Foram encontradas 120 questões.
Leia o texto para responder à questão
No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é
Marcelo Leite
A pele é morena, pega cor fácil no sol. O cabelo grosso,
que já foi mais preto, espeta rápido quando se corta curto.
Quase sem pelos no torso, barba rala e falhada, olhos de um
castanho escuro, altura mediana.
O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. Há
32% de conteúdo genético característico de ameríndios em
seus cromossomos. Com 19% de origem africana na mistura,
minha ascendência europeia fica em minoria, apesar dos
sobrenomes Nogueira e Leite, Camargo e Toledo.
Queria mesmo era chamar Aikanã, Aikewara, Akuntsu,
Amanayé, Amondawa, Anacé, Anambé, Aparai, Apiaká,
Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arapium, Arara, Araweté,
Arikapu, Aruá, Ashaninka, Atikum, Asurini, Awá ou Aweti.
Ou então Baniwa, Barasana, Bororo. Canela, Chiquitano,
Cinta-Larga. Deni, Desana, Dow.
Quem sabe Enawenê-Nawê. Fulni-ô. Gamela. Huni Kuin.
Ikpeng. Jarawara. Kantaruré. Menky Manoki. Ñandeva. Oro
Win. Palikur. Rikbaktsa. Shanenawa. Tumbalalá. Umutina.
Uru-Eu-Wau-Wau. Wauja. Xokleng. Xingu. Yuhupde. Zoró.
Uma pequena amostra da diversidade indígena que sobrevive, hoje, no Brasil. São 254 desses nomes sonoros na
lista. Muito provavelmente ela era ainda mais rica e poética
antes da chegada das caravelas, do ferro e do sarampo.
Falam-se nas aldeias mais de 150 línguas e dialetos,
2% do total mundial, estimado em cerca de 7000 idiomas.
Antes do século 16, acredita-se, teriam sido mais de 1000, no
atual território nacional. Bastaram 519 anos para extinguir
850 delas.
O extermínio não impediu a miscigenação, ao contrário.
Os portugueses se serviam das mulheres nativas ou das
pobres escravas de África, quase sempre de modo forçado
ou imposto; terá havido também algum amor.
Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. A muito custo os negros conquistaram certo
espaço na TV e nas capas de revista, quase nenhum nas
baladas (exceção feita a jogadores de futebol e artistas).
E os índios?
Seguem invisíveis.
O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas
frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio –
exceto quem não é.
(Marcelo Leite, No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é.
Folha de S. Paulo: 1o
.09.2019. Adaptado)
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- OrtografiaPontuaçãoDois-pontos
- OrtografiaPontuaçãoPonto de Exclamação e Interrogação
- OrtografiaPontuaçãoPonto e Vírgula
- OrtografiaPontuaçãoTravessão
- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
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No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é
Marcelo Leite
A pele é morena, pega cor fácil no sol. O cabelo grosso,
que já foi mais preto, espeta rápido quando se corta curto.
Quase sem pelos no torso, barba rala e falhada, olhos de um
castanho escuro, altura mediana.
O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. Há
32% de conteúdo genético característico de ameríndios em
seus cromossomos. Com 19% de origem africana na mistura,
minha ascendência europeia fica em minoria, apesar dos
sobrenomes Nogueira e Leite, Camargo e Toledo.
Queria mesmo era chamar Aikanã, Aikewara, Akuntsu,
Amanayé, Amondawa, Anacé, Anambé, Aparai, Apiaká,
Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arapium, Arara, Araweté,
Arikapu, Aruá, Ashaninka, Atikum, Asurini, Awá ou Aweti.
Ou então Baniwa, Barasana, Bororo. Canela, Chiquitano,
Cinta-Larga. Deni, Desana, Dow.
Quem sabe Enawenê-Nawê. Fulni-ô. Gamela. Huni Kuin.
Ikpeng. Jarawara. Kantaruré. Menky Manoki. Ñandeva. Oro
Win. Palikur. Rikbaktsa. Shanenawa. Tumbalalá. Umutina.
Uru-Eu-Wau-Wau. Wauja. Xokleng. Xingu. Yuhupde. Zoró.
Uma pequena amostra da diversidade indígena que sobrevive, hoje, no Brasil. São 254 desses nomes sonoros na
lista. Muito provavelmente ela era ainda mais rica e poética
antes da chegada das caravelas, do ferro e do sarampo.
Falam-se nas aldeias mais de 150 línguas e dialetos,
2% do total mundial, estimado em cerca de 7000 idiomas.
Antes do século 16, acredita-se, teriam sido mais de 1000, no
atual território nacional. Bastaram 519 anos para extinguir
850 delas.
O extermínio não impediu a miscigenação, ao contrário.
Os portugueses se serviam das mulheres nativas ou das
pobres escravas de África, quase sempre de modo forçado
ou imposto; terá havido também algum amor.
Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. A muito custo os negros conquistaram certo
espaço na TV e nas capas de revista, quase nenhum nas
baladas (exceção feita a jogadores de futebol e artistas).
E os índios?
Seguem invisíveis.
O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas
frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio –
exceto quem não é.
(Marcelo Leite, No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é.
Folha de S. Paulo: 1o
.09.2019. Adaptado)
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No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é
Marcelo Leite
A pele é morena, pega cor fácil no sol. O cabelo grosso,
que já foi mais preto, espeta rápido quando se corta curto.
Quase sem pelos no torso, barba rala e falhada, olhos de um
castanho escuro, altura mediana.
O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. Há
32% de conteúdo genético característico de ameríndios em
seus cromossomos. Com 19% de origem africana na mistura,
minha ascendência europeia fica em minoria, apesar dos
sobrenomes Nogueira e Leite, Camargo e Toledo.
Queria mesmo era chamar Aikanã, Aikewara, Akuntsu,
Amanayé, Amondawa, Anacé, Anambé, Aparai, Apiaká,
Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arapium, Arara, Araweté,
Arikapu, Aruá, Ashaninka, Atikum, Asurini, Awá ou Aweti.
Ou então Baniwa, Barasana, Bororo. Canela, Chiquitano,
Cinta-Larga. Deni, Desana, Dow.
Quem sabe Enawenê-Nawê. Fulni-ô. Gamela. Huni Kuin.
Ikpeng. Jarawara. Kantaruré. Menky Manoki. Ñandeva. Oro
Win. Palikur. Rikbaktsa. Shanenawa. Tumbalalá. Umutina.
Uru-Eu-Wau-Wau. Wauja. Xokleng. Xingu. Yuhupde. Zoró.
Uma pequena amostra da diversidade indígena que sobrevive, hoje, no Brasil. São 254 desses nomes sonoros na
lista. Muito provavelmente ela era ainda mais rica e poética
antes da chegada das caravelas, do ferro e do sarampo.
Falam-se nas aldeias mais de 150 línguas e dialetos,
2% do total mundial, estimado em cerca de 7000 idiomas.
Antes do século 16, acredita-se, teriam sido mais de 1000, no
atual território nacional. Bastaram 519 anos para extinguir
850 delas.
O extermínio não impediu a miscigenação, ao contrário.
Os portugueses se serviam das mulheres nativas ou das
pobres escravas de África, quase sempre de modo forçado
ou imposto; terá havido também algum amor.
Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. A muito custo os negros conquistaram certo
espaço na TV e nas capas de revista, quase nenhum nas
baladas (exceção feita a jogadores de futebol e artistas).
E os índios?
Seguem invisíveis.
O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas
frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio –
exceto quem não é.
(Marcelo Leite, No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é.
Folha de S. Paulo: 1o
.09.2019. Adaptado)
• O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. (1º parágrafo) • Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. (9º parágrafo) • O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio ... (último parágrafo)
Levando o contexto em consideração, assinale a alternativa que apresenta sinônimos adequados para os termos em destaque, respectivamente.
