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Foram encontradas 112 questões.

2128498 Ano: 2021
Disciplina: Geografia
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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Sobre eventos meteorológicos, analise as informações abaixo e assinale a alternativa correta:

I. A A precipitação de fragmentos ou glóbulos de gelo, isolados ou aglutinados podendo seu diâmetro ultrapassar cinco centímetros (5 cm), é conhecido como saraiva.

II. Poalha é caracterizada pela suspensão de gotículas de água na camada atmosférica justaposta à superfície da Terra.

III. A formação de orvalho é oriunda do depósito de gotas de diferentes tamanhos em áreas expostas ao ar livre decorrente da condensação do vapor d'água existente no ar.

IV. A formação de geadas difere do orvalho gelado por apresentarem a formação de gelo cristalino.

 

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2128497 Ano: 2021
Disciplina: Direito Ambiental
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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A determinação do processo e análise de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e de Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA) é de competência:

 

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2128496 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA

Assinale a sentença verdadeira:

 

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2128495 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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Tela, cautela e Nutella

1 "Queridos pais e mães. Não sei se já falaram disso aqui no grupo: como é que seus filhos tão lidando com o ensino remoto? Os meus tão muito ansiosos, não querem fazer, choram ... Tô em dúvida se insisto, se desencano do homeschooling ou se desencano do meu emprego e fico todas as tardes ao lado deles, ajudando. Digam lá."

2 Gosto muito da escola dos meus filhos. Mais importante, eles gostam. Até março, ela, de 7 e ele de 5, iam animados e voltavam entusiasmados, contando que "o polvo tem oito pernas", "quando é dia aqui em casa é de noite lá no Japão", "a mãe do Ernesto nasceu num país que tem nome daquele frango que a gente corne no Natal e a musica de ninar, lá, é assim: los pollitos dicen, pio pio pio ... "'.

3 Os dois nunca reclamaram de ir pro colégio, mas se um dia fizessem uma birra homérica e dissessem "hoje eu não vou!", eu ignoraria. Confio na escola, sei que fará bem a eles e que um pouco de sofrimento faz parte do aprendizado, paciência.

4 Cinco horas por dia na frente de um iPad fazendo aula online, porém, é inédito na história da humanidade e comecei a me perguntar se forçá-los a serem cobaias, com tanto sofrimento, neste experimento social, não era como submetê-los a uma espécie de cloroquina pedagógica antes de termos estudos confiáveis sobre os efeitos adversos.

5 É difícil para crianças pequenas lembrar de abrir e fechar o microfone (nem nós lembramos), achar os links certos, encontrar as fichas dentro das pastas. Falar sem serem ouvidos. Reduzir todo o espaço escolar a uma telinha. Percebo que meus filhos se sentem sempre errando, em falta, abrindo o microfone quando tem que fechar ou pegando a ficha do broto do feijão na hora de pegar a do Sistema Solar.

6 (Eu e a minha mulher já brigamos algumas vezes. Ela tem certeza de que eu acordo de madrugada só pra esconder o jogo da memória de fundo do mar no meio das fichas de alfabetização, mas eu sei que é ela quem tenta me enlouquecer moqueando a ficha das cores em inglês no meio da pasta de matemática).

7 Fico com pena das esforçadíssimas professoras, que parecem estar tentando ensaiar "O Lago dos Cisnes" com um corpo de baile composto por Gremlins. Mas fico com mais pena ainda dos meus pequenos Gremlins, tropeçando no palco.

8 A escola está fazendo o que pode - muito em cima das nossas demandas de mães e pais preocupados com a perda de conteúdo e desesperados com crianças presas há seis meses em apartamentos. Mas, talvez, entre a nossa aflição e a dos educadores, as crianças estejam sendo expostas a uma tensão, a uma ansiedade e a um tédio desnecessários e danosos.

9 Felizmente, o grupo de zap da primeira série me tranquilizou. Alguns pais conseguem dedicar as tardes às crianças e têm tido um resultado satisfatório. Alguns desistiram por completo e estão plantando alface com as crianças na casa da avó em Araraquara. Alguns limitaram o número de horas. Outros misturam português com Patrulha Canina. Outros encheram a banheira de Nutella em março e só vão se preocupar com a escola quando a criança terminar de lamber a última manchinha marrom. Falei com a coordenadora, que também foi bacana ao aceitar que montemos um formato possível para a família.

10 Estamos vivendo um estado de exceção. Ninguém tem fórmula para a retomada da economia, a sobrevivência dos casamentos, para os lutos sem velórios ou sequer para a pratica de atividades físicas ao ar livre. É bom expormos as crianças às aulas on-line com bastante cautela - e se mesmo a cautela for inútil contra o sofrimento, talvez não seja de todo o mal apelarmos para a Nutella.

Antonio Prata Escritor e roteirista, autor de "Nu, de Botas"


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/09/tela-cautela-e-nutella.shtml

Segundo as ideias contidas no texto após uma leitura diligente, o título pode ser entendido como:

 

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2128494 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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Tela, cautela e Nutella

1 "Queridos pais e mães. Não sei se já falaram disso aqui no grupo: como é que seus filhos tão lidando com o ensino remoto? Os meus tão muito ansiosos, não querem fazer, choram ... Tô em dúvida se insisto, se desencano do homeschooling ou se desencano do meu emprego e fico todas as tardes ao lado deles, ajudando. Digam lá."

2 Gosto muito da escola dos meus filhos. Mais importante, eles gostam. Até março, ela, de 7 e ele de 5, iam animados e voltavam entusiasmados, contando que "o polvo tem oito pernas", "quando é dia aqui em casa é de noite lá no Japão", "a mãe do Ernesto nasceu num país que tem nome daquele frango que a gente corne no Natal e a musica de ninar, lá, é assim: los pollitos dicen, pio pio pio ... "'.

3 Os dois nunca reclamaram de ir pro colégio, mas se um dia fizessem uma birra homérica e dissessem "hoje eu não vou!", eu ignoraria. Confio na escola, sei que fará bem a eles e que um pouco de sofrimento faz parte do aprendizado, paciência.

4 Cinco horas por dia na frente de um iPad fazendo aula online, porém, é inédito na história da humanidade e comecei a me perguntar se forçá-los a serem cobaias, com tanto sofrimento, neste experimento social, não era como submetê-los a uma espécie de cloroquina pedagógica antes de termos estudos confiáveis sobre os efeitos adversos.

5 É difícil para crianças pequenas lembrar de abrir e fechar o microfone (nem nós lembramos), achar os links certos, encontrar as fichas dentro das pastas. Falar sem serem ouvidos. Reduzir todo o espaço escolar a uma telinha. Percebo que meus filhos se sentem sempre errando, em falta, abrindo o microfone quando tem que fechar ou pegando a ficha do broto do feijão na hora de pegar a do Sistema Solar.

6 (Eu e a minha mulher já brigamos algumas vezes. Ela tem certeza de que eu acordo de madrugada só pra esconder o jogo da memória de fundo do mar no meio das fichas de alfabetização, mas eu sei que é ela quem tenta me enlouquecer moqueando a ficha das cores em inglês no meio da pasta de matemática).

7 Fico com pena das esforçadíssimas professoras, que parecem estar tentando ensaiar "O Lago dos Cisnes" com um corpo de baile composto por Gremlins. Mas fico com mais pena ainda dos meus pequenos Gremlins, tropeçando no palco.

8 A escola está fazendo o que pode - muito em cima das nossas demandas de mães e pais preocupados com a perda de conteúdo e desesperados com crianças presas há seis meses em apartamentos. Mas, talvez, entre a nossa aflição e a dos educadores, as crianças estejam sendo expostas a uma tensão, a uma ansiedade e a um tédio desnecessários e danosos.

9 Felizmente, o grupo de zap da primeira série me tranquilizou. Alguns pais conseguem dedicar as tardes às crianças e têm tido um resultado satisfatório. Alguns desistiram por completo e estão plantando alface com as crianças na casa da avó em Araraquara. Alguns limitaram o número de horas. Outros misturam português com Patrulha Canina. Outros encheram a banheira de Nutella em março e só vão se preocupar com a escola quando a criança terminar de lamber a última manchinha marrom. Falei com a coordenadora, que também foi bacana ao aceitar que montemos um formato possível para a família.

10 Estamos vivendo um estado de exceção. Ninguém tem fórmula para a retomada da economia, a sobrevivência dos casamentos, para os lutos sem velórios ou sequer para a pratica de atividades físicas ao ar livre. É bom expormos as crianças às aulas on-line com bastante cautela - e se mesmo a cautela for inútil contra o sofrimento, talvez não seja de todo o mal apelarmos para a Nutella.

