Extremamente manobráveis, as pirogas e outros barcos
africanos eram a um só tempo rápidos e tinham capacidade para carregar até uma centena de guerreiros. Um
primeiro alerta foi dado em 1446, advertindo os portugueses de Nuno Tristão do perigo que representavam as
flotilhas da Senegâmbia. Sua expedição teve uma triste
sina, e outras passaram pela mesma experiência, até
que o rei de Portugal enviasse Diogo Gomes para negociar as condições de um entreposto no litoral. Ora, o Mali
e seus vizinhos dominavam todo um sistema de rios e
riachos em torno do Níger, do Senegal, da Gâmbia, e foi
a ação concertada das flotilhas armadas que barrou os
invasores. Foi também essa resistência militar que obrigou os europeus a negociar a maneira de fazer comércio
com as populações. Assim, o rei do Congo comunicou
a João Afonso, um negociante português a serviço de
Francisco I, as condições em que ele poderia penetrar no
Zaire. Um tratado devidamente negociado está na origem
da primeira feitoria dos portugueses em Angola (1571),
onde também foi controlado o comércio dos portugueses
naquelas regiões, em especial o tráfico negreiro.
(Marc Ferro. História das colonizações –
Das conquistas às independências – século XIII a XX.)
A partir do excerto e das discussões presentes na obra
citada, é correto afirmar que Portugal
O Brasil não era, em realidade, apenas um, mas era
constituído por uma série de colônias. Os ingleses tinham razão quando falavam, nos séculos XVII e XVIII,
dos “Brasis”, pois havia de fato mais de uma colônia.
(Stuart B. Schwatz. “Gente da terra brazilinese da nasção. Pensando o
Brasil: a construção de um povo”. Em: Carlos Guilherme Mota (org.).
Viagem incompleta. A experiência brasileira.
Formação: histórias (1500-2000), p. 112.)
A expressão “Brasis”, no contexto referido, está relacionada com
A derivação original de instituições feudais específicas muitas vezes parece emaranhada em qualquer
caso, dada a ambiguidade das fontes e o paralelismo
de desenvolvimentos dentro dos dois sistemas sociais
antecedentes.
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao feudalismo, p. 127.)
Das figuras políticas, é interessante destacar como
têm sido representados os dois imperadores do Brasil:
D. Pedro I, sempre jovem, porque afinal morreu com
34 anos; seu filho D. Pedro II, sempre velho, apesar dos
textos escolares darem destaque ao episódio da “Maioridade”, que tornou D. Pedro II chefe de Estado com apenas
15 anos. A ilustração do pai jovem e do filho velho tem
causado certa perplexidade aos jovens leitores e falta a
explicação do aparente paradoxo.
(Circe Bittencourt. Livros didáticos entre textos e imagens.
Em Circe Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula. Adaptado)
Leia o trecho de uma entrevista com o historiador Peter
Burke.
Eu me identifiquei com os heróis do movimento e sua
luta contra a dominação de uma história mais tradicional,
identificação que foi ajudada pelo fato de que o tipo de
história contra a qual Bloch e Febvre se rebelaram ainda
ser a história dominante em Oxford. Pensei vagamente
em estudar com Braudel em Paris, mas a vida que levava em Oxford também me cativava, e desisti da ideia. O
ideal que desenvolvi, entretanto, foi de escrever história
ao modo do movimento, mais ou menos sozinho. Tentei
fazer isso num livro que escrevi nos anos 60 sobre o Renascimento italiano. Nesse livro, tentei combinar histoire
sérielle com a abordagem alemã de história cultural.
(Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. As muitas faces da história.
Nove entrevistas. Adaptado.)
O aprofundamento de estudos culturais, principalmente
no diálogo da História com a Antropologia, tem contribuído para um debate sobre os conceitos de cultura e de
civilização. Alguns historiadores rejeitam o conceito de
civilização [...].
(Parâmetros Curriculares Nacionais. Vol. História.)
A guerra começou, o terrorismo atacou cada vez mais forte, independentemente da luta armada decidida desde o
início de 1955; os atos mais cruéis ocorreram nos dias
20 e 21 de agosto, em Collo e Philippeville, onde foram
executados tanto pieds-noirs quanto metropolitanos e muçulmanos, como Abbas Allou, sobrinho de Ferhat Abbas.
Tratava-se, para a FLN, de liquidar com todos os interlocutores possíveis da nova autoridade francesa, Jacques
Soustelle, e em especial com os beneficiários do plano de
terras implantado pelo governo.
(Marc Ferro. História das colonizações –
Das conquistas às independências – século XIII a XX.)
É certo que a história operária adquiriu, em pouco mais
de duas décadas, um status acadêmico e um determinado espaço institucional, ainda que dificilmente voltará a
ter o prestígio extra-acadêmico do início dos anos 80. [...]
A história operária viveu seu momento de glória no início
dos anos 80 [...].
(Cláudio H. M. Batalha. “A historiografia da classe operária no Brasil:
trajetória e tendências”. Em Marcos Cezar de Freitas (org.).
Historiografia brasileira em perspectiva.)
A importância da história operária, no período citado, tem
forte relação com
Não se discute mais se o patrimônio cultural do país constitui-se apenas dos bens de valor excepcional ou também
daqueles de valor cotidiano; se inclui monumentos individualizados ou em conjunto; se apenas a arte erudita
merece proteção ou também as manifestações populares; se contém apenas os bens produzidos pelo homem
ou se engloba também bens naturais; se esses bens da
natureza envolvem somente os dotados de excepcional
valor paisagístico ou inclusive o simples ecossistema.
(Ricardo Oriá. Memória e ensino de História.
Em Circe Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula.)
Dessa forma, são considerados patrimônio cultural os
bens que
Tema constantemente retomado na História do país e
do estado, o ensaio de sedição ocorrido em 1788-89
em Minas Gerais é, talvez, um dos fatos históricos de
maior repercussão e conhecimento popular, largamente
presente, tanto no imaginário político nacional quanto no
sistema escolar fundamental e médio. Marcada desde
suas origens por uma série de vicissitudes a ela exteriores ou extemporâneas, a Inconfidência Mineira precisa, hoje, ser submetida a um “jogo de luz” que distinga e
identifique com mais clareza o que é próprio do evento
e – sem propriamente desprezar ou descartar – o que é
fruto da ação do tempo e das práticas sociais em suas
“leituras” e “releituras” sobre o evento. O que se procura
fazer nesse trabalho, é recuar no tempo e retomar em
sua historicidade alguns aspectos da natureza, sentido
e alcance das fontes que nos informam sobre o evento, bem como investigar como se deu sua apropriação e
exame pela historiografia ao longo do tempo, bem como
sua disseminação no sistema escolar.
(João Pinto Furtado. “Imaginando a nação: o ensino da história da
Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica”.
Em: Lana M. de C. Simam e Thais N. de L. Fonseca (orgs.).
Inaugurando a História e construindo a nação.
Discursos e imagens no ensino de História.)
Para o autor do artigo citado, a Inconfidência Mineira era