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De volta às aulas
Por Cláudio Moreno
Volta fevereiro, e com ele voltam as aulas na maioria dos estados deste imenso Brasil.
Como de costume, também, começam a chegar as dúvidas escolares, enviadas por pais e mães
aflitos com o conteúdo que está sendo servido a seus filhos. Fico espantado com a desconfiança
generalizada que esses pais têm com relação ao conhecimento dos professores, os quais, a julgar
pelas consultas que recebi, demonstram conhecer muito bem o seu ofício, como o prezado leitor
poderá avaliar na relação abaixo.
1) Auto ou Alto de Natal — “Na lista de livros que deram para meu filho este ano
consta Auto de Natal, assim, com U, como automóvel. Fui conferir na internet e, como eu
imaginava, achei Alto de Natal em várias páginas conceituadas do Google. O problema é que
também tem muitas outras com Auto, mesmo, como a escola escreveu. Afinal, é Alto ou Auto de
Natal? Obrigada pela atenção”.
Resposta — Senhora mãe, a escola do teu filho está correta. Os autos eram pecinhas do
teatro de origem popular, geralmente religiosa, que eram encenadas, na Idade Média, nas
escadarias da igreja. Em Portugal, Gil Vicente escreveu vários autos famosos, como o Auto da
Barca do Inferno e o Auto da Índia. No teu caso, é claro que é Auto de Natal. Lembro-te o Auto
da Compadecida, do Ariano Suassuna, que até minissérie já virou. A confusão entre as duas
palavras é favorecida pelo som, já que a letra L depois da vogal é lida normalmente como /u/.
Basta ver o erro corriqueiro de escrever piano de *ca...da, quando deveria ser ca...da.
2) Plural de Sol? Feminino de Papa — “Minha filha começou a estudar o gênero e o número
dos substantivos e o professor deu uma lista de exemplos que serão tomados no teste da primeira
semana de março. Fiquei preocupado com duas coisas: ele dá guarda-sóis como o plural
de guarda-sol e papisa como o feminino de papa. Mas plural de Sol é possível? Não é só um? E
desde quando papa tem feminino, se a Igreja Católica não aceita mulheres em seus quadros?”.
Resposta — Senhor pai, o professor do teu filho está correto. O Sol (nota a maiúscula!),
nosso astro-rei, é realmente um só, mas o sol (com minúscula), com seus vários significados,
flexiona normalmente no plural. O Sol é o centro do sistema planetário a que a Terra pertence,
mas há bilhões de outros sóis, a maior parte deles maiores do que o nosso...
Afirmar que papa não tem feminino porque jamais uma mulher assumiu o trono de São
Pedro é o mesmo erro de raciocínio: temos de distinguir o universo real, infinito, do universo da
linguagem, que é mais extenso ainda, maior que o infinito, pois ela nos permite falar no que
existe e no que nunca existiu. Precisamos do feminino papisa, quando mais não seja, para poder
dizer “Nunca houve uma papisa até hoje”, ou “A história da papisa Joana é uma lenda sem
fundamento”, ou “Já tivemos vários papas, mas nenhuma papisa”.
3) Feminino de gafanhoto? — “A professora da minha filha pequena disse em aula que o
feminino de pato é pata e o de sapo é sapa, mas que só tem formiga e não tem formigo, só
tem gafanhoto e não tem gafanhota. Eu também fiquei curiosa e fui pesquisar. Todo o mundo
afirma o mesmo, mas ninguém explica o porquê. Existe alguma razão gramatical que eu não
estou enxergando? Obrigada”.
Resposta — Senhora mãe, a gramática não é responsável por isso. Ocorre que uma língua
(qualquer uma) economiza ao máximo os seus recursos e só vai fazer distinções de gênero que
sejam importantes para os seus falantes — em outras palavras, ela só vai marcar os dois sexos
biológicos quando isso tiver alguma importância para a comunidade. Para a criação de animais
domésticos e de abate, por exemplo, é fundamental distinguir entre machos e fêmeas (o boi,
a vaca, o touro; a ovelha e o carneiro; o galo e a galinha, e por aí vai a valsa). No entanto (ao
menos por enquanto) não ganhamos nada em marcar esta distinção no caso da formiga,
da girafa, do gafanhoto ou da onça. Se for realmente necessário distinguir, recorremos, então,
ao acréscimo de “macho” ou “fêmea”: a girafa macho, a fêmea do crocodilo, o macho da saracura,
evitando a criação de formas de raro uso como *o girafo, *a crocodila e *o saracuro
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudio-moreno/noticia/2024/02/de-volta-as-aulas clt6ac6b900ag01471iw6smk4.html - texto adaptado especialmente para esta prova)
I. O texto anterior foi produzido por um professor de Língua Portuguesa a fim de expor os seus pares após o início das aulas, mostrando erros identificados pelos familiares dos estudantes.