Antonio Prata Escritor e roteirista, autor de "Nu, de Botas"


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/09/tela-cautela-e-nutella.shtml

Em "Fica com pena das esforçadíssimas professoras" (Parágrafo 7), para intensificar a qualidade do tempo ao qual o vocábulo destacado se refere usou-se:

 

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2128493 Ano: 2021
Disciplina: Administração de Recursos Materiais
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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No restaurante de César, o estoque de insumos não perecíveis é renovado a cada início de mês. Em janeiro de 2020, duzentos quilos de arroz foram consumidos pelo restaurante. Em fevereiro, cento e oitenta e, em março, cem quilos. No primeiro dia de abril, César fez as contas para realizar o pedido de arroz e chegou à conclusão que deveria comprar cento e sessenta quilos. Pode-se dizer que César utilizou, para chegar à quantidade do pedido, o:

 

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2128492 Ano: 2021
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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De acordo com a lógica de um padrão repetitivo qual seria o próximo termo da sequência: 2; 3; 5; 7...?

 

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2128491 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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QUARENTENA, GIM-TONICA E SERASA


Escrevo esta coluna bêbado, 10 kg acima do meu peso, num teclado besuntado de maionese e com o nome no Serasa: sou um quarento, mas pode me chamar de quarentener.


Em março eu estava na melhor forma da minha vida. Vinha treinando havia meses para uma meia maratona. Bebia moderadamente. Comia quinoa. Brócolis. Kiwi. Faria ginástica funcional. Meu assoalho pélvico tava tinindo como um porcelanato com Pinho Sol. Cheguei perto, juro, de ter uma barriga de tanquinho. Então veio o corona.


No primeiro mês, tentei manter a normalidade. Para mim e para as crianças. Aquela pose austera e meio boba, tipo: não é porque estou sozinho que posso comer de boca aberta.


Tudo mudou em abril, quando li uma matéria no New York Times. No artigo, uma nutricionista sugeria que a quarentena só era o momento de educar as crianças para uma alimentação saudável. Elas já estavam sem escola, sem avós, sem a pracinha, sem amigos; talvez, nos dois meses que deveria durar a quarentena, fosse mais importante reconfortar suas pequenas almas com batata frita e ovo de páscoa recheado de chocotone do que proporcionar aos seus diminutos corpos a quantidade ideal de fibras, betacaroteno e flavonoides


Fechei o iPad, abri um Diamante Negro de 500 gramas pros meus filhos e - numa regra de três autoindulgente - escancarei um caminho sem volta pra mim.


Ué, se as crianças merecem açúcar e afeto, pensei, eu também mereço os meus correlatos. Começava ai um mergulho perigoso no alcoolismo, no hamburguismo, no pizzismo, no sedentarismo e no amazonismo - o vicio de entrar na Amazon quase todo dia e comprar coisas absolutamente inúteis.


Comprei: um estilingue que seria aprovado pelo COI, caso estilingue fosse esporte olímpico, um microscópio, uma barraca de camping, uma luminária a energia solar, um pandeiro, formas de gelo que parecem ter sido desenvolvidas pela Nasa, um saca-rolhas elétrico, um fone de ouvidos sem fio, outro fone de ouvidos sem fio, mais um fone de ouvidos sem fio, um moedor de carne manual, um moedor de carne elétrico. umas rodelas de metal pra moldar hambúrguer, umas minitampas de panela pra derreter o queijo do hambúrguer e uma quantidade de livros que três gerações dos meus descendentes não darão conta de ler.


Pros meus filhos: bastões luminescentes de camping. 28 bonecos dos Power Rangers, 189 mil jogos de iPad, caixa de lápis de cor, caixa de massinha, caixa de argila, 25 bonecas LOL (aí que entrei pro Serasa: uma Ferrari é mais barata do que as bonecas LOL).


Foi emocionante e divertido no começo. Eu trabalhava de casa todo dia, das dez as cinco e cinquenta e nove. Assim que dava seis da tarde, porém, eu sextava furiosamente


Por dois meses, como disse a nutricionista do NYT, tudo bem. Mas a pandemia, ao contrário do que ela previa, não acabou. E essa existência mezzo saloon de velho oeste, mezzo Passaporte da Alegria no Playcenter, oito meses depois, tá cobrando seu preço. Pro meu cartão de crédito. Pras minhas coronárias. Pra educação dos meus filhos.


