Magna Concursos

Foram encontradas 40 questões.

Frequentemente, assistimos ao uso ambíguo de palavras que estabelecem uma associação terminológica por sinonímia de “moral e ética”, “moralidade e ética”, “valores e ética”, “valores e norma”, “axiologia e ética” e, ainda, “filosofia moral e ética” que se empregam em vários contextos do cotidiano como se de sinônimos se tratassem, resultando, daqui, não raras vezes, uma enorme confusão para quem necessita de as utilizar, dificultando, deste modo, a comunicação e a elaboração do pensamento. Para além disso, uma clarificação conceitual a este nível, potencia o estabelecer de diferenciações quanto ao uso dos conceitos referidos nos diversos contextos a que se referem, sejam eles de natureza reflexiva, crítica ou normativo-legal com expressivas consequências ao nível da construção do saber teórico e do saber prático atuais. Dos conceitos relacionados, assinale o que se encaixa corretamente à Ética.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2111790 Ano: 2021
Disciplina: Geografia
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
Provas:
Diante de uma questão de tal vulto, não se podem entender as novas leis do Império de forma isolada. Com efeito, a Lei de Terras, a abolição do tráfico e a reforma da Guarda Nacional são medidas vinculadas. A polêmica Lei de Terras de 1850, apresentada pela primeira vez em 1843, visava a organizar o país para o fim eventual do trabalho escravo — tendo sido aprovada poucos dias após a interrupção do tráfico —, enquanto a centralização da Guarda buscava fortalecer a posição do governo perante os proprietários, cuja reação ao final do tráfico e às tentativas de regulamentação da posse da terra teria sido negativa. Sobre a Lei de Terras, analise as afirmativas a seguir. I. O modelo consolidado pela Lei de Terras constituiu obstáculo jurídico central ao desenvolvimento da pequena propriedade agrícola no Brasil, durante o século XIX, tornando-se um empecilho histórico à democratização do solo, com decorrências futuras para o país. II. A interpretação flexível do Art. 3º, inciso IV, da Lei de Terras (que admitia e legitimava a posse concretizada antes da promulgação da Lei), ensejou a aquisição fraudulenta de terrenos públicos mediante legitimação, por ofício, de posse alegadamente anterior, principalmente cometidas por pequenos lavradores. A prática resultou na ocorrência de falsas posses em todo o país. III. Nas áreas cafeicultoras, o destino da maioria das terras roxas devolutas incorporadas ao domínio particular favoreceu a persistência do sistema de latifúndio. No Oeste Paulista, entre 1850 e 1890, o avanço de posseiros e matadores de índios, sobre territórios habitados por indígenas kaingangs, guaranis e terenas deixou como marca as expulsões, o morticínio e o desmantelamento de suas sociedades. IV. A nova legislação de terras sintetizava a diretriz restritiva, definidora do papel social do imigrante como mão de obra agrícola a se empregar nos latifúndios. Em paralelo à opção de continuísmo da escravidão, a permanente necessidade de novos suprimentos de braços para a cafeicultura levou à caracterização do trabalhador estrangeiro que se desejava atrair. Estão corretas as afirmativas
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Maria, professora, titular de emprego permanente, após cinco anos de efetivo exercício ininterrupto de suas funções, adquiriu, pela primeira vez, o direito à licença-prêmio. De acordo com a Lei nº 1.158, de 2 de julho de 2010, assinale a alternativa correta sobre a licença-prêmio.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Marcelo, servidor público de longa data do município do Colômbia/SP, perdeu o seu sobrinho em um trágico acidente de carro. De acordo com a Lei Municipal nº 639, de 3 de novembro de 1993, Marcelo terá direito a licença nojo?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2105449 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
Provas:
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomásde Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. Otema eram as cinco provas da existência de Deus. Após aexposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula,um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano terescrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve umêxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão deDeus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles ede toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da“divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuarescrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após ocontato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o queele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia--lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do queexperimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários aoCântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possuidezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grandeintelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre meassombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meuredor falam de uma densidade maior atrás do simples discursoou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os maisrefinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra doobjeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoçõeshumanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (eé correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o queeles sentem está além da expressão delas. Já vi discursossemelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade,uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possaexpressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre adensidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis.Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor deexpressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itensexplica o fato de eu achar que as coisas são no limite do queconsigo expressar e que não possuem uma película queesconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muitoprazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética daescrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e assoluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa devinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo quesão em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativasagraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos deadrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, nãoletivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto esinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seriabom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição quealguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eusinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura?Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, otexto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa músicaavassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já choreide alegria diante de experiências lindas como um quadro queeu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nosEstados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção debeleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos queantigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno.Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensãomomentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar oexperienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos alógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porqueeu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali eporque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedade-desejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foimuito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrevero início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me daexperiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. Aguia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquelasauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, euaspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luzlilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela meperguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro fortedessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desoladasenhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. Ascoisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muitomais denso escondido pelo véu do discurso. Onde algunsdescrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chatoagressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis oureclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia”eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eusinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisassão no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo,signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem“energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, daminha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meu redorfalam de uma densidade maior atrás do simples discursoou do sentimento imediato.” (2º§) Nesse trecho, a vírgula:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2105447 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
