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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa cujo termo destacado expressa circunstância de afirmação, produzindo a ideia de certeza incontestável do que se afirma na frase.
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Leia o texto para responder às questões de números 07 a 10.
Os jornais
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
– Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”
E meu amigo:
– Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…
(Rubem Braga. A borboleta Amarela. 10a ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998. Excerto adaptado)
Considere o seguinte trecho redigido com base no texto:
do momento em que sua esposa erguia os braços para segurar uma lâmpada, o Sr. Arlindo na face, atitude essa que ainda o privilégio de ouvir a mulher murmurar as seguintes palavras: “Meu amor”, ao que ele retorquiu: “Deolinda”.
Em conformidade com a norma-padrão da língua, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Os jornais
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
– Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”
E meu amigo:
– Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…
(Rubem Braga. A borboleta Amarela. 10a ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998. Excerto adaptado)
Assinale a alternativa em que, na frase escrita a partir do texto, o uso da vírgula está em conformidade com a norma-padrão da língua.
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Os jornais
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
– Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”
E meu amigo:
– Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…
(Rubem Braga. A borboleta Amarela. 10a ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998. Excerto adaptado)
Considere a frase do último parágrafo:
• –Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação…
Assinale a alternativa em que a redação dada ao trecho em destaque justifica o uso do acento de crase.
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Os jornais
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
– Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”
E meu amigo:
– Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…
(Rubem Braga. A borboleta Amarela. 10a ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998. Excerto adaptado)
Na crônica, é discutida a ideia de que
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Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, no contexto, o termo em destaque é empregado em sentido figurado.
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Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
Considere as seguintes passagens:
• Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. (2º parágrafo)
• … executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade… (último parágrafo)
Os termos destacados nas passagens estabelecem,nos respectivos contextos, relações com sentidos de
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Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
O autor do texto destaca, como fenômeno responsável por mudanças no jornalismo atual,
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Jornalismo e objetividade
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Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
A frase – Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. (2º parágrafo) – sintetiza a posição assumida pelo autor, segundo a qual
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Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.18.03.2023. Adaptado)
Conforme apontado no texto, no jornalismo,
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