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Apoiado no parapeito, Yaqub olhava os passantes que
subiam a rua na direção da praça dos Remédios. Por ali
circulavam carroças, um e outro carro, cascalheiros
tocando triângulos de ferro; na calçada, cadeiras em
meio círculo esperavam os moradores para a conversa
do anoitecer; no batente, das janelas, tocos de velas
iluminariam as noites da cidade sem luz. Fora assim
durante os anos da guerra: Manaus às escuras, seus
moradores acotovelando-se diante dos açougues e
empórios, disputando um naco de carne, um pacote de
arroz, feijão, sal ou café. Havia racionamento de energia,
e um ovo valia ouro.
Zana e Domingas acordavam de madrugada, a
empregada esperava o carvoeiro, a patroa ia ao
Mercado Adolpho Lisboa e depois as duas passavam a
ferro, preparavam a massa do pão, cozinhavam. Quando
tinha sorte, Halim comprava carne enlatada e farinha de
trigo que os aviões norte-americanos traziam para a
Amazônia. Às vezes, trocava víveres por tecido
encalhado: morim ou algodão esgarçado, renda
encardida, essas coisas. Conversavam em volta da
mesa sobre isso: os anos da guerra, os acampamentos
miseráveis nos subúrbios de Manaus, onde se
amontoavam ex-seringueiros.
(Hatoum, M. Dois irmãos. http://dynamicon.com.br/wpcontent/uploads/2017/02/Dois-irm%C3%A3os-de-MiltonHatoum.pdf)
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SAMAS
No Brasil, 90% dos jovens de 9 a 17 anos possuem
pelo menos um perfil em rede social. Com 69%, o Facebook
é o mais acessado por eles diariamente, segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil. O levantamento mostra
que crianças de seis anos já começam a criar perfis na web.
O principal meio de acesso é o smartphone, com
crescimento de 29% em relação ao ano passado. O estudo
também revela que 17% dos jovens utilizam a lanhouse
para se conectar à internet. Com o objetivo de analisar o
comportamento online da juventude brasileira em 2014, a
pesquisa entrevistou 2 105 jovens de todas as regiões do
país. O estudo mostra que 81% dos adolescentes navegam
na internet diariamente e 73% deles afirmam que a utilizam
para acessar redes sociais. Já para fins escolares, apenas
68% disseram fazer buscas online em um mês. Entre os que
usam redes sociais, 75% as utilizam para trocar mensagens
instantâneas com os amigos. Depois, com 28%, a principal
atividade é atualizar informações e conteúdo. Além disso, o
estudo destaca que 24% dos jovens assistem a filmes,
séries e programas online pelo menos uma vez por semana.
A pesquisa, realizada pelo Centro Regional de Estudos para
o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br),
foi divulgada durante o evento de lançamento da campanha
Internet Sem Vacilo, organizada pela Unicef em parceria
com o Google. Vale destacar que no termo de uso das
principais plataformas de comunicação online a idade
mínima para criar um perfil online é 18 anos, mas, como
demonstra a pesquisa, muitos têm acessado antes de
atingir esse requisito.
Fonte: TIC Kids Online Brasil
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“Há, portanto, uma arte de escrever – que é a
redação. Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma
atividade social indispensável, para a qual falta, não
obstante, muitas vezes, uma preparação preliminar.
A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais
fácil na medida em que se beneficia da prática da fala
cotidiana, de cujos elementos parte em princípio.
O que há de comum, antes de tudo, entre a
exposição oral e a escrita é a necessidade da boa
composição, isto é, uma distribuição metódica e
compreensível de ideias.
Impõe-se igualmente a visualização de um objetivo
definido. Ninguém é capaz de escrever bem, se não sabe
bem o que vai escrever.
Justamente por causa disso, as condições para a
redação no exercício da vida profissional ou no intercâmbio
amplo, dentro da sociedade, são muito diversas das da
redação escolar. A convicção do que vamos dizer, a
importância que há em dizê-lo, o domínio de um assunto da
nossa especialidade tiram à redação o caráter negativo de
mero exercício formal, como tem na escola.
Qualquer um de nós senhor de um assunto é, em
princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há um jeito
especial para a redação, ao contrário do que muita gente
pensa. Há apenas uma falta de preparação inicial, que o
esforço e a prática vencem.
Por outro lado, a arte de escrever, na medida em
que consubstancia a nossa capacidade de expressão do
pensar e do sentir, tem de firmar raízes na nossa própria
personalidade e decorre, em grande parte, de um trabalho
nosso para desenvolver a personalidade por este ângulo.
