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Foram encontradas 40 questões.

Frequentemente, assistimos ao uso ambíguo de palavras que estabelecem uma associação terminológica por sinonímia de “moral e ética”, “moralidade e ética”, “valores e ética”, “valores e norma”, “axiologia e ética” e, ainda, “filosofia moral e ética” que se empregam em vários contextos do cotidiano como se de sinônimos se tratassem, resultando, daqui, não raras vezes, uma enorme confusão para quem necessita de as utilizar, dificultando, deste modo, a comunicação e a elaboração do pensamento. Para além disso, uma clarificação conceitual a este nível, potencia o estabelecer de diferenciações quanto ao uso dos conceitos referidos nos diversos contextos a que se referem, sejam eles de natureza reflexiva, crítica ou normativo-legal com expressivas consequências ao nível da construção do saber teórico e do saber prático atuais. Dos conceitos relacionados, assinale o que se encaixa corretamente à Ética.
 

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Maria, professora, titular de emprego permanente, após cinco anos de efetivo exercício ininterrupto de suas funções, adquiriu, pela primeira vez, o direito à licença-prêmio. De acordo com a Lei nº 1.158, de 2 de julho de 2010, assinale a alternativa correta sobre a licença-prêmio.
 

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Marcelo, servidor público de longa data do município do Colômbia/SP, perdeu o seu sobrinho em um trágico acidente de carro. De acordo com a Lei Municipal nº 639, de 3 de novembro de 1993, Marcelo terá direito a licença nojo?
 

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2106193 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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Em relação à classificação de um sistema linear, analise as afirmativas a seguir. I. Um sistema com duas equações e duas incógnitas é possível e determinado se, e somente se, as retas representadas por suas equações são coincidentes. II. Um sistema com duas equações e duas incógnitas é possível e indeterminado se, e somente se, as retas representadas por suas equações são concorrentes. III. Um sistema com duas equações e duas incógnitas é impossível se, e somente se, as retas representadas por suas equações são paralelas distintas. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
 

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2106192 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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Considere a inequação (x2 – 4x + 3)(–x2 + 6x – 8) > 0. Se n é a quantidade de números inteiros que satisfazem esta inequação, então, é correto afirmar que n é igual a:
 

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2106191 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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Um cone circular reto tem o diâmetro da base medindo 12 cm e altura medindo 9 cm. Este cone é interceptado por um plano β que é paralelo à base e está distante 6 cm do vértice. O volume do tronco de cone assim formado é:
 

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2106190 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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Em uma fábrica, um tanque está inicialmente cheio com 250.000 litros de água para produção de refrigerante. Uma bomba retira 20% da água do tanque a cada hora. Depois de 5 horas, a quantidade de água, em litros, que restará no tanque é:
 

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2105438 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomásde Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. Otema eram as cinco provas da existência de Deus. Após aexposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula,um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano terescrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve umêxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão deDeus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles ede toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da“divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuarescrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após ocontato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o queele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia-lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do queexperimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários aoCântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possuidezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grandeintelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre meassombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meuredor falam de uma densidade maior atrás do simples discursoou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os maisrefinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra doobjeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoçõeshumanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (eé correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o queeles sentem está além da expressão delas. Já vi discursossemelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade,uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possaexpressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre adensidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis.Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor deexpressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itensexplica o fato de eu achar que as coisas são no limite do queconsigo expressar e que não possuem uma película queesconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muitoprazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética daescrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e assoluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa devinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo quesão em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativasagraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos deadrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, nãoletivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto esinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seriabom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição quealguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eusinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura?Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, otexto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa músicaavassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já choreide alegria diante de experiências lindas como um quadro queeu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nosEstados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção debeleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos queantigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno.Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensãomomentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar oexperienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos alógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porqueeu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali eporque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedadedesejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foimuito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrevero início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me daexperiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. Aguia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquelasauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, euaspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luzlilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela meperguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro fortedessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desoladasenhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. Ascoisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muitomais denso escondido pelo véu do discurso. Onde algunsdescrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chatoagressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis oureclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia”eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eusinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisassão no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo,signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem“energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, daminha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
A descrição é considerada por alguns teóricos da Língua Portuguesa como um tipo textual que serve para indicar as impressõese as características de um objeto, pessoa, animal, lugar, acontecimento. No texto em questão, o autor defende que a descriçãoverbal:
 

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2105436 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomás de Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. O tema eram as cinco provas da existência de Deus. Após a exposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula, um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano ter escrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve um êxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão de Deus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles e de toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da “divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuar escrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após o contato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o que ele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia-lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do que experimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários ao Cântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possui dezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grande intelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre me assombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meu redor falam de uma densidade maior atrás do simples discurso ou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os mais refinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra do objeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoções humanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (e é correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o que eles sentem está além da expressão delas. Já vi discursos semelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre a densidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis. Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor de expressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itens explica o fato de eu achar que as coisas são no limite do que consigo expressar e que não possuem uma película que esconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muito prazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética da escrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e as soluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa de vinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo que são em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativas agraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos de adrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, não letivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto e sinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seria bom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição que alguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eu sinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura? Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, o texto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa música avassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já chorei de alegria diante de experiências lindas como um quadro que eu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nos Estados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção de beleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos que antigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno. Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensão momentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar o experienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos a lógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porque eu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali e porque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedadedesejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foi muito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrever o início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me da experiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. A guia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquela sauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, eu aspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luz lilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela me perguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro forte dessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desolada senhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. As coisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muito mais denso escondido pelo véu do discurso. Onde alguns descrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chato agressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis ou reclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia” eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eu sinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisas são no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo, signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem “energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, da minha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.” (2º§) Considerando o trecho é correto afirmar que:
 

