Foram encontradas 60 questões.
Leia o texto e resposta à questão.
“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro
Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino
indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça
dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro
Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino
indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça
dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
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Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino
indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça
dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
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dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
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dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
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dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro
Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino
indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça
dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
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chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
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dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
de apagar do que um erro de conta.
Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante,
como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares
furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro
Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino
indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça
dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se
chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa
que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras
que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de
grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda
assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis
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Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor,
Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas
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furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que
Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o
brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e
privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números
que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.
Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre
a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem
sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento
como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros
entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da
palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de
feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De
súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no
próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.
A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física
que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta
derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela
época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de
que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar,
castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo”
tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o
castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se
algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não
estavam no quadro-negro.
Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que
naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de
escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura
de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto
a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se
aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda,
termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue
valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam
menos do que a própria consciência.
Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
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