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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O peso dos ultraprocessados
Trabalhos recentes feitos no Brasil apontam uma associação estatística significativa entre o consumo em excesso de alimentos ultraprocessados e a ocorrência de mortes evitáveis, somada à aceleração do processo de declínio cognitivo na população brasileira. Um artigo publicado em novembro de 2022 na revista American Journal of Preventive Medicine estima que, em 2019, pelo menos 57 mil óbitos prematuros no país teriam sido causados pela ingestão em demasia de ultraprocessados. Outro estudo, que saiu em dezembro de 2022 na revista científica JAMA Neurology, sugere que o consumo exacerbado desse tipo de alimento acelera em 28% o declínio da cognição geral dos adultos.
Os alimentos ultraprocessados apresentam pouco do valor nutritivo de seus ingredientes originais. A categoria, genérica, abrange um conjunto de comidas às quais foram adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade. Como exemplos desse tipo de alimento, figuram embutidos como salsicha, nugget de frango, bolacha recheada, refrigerante, salgadinho, sorvete e doces industrializados. Os ultraprocessados são altamente calóricos. Comer um hambúrguer congelado de 80 gramas (g), por exemplo, equivale a ingerir 25% da quantidade diária recomendada de gordura. Uma lata de refrigerante representa 12% do total de açúcar que deveria ser consumido por uma pessoa em 24 horas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como mortes prematuras aquelas que ocorrem entre 30 e 69 anos e, portanto, não estão associadas apenas à velhice. Acidentes de carro, homicídios, quedas, envenenamentos estão entre as causas mais comuns de óbitos preveníveis, além das chamadas doenças não transmissíveis, como os problemas cardíacos, a obesidade e o câncer.
A partir de uma modelagem epidemiológica, os pesquisadores calcularam o número de mortes não naturais ligadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil em 2019. "Nossa modelagem considera como fator de risco para a ocorrência de mortes prematuras quanto uma população consome de ultraprocessados e associa esse dado à estimativa de risco e morte por todas as causas, segundo a literatura científica internacional", explica o biólogo Eduardo Nilson, pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília, autor principal do primeiro estudo.
O trabalho considerou a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador do nível de consumo de comidas ultraprocessadas no país. O levantamento estimou que o percentual diário da dieta composta por ultraprocessados varia entre 13% e 21% na população brasileira, de acordo com a idade e o sexo dos entrevistados. Esses dados, mais as informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, permitiram estimar que cerca de 57 mil mortes prematuras estavam associadas, em 2019, ao consumo de ultraprocessados. O número equivale a 10,5% de todos os óbitos precoces de brasileiros no período. Se forem consideradas apenas as vítimas fatais atribuídas a doenças não transmissíveis, o consumo de alimentos industrializados responderia por uma fatia substancialmente maior: 21,8% dos óbitos dentro dessa categoria.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável. Reduzir em 10% o peso desses itens na dieta evitaria 5,9 mil mortes precoces. Uma redução de 20% pouparia 12 mil óbitos. Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano.
O segundo artigo indica ter encontrado uma associação do consumo excessivo de ultraprocessados com um problema mais sutil: uma piora da performance cognitiva. O grupo investigou se uma dieta farta em comida industrializada poderia acelerar o declínio dos domínios de faculdades mentais, sobretudo das chamadas funções executivas. Além de serem importantes para o raciocínio e a capacidade de resolver problemas, essas funções regulam habilidades ligadas à autonomia, como o controle consciente de ações, pensamentos e emoções.
Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde. Foram analisadas informações de 10.775 pessoas, de seis cidades brasileiras - as capitais do Sudeste, além de Porto Alegre e Salvador. Todos os voluntários eram funcionários universitários ativos ou aposentados com mais de 35 anos. A média de idade de todos os participantes era de 50,6 anos. Cada voluntário foi acompanhado por oito anos, em média, e avaliado em três momentos diferentes. Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o nível de ingestão de comida industrializada.
O desempenho cognitivo de cada grupo foi colocado à prova em testes de cognição. Quem obtinha mais de 20% de suas calorias diárias comendo ultraprocessados apresentou uma taxa de declínio geral da cognição 28% mais rápida do que o grupo que retirava menos de 20% de sua energia por meio do consumo desse tipo de alimento. O declínio da função executiva, mais ligada ao controle dos pensamentos e das ações, foi 25% mais rápido nas pessoas que ingeriam muitos ultraprocessados.