[…]
A arte de escrever precisa assentar numa atividade
preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um
hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende
muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental
adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do
que outros, com bom resultado, escreveram.”
JOAQUIM MATTOSO CÂMARA JR. Manual de expressão oral &
escrita.
7a. Edição, Vozes, Petrópolis, 1983
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Texto 1: Ele entrou, trazendo ainda nos olhos a fadiga da
noite ruim, quase passada em claro, no vaivém da rede, que
participava de sua inquietação e de seu nervoso, agitando-se num balanço seco e rangedor, ram, rem, ram,
rem!...como se estivesse também neurastênica e exausta.
Durante a vigília triste mais do que nunca o atormentara a
angústia de seu isolamento, a medonha desolação em que
andava a sua vida. A seca, com aquele sol eterno,
Conceição com sua indiferença tão fria e longínqua, e o
gado moribundo, os roçados calcinados, tudo crescia a seus
olhos, na sombra espessa do quarto, em desmedidas
proporções de pesadelo. Afinal sua energia e sua paciência
se revoltavam; naquela hora de opressão, o que queria era
uma solução cortante, rápida, que acabasse de vez com a
espera sem fim dum ano tão comprido e tão mau.
(Queiroz, R. O quinze.
https://vivelatinoamerica.files.wordpress.com/2016/03/o_quinze
_obra_-_rachel_de_queiroz.pdf)
Texto 2: O tema deste estudo são os livros“O quinze”, de
Rachel de Queiroz, e “Vidas secas” de Graciliano Ramos. O
primeiro foi publicado pela primeira vez em 1930; o
segundo, em 1938. Tanto o primeiro quanto o segundo são
reconhecidos pela crítica e seus autores são situados pela
historiografia literária como dos mais relevantes da segunda
fase do modernismo brasileiro.
(http://www.domalberto.edu.br/wp-content/uploads/2017/05/APerspectiva-Cr%C3%ADtica-em-Rachel-de-Queiroz-e-emGraciliano-Ramos.pdf)
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Assinale a alternativa INCORRETA, observando as
regras cultas de conjugação verbal:
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“Há, portanto, uma arte de escrever – que é a
redação. Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma
atividade social indispensável, para a qual falta, não
obstante, muitas vezes, uma preparação preliminar.
A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais
fácil na medida em que se beneficia da prática da fala
cotidiana, de cujos elementos parte em princípio.
O que há de comum, antes de tudo, entre a
exposição oral e a escrita é a necessidade da boa
composição, isto é, uma distribuição metódica e
compreensível de ideias.
Impõe-se igualmente a visualização de um objetivo
definido. Ninguém é capaz de escrever bem, se não sabe
bem o que vai escrever.
Justamente por causa disso, as condições para a
redação no exercício da vida profissional ou no intercâmbio
amplo, dentro da sociedade, são muito diversas das da
redação escolar. A convicção do que vamos dizer, a
importância que há em dizê-lo, o domínio de um assunto da
nossa especialidade tiram à redação o caráter negativo de
mero exercício formal, como tem na escola.
Qualquer um de nós senhor de um assunto é, em
princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há um jeito
especial para a redação, ao contrário do que muita gente
pensa. Há apenas uma falta de preparação inicial, que o
esforço e a prática vencem.
Por outro lado, a arte de escrever, na medida em
que consubstancia a nossa capacidade de expressão do
pensar e do sentir, tem de firmar raízes na nossa própria
personalidade e decorre, em grande parte, de um trabalho
nosso para desenvolver a personalidade por este ângulo.
[…]
A arte de escrever precisa assentar numa atividade
preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um
hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende
muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental
adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do
que outros, com bom resultado, escreveram.”
JOAQUIM MATTOSO CÂMARA JR. Manual de expressão oral &
escrita.
7a. Edição, Vozes, Petrópolis, 1983
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Ainda segundo Tania Pellegrini, sobre a obra do escritor
Milton Hatoum: “[Hatoum), lançando mão das contribuições das matrizes literárias urbanas clássicas, modernas e contemporâneas, já incorporadas, e à sua luz revendo os conteúdos [...], compõe um tecido rico no seu hibridismo, que conserva vivas todas as suas fontes e é capaz de continuar transmitindo a herança delas recebida. É uma herança renovada que, todavia, ainda se identifica completamente com o passado, resgatando-lhe a identidade e impedindo sua transformação em “texto multicultural.” Nesse sentido, ele consegue não esquecer, mas lembrar; não superar, mas resgatar em termos artísticos de inegável valor o impasse criado pelas desigualdades de fundo da vida social e da multifacetada cultura brasileira, num movimento de incorporação simultânea de termos heterogêneos e numa síntese de profundo significado humano e político.”