Provas:
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomásde Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. Otema eram as cinco provas da existência de Deus. Após aexposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula,um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano terescrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve umêxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão deDeus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles ede toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da“divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuarescrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após ocontato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o queele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia--lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do queexperimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários aoCântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possuidezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grandeintelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre meassombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meuredor falam de uma densidade maior atrás do simples discursoou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os maisrefinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra doobjeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoçõeshumanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (eé correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o queeles sentem está além da expressão delas. Já vi discursossemelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade,uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possaexpressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre adensidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis.Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor deexpressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itensexplica o fato de eu achar que as coisas são no limite do queconsigo expressar e que não possuem uma película queesconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muitoprazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética daescrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e assoluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa devinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo quesão em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativasagraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos deadrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, nãoletivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto esinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seriabom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição quealguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eusinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura?Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, otexto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa músicaavassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já choreide alegria diante de experiências lindas como um quadro queeu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nosEstados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção debeleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos queantigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno.Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensãomomentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar oexperienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos alógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porqueeu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali eporque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedade-desejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foimuito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrevero início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me daexperiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. Aguia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquelasauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, euaspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luzlilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela meperguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro fortedessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desoladasenhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. Ascoisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muitomais denso escondido pelo véu do discurso. Onde algunsdescrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chatoagressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis oureclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia”eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eusinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisassão no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo,signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem“energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, daminha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
A palavra “que” pode desempenhar diferentes funções morfossintáticas na Língua Portuguesa. Assinale a alternativa em que eladesempenha a função de pronome relativo e, por isso, introduzuma oração adjetiva.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2105436 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomás de Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. O tema eram as cinco provas da existência de Deus. Após a exposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula, um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano ter escrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve um êxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão de Deus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles e de toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da “divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuar escrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após o contato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o que ele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia-lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do que experimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários ao Cântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possui dezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grande intelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre me assombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meu redor falam de uma densidade maior atrás do simples discurso ou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os mais refinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra do objeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoções humanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (e é correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o que eles sentem está além da expressão delas. Já vi discursos semelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre a densidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis. Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor de expressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itens explica o fato de eu achar que as coisas são no limite do que consigo expressar e que não possuem uma película que esconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muito prazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética da escrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e as soluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa de vinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo que são em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativas agraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos de adrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, não letivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto e sinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seria bom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição que alguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eu sinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura? Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, o texto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa música avassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já chorei de alegria diante de experiências lindas como um quadro que eu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nos Estados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção de beleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos que antigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno. Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensão momentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar o experienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos a lógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porque eu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali e porque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedadedesejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foi muito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrever o início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me da experiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. A guia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquela sauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, eu aspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luz lilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela me perguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro forte dessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desolada senhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. As coisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muito mais denso escondido pelo véu do discurso. Onde alguns descrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chato agressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis ou reclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia” eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eu sinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisas são no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo, signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem “energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, da minha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.” (2º§) Considerando o trecho é correto afirmar que:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2105435 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomás de Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. O tema eram as cinco provas da existência de Deus. Após a exposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula, um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano ter escrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve um êxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão de Deus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles e de toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da “divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuar escrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após o contato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o que ele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia-lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do que experimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários ao Cântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possui dezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grande intelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre me assombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meu redor falam de uma densidade maior atrás do simples discurso ou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os mais refinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra do objeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoções humanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (e é correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o que eles sentem está além da expressão delas. Já vi discursos semelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre a densidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis. Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor de expressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itens explica o fato de eu achar que as coisas são no limite do que consigo expressar e que não possuem uma película que esconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muito prazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética da escrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e as soluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa de vinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo que são em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativas agraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos de adrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, não letivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto e sinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seria bom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição que alguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eu sinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura? Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, o texto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa música avassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já chorei de alegria diante de experiências lindas como um quadro que eu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nos Estados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção de beleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos que antigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno. Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensão momentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar o experienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos a lógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porque eu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali e porque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedadedesejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foi muito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrever o início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me da experiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. A guia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquela sauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, eu aspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luz lilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela me perguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro forte dessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desolada senhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. As coisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muito mais denso escondido pelo véu do discurso. Onde alguns descrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chato agressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis ou reclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia” eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eu sinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisas são no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo, signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem “energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, da minha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
A leitura global do texto permite concluir que, para o autor:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2086602 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
Provas:
É bastante interessante observar a trajetória do ensino de História do Brasil na constituição da identidade nacional por intermédio de análises dos currículos nacionais do nível secundário. Considerando que a História foi introduzida, de forma obrigatória, nos currículos das escolas com o objetivo político explícito de contribuir para a construção da ideia do Brasil ser uma nação, de ter uma identidade nacional, a situação da História do Brasil é, no mínimo, paradoxal. A análise da trajetória da história escolar nos permite identificar que a História do Brasil, paradoxalmente, nunca ocupou um lugar significativo nos programas curriculares brasileiros e menos ainda na prática escolar, conforme mostram estudos da história da disciplina. Diante do exposto, analise as afirmativas a seguir. I. No Império, a partir de 1838, quando se introduziu a disciplina de História no Colégio Pedro II, os estudos de História do Brasil nunca ocuparam um lugar importante na carga didática, surgindo como conteúdo autônomo após 1850, mas de forma polêmica. II. No início da fase republicana, a História do Brasil foi excluída como cadeira autônoma do Colégio Pedro II. Em 1901, a História do Brasil passou a pertencer como apêndice da cadeira de História Universal, mas que dificilmente era ensinada, porque o ano letivo terminava antes dos professores conseguirem chegar, sequer, até o final da colonização. III. A reforma de Capanema para o secundário (Lei Orgânica do Ensino Secundário de 1942) correspondeu a uma fase de maior valorização da História do Brasil; dentre seus objetivos, havia uma acentuada preocupação em formar “o espírito de nacionalidade”, de uma verdadeira “consciência patriótica”. IV. Nos anos 1980, dentro de uma visão baseada em princípios de Piaget, a organização curricular começava pelo estudo do mais próximo para se chegar ao mais distante. Daí constituiu-se o percurso para os estudos de História: a história do bairro, município, cidade, estado e Brasil e, posteriormente, nas séries finais do primeiro grau estudava-se a História Geral, da Antiguidade ao mundo contemporâneo. Estão corretas apenas as afirmativas
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2086601 Ano: 2021
Disciplina: História
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
Provas:
O movimento de 31 de março de 1964 tinha sido lançado aparentemente para livrar o país da corrupção e do comunismo e para restaurar a democracia; mas o novo regime começou a mudar as instituições do país através de decretos, chamados de Atos Institucionais (AI). Eles eram justificados como decorrência “do exercício do poder constituinte, inerente a todas as revoluções”. (BORIS, 2004.)
Sobre o período da ditadura civil-militar, é correto afirmar que, EXCETO:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas