afirmativas a seguir.
( ) A palavra “indicador” possui o mesmo significado no segundo e no quarto quadrinho da tirinha da Mafalda.
( ) O termo “AAAAAH!...” classifica-se, morfologicamente, como uma preposição.
( ) No período “Esse deve ser o tal indicador de desemprego de que tanto se fala!”, há três orações.
( ) A oração “de que tanto se fala” trata-se de uma subordinada adjetiva.
Após análise das afirmativas, conclui-se que a sequência correta é:
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O dígrafo constitui-se de duas letras representando um só fonema. Sabendo disso, assinale, a seguir, a
alternativa cuja palavra possui um dígrafo consonantal.
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Todas as palavras em destaque nas frases das alternativas a seguir possuem cinco sílabas, com exceção
do vocábulo destacado no seguinte período:
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Leia o artigo de opinião a seguir e responda a
questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
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Leia o artigo de opinião a seguir e responda a
questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
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questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras.
I. No período analisado, há três orações;
II. O termo “que o Estado” poderia ser retirado do período para melhorar a construção sintático-semântica;
III. O termo “à luz do dia” exerce função sintática de adjunto adverbial no período;
IV. A vírgula que intercala o termo “No Rio de Janeiro” é desnecessária no período.
Após análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas apenas:
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Leia o artigo de opinião a seguir e responda a
questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
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Leia o artigo de opinião a seguir e responda a
questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
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Analise as frases abaixo, retiradas de Pestana
(2023), e assinale a alternativa em que o uso do
acento grave, representativo da crase, é facultativo:
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