Foram encontradas 50 questões.
Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.
A aldeia era cinzenta e triste. À volta dela apenas montes e bosques, nuvens e vento. Não havia outras aldeias nas redondezas. Quase nunca chegavam forasteiros, nem sequer visitantes ocasionais. Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive, no vale fechado e rodeado por montes íngremes. Somente a oeste havia uma abertura estreita entre as montanhas, e por essa abertura passava o único caminho que levava à aldeia, mas não ia adiante. Porque não havia nenhum adiante: ali terminava o mundo.
Vez por outra aparecia um vendedor ambulante, ou algum artesão, ou simplesmente algum mendigo perdido. Mas nenhum peregrino permanecia mais que duas noites, porque a aldeia era amaldiçoada: um estranho silêncio pairava sempre ali, nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. Apenas o som do rio se ouvia sempre, dia e noite, pois um rio caudaloso corria entre os bosques nos montes. Com uma espuma branca nas margens, esse rio cortava a aldeia todinha, agitado, borbulhante, produzindo um ruído parecido com um suspiro baixo, e prosseguia sendo tragado entre as curvas dos vales e bosques.
(Amós Oz. De repente, nas profundezas do bosque. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)
Assinale a alternativa que preenche, respectivamente e de acordo com a norma-padrão, as lacunas do seguinte trecho.
O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Sei que escrever é o meu ofício. Quando me ponho ___________ escrever, sinto-me extraordinariamente ___________ vontade e me movo num elemento que tenho ___________ impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos.
(Natalia Ginzburg. As pequenas virtudes. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.)
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Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.
A aldeia era cinzenta e triste. À volta dela apenas montes e bosques, nuvens e vento. Não havia outras aldeias nas redondezas. Quase nunca chegavam forasteiros, nem sequer visitantes ocasionais. Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive, no vale fechado e rodeado por montes íngremes. Somente a oeste havia uma abertura estreita entre as montanhas, e por essa abertura passava o único caminho que levava à aldeia, mas não ia adiante. Porque não havia nenhum adiante: ali terminava o mundo.
Vez por outra aparecia um vendedor ambulante, ou algum artesão, ou simplesmente algum mendigo perdido. Mas nenhum peregrino permanecia mais que duas noites, porque a aldeia era amaldiçoada: um estranho silêncio pairava sempre ali, nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. Apenas o som do rio se ouvia sempre, dia e noite, pois um rio caudaloso corria entre os bosques nos montes. Com uma espuma branca nas margens, esse rio cortava a aldeia todinha, agitado, borbulhante, produzindo um ruído parecido com um suspiro baixo, e prosseguia sendo tragado entre as curvas dos vales e bosques.
(Amós Oz. De repente, nas profundezas do bosque. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)
As expressões em destaque nos trechos − Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive – e − Vez por outra aparecia um vendedor ambulante... − apresentam, respectivamente, as circunstâncias de
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Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.
A aldeia era cinzenta e triste. À volta dela apenas montes e bosques, nuvens e vento. Não havia outras aldeias nas redondezas. Quase nunca chegavam forasteiros, nem sequer visitantes ocasionais. Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive, no vale fechado e rodeado por montes íngremes. Somente a oeste havia uma abertura estreita entre as montanhas, e por essa abertura passava o único caminho que levava à aldeia, mas não ia adiante. Porque não havia nenhum adiante: ali terminava o mundo.
Vez por outra aparecia um vendedor ambulante, ou algum artesão, ou simplesmente algum mendigo perdido. Mas nenhum peregrino permanecia mais que duas noites, porque a aldeia era amaldiçoada: um estranho silêncio pairava sempre ali, nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. Apenas o som do rio se ouvia sempre, dia e noite, pois um rio caudaloso corria entre os bosques nos montes. Com uma espuma branca nas margens, esse rio cortava a aldeia todinha, agitado, borbulhante, produzindo um ruído parecido com um suspiro baixo, e prosseguia sendo tragado entre as curvas dos vales e bosques.
(Amós Oz. De repente, nas profundezas do bosque. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)
No contexto em que se encontra, o trecho − ...nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. – contribui para
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Leia o texto para responder às questões de números 05 a 07.