Os trabalhos que exploram a associação entre dois parâmetros, como o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes, têm limitações. Eles indicam que há fortes correlações estatísticas de que a alteração de uma variável leva a mudanças na outra. No caso, a quantidade de comida industrializada ingerida parece influenciar no aparecimento de doenças e na quantidade de mortes prematuras. Esses estudos, no entanto, não conseguem demonstrar qual seria o mecanismo por trás dessa aparente correlação.
Retirado e adaptado de: ELER, Guilherme. O peso dos ultraprocessados. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-dos-ultraprocessados/ Acesso em: 13 mar., 2023.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável.
Em seguida, associe a segunda de acordo com a primeira que relaciona as partes do trecho à sua classificação sintática.
Primeira coluna: partes do trecho (1) que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile
(2) como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável.
(3) O artigo
(4) projeta
(5) ainda
Segunda coluna: classificação sintática (__) Sujeito (__) Verbo (__) Objeto direto (__) Aposto (__) Adjunto adverbial
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
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O peso dos ultraprocessados
Trabalhos recentes feitos no Brasil apontam uma associação estatística significativa entre o consumo em excesso de alimentos ultraprocessados e a ocorrência de mortes evitáveis, somada à aceleração do processo de declínio cognitivo na população brasileira. Um artigo publicado em novembro de 2022 na revista American Journal of Preventive Medicine estima que, em 2019, pelo menos 57 mil óbitos prematuros no país teriam sido causados pela ingestão em demasia de ultraprocessados. Outro estudo, que saiu em dezembro de 2022 na revista científica JAMA Neurology, sugere que o consumo exacerbado desse tipo de alimento acelera em 28% o declínio da cognição geral dos adultos.
Os alimentos ultraprocessados apresentam pouco do valor nutritivo de seus ingredientes originais. A categoria, genérica, abrange um conjunto de comidas às quais foram adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade. Como exemplos desse tipo de alimento, figuram embutidos como salsicha, nugget de frango, bolacha recheada, refrigerante, salgadinho, sorvete e doces industrializados. Os ultraprocessados são altamente calóricos. Comer um hambúrguer congelado de 80 gramas (g), por exemplo, equivale a ingerir 25% da quantidade diária recomendada de gordura. Uma lata de refrigerante representa 12% do total de açúcar que deveria ser consumido por uma pessoa em 24 horas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como mortes prematuras aquelas que ocorrem entre 30 e 69 anos e, portanto, não estão associadas apenas à velhice. Acidentes de carro, homicídios, quedas, envenenamentos estão entre as causas mais comuns de óbitos preveníveis, além das chamadas doenças não transmissíveis, como os problemas cardíacos, a obesidade e o câncer.
A partir de uma modelagem epidemiológica, os pesquisadores calcularam o número de mortes não naturais ligadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil em 2019. "Nossa modelagem considera como fator de risco para a ocorrência de mortes prematuras quanto uma população consome de ultraprocessados e associa esse dado à estimativa de risco e morte por todas as causas, segundo a literatura científica internacional", explica o biólogo Eduardo Nilson, pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília, autor principal do primeiro estudo.
O trabalho considerou a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador do nível de consumo de comidas ultraprocessadas no país. O levantamento estimou que o percentual diário da dieta composta por ultraprocessados varia entre 13% e 21% na população brasileira, de acordo com a idade e o sexo dos entrevistados. Esses dados, mais as informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, permitiram estimar que cerca de 57 mil mortes prematuras estavam associadas, em 2019, ao consumo de ultraprocessados. O número equivale a 10,5% de todos os óbitos precoces de brasileiros no período. Se forem consideradas apenas as vítimas fatais atribuídas a doenças não transmissíveis, o consumo de alimentos industrializados responderia por uma fatia substancialmente maior: 21,8% dos óbitos dentro dessa categoria.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável. Reduzir em 10% o peso desses itens na dieta evitaria 5,9 mil mortes precoces. Uma redução de 20% pouparia 12 mil óbitos. Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano.
O segundo artigo indica ter encontrado uma associação do consumo excessivo de ultraprocessados com um problema mais sutil: uma piora da performance cognitiva. O grupo investigou se uma dieta farta em comida industrializada poderia acelerar o declínio dos domínios de faculdades mentais, sobretudo das chamadas funções executivas. Além de serem importantes para o raciocínio e a capacidade de resolver problemas, essas funções regulam habilidades ligadas à autonomia, como o controle consciente de ações, pensamentos e emoções.
Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde. Foram analisadas informações de 10.775 pessoas, de seis cidades brasileiras - as capitais do Sudeste, além de Porto Alegre e Salvador. Todos os voluntários eram funcionários universitários ativos ou aposentados com mais de 35 anos. A média de idade de todos os participantes era de 50,6 anos. Cada voluntário foi acompanhado por oito anos, em média, e avaliado em três momentos diferentes. Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o nível de ingestão de comida industrializada.
O desempenho cognitivo de cada grupo foi colocado à prova em testes de cognição. Quem obtinha mais de 20% de suas calorias diárias comendo ultraprocessados apresentou uma taxa de declínio geral da cognição 28% mais rápida do que o grupo que retirava menos de 20% de sua energia por meio do consumo desse tipo de alimento. O declínio da função executiva, mais ligada ao controle dos pensamentos e das ações, foi 25% mais rápido nas pessoas que ingeriam muitos ultraprocessados.
Os trabalhos que exploram a associação entre dois parâmetros, como o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes, têm limitações. Eles indicam que há fortes correlações estatísticas de que a alteração de uma variável leva a mudanças na outra. No caso, a quantidade de comida industrializada ingerida parece influenciar no aparecimento de doenças e na quantidade de mortes prematuras. Esses estudos, no entanto, não conseguem demonstrar qual seria o mecanismo por trás dessa aparente correlação.
Retirado e adaptado de: ELER, Guilherme. O peso dos ultraprocessados. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-dos-ultraprocessados/ Acesso em: 13 mar., 2023.
(__)Embora os dados apresentados no texto sejam fruto de estudos metodológica e teoricamente consistentes, esses estudos não conseguem indicar exatamente os motivos e mecanismos ligados à correlação entre o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes.
(__)A análise empreendida nas pesquisas mencionadas no texto foi realizada a partir da correlação estatística.
(__)Ambos os estudos apresentados no texto partiram de questionários desenhados especificamente para a coleta de dados das pesquisas em questão.
(__)O primeiro estudo indicado no texto aponta para o fato de que o consumo de ultraprocessados é o principal causador de mortes prematuras no período estudado.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
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Trabalhos recentes feitos no Brasil apontam uma associação estatística significativa entre o consumo em excesso de alimentos ultraprocessados e a ocorrência de mortes evitáveis, somada à aceleração do processo de declínio cognitivo na população brasileira. Um artigo publicado em novembro de 2022 na revista American Journal of Preventive Medicine estima que, em 2019, pelo menos 57 mil óbitos prematuros no país teriam sido causados pela ingestão em demasia de ultraprocessados. Outro estudo, que saiu em dezembro de 2022 na revista científica JAMA Neurology, sugere que o consumo exacerbado desse tipo de alimento acelera em 28% o declínio da cognição geral dos adultos.
Os alimentos ultraprocessados apresentam pouco do valor nutritivo de seus ingredientes originais. A categoria, genérica, abrange um conjunto de comidas às quais foram adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade. Como exemplos desse tipo de alimento, figuram embutidos como salsicha, nugget de frango, bolacha recheada, refrigerante, salgadinho, sorvete e doces industrializados. Os ultraprocessados são altamente calóricos. Comer um hambúrguer congelado de 80 gramas (g), por exemplo, equivale a ingerir 25% da quantidade diária recomendada de gordura. Uma lata de refrigerante representa 12% do total de açúcar que deveria ser consumido por uma pessoa em 24 horas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como mortes prematuras aquelas que ocorrem entre 30 e 69 anos e, portanto, não estão associadas apenas à velhice. Acidentes de carro, homicídios, quedas, envenenamentos estão entre as causas mais comuns de óbitos preveníveis, além das chamadas doenças não transmissíveis, como os problemas cardíacos, a obesidade e o câncer.
A partir de uma modelagem epidemiológica, os pesquisadores calcularam o número de mortes não naturais ligadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil em 2019. "Nossa modelagem considera como fator de risco para a ocorrência de mortes prematuras quanto uma população consome de ultraprocessados e associa esse dado à estimativa de risco e morte por todas as causas, segundo a literatura científica internacional", explica o biólogo Eduardo Nilson, pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília, autor principal do primeiro estudo.