Num mesmo dia o Dani perguntou: "Papai, o que a gente vai comprar hoje?". E a Olivia: "Papai, se eu te falar uma coisa, você no vai ficar bravo?". "Claro que não, filhota, o que é?." "E que a sua barriga tá ficando engraçada."


Decidi que tinha chegado ao fundo do poço. Precisava tomar uma atitude. Botei os dois pra dormir, fiz uma gim-tônica entre na Amazon e comprei um telescópio.


Antonio Proto


Escritor e roteirista, autor de "Nu, de Botas"

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/10/quarentena-gim-tonica-e-serasa.shtml

Em "eu sextava furiosamente", o termo em destaque pode ser substituído sem perda de sentido por todas as opções, exceto:

 

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2128490 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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QUARENTENA, GIM-TONICA E SERASA


Escrevo esta coluna bêbado, 10 kg acima do meu peso, num teclado besuntado de maionese e com o nome no Serasa: sou um quarento, mas pode me chamar de quarentener.


Em março eu estava na melhor forma da minha vida. Vinha treinando havia meses para uma meia maratona. Bebia moderadamente. Comia quinoa. Brócolis. Kiwi. Faria ginástica funcional. Meu assoalho pélvico tava tinindo como um porcelanato com Pinho Sol. Cheguei perto, juro, de ter uma barriga de tanquinho. Então veio o corona.


No primeiro mês, tentei manter a normalidade. Para mim e para as crianças. Aquela pose austera e meio boba, tipo: não é porque estou sozinho que posso comer de boca aberta.


Tudo mudou em abril, quando li uma matéria no New York Times. No artigo, uma nutricionista sugeria que a quarentena só era o momento de educar as crianças para uma alimentação saudável. Elas já estavam sem escola, sem avós, sem a pracinha, sem amigos; talvez, nos dois meses que deveria durar a quarentena, fosse mais importante reconfortar suas pequenas almas com batata frita e ovo de páscoa recheado de chocotone do que proporcionar aos seus diminutos corpos a quantidade ideal de fibras, betacaroteno e flavonoides


Fechei o iPad, abri um Diamante Negro de 500 gramas pros meus filhos e - numa regra de três autoindulgente - escancarei um caminho sem volta pra mim.


Ué, se as crianças merecem açúcar e afeto, pensei, eu também mereço os meus correlatos. Começava ai um mergulho perigoso no alcoolismo, no hamburguismo, no pizzismo, no sedentarismo e no amazonismo - o vicio de entrar na Amazon quase todo dia e comprar coisas absolutamente inúteis.


Comprei: um estilingue que seria aprovado pelo COI, caso estilingue fosse esporte olímpico, um microscópio, uma barraca de camping, uma luminária a energia solar, um pandeiro, formas de gelo que parecem ter sido desenvolvidas pela Nasa, um saca-rolhas elétrico, um fone de ouvidos sem fio, outro fone de ouvidos sem fio, mais um fone de ouvidos sem fio, um moedor de carne manual, um moedor de carne elétrico. umas rodelas de metal pra moldar hambúrguer, umas minitampas de panela pra derreter o queijo do hambúrguer e uma quantidade de livros que três gerações dos meus descendentes não darão conta de ler.


Pros meus filhos: bastões luminescentes de camping. 28 bonecos dos Power Rangers, 189 mil jogos de iPad, caixa de lápis de cor, caixa de massinha, caixa de argila, 25 bonecas LOL (aí que entrei pro Serasa: uma Ferrari é mais barata do que as bonecas LOL).


Foi emocionante e divertido no começo. Eu trabalhava de casa todo dia, das dez as cinco e cinquenta e nove. Assim que dava seis da tarde, porém, eu sextava furiosamente


Por dois meses, como disse a nutricionista do NYT, tudo bem. Mas a pandemia, ao contrário do que ela previa, não acabou. E essa existência mezzo saloon de velho oeste, mezzo Passaporte da Alegria no Playcenter, oito meses depois, tá cobrando seu preço. Pro meu cartão de crédito. Pras minhas coronárias. Pra educação dos meus filhos.


Num mesmo dia o Dani perguntou: "Papai, o que a gente vai comprar hoje?". E a Olivia: "Papai, se eu te falar uma coisa, você no vai ficar bravo?". "Claro que não, filhota, o que é?." "E que a sua barriga tá ficando engraçada."


Decidi que tinha chegado ao fundo do poço. Precisava tomar uma atitude. Botei os dois pra dormir, fiz uma gim-tônica entre na Amazon e comprei um telescópio.