Em sociedades como a nossa, em que direitos civis plenos são negados às crianças, é absolutamente crucial que os pais aprendam a oferecer uma disciplina amorosa. Estabelecer limites e ensinar às crianças como estabelecer limites por conta própria antes de se comportarem mal são parte essencial de uma criação amorosa. Quando os pais começam a disciplinar as crianças usando punição severa, esse se torna o padrão ao qual as crianças respondem. Pais amorosos se esforçam muito para disciplinar sem punir. Isso não significa que nunca castiguem, mas, quando o fazem, escolhem formas alternativas de punição, como retirar algum privilégio ou determinar que a criança passe um tempo sozinha. O foco é ensinar às crianças como serem autodisciplinadas e como assumir responsabilidade por seus atos. Uma vez que a maioria de nós cresceu em lares onde a punição severa era considerada a principal forma, se não a única, de ensinar disciplina, o fato de que esta possa ser ensinada sem agressão surpreende muitas pessoas. Uma das formas mais simples de as crianças aprenderem a ser organizadas no dia a dia é aprendendo a limpar a bagunça que fazem. Ensinar a uma criança a responsabilidade de colocar os brinquedos no lugar certo depois da brincadeira já é uma forma de estimular a responsabilidade e a autodisciplina. Aprender a arrumar a bagunça feita durante a brincadeira ajuda a criança a ser responsável. E com essa ação prática, ela pode aprender a lidar com a bagunça emocional.
(Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.
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Leia o texto para responder às questões de números 07 a 10.
Em sociedades como a nossa, em que direitos civis plenos são negados às crianças, é absolutamente crucial que os pais aprendam a oferecer uma disciplina amorosa. Estabelecer limites e ensinar às crianças como estabelecer limites por conta própria antes de se comportarem mal são parte essencial de uma criação amorosa. Quando os pais começam a disciplinar as crianças usando punição severa, esse se torna o padrão ao qual as crianças respondem. Pais amorosos se esforçam muito para disciplinar sem punir. Isso não significa que nunca castiguem, mas, quando o fazem, escolhem formas alternativas de punição, como retirar algum privilégio ou determinar que a criança passe um tempo sozinha. O foco é ensinar às crianças como serem autodisciplinadas e como assumir responsabilidade por seus atos. Uma vez que a maioria de nós cresceu em lares onde a punição severa era considerada a principal forma, se não a única, de ensinar disciplina, o fato de que esta possa ser ensinada sem agressão surpreende muitas pessoas. Uma das formas mais simples de as crianças aprenderem a ser organizadas no dia a dia é aprendendo a limpar a bagunça que fazem. Ensinar a uma criança a responsabilidade de colocar os brinquedos no lugar certo depois da brincadeira já é uma forma de estimular a responsabilidade e a autodisciplina. Aprender a arrumar a bagunça feita durante a brincadeira ajuda a criança a ser responsável. E com essa ação prática, ela pode aprender a lidar com a bagunça emocional.
(Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021. Adaptado)
As expressões destacadas nos trechos − Em sociedades como a nossa, em que direitos civis plenos são negados às crianças... − e − ...esse se torna o padrão ao qual as crianças respondem. – podem ser substituídas, respectivamente e de acordo com a norma-padrão, por:
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Leia o texto para responder às questões de números 07 a 10.
Em sociedades como a nossa, em que direitos civis plenos são negados às crianças, é absolutamente crucial que os pais aprendam a oferecer uma disciplina amorosa. Estabelecer limites e ensinar às crianças como estabelecer limites por conta própria antes de se comportarem mal são parte essencial de uma criação amorosa. Quando os pais começam a disciplinar as crianças usando punição severa, esse se torna o padrão ao qual as crianças respondem. Pais amorosos se esforçam muito para disciplinar sem punir. Isso não significa que nunca castiguem, mas, quando o fazem, escolhem formas alternativas de punição, como retirar algum privilégio ou determinar que a criança passe um tempo sozinha. O foco é ensinar às crianças como serem autodisciplinadas e como assumir responsabilidade por seus atos. Uma vez que a maioria de nós cresceu em lares onde a punição severa era considerada a principal forma, se não a única, de ensinar disciplina, o fato de que esta possa ser ensinada sem agressão surpreende muitas pessoas. Uma das formas mais simples de as crianças aprenderem a ser organizadas no dia a dia é aprendendo a limpar a bagunça que fazem. Ensinar a uma criança a responsabilidade de colocar os brinquedos no lugar certo depois da brincadeira já é uma forma de estimular a responsabilidade e a autodisciplina. Aprender a arrumar a bagunça feita durante a brincadeira ajuda a criança a ser responsável. E com essa ação prática, ela pode aprender a lidar com a bagunça emocional.
(Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021. Adaptado)
De acordo com a opinião da autora,
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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Durante anos, a Suíça tentou encontrar um lugar para armazenar lixo nuclear radioativo. Embora o país faça uso intensivo dessa energia, poucas comunidades queriam dar guarida ao lixo nuclear. Um dos lugares escolhidos como um possível depósito foi a pequena aldeia de Wolfenschiessen, de 2.100 habitantes. Em 1993, pouco antes de um referendo sobre a questão, alguns economistas fizeram uma pesquisa entre os moradores da aldeia e perguntaram se votariam a favor da instalação de um depósito de lixo nuclear em sua comunidade se o Parlamento suíço decidisse construí-lo ali. Embora a instalação fosse amplamente considerada indesejável nas imediações, uma apertada maioria dos habitantes (51%) declarou-se disposta a aceitá-la. Aparentemente, o senso do dever cívico sobrepôs-se à preocupação com os riscos. Os economistas então douraram um pouco a pílula: “Suponha que o Parlamento propusesse a construção do depósito de lixo nuclear na comunidade e também oferecesse indenizar cada morador com um pagamento anual em dinheiro. Nesse caso você seria favorável?”
Resultado: o apoio diminuiu, ao invés de aumentar. O acréscimo do estímulo financeiro reduziu o índice de aceitação pela metade, de 51% para 25%. A oferta em dinheiro, na verdade, diminuiu a disposição de acolher o depósito de lixo nuclear. Além disso, a elevação da aposta não ajudou. Quando os economistas aumentaram a oferta monetária, o resultado ficou inalterado.
A análise econômica habitual considera que a oferta de dinheiro para que alguém aceite um ônus deveria aumentar, e não diminuir, sua disposição de fazê-lo. Mas os economistas responsáveis pelo estudo destacam que o efeito de preço pode às vezes ser confundido por considerações de ordem moral, entre elas um compromisso com o bem comum. Para muitos habitantes daquela aldeia, a disposição de aceitar o depósito de lixo nuclear era uma questão de espírito público − o reconhecimento de que o país como um todo dependia da energia nuclear e era necessário, portanto, armazenar o lixo nuclear em algum lugar. Se a sua comunidade era considerada o local mais seguro para essa estocagem, eles se dispunham a pagar o ônus.
(Michael J. Sandel. O que o dinheiro não compra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Adaptado)
As expressões em destaque no trecho − Mas os economistas responsáveis pelo estudo destacam que o efeito de preço pode às vezes ser confundido por considerações de ordem moral... − podem ser substituídas, correta e respectivamente, por
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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Durante anos, a Suíça tentou encontrar um lugar para armazenar lixo nuclear radioativo. Embora o país faça uso intensivo dessa energia, poucas comunidades queriam dar guarida ao lixo nuclear. Um dos lugares escolhidos como um possível depósito foi a pequena aldeia de Wolfenschiessen, de 2.100 habitantes. Em 1993, pouco antes de um referendo sobre a questão, alguns economistas fizeram uma pesquisa entre os moradores da aldeia e perguntaram se votariam a favor da instalação de um depósito de lixo nuclear em sua comunidade se o Parlamento suíço decidisse construí-lo ali. Embora a instalação fosse amplamente considerada indesejável nas imediações, uma apertada maioria dos habitantes (51%) declarou-se disposta a aceitá-la. Aparentemente, o senso do dever cívico sobrepôs-se à preocupação com os riscos. Os economistas então douraram um pouco a pílula: “Suponha que o Parlamento propusesse a construção do depósito de lixo nuclear na comunidade e também oferecesse indenizar cada morador com um pagamento anual em dinheiro. Nesse caso você seria favorável?”
Resultado: o apoio diminuiu, ao invés de aumentar. O acréscimo do estímulo financeiro reduziu o índice de aceitação pela metade, de 51% para 25%. A oferta em dinheiro, na verdade, diminuiu a disposição de acolher o depósito de lixo nuclear. Além disso, a elevação da aposta não ajudou. Quando os economistas aumentaram a oferta monetária, o resultado ficou inalterado.
A análise econômica habitual considera que a oferta de dinheiro para que alguém aceite um ônus deveria aumentar, e não diminuir, sua disposição de fazê-lo. Mas os economistas responsáveis pelo estudo destacam que o efeito de preço pode às vezes ser confundido por considerações de ordem moral, entre elas um compromisso com o bem comum. Para muitos habitantes daquela aldeia, a disposição de aceitar o depósito de lixo nuclear era uma questão de espírito público − o reconhecimento de que o país como um todo dependia da energia nuclear e era necessário, portanto, armazenar o lixo nuclear em algum lugar. Se a sua comunidade era considerada o local mais seguro para essa estocagem, eles se dispunham a pagar o ônus.