O trabalho considerou a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador do nível de consumo de comidas ultraprocessadas no país. O levantamento estimou que o percentual diário da dieta composta por ultraprocessados varia entre 13% e 21% na população brasileira, de acordo com a idade e o sexo dos entrevistados. Esses dados, mais as informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, permitiram estimar que cerca de 57 mil mortes prematuras estavam associadas, em 2019, ao consumo de ultraprocessados. O número equivale a 10,5% de todos os óbitos precoces de brasileiros no período. Se forem consideradas apenas as vítimas fatais atribuídas a doenças não transmissíveis, o consumo de alimentos industrializados responderia por uma fatia substancialmente maior: 21,8% dos óbitos dentro dessa categoria.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável. Reduzir em 10% o peso desses itens na dieta evitaria 5,9 mil mortes precoces. Uma redução de 20% pouparia 12 mil óbitos. Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano.
O segundo artigo indica ter encontrado uma associação do consumo excessivo de ultraprocessados com um problema mais sutil: uma piora da performance cognitiva. O grupo investigou se uma dieta farta em comida industrializada poderia acelerar o declínio dos domínios de faculdades mentais, sobretudo das chamadas funções executivas. Além de serem importantes para o raciocínio e a capacidade de resolver problemas, essas funções regulam habilidades ligadas à autonomia, como o controle consciente de ações, pensamentos e emoções.
Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde. Foram analisadas informações de 10.775 pessoas, de seis cidades brasileiras - as capitais do Sudeste, além de Porto Alegre e Salvador. Todos os voluntários eram funcionários universitários ativos ou aposentados com mais de 35 anos. A média de idade de todos os participantes era de 50,6 anos. Cada voluntário foi acompanhado por oito anos, em média, e avaliado em três momentos diferentes. Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o nível de ingestão de comida industrializada.
O desempenho cognitivo de cada grupo foi colocado à prova em testes de cognição. Quem obtinha mais de 20% de suas calorias diárias comendo ultraprocessados apresentou uma taxa de declínio geral da cognição 28% mais rápida do que o grupo que retirava menos de 20% de sua energia por meio do consumo desse tipo de alimento. O declínio da função executiva, mais ligada ao controle dos pensamentos e das ações, foi 25% mais rápido nas pessoas que ingeriam muitos ultraprocessados.
Os trabalhos que exploram a associação entre dois parâmetros, como o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes, têm limitações. Eles indicam que há fortes correlações estatísticas de que a alteração de uma variável leva a mudanças na outra. No caso, a quantidade de comida industrializada ingerida parece influenciar no aparecimento de doenças e na quantidade de mortes prematuras. Esses estudos, no entanto, não conseguem demonstrar qual seria o mecanismo por trás dessa aparente correlação.
Retirado e adaptado de: ELER, Guilherme. O peso dos ultraprocessados. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-dos-ultraprocessados/ Acesso em: 13 mar., 2023.
1.Contra-argumentação 2.Apresentação do tema 3.Explicação dos estudos 4.Introdução aos estudos
A sequência correta em que essas partes são apresentadas no texto é:
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Trabalhos recentes feitos no Brasil apontam uma associação estatística significativa entre o consumo em excesso de alimentos ultraprocessados e a ocorrência de mortes evitáveis, somada à aceleração do processo de declínio cognitivo na população brasileira. Um artigo publicado em novembro de 2022 na revista American Journal of Preventive Medicine estima que, em 2019, pelo menos 57 mil óbitos prematuros no país teriam sido causados pela ingestão em demasia de ultraprocessados. Outro estudo, que saiu em dezembro de 2022 na revista científica JAMA Neurology, sugere que o consumo exacerbado desse tipo de alimento acelera em 28% o declínio da cognição geral dos adultos.
Os alimentos ultraprocessados apresentam pouco do valor nutritivo de seus ingredientes originais. A categoria, genérica, abrange um conjunto de comidas às quais foram adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade. Como exemplos desse tipo de alimento, figuram embutidos como salsicha, nugget de frango, bolacha recheada, refrigerante, salgadinho, sorvete e doces industrializados. Os ultraprocessados são altamente calóricos. Comer um hambúrguer congelado de 80 gramas (g), por exemplo, equivale a ingerir 25% da quantidade diária recomendada de gordura. Uma lata de refrigerante representa 12% do total de açúcar que deveria ser consumido por uma pessoa em 24 horas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como mortes prematuras aquelas que ocorrem entre 30 e 69 anos e, portanto, não estão associadas apenas à velhice. Acidentes de carro, homicídios, quedas, envenenamentos estão entre as causas mais comuns de óbitos preveníveis, além das chamadas doenças não transmissíveis, como os problemas cardíacos, a obesidade e o câncer.