(https://muse.jhu.edu/article/173647.pdf)
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Apoiado no parapeito, Yaqub olhava os passantes que subiam a rua na direção da praça dos Remédios. Por ali circulavam carroças, um e outro carro, cascalheiros tocando triângulos de ferro; na calçada, cadeiras em meio círculo esperavam os moradores para a conversa do anoitecer; no batente, das janelas, tocos de velas iluminariam as noites da cidade sem luz. Fora assim durante os anos da guerra: Manaus às escuras, seus moradores acotovelando-se diante dos açougues e empórios, disputando um naco de carne, um pacote de arroz, feijão, sal ou café. Havia racionamento de energia, e um ovo valia ouro.
Zana e Domingas acordavam de madrugada, a empregada esperava o carvoeiro, a patroa ia ao Mercado Adolpho Lisboa e depois as duas passavam a ferro, preparavam a massa do pão, cozinhavam. Quando tinha sorte, Halim comprava carne enlatada e farinha de trigo que os aviões norte-americanos traziam para a Amazônia. Às vezes, trocava víveres por tecido encalhado: morim ou algodão esgarçado, renda encardida, essas coisas. Conversavam em volta da mesa sobre isso: os anos da guerra, os acampamentos miseráveis nos subúrbios de Manaus, onde se amontoavam ex-seringueiros.
(Hatoum, M. Dois irmãos. http://dynamicon.com.br/wpcontent/uploads/2017/02/Dois-irm%C3%A3os-de-MiltonHatoum.pdf)
II. Zana e Domingas acordavam de madrugada, a empregada esperava o carvoeiro, a patroa ia ao Mercado Adolpho Lisboa - a oração em negrito é uma oração coordenada assindética. III. Às vezes, trocava víveres por tecido encalhado: morim ou algodão esgarçado, renda encardida [...] –a frase em negrito é um aposto enumerativo.
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Leia o texto a seguir com atenção.
“[...]Convidei-o a desmontar, a entrar. Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:
—"Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada...
[...]Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado...
[...] Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... fazmegerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?”
— Famigerado?
— “Sim senhor…” — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:
— “Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho…” Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.
— Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”…
— “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”
— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos…
— “Pois… e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”
— Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito…
— “Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?”
Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:
— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!…
— “Ah, bem!…” — soltou, exultante.
Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — “Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição…” — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d’água. Disse: — “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!” Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — “Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não…” Mas mais sorriu, apagarase-lhe a inquietação. Disse: — “A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças… Só pra azedar a mandioca…” Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.”
(Rosa, Guimarães. O Famigerado. Em: Primeiras Histórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p.13. http://contobrasileiro.com.br/famigerado-conto-de-guimaraes-rosa/)
I. O narrador da história é da área da saúde, possivelmente um médico, e o homem que vem a sua casa vem a cavalo e acompanhado de três cavaleiros. Ele quer saber o significado de uma palavra, dita por um oficial do governo, pelo que podemos entender. Nesta situação, o médico é interpelado pelo homem, que busca saber se essa palavra é uma ofensa ou não. O médico dá uma porção de significados ao homem, mas nenhuma delas dá o significado real com que a palavra deveria ser entendida. II. O narrador da história hesita, não quer dar o significado da palavra que o cavaleiro pede. No final, o cavaleiro fica satisfeito com a explicação do narrador, que deduzimos ser médico, confiando na sabedoria de seu interlocutor. III. O cavaleiro busca saber o significado da palavra famigerado pois não teve oportunidade de estudar, por viver em um lugar ermo e de difícil acesso. De forma que, buscando uma pessoa de confiança, procura o narrador, que deduzimos ser médico, pois confiar que ele saberia explicar essa palavra. IV. O narrador hesita ao dar o significado para o cavaleiro, pois pensa que o homem e seus acompanhantes podem querer fazer mal a ele, caso conheça a real acepção de famigerado. O narrador, nesse caso, dá outras palavras, com conotações positivas, mas mesmo assim os outros cavaleiros ficam desconfiados. Assinale a alternativa correta, em relação às assertivas acima:
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Observando a concordância, assinale a alternativa
correta:
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