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No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é
Marcelo Leite
A pele é morena, pega cor fácil no sol. O cabelo grosso,
que já foi mais preto, espeta rápido quando se corta curto.
Quase sem pelos no torso, barba rala e falhada, olhos de um
castanho escuro, altura mediana.
O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. Há
32% de conteúdo genético característico de ameríndios em
seus cromossomos. Com 19% de origem africana na mistura,
minha ascendência europeia fica em minoria, apesar dos
sobrenomes Nogueira e Leite, Camargo e Toledo.
Queria mesmo era chamar Aikanã, Aikewara, Akuntsu,
Amanayé, Amondawa, Anacé, Anambé, Aparai, Apiaká,
Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arapium, Arara, Araweté,
Arikapu, Aruá, Ashaninka, Atikum, Asurini, Awá ou Aweti.
Ou então Baniwa, Barasana, Bororo. Canela, Chiquitano,
Cinta-Larga. Deni, Desana, Dow.
Quem sabe Enawenê-Nawê. Fulni-ô. Gamela. Huni Kuin.
Ikpeng. Jarawara. Kantaruré. Menky Manoki. Ñandeva. Oro
Win. Palikur. Rikbaktsa. Shanenawa. Tumbalalá. Umutina.
Uru-Eu-Wau-Wau. Wauja. Xokleng. Xingu. Yuhupde. Zoró.
Uma pequena amostra da diversidade indígena que sobrevive, hoje, no Brasil. São 254 desses nomes sonoros na
lista. Muito provavelmente ela era ainda mais rica e poética
antes da chegada das caravelas, do ferro e do sarampo.
Falam-se nas aldeias mais de 150 línguas e dialetos,
2% do total mundial, estimado em cerca de 7000 idiomas.
Antes do século 16, acredita-se, teriam sido mais de 1000, no
atual território nacional. Bastaram 519 anos para extinguir
850 delas.
O extermínio não impediu a miscigenação, ao contrário.
Os portugueses se serviam das mulheres nativas ou das
pobres escravas de África, quase sempre de modo forçado
ou imposto; terá havido também algum amor.
Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. A muito custo os negros conquistaram certo
espaço na TV e nas capas de revista, quase nenhum nas
baladas (exceção feita a jogadores de futebol e artistas).
E os índios?
Seguem invisíveis.
O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas
frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio –
exceto quem não é.
(Marcelo Leite, No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é.
Folha de S. Paulo: 1o
.09.2019. Adaptado)
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Leia o texto para responder à questão.
Mais uma barragem
Parece um pesadelo sem fim. Somente quatro meses
depois da tragédia de Brumadinho, e três anos e meio desde
o rompimento da barragem de Mariana, o estado de Minas
Gerais se encontra às voltas com a possibilidade iminente de
mais um desastre do gênero.
O sinal de alerta soou no complexo minerário Gongo
Soco, também pertencente à Vale, no município de Barão de
Cocais, onde o talude que forma a parede da cava da mina
deverá ceder nos próximos dias.
O risco é que a vibração provoque danos à barragem de
rejeitos localizada a 1,5 km distante da cava, levando à sua
ruptura. Tanto a empresa como a Agência Nacional de Mineração (ANM), no entanto, afirmam não ser possível prever as
avarias que o evento causará.
A encosta de sustentação vinha se movimentando cerca
10 centímetros por ano desde 2012, medida considerada aceitável para uma cava profunda, segundo a ANM. Desde o fim
de abril, porém, a velocidade do deslocamento acelerou-se
para 5 centímetros por dia, condenando a estrutura.
“O talude da cava vai se romper com a gravidade, isso é
um fato. O que estamos fazendo agora é minimizar os riscos
e evitar que pessoas transitem dentro da cava ou que sejam
atingidas”, afirmou o diretor da ANM Eduardo Leão.
Felizmente, mesmo que o pior cenário se concretize, não
há risco de uma catástrofe humana como a que houve em
Brumadinho, na qual morreram quase 300 pessoas.