A partir de uma modelagem epidemiológica, os pesquisadores calcularam o número de mortes não naturais ligadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil em 2019. "Nossa modelagem considera como fator de risco para a ocorrência de mortes prematuras quanto uma população consome de ultraprocessados e associa esse dado à estimativa de risco e morte por todas as causas, segundo a literatura científica internacional", explica o biólogo Eduardo Nilson, pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília, autor principal do primeiro estudo.
O trabalho considerou a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador do nível de consumo de comidas ultraprocessadas no país. O levantamento estimou que o percentual diário da dieta composta por ultraprocessados varia entre 13% e 21% na população brasileira, de acordo com a idade e o sexo dos entrevistados. Esses dados, mais as informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, permitiram estimar que cerca de 57 mil mortes prematuras estavam associadas, em 2019, ao consumo de ultraprocessados. O número equivale a 10,5% de todos os óbitos precoces de brasileiros no período. Se forem consideradas apenas as vítimas fatais atribuídas a doenças não transmissíveis, o consumo de alimentos industrializados responderia por uma fatia substancialmente maior: 21,8% dos óbitos dentro dessa categoria.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável. Reduzir em 10% o peso desses itens na dieta evitaria 5,9 mil mortes precoces. Uma redução de 20% pouparia 12 mil óbitos. Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano.
O segundo artigo indica ter encontrado uma associação do consumo excessivo de ultraprocessados com um problema mais sutil: uma piora da performance cognitiva. O grupo investigou se uma dieta farta em comida industrializada poderia acelerar o declínio dos domínios de faculdades mentais, sobretudo das chamadas funções executivas. Além de serem importantes para o raciocínio e a capacidade de resolver problemas, essas funções regulam habilidades ligadas à autonomia, como o controle consciente de ações, pensamentos e emoções.
Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde. Foram analisadas informações de 10.775 pessoas, de seis cidades brasileiras - as capitais do Sudeste, além de Porto Alegre e Salvador. Todos os voluntários eram funcionários universitários ativos ou aposentados com mais de 35 anos. A média de idade de todos os participantes era de 50,6 anos. Cada voluntário foi acompanhado por oito anos, em média, e avaliado em três momentos diferentes. Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o nível de ingestão de comida industrializada.
O desempenho cognitivo de cada grupo foi colocado à prova em testes de cognição. Quem obtinha mais de 20% de suas calorias diárias comendo ultraprocessados apresentou uma taxa de declínio geral da cognição 28% mais rápida do que o grupo que retirava menos de 20% de sua energia por meio do consumo desse tipo de alimento. O declínio da função executiva, mais ligada ao controle dos pensamentos e das ações, foi 25% mais rápido nas pessoas que ingeriam muitos ultraprocessados.
Os trabalhos que exploram a associação entre dois parâmetros, como o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes, têm limitações. Eles indicam que há fortes correlações estatísticas de que a alteração de uma variável leva a mudanças na outra. No caso, a quantidade de comida industrializada ingerida parece influenciar no aparecimento de doenças e na quantidade de mortes prematuras. Esses estudos, no entanto, não conseguem demonstrar qual seria o mecanismo por trás dessa aparente correlação.
Retirado e adaptado de: ELER, Guilherme. O peso dos ultraprocessados. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-dos-ultraprocessados/ Acesso em: 13 mar., 2023.
I.Os textos de divulgação científica são aqueles que buscam compartilhar informações, pesquisas e conceitos científicos a um público leigo, ou seja, um público que desconhece ou pouco sabe sobre o assunto.
PORQUE
II.Os textos de divulgação científica são utilizados para compartilhar informações, pesquisas e outros dados, de cunho científico, com uma linguagem explicativa e didática, distinguindo-se, portanto, da linguagem especializada do texto científico.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
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- SemânticaDenotação e Conotação
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemVícios de Linguagem
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Trabalhos recentes feitos no Brasil apontam uma associação estatística significativa entre o consumo em excesso de alimentos ultraprocessados e a ocorrência de mortes evitáveis, somada à aceleração do processo de declínio cognitivo na população brasileira. Um artigo publicado em novembro de 2022 na revista American Journal of Preventive Medicine estima que, em 2019, pelo menos 57 mil óbitos prematuros no país teriam sido causados pela ingestão em demasia de ultraprocessados. Outro estudo, que saiu em dezembro de 2022 na revista científica JAMA Neurology, sugere que o consumo exacerbado desse tipo de alimento acelera em 28% o declínio da cognição geral dos adultos.