II. A primeira dúvida enviada ao autor apresenta um questionamento acerca de ortografia, e a segunda, de morfologia, abordando tanto a flexão de gênero quanto a de número.
III. Em sua primeira resposta, o autor concorda com o que foi posto pela escola, e é possível perceber, na segunda pergunta de um pai, uma confusão entre dogmas religiosos e a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Quais estão corretas?
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I. Desenvolvem o espírito competitivo e o individualismo entre os alunos, visto que a aprendizagem torna-se mais efetiva e envolvente quando os alunos possuem metas e objetivos a serem alcançados.
II. Utilizam técnicas ativas de aprendizado, já que um estudante não aprende apenas ouvindo o professor, memorizando e respondendo exercícios; ele deve também falar a respeito do que tem aprendido, refletir sobre o tópico e fazer relações com sua própria experiência.
III. Permitem feedbacks frequentes, pois estar ciente de suas habilidades e deficiências é importante para concentrar esforços; assim, os alunos precisam de feedback constante sobre seu desempenho, de modo que possam refletir sobre o que aprenderam e o que ainda precisam aprender.
IV. Respeitam os diversos talentos e formas de aprendizagem, porque os alunos precisam de oportunidades para utilizar seus talentos e aprender como fazê-lo de forma eficiente.
Quais estão corretas?
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1. Oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas.
2. Oferta de medidas individualizantes que possibilitem o regramento do desenvolvimento educacional e social dos alunos com deficiência, disciplinando o acesso e o ensino nas escolas de Educação Básica.
3. Projeto pedagógico que institucionalize o Atendimento Educacional Especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia.
4. Adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e profissionais, levando-se em conta o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante com deficiência.
O resultado da somatória dos números correspondentes às afirmações corretas é:
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Disciplina: Legislação Municipal
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Porto Alegre-RS
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I. A iconicidade se refere à transparência entre o sinal e o significado, sendo que os sinais icônicos são universais entre as diferentes línguas de sinais.
II. Os sinais icônicos apresentam alguma semelhança visual com o conceito representado, mas ainda assim são convencionais dentro de cada comunidade linguística.
III. A presença de iconicidade na Libras elimina a necessidade de aprendizado formal, pois os sinais são autoexplicativos.
IV. Embora muitas palavras em Libras tenham origem icônica, essa característica pode se perder ao longo do tempo devido ao processo de convencionalização.
V. A iconicidade em Libras ocorre em diferentes níveis, podendo estar presente tanto na forma do sinal quanto na estrutura gramatical da língua.
Quais estão corretas?
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I. A derivação na Libras envolve a adição de morfemas que modificam o significado do sinal base, podendo incluir modificações no movimento, na configuração de mão e na expressão facial.
II. A flexão morfológica na Libras é baseada exclusivamente na ordem sequencial dos sinais e não utiliza elementos simultâneos para indicar concordância verbal ou pluralização.
III. A composição é um processo no qual dois ou mais sinais se combinam para formar um novo termo lexical, sendo um dos mecanismos de expansão do léxico da Libras.
IV. Os morfemas livres em Libras correspondem aos sinais que podem ser usados isoladamente e ainda manter significado completo, enquanto os morfemas presos exigem associação com outros sinais.
V. Em Libras, a derivação e a flexão ocorrem da mesma maneira do que nas línguas orais, sem distinções quanto à simultaneidade ou estrutura tridimensional do espaço de sinalização.
Quais estão corretas?
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( ) A epistemologia visual, constitutiva da experiência surda, demanda a reorganização dos espaços pedagógicos, das linguagens utilizadas e dos recursos didáticos, o que desafia os modelos escolares que se baseiam na oralidade.
( ) A presença de docentes ouvintes com domínio técnico do conteúdo curricular assegura o acesso linguístico pleno dos estudantes surdos, desde que tenham apoio de profissionais do AEE.
( ) A inclusão da Libras como língua de instrução implica não apenas sua tradução funcional em sala de aula, mas o reconhecimento de seu papel na mediação do conhecimento e na afirmação da identidade cultural surda.
( ) A presença de professores surdos nas escolas bilíngues representa não apenas um suporte linguístico, mas também um marcador simbólico de pertencimento e valorização da diferença.
( ) A escrita como primeira estratégia de ensino reforça a autonomia linguística dos alunos surdos e é recomendada em contextos escolares bilíngues, desde que acompanhada de atividades em Libras.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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