Os moradores das comunidades mais próximas à mina
de Gongo Soco, que seriam atingidos em questão de minutos, foram retirados da área em fevereiro, quando a barragem ameaçada atingiu o nível 2 (numa escala de 1 a 3). De
acordo com a Defesa Civil de Minas, 443 pessoas deixaram
suas casas. Já os residentes da área urbana, que receberia
a onda de lama em cerca de uma hora, vêm passando por
treinamentos de fuga.
Qualquer que seja o desfecho, o episódio traz à tona a
imprudência não raro criminosa que permite a proximidade
de barragens de rejeitos e povoações humanas.
Um enorme contingente convive, quiçá sem o saber, com
o horizonte sombrio da ruptura.
São 3,5 milhões de pessoas habitando cidades com
estruturas que apresentam risco de rompimento – um total
de 45, em mais de 30 municípios de 13 estados. Inexiste na
legislação distância mínima a ser respeitada entre barragens
e comunidades do entorno.
Mais grave, entretanto, é a incúria de empresas e órgãos
de controle que pode levar ao terceiro rompimento de um
reservatório de rejeitos em tão pouco tempo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.05.2109. Adaptado)
• O risco é que a vibração provoque danos à barragem de rejeitos... • O que estamos fazendo agora é minimizar os riscos...
As expressões destacadas encontram-se corretamente substituídas por pronomes, em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, em:
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Mais uma barragem
Parece um pesadelo sem fim. Somente quatro meses
depois da tragédia de Brumadinho, e três anos e meio desde
o rompimento da barragem de Mariana, o estado de Minas
Gerais se encontra às voltas com a possibilidade iminente de
mais um desastre do gênero.
O sinal de alerta soou no complexo minerário Gongo
Soco, também pertencente à Vale, no município de Barão de
Cocais, onde o talude que forma a parede da cava da mina
deverá ceder nos próximos dias.
O risco é que a vibração provoque danos à barragem de
rejeitos localizada a 1,5 km distante da cava, levando à sua
ruptura. Tanto a empresa como a Agência Nacional de Mineração (ANM), no entanto, afirmam não ser possível prever as
avarias que o evento causará.
A encosta de sustentação vinha se movimentando cerca
10 centímetros por ano desde 2012, medida considerada aceitável para uma cava profunda, segundo a ANM. Desde o fim
de abril, porém, a velocidade do deslocamento acelerou-se
para 5 centímetros por dia, condenando a estrutura.
“O talude da cava vai se romper com a gravidade, isso é
um fato. O que estamos fazendo agora é minimizar os riscos
e evitar que pessoas transitem dentro da cava ou que sejam
atingidas”, afirmou o diretor da ANM Eduardo Leão.
Felizmente, mesmo que o pior cenário se concretize, não
há risco de uma catástrofe humana como a que houve em
Brumadinho, na qual morreram quase 300 pessoas.
Os moradores das comunidades mais próximas à mina
de Gongo Soco, que seriam atingidos em questão de minutos, foram retirados da área em fevereiro, quando a barragem ameaçada atingiu o nível 2 (numa escala de 1 a 3). De
acordo com a Defesa Civil de Minas, 443 pessoas deixaram
suas casas. Já os residentes da área urbana, que receberia
a onda de lama em cerca de uma hora, vêm passando por
treinamentos de fuga.
Qualquer que seja o desfecho, o episódio traz à tona a
imprudência não raro criminosa que permite a proximidade
de barragens de rejeitos e povoações humanas.
Um enorme contingente convive, quiçá sem o saber, com
o horizonte sombrio da ruptura.
São 3,5 milhões de pessoas habitando cidades com
estruturas que apresentam risco de rompimento – um total
de 45, em mais de 30 municípios de 13 estados. Inexiste na
legislação distância mínima a ser respeitada entre barragens
e comunidades do entorno.
Mais grave, entretanto, é a incúria de empresas e órgãos
de controle que pode levar ao terceiro rompimento de um
reservatório de rejeitos em tão pouco tempo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.05.2109. Adaptado)
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(Caco Galhardo. Daiquiri. Folha de S. Paulo, 11.09.2019. Adaptado)
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No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é
Marcelo Leite
A pele é morena, pega cor fácil no sol. O cabelo grosso,
que já foi mais preto, espeta rápido quando se corta curto.