(Michael J. Sandel. O que o dinheiro não compra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Adaptado)
O trecho do 1º parágrafo – ...Nesse caso você seria favorável? – corresponde a questão formulada
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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Durante anos, a Suíça tentou encontrar um lugar para armazenar lixo nuclear radioativo. Embora o país faça uso intensivo dessa energia, poucas comunidades queriam dar guarida ao lixo nuclear. Um dos lugares escolhidos como um possível depósito foi a pequena aldeia de Wolfenschiessen, de 2.100 habitantes. Em 1993, pouco antes de um referendo sobre a questão, alguns economistas fizeram uma pesquisa entre os moradores da aldeia e perguntaram se votariam a favor da instalação de um depósito de lixo nuclear em sua comunidade se o Parlamento suíço decidisse construí-lo ali. Embora a instalação fosse amplamente considerada indesejável nas imediações, uma apertada maioria dos habitantes (51%) declarou-se disposta a aceitá-la. Aparentemente, o senso do dever cívico sobrepôs-se à preocupação com os riscos. Os economistas então douraram um pouco a pílula: “Suponha que o Parlamento propusesse a construção do depósito de lixo nuclear na comunidade e também oferecesse indenizar cada morador com um pagamento anual em dinheiro. Nesse caso você seria favorável?”
Resultado: o apoio diminuiu, ao invés de aumentar. O acréscimo do estímulo financeiro reduziu o índice de aceitação pela metade, de 51% para 25%. A oferta em dinheiro, na verdade, diminuiu a disposição de acolher o depósito de lixo nuclear. Além disso, a elevação da aposta não ajudou. Quando os economistas aumentaram a oferta monetária, o resultado ficou inalterado.
A análise econômica habitual considera que a oferta de dinheiro para que alguém aceite um ônus deveria aumentar, e não diminuir, sua disposição de fazê-lo. Mas os economistas responsáveis pelo estudo destacam que o efeito de preço pode às vezes ser confundido por considerações de ordem moral, entre elas um compromisso com o bem comum. Para muitos habitantes daquela aldeia, a disposição de aceitar o depósito de lixo nuclear era uma questão de espírito público − o reconhecimento de que o país como um todo dependia da energia nuclear e era necessário, portanto, armazenar o lixo nuclear em algum lugar. Se a sua comunidade era considerada o local mais seguro para essa estocagem, eles se dispunham a pagar o ônus.
(Michael J. Sandel. O que o dinheiro não compra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Adaptado)
Em relação à oferta de dinheiro para que se aceite um ônus, o pensamento da análise econômica habitual, mencionada no 3º parágrafo, e o resultado da pesquisa com os habitantes de Wolfenschiessen são
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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Durante anos, a Suíça tentou encontrar um lugar para armazenar lixo nuclear radioativo. Embora o país faça uso intensivo dessa energia, poucas comunidades queriam dar guarida ao lixo nuclear. Um dos lugares escolhidos como um possível depósito foi a pequena aldeia de Wolfenschiessen, de 2.100 habitantes. Em 1993, pouco antes de um referendo sobre a questão, alguns economistas fizeram uma pesquisa entre os moradores da aldeia e perguntaram se votariam a favor da instalação de um depósito de lixo nuclear em sua comunidade se o Parlamento suíço decidisse construí-lo ali. Embora a instalação fosse amplamente considerada indesejável nas imediações, uma apertada maioria dos habitantes (51%) declarou-se disposta a aceitá-la. Aparentemente, o senso do dever cívico sobrepôs-se à preocupação com os riscos. Os economistas então douraram um pouco a pílula: “Suponha que o Parlamento propusesse a construção do depósito de lixo nuclear na comunidade e também oferecesse indenizar cada morador com um pagamento anual em dinheiro. Nesse caso você seria favorável?”
Resultado: o apoio diminuiu, ao invés de aumentar. O acréscimo do estímulo financeiro reduziu o índice de aceitação pela metade, de 51% para 25%. A oferta em dinheiro, na verdade, diminuiu a disposição de acolher o depósito de lixo nuclear. Além disso, a elevação da aposta não ajudou. Quando os economistas aumentaram a oferta monetária, o resultado ficou inalterado.
A análise econômica habitual considera que a oferta de dinheiro para que alguém aceite um ônus deveria aumentar, e não diminuir, sua disposição de fazê-lo. Mas os economistas responsáveis pelo estudo destacam que o efeito de preço pode às vezes ser confundido por considerações de ordem moral, entre elas um compromisso com o bem comum. Para muitos habitantes daquela aldeia, a disposição de aceitar o depósito de lixo nuclear era uma questão de espírito público − o reconhecimento de que o país como um todo dependia da energia nuclear e era necessário, portanto, armazenar o lixo nuclear em algum lugar. Se a sua comunidade era considerada o local mais seguro para essa estocagem, eles se dispunham a pagar o ônus.
(Michael J. Sandel. O que o dinheiro não compra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Adaptado)
Segundo o texto, é possível afirmar que
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