Os alimentos ultraprocessados apresentam pouco do valor nutritivo de seus ingredientes originais. A categoria, genérica, abrange um conjunto de comidas às quais foram adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade. Como exemplos desse tipo de alimento, figuram embutidos como salsicha, nugget de frango, bolacha recheada, refrigerante, salgadinho, sorvete e doces industrializados. Os ultraprocessados são altamente calóricos. Comer um hambúrguer congelado de 80 gramas (g), por exemplo, equivale a ingerir 25% da quantidade diária recomendada de gordura. Uma lata de refrigerante representa 12% do total de açúcar que deveria ser consumido por uma pessoa em 24 horas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como mortes prematuras aquelas que ocorrem entre 30 e 69 anos e, portanto, não estão associadas apenas à velhice. Acidentes de carro, homicídios, quedas, envenenamentos estão entre as causas mais comuns de óbitos preveníveis, além das chamadas doenças não transmissíveis, como os problemas cardíacos, a obesidade e o câncer.
A partir de uma modelagem epidemiológica, os pesquisadores calcularam o número de mortes não naturais ligadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil em 2019. "Nossa modelagem considera como fator de risco para a ocorrência de mortes prematuras quanto uma população consome de ultraprocessados e associa esse dado à estimativa de risco e morte por todas as causas, segundo a literatura científica internacional", explica o biólogo Eduardo Nilson, pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília, autor principal do primeiro estudo.
O trabalho considerou a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador do nível de consumo de comidas ultraprocessadas no país. O levantamento estimou que o percentual diário da dieta composta por ultraprocessados varia entre 13% e 21% na população brasileira, de acordo com a idade e o sexo dos entrevistados. Esses dados, mais as informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, permitiram estimar que cerca de 57 mil mortes prematuras estavam associadas, em 2019, ao consumo de ultraprocessados. O número equivale a 10,5% de todos os óbitos precoces de brasileiros no período. Se forem consideradas apenas as vítimas fatais atribuídas a doenças não transmissíveis, o consumo de alimentos industrializados responderia por uma fatia substancialmente maior: 21,8% dos óbitos dentro dessa categoria.
O artigo, que também contou com a colaboração de colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Católica do Chile, projeta, ainda, como seriam três cenários em que os brasileiros diminuíssem a média total de calorias obtidas por meio do consumo desse tipo de alimento pouco saudável. Reduzir em 10% o peso desses itens na dieta evitaria 5,9 mil mortes precoces. Uma redução de 20% pouparia 12 mil óbitos. Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano.
O segundo artigo indica ter encontrado uma associação do consumo excessivo de ultraprocessados com um problema mais sutil: uma piora da performance cognitiva. O grupo investigou se uma dieta farta em comida industrializada poderia acelerar o declínio dos domínios de faculdades mentais, sobretudo das chamadas funções executivas. Além de serem importantes para o raciocínio e a capacidade de resolver problemas, essas funções regulam habilidades ligadas à autonomia, como o controle consciente de ações, pensamentos e emoções.
Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde. Foram analisadas informações de 10.775 pessoas, de seis cidades brasileiras - as capitais do Sudeste, além de Porto Alegre e Salvador. Todos os voluntários eram funcionários universitários ativos ou aposentados com mais de 35 anos. A média de idade de todos os participantes era de 50,6 anos. Cada voluntário foi acompanhado por oito anos, em média, e avaliado em três momentos diferentes. Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o nível de ingestão de comida industrializada.
O desempenho cognitivo de cada grupo foi colocado à prova em testes de cognição. Quem obtinha mais de 20% de suas calorias diárias comendo ultraprocessados apresentou uma taxa de declínio geral da cognição 28% mais rápida do que o grupo que retirava menos de 20% de sua energia por meio do consumo desse tipo de alimento. O declínio da função executiva, mais ligada ao controle dos pensamentos e das ações, foi 25% mais rápido nas pessoas que ingeriam muitos ultraprocessados.
