Magna Concursos

Foram encontradas 430 questões.

3826710 Ano: 2024
Disciplina: Matemática
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:
Um galinheiro deverá ter formato retangular e limitado por uma cerca de 80 metros de comprimento por 2 metros de altura. A empresa A se propõe a construir a cerca em 6 dias, com apenas um pedreiro trabalhando 8 horas por dia. A empresa B se propõe a construí-la com três pedreiros trabalhando 4 horas por dia. A quantidade de dias que a empresa B deverá levar para construir a cerca é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826709 Ano: 2024
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:
Em geral, uma prestação de um empréstimo é composta de duas partes: uma parte para a amortização e uma parte para o pagamento dos juros sobre o empréstimo, o qual é devido em função do saldo devedor do mês anterior ao pagamento, com base numa taxa de juros combinada de i % ao mês. A tabela a seguir descreve um empréstimo de R$ 10.000,00 a ser pago em quatro prestações mensais. A taxa combinada é de 2% ao mês e a amortização em cada mês é constante.

Enunciado 4731150-1

Com base nas informações apresentadas, assinale a opção correta.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826708 Ano: 2024
Disciplina: Matemática
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:
O número natural 125 se escreve como (1111101)_2, na base 2. Então, calculando a soma dos cubos dos números na base 2, abaixo,
[(0001)_2]3 +[(0011)_2]3+[(0101)_2]3
obtém-se, na base 5, o número:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826707 Ano: 2024
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:
Um investimento bancário paga 200% de 1,2% no primeiro mês e 200% de 1,3% no segundo mês como rendimentos brutos, em regime de juros compostos. Após descontar o imposto de renda de 22,5% do rendimento total dos dois meses, o investidor recebe o resultado como rendimento líquido. Se alguém aplicou R$ 3.000,00 nesse investimento, o rendimento líquido resultante, decorrido nos dois meses, foi de
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826706 Ano: 2024
Disciplina: Matemática
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:

Observe a figura abaixo:

Enunciado 4731147-1

Uma parede interna, retangular, medindo 4,61 metros de comprimento e 3,20 metros de altura, será revestida com placas de azulejo retangular com 0,41 metros de comprimento por 0,49 metros de altura. As placas serão colocadas, inicialmente, pelo canto esquerdo inferior da parede e coladas, sem rejunte, à parede esquerda e ao chão, tendo como base o lado de 0,41 m e todos os espaçamento entre as placas iguais a 1 cm. Após a colocação de todas as placas inteiras possíveis, o valor da área que faltará, eventualmente, a ser coberta até o lado direito e o teto, em metro quadrado, é igual a um valor no intervalo:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826705 Ano: 2024
Disciplina: Matemática
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:
Um percurso poligonal, contornando um terreno plano, mede 5,4 km. Tomando como base essas informações, assinale a opção correta.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826704 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.

TEXTO 4

De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.

Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.

E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.

Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.

CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.

TEXTO 5

– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!

A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!

BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161

TEXTO 6

Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...

ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado

A literatura brasileira produzida na virada do século XIX para o XX recebeu a designação genérica e imprecisa de pré-modernista. Dentre as diversas manifestações da literatura da época, no contexto das transformações da cidade do Rio de Janeiro, merece atenção a produção de autores que, como Lima Barreto e Julia Lopes de Almeida, representaram a força literária
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826703 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.

TEXTO 4

De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.

Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.

E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.

Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.

CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.

TEXTO 5

– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!

A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!

BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161

TEXTO 6

Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...

ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado

Julia Lopes de Almeida, assim como outras escritoras ao longo da história da literatura brasileira, nem sempre teve seu mérito devidamente reconhecido. Contudo, em sua obra, a autora demonstra consciência da sua condição de mulher e escritora, como quando, em “A arte de envelhecer” (texto 6), opta pela
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826702 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.

TEXTO 4

De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.

Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.

E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.

Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.

CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.

TEXTO 5

– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!

A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!

BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161

TEXTO 6

Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...

ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado

Lima Barreto foi um crítico da sociedade brasileira de sua época e seus posicionamentos expunham desigualdades importantes no tratamento dado à população negra no país. Nesse sentido, a violência da situação representada no texto 5 está associada à seguinte declaração de Cuti (texto 4):
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3826701 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFF
Orgão: Pref. Niterói-RJ
Provas:

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.

TEXTO 4

De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.

Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.

E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.

Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.

CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.

TEXTO 5

– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!

A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!

BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161

TEXTO 6

Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...

ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado

A referência de Cuti ao escritor Lima Barreto vai ao encontro da discussão em torno da literatura de autoria negra no Brasil. Autor da Belle Époque no Rio de Janeiro, Barreto criou narrativas protagonizadas por personagens negras e de origem pobre, como se observa no trecho retirado de seu romance Recordações do escrivão Isaías Caminha (texto 5), cujo ponto de vista narrativo tem como efeito:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas