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Durante a votação do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Roussef, o deputado J. Bolsonaro mencionou os militares de 1964 e homenageou um personagem da Ditadura Militar. Sobre esse personagem e a repercussão desse ato, pode-se dizer que ao homenagear

 

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Leia o Texto I para responder às questões 1 a 7.

TEXTO I

O Assalto

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o

preço do chuchu:

— Isto é um assalto!

Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,

correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,

atravancada, mas provida de um admirável serviço de

comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um

assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua?

Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a

exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a

notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era

como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a

ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na

claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções,

atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias

que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os

impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo

da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates

esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de

ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em

ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de

bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assuntar.

Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via

nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro

advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.

Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam

de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem

movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do

módulo lunar.

Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não

podem dar no pé.

— É uma mulher que chefia o bando!

— Já sei. A tal dondoca loira.

— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.

— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.

— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!

— Vai ver que está caçando é marido.

— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue

escorrendo!

— Sangue nada, é tomate.

Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a

uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E

havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não

levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram

no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão

coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do

assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos

divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem

fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela

massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas

portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que

pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de

cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

— Pega! Pega! Correu pra lá!

— Olha ela ali!

— Eles entraram na Kombi ali adiante!

— É um mascarado! Não, são dois mascarados!

Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a

pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia

espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou.

Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a

gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!

Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A

senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:

— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro

assalto!

Carlos Drummond de Andrade

Marque a alternativa cuja as palavras NÃO correspondem a alvitre e soverter, respectivamente.

 

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O Brasil está 'mergulhado' em recessão profunda, diz FMI

Fundo vê problemas econômicos e políticos prejudicando o crescimento.

América Latina deve ter dois anos seguidos de queda pela 1ª vez desde 1982/83.

Do G1, em São Paulo

O Brasil está 'mergulhado' em uma recessão profunda por conta de problemas econômicos e políticos, segundo relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A projeção da entidade – já divulgada no início de abril – é que a economia brasileira sofra uma contração de 3,8% este ano, e fique estagnada em 2017.

Os dados sobre o Brasil fazem parte de um regional do FMI sobre a América Latina. De acordo com o texto, a economia da região deve sofrer uma contração de 0,5% em 2016 – marcando dois anos seguidos de queda na atividade pela primeira vez desde a crise da dívida de 1982 e 1983. Para 2017, a expectativa é de um crescimento de 1,5%.

Analise as afirmações a seguir, assinalando (V) para as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS. Este cenário reflete.

( ) A contração econômica mais profunda que a antecipada.

( ) O fracasso do governo em estabilizar as perspectivas para as finanças públicas.

( ) As incertezas políticas que prejudicam a confiança doméstica.

( ) O avanço das oportunidades do mercado brasileiro para investidores estrangeiros.

( ) A redução da governabilidade, assim como a eficiência política da Presidente Dilma.

( ) As expectativas da produção brasileira em relação às demandas de exportação.

Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.

 

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TEXTO I

O Assalto

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o

preço do chuchu:

— Isto é um assalto!

Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,

correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,

atravancada, mas provida de um admirável serviço de

comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um

assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua?

Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a

exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a

notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era

como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a

ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na

claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções,

atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias

que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os

impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo

da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates

esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de

ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em

ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de

bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assuntar.

Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via

nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro

advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.

Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam

de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem

movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do

módulo lunar.

Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não

podem dar no pé.

— É uma mulher que chefia o bando!

— Já sei. A tal dondoca loira.

— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.

— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.

— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!

— Vai ver que está caçando é marido.

— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue

escorrendo!

— Sangue nada, é tomate.

Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a

uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E

havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não

levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram

no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão

coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do

assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos

divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem

fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela

massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas

portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que

pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de

cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

— Pega! Pega! Correu pra lá!

— Olha ela ali!

— Eles entraram na Kombi ali adiante!

— É um mascarado! Não, são dois mascarados!

Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a

pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia

espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou.

Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a

gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!

Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A

senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:

— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro

assalto!

Carlos Drummond de Andrade

“Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.” Qual palavra se atribui a esse período?