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2105435 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
O sentido maior
Quando eu era jovem, um padre dava aulas sobre Tomás de Aquino (1225-1274), doutor da igreja e teólogo global. O tema eram as cinco provas da existência de Deus. Após a exposição, o jesuíta contou, como arremate de uma boa aula, um caso sobre o doutor angélico. Disse que, após o italiano ter escrito coisas profundas e enormes sobre a divindade, teve um êxtase místico e, segundo a narrativa, uma compreensão de Deus além da Razão, além da Escolástica, além de Aristóteles e de toda a gramática possível de um cérebro humano. Ao sair da “divina possessão”, ele emudeceu e resistiu a continuar escrevendo sua já famosa obra. Motivo? Para ele, após o contato com Deus na forma direta que os místicos vivem, o que ele escrevera sob o rigor acadêmico e com base erudita, parecia-lhe superficial, fraco, pífio, irrelevante e tão distante do que experimentara que ficou abatido. Bem, antes de partir precocemente do mundo, Tomás terminou ditando comentários ao Cântico dos Cânticos, o poema amoroso salomônico que possui dezenas de interpretações. Curioso que a última obra do grande intelectual católico seja sobre o amor.
A história narrada traz uma questão que sempre me assombrou. Em todos os campos, inúmeras pessoas ao meu redor falam de uma densidade maior atrás do simples discurso ou do sentimento imediato. Sim, você pode ler os mais refinados teólogos, porém, sempre serão pálida sombra do objeto sagrado em si. O mesmo valeria para as emoções humanas como o amor. Romeu indica várias vezes a Julieta (e é correspondido) que as palavras são irrelevantes, que o que eles sentem está além da expressão delas. Já vi discursos semelhantes sobre arte e até sexo. Haveria uma densidade, uma complexidade, algo tão imenso que tudo o que eu possa expressar seria incompleto.
Sempre desconfiei um pouco da afirmação sobre a densidade extraordinária que tornaria as coisas indizíveis. Por vezes acho que devo ter uma capacidade melhor de expressão ou uma capacidade menor de sentir. Um dos itens explica o fato de eu achar que as coisas são no limite do que consigo expressar e que não possuem uma película que esconde o “mais além” de uma metafísica absoluta.
A leitura de boas obras sempre me pareceu muito prazerosa, muito, exatamente porque as ideias, a estética da escrita, o encadeamento de personagens ou de fatos e as soluções dos bons autores me seduzem. Uma taça boa de vinho ou uma noite amorosa são extraordinárias pelo que são em si, pelo prazer ali contido, pelas papilas gustativas agraciadas, pelos hormônios atiçados, pelos disparos de adrenalina e outras coisas. Não perco a consciência, não letivo, não transfiguro, não tenho êxtase: apenas gosto e sinto o motivo de eu gostar, alguns surpreendentes. Seria bom em descrever ou ruim em sentir de forma mais densa? Faltaria metafísica ou abundaria consciência? A descrição que alguns fazem de suas experiências sempre me pareceu fascinante e sedutora e profundamente distante do plano no qual eu sinto. Idiossincrasia? Couraça racional? Seria lucidez ou secura? Nunca saberei de fato, mas o vinho sempre pareceu bom, o texto fascinante, o sexo envolvente, o afeto belo, a boa música avassaladora e a paisagem produtora de paz interna. Já chorei de alegria diante de experiências lindas como um quadro que eu desejava conhecer ou quando desci ao Grand Canyon nos Estados Unidos. Eram lágrimas provocadas pela emoção de beleza, uma invasão positiva de muitos bons sentimentos que antigas expectativas estimularam. Era emoção, não transcendência que me derrubasse ao solo impactado pelo eterno. Vários filósofos chamaram isso de maravilhar-se, uma suspensão momentânea da racionalidade junto de incapacidade de narrar o experienciado. Mas, passado alguns instantes, recuperamos a lógica narrativa. Eu estava feliz porque era bom estar ali, porque eu desejara estar ali, porque eu me preparara para estar ali e porque, enfim estando, se fechava um ciclo de ansiedadedesejo-prazer produzindo o momento único e... lacrimoso. Foi muito bom, excelente até, todavia foi aquilo e eu posso descrever o início, o meio e o fim daquele instante. Por vezes lembro-me da experiência de um “banho xamânico” em Oaxaca, no México. A guia da experiência dizia que aspirássemos as plantas naquela sauna e que imaginássemos a luz lilás sobre nós. Aluno fiel, eu aspirava a planta acre que ela jogara às brasas e imaginava a luz lilás. Ao final de meia hora de exercício imaginativo, ela me perguntou o que eu tinha sentido e eu disse: “Um cheiro forte dessa planta”. Ela insistia: “E?”. “Só”, eu respondia à desolada senhora. Eu sentira o cheiro e imaginara a luz. Foi minha experiência xamânica. Na verdade, é minha experiência de vida. As coisas são no limite do que existem, sem energias ou algo muito mais denso escondido pelo véu do discurso. Onde alguns descrevem alguém de “energia pesada”, eu vejo um chato agressivo. Não há uma “aura”, apenas frases desagradáveis ou reclamações incessantes. Onde identificam “vampiros de energia” eu vejo alguém irritante. Seria a mesma coisa? Volto ao que eu sinto (sem fazer disso uma definição de valor universal): as coisas são no limite do que existem. Dou a elas sentido, simbolismo, signos aleatórios e que dependem da minha imaginação, sem “energia”. Essa é imensa solidão da consciência, ou, ao menos, da minha consciência. Uma boa semana para todos.
(KARNAL, Leandro. Sentido maior. O Estado de São Paulo, São Paulo,
19/01/2020. Caderno 2, p. C2.)
A leitura global do texto permite concluir que, para o autor:
 

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