Quase sem pelos no torso, barba rala e falhada, olhos de um
castanho escuro, altura mediana.
O biótipo de brasileiro da gema se estriba no DNA. Há
32% de conteúdo genético característico de ameríndios em
seus cromossomos. Com 19% de origem africana na mistura,
minha ascendência europeia fica em minoria, apesar dos
sobrenomes Nogueira e Leite, Camargo e Toledo.
Queria mesmo era chamar Aikanã, Aikewara, Akuntsu,
Amanayé, Amondawa, Anacé, Anambé, Aparai, Apiaká,
Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arapium, Arara, Araweté,
Arikapu, Aruá, Ashaninka, Atikum, Asurini, Awá ou Aweti.
Ou então Baniwa, Barasana, Bororo. Canela, Chiquitano,
Cinta-Larga. Deni, Desana, Dow.
Quem sabe Enawenê-Nawê. Fulni-ô. Gamela. Huni Kuin.
Ikpeng. Jarawara. Kantaruré. Menky Manoki. Ñandeva. Oro
Win. Palikur. Rikbaktsa. Shanenawa. Tumbalalá. Umutina.
Uru-Eu-Wau-Wau. Wauja. Xokleng. Xingu. Yuhupde. Zoró.
Uma pequena amostra da diversidade indígena que sobrevive, hoje, no Brasil. São 254 desses nomes sonoros na
lista. Muito provavelmente ela era ainda mais rica e poética
antes da chegada das caravelas, do ferro e do sarampo.
Falam-se nas aldeias mais de 150 línguas e dialetos,
2% do total mundial, estimado em cerca de 7000 idiomas.
Antes do século 16, acredita-se, teriam sido mais de 1000, no
atual território nacional. Bastaram 519 anos para extinguir
850 delas.
O extermínio não impediu a miscigenação, ao contrário.
Os portugueses se serviam das mulheres nativas ou das
pobres escravas de África, quase sempre de modo forçado
ou imposto; terá havido também algum amor.
Sem nunca ter sido formalmente racista, o país continua segregado. A muito custo os negros conquistaram certo
espaço na TV e nas capas de revista, quase nenhum nas
baladas (exceção feita a jogadores de futebol e artistas).
E os índios?
Seguem invisíveis.
O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, numa de suas
frases sempre antológicas, diz que todo brasileiro é índio –
exceto quem não é.
(Marcelo Leite, No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é.
Folha de S. Paulo: 1o
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Mais uma barragem
Parece um pesadelo sem fim. Somente quatro meses
depois da tragédia de Brumadinho, e três anos e meio desde
o rompimento da barragem de Mariana, o estado de Minas
Gerais se encontra às voltas com a possibilidade iminente de
mais um desastre do gênero.
O sinal de alerta soou no complexo minerário Gongo
Soco, também pertencente à Vale, no município de Barão de
Cocais, onde o talude que forma a parede da cava da mina
deverá ceder nos próximos dias.
O risco é que a vibração provoque danos à barragem de
rejeitos localizada a 1,5 km distante da cava, levando à sua
ruptura. Tanto a empresa como a Agência Nacional de Mineração (ANM), no entanto, afirmam não ser possível prever as
avarias que o evento causará.
A encosta de sustentação vinha se movimentando cerca
10 centímetros por ano desde 2012, medida considerada aceitável para uma cava profunda, segundo a ANM. Desde o fim
de abril, porém, a velocidade do deslocamento acelerou-se
para 5 centímetros por dia, condenando a estrutura.
“O talude da cava vai se romper com a gravidade, isso é
um fato. O que estamos fazendo agora é minimizar os riscos
e evitar que pessoas transitem dentro da cava ou que sejam
atingidas”, afirmou o diretor da ANM Eduardo Leão.
Felizmente, mesmo que o pior cenário se concretize, não
há risco de uma catástrofe humana como a que houve em
Brumadinho, na qual morreram quase 300 pessoas.
Os moradores das comunidades mais próximas à mina
de Gongo Soco, que seriam atingidos em questão de minutos, foram retirados da área em fevereiro, quando a barragem ameaçada atingiu o nível 2 (numa escala de 1 a 3). De
acordo com a Defesa Civil de Minas, 443 pessoas deixaram
suas casas. Já os residentes da área urbana, que receberia
a onda de lama em cerca de uma hora, vêm passando por
treinamentos de fuga.
Qualquer que seja o desfecho, o episódio traz à tona a
imprudência não raro criminosa que permite a proximidade
de barragens de rejeitos e povoações humanas.
Um enorme contingente convive, quiçá sem o saber, com
o horizonte sombrio da ruptura.
São 3,5 milhões de pessoas habitando cidades com
estruturas que apresentam risco de rompimento – um total
de 45, em mais de 30 municípios de 13 estados. Inexiste na
legislação distância mínima a ser respeitada entre barragens
e comunidades do entorno.
Mais grave, entretanto, é a incúria de empresas e órgãos
de controle que pode levar ao terceiro rompimento de um
reservatório de rejeitos em tão pouco tempo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.05.2109. Adaptado)
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Mais uma barragem
Parece um pesadelo sem fim. Somente quatro meses
depois da tragédia de Brumadinho, e três anos e meio desde
o rompimento da barragem de Mariana, o estado de Minas
Gerais se encontra às voltas com a possibilidade iminente de
mais um desastre do gênero.
O sinal de alerta soou no complexo minerário Gongo
Soco, também pertencente à Vale, no município de Barão de
Cocais, onde o talude que forma a parede da cava da mina
deverá ceder nos próximos dias.
O risco é que a vibração provoque danos à barragem de
rejeitos localizada a 1,5 km distante da cava, levando à sua
ruptura. Tanto a empresa como a Agência Nacional de Mineração (ANM), no entanto, afirmam não ser possível prever as
avarias que o evento causará.
A encosta de sustentação vinha se movimentando cerca
10 centímetros por ano desde 2012, medida considerada aceitável para uma cava profunda, segundo a ANM. Desde o fim
de abril, porém, a velocidade do deslocamento acelerou-se
para 5 centímetros por dia, condenando a estrutura.
“O talude da cava vai se romper com a gravidade, isso é
um fato. O que estamos fazendo agora é minimizar os riscos
e evitar que pessoas transitem dentro da cava ou que sejam
atingidas”, afirmou o diretor da ANM Eduardo Leão.
Felizmente, mesmo que o pior cenário se concretize, não
há risco de uma catástrofe humana como a que houve em
Brumadinho, na qual morreram quase 300 pessoas.
Os moradores das comunidades mais próximas à mina
de Gongo Soco, que seriam atingidos em questão de minutos, foram retirados da área em fevereiro, quando a barragem ameaçada atingiu o nível 2 (numa escala de 1 a 3). De
acordo com a Defesa Civil de Minas, 443 pessoas deixaram
suas casas. Já os residentes da área urbana, que receberia
a onda de lama em cerca de uma hora, vêm passando por
treinamentos de fuga.
Qualquer que seja o desfecho, o episódio traz à tona a
imprudência não raro criminosa que permite a proximidade
de barragens de rejeitos e povoações humanas.
Um enorme contingente convive, quiçá sem o saber, com
o horizonte sombrio da ruptura.
São 3,5 milhões de pessoas habitando cidades com
estruturas que apresentam risco de rompimento – um total
de 45, em mais de 30 municípios de 13 estados. Inexiste na
legislação distância mínima a ser respeitada entre barragens
e comunidades do entorno.
Mais grave, entretanto, é a incúria de empresas e órgãos
de controle que pode levar ao terceiro rompimento de um
reservatório de rejeitos em tão pouco tempo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.05.2109. Adaptado)
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