 

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Economistas acreditam que a melhor forma de aproveitar esse momento de bônus é

 

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Para a Demografia, a ciência que estuda as populações humanas, o Brasil está em uma situação mais favorável agora do que há cinco décadas. O motivo? O País está mais jovem e passa por um momento demograficamente ideal para crescer.

O fenômeno é chamado de “bônus demográfico” e ocorre quando há, proporcionalmente, um maior número de pessoas em idade ativa aptas a trabalhar. O Brasil possui 50 milhões de jovens. O aumento da população nessa faixa etária começou no início da década de 2010 e terá seu auge em 2020.

http://brasilescola.uol.com.br/geografia/demografia.htm

Sob o ponto de vista da economia, um período de bônus demográfico significa que

I. o Brasil tem mais força de trabalho do que pessoas inativas.

II. há um excedente de pessoas para produzir e pagar impostos.

III. a população jovem pode servir de combustível para a industrialização e a geração de riquezas.

IV. o crescimento da economia controla o consumismo da população.

V. aumenta capacidade das pessoas de ter acesso à aposentadoria.

Marque a opção que indica as afirmativas CORRETAS.

 

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A quantia resultante da aplicação que fiz de R$ 5.000,00 à taxa de 1,00% a.m., durante 5 meses, em regime de juros simples é

 

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Fernando aplicou R$ 110.000,00 do seguinte modo: R$ 68.000,00 a 5% a.a. no Banco A e R$ 42.000,00 a uma taxa desconhecida no Banco B. Depois de 6 meses, a aplicação do Banco A tinha rendido R$ 125,00 a mais do que a do Banco B. pergunta-se qual a taxa anual praticada na aplicação do Banco B? (Juros simples)

 

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TEXTO I

O Assalto

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o

preço do chuchu:

— Isto é um assalto!

Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,

correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,

atravancada, mas provida de um admirável serviço de

comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um

assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua?

Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a

exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a

notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era

como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a

ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na

claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções,

atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias

que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os

impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo

da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates

esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de

ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em

ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de

bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assuntar.

Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via

nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro

advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.

Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam

de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem

movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do

módulo lunar.

Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não

podem dar no pé.

— É uma mulher que chefia o bando!

— Já sei. A tal dondoca loira.

— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.

— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.

— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!

— Vai ver que está caçando é marido.

— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue

escorrendo!

— Sangue nada, é tomate.

Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a

uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E

havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não

levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram

no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão

coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do

assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos

divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem

fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela

massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas

portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que

pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de

cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

— Pega! Pega! Correu pra lá!

— Olha ela ali!

— Eles entraram na Kombi ali adiante!

— É um mascarado! Não, são dois mascarados!

Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a

pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia

espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou.

Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a

gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!

Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A

senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:

— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro

assalto!

Carlos Drummond de Andrade

De acordo com o trecho: “Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.” Marque a opção CORRETA.

 

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TEXTO I

O Assalto

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o

preço do chuchu:

— Isto é um assalto!

Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,

correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,

atravancada, mas provida de um admirável serviço de

comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um

assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua?

Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a

exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a

notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era

como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a

ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na

claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções,

atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias

que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os

impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo

da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates

esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de

ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em

ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de

bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assuntar.

Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via

nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro

advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.

Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam

de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem

movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do

módulo lunar.

Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não

podem dar no pé.

— É uma mulher que chefia o bando!

— Já sei. A tal dondoca loira.

— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.

— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.

— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!

— Vai ver que está caçando é marido.

— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue

escorrendo!

— Sangue nada, é tomate.

Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a

uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E

havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não

levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram

no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão

coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do

assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos

divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem

fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela

massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas

portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que

pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de

cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

— Pega! Pega! Correu pra lá!

— Olha ela ali!

— Eles entraram na Kombi ali adiante!

— É um mascarado! Não, são dois mascarados!

Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a

pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia

espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou.

Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a

gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!

Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A

senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:

— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro

assalto!

Carlos Drummond de Andrade

Pode-se afirmar que o Texto I é

 

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