Os trabalhos que exploram a associação entre dois parâmetros, como o consumo de ultraprocessados e a ocorrência de doenças ou mortes, têm limitações. Eles indicam que há fortes correlações estatísticas de que a alteração de uma variável leva a mudanças na outra. No caso, a quantidade de comida industrializada ingerida parece influenciar no aparecimento de doenças e na quantidade de mortes prematuras. Esses estudos, no entanto, não conseguem demonstrar qual seria o mecanismo por trás dessa aparente correlação.
Retirado e adaptado de: ELER, Guilherme. O peso dos ultraprocessados. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-dos-ultraprocessados/ Acesso em: 13 mar., 2023.
I.No título, a palavra peso apresenta sentido denotativo, visto que indica o aumento de peso na população, que está ligado ao consumo dos ultraprocessados.
II.No trecho "Um corte mais significativo, de 50% no consumo de ultraprocessados, implicaria 29,3 mil vidas salvas por ano", a palavra corte apresenta um sentido pejorativo.
III.No trecho "Os dados do trabalho foram coletados entre 2008 e 2017 pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), que conta com financiamento da FAPESP e do Ministério da Saúde", a palavra longitudinal significa de longa duração.
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Rara interação entre botos e pescadores é
documentada de forma inédita pela ciência
Escassez de tainha pode ameaçar cooperação, indica
estudo com dados coletados ao longo de 15 anos
Pesquisadores descrevem com dados inéditos a
complexidade de uma relação entre espécies
Uma dança sincronizada. Uma colaboração cheia de
instantes decisivos. Uma interação que resulta em
benefícios para o boto e para o pescador. Tradicional e
reconhecida no sul do Brasil e no mundo, a parceria
entre botos pescadores e homens na pesca da tainha foi
documentada de forma inédita pela ciência, em um
trabalho que envolveu a Universidade Federal de Santa
Catarina, a Oregon State University (OSU), nos Estados
Unidos, e o Max Planck Institute (MPI), na Alemanha. A
sincronia perfeita e necessária entre o sinal emitido pelo
animal e a soltura da rede e os riscos que uma possível
escassez de tainha pode trazer à prática estão entre os
principais resultados do estudo.
Munida de drones, imagens subaquáticas e tecnologia
de captação de sons marinhos, a equipe, na UFSC
liderada pelo professor Fábio Daura-Jorge do
Departamento de Ecologia e Zoologia, registrou detalhes
em frações de segundos do comportamento dos botos e
dos pescadores, além de ter se alimentado de um banco
de dados de mais de 15 anos de monitoramento da
cooperação - uma das poucas registradas na biologia.
"Sabíamos que os pescadores estavam observando o
comportamento dos botos para determinar quando
lançar suas redes, mas não sabíamos se os botos
estavam coordenando ativamente seu comportamento
com os pescadores", disse Maurício Cantor, professor da
OSU, colaborador da UFSC e líder do estudo.
"Usando drones e imagens subaquáticas, pudemos
observar os comportamentos de pescadores e botos com
detalhes sem precedentes e descobrimos que eles
capturam mais peixes trabalhando em sincronia", disse
Cantor. "Isso reforça que esta é uma interação
mutuamente benéfica entre os humanos e os botos."
Essa sincronia é determinante para o sucesso do
pescador e para a manutenção da pesca tradicional,
explica Daura-Jorge, que coordena, na UFSC, o
Programa Ecológico de Longa Duração do Sistema
Estuarino de Laguna e adjacências, financiado pelo
CNPq. "Temos um longo histórico de estudos da UFSC
sobre essa interação, que é muito valorizada
localmente", comenta o professor. "Desde a década de
1980, importantes descrições de como funciona essa
interação vêm sendo feitas, mas, desta vez, com ajuda
de tecnologia apropriada, pudemos testar algumas
hipóteses e confirmar que se trata de uma interação com
benefícios mútuos", explica.
Os avanços tecnológicos foram fundamentais para os
resultados assertivos deste novo estudo. Uma metodologia multiplataforma identificou um "sincronismo
fino entre as duas partes", com benefícios para ambas. A
pesquisa, publicada na revista Proceedings of the
National Academy of Sciences, uma das principais da
área, rastreou simultaneamente tainhas, botos, e
pescadores acima e abaixo da água para desenvolver
uma compreensão em escala fina de suas interações.
O estudo também teve como objetivo quantificar as
consequências dessa cooperação, além de combinar os
dados em um modelo numérico para prever o destino e
propor ações iniciais para conservar essa interação rara.
"A