Antonio Proto


Escritor e roteirista, autor de "Nu, de Botas"

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/10/quarentena-gim-tonica-e-serasa.shtml

Na passagem "sou um quarentão, mas pode me chamar de quarentener", sobre a oração destacada é correto afirmar que

 

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2128489 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Redenção-PA
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QUARENTENA, GIM-TONICA E SERASA


Escrevo esta coluna bêbado, 10 kg acima do meu peso, num teclado besuntado de maionese e com o nome no Serasa: sou um quarento, mas pode me chamar de quarentener.


Em março eu estava na melhor forma da minha vida. Vinha treinando havia meses para uma meia maratona. Bebia moderadamente. Comia quinoa. Brócolis. Kiwi. Faria ginástica funcional. Meu assoalho pélvico tava tinindo como um porcelanato com Pinho Sol. Cheguei perto, juro, de ter uma barriga de tanquinho. Então veio o corona.


No primeiro mês, tentei manter a normalidade. Para mim e para as crianças. Aquela pose austera e meio boba, tipo: não é porque estou sozinho que posso comer de boca aberta.


Tudo mudou em abril, quando li uma matéria no New York Times. No artigo, uma nutricionista sugeria que a quarentena só era o momento de educar as crianças para uma alimentação saudável. Elas já estavam sem escola, sem avós, sem a pracinha, sem amigos; talvez, nos dois meses que deveria durar a quarentena, fosse mais importante reconfortar suas pequenas almas com batata frita e ovo de páscoa recheado de chocotone do que proporcionar aos seus diminutos corpos a quantidade ideal de fibras, betacaroteno e flavonoides


Fechei o iPad, abri um Diamante Negro de 500 gramas pros meus filhos e - numa regra de três autoindulgente - escancarei um caminho sem volta pra mim.


Ué, se as crianças merecem açúcar e afeto, pensei, eu também mereço os meus correlatos. Começava ai um mergulho perigoso no alcoolismo, no hamburguismo, no pizzismo, no sedentarismo e no amazonismo - o vicio de entrar na Amazon quase todo dia e comprar coisas absolutamente inúteis.


Comprei: um estilingue que seria aprovado pelo COI, caso estilingue fosse esporte olímpico, um microscópio, uma barraca de camping, uma luminária a energia solar, um pandeiro, formas de gelo que parecem ter sido desenvolvidas pela Nasa, um saca-rolhas elétrico, um fone de ouvidos sem fio, outro fone de ouvidos sem fio, mais um fone de ouvidos sem fio, um moedor de carne manual, um moedor de carne elétrico. umas rodelas de metal pra moldar hambúrguer, umas minitampas de panela pra derreter o queijo do hambúrguer e uma quantidade de livros que três gerações dos meus descendentes não darão conta de ler.


Pros meus filhos: bastões luminescentes de camping. 28 bonecos dos Power Rangers, 189 mil jogos de iPad, caixa de lápis de cor, caixa de massinha, caixa de argila, 25 bonecas LOL (aí que entrei pro Serasa: uma Ferrari é mais barata do que as bonecas LOL).


Foi emocionante e divertido no começo. Eu trabalhava de casa todo dia, das dez as cinco e cinquenta e nove. Assim que dava seis da tarde, porém, eu sextava furiosamente


Por dois meses, como disse a nutricionista do NYT, tudo bem. Mas a pandemia, ao contrário do que ela previa, não acabou. E essa existência mezzo saloon de velho oeste, mezzo Passaporte da Alegria no Playcenter, oito meses depois, tá cobrando seu preço. Pro meu cartão de crédito. Pras minhas coronárias. Pra educação dos meus filhos.


Num mesmo dia o Dani perguntou: "Papai, o que a gente vai comprar hoje?". E a Olivia: "Papai, se eu te falar uma coisa, você no vai ficar bravo?". "Claro que não, filhota, o que é?." "E que a sua barriga tá ficando engraçada."


Decidi que tinha chegado ao fundo do poço. Precisava tomar uma atitude. Botei os dois pra dormir, fiz uma gim-tônica entre na Amazon e comprei um telescópio.


Antonio Proto


Escritor e roteirista, autor de "Nu, de Botas"

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/10/quarentena-gim-tonica-e-serasa.shtml

Segundo as ideias contidas no texto, a mudança de hábitos alimentares do autor em relação a si e a sua família baseou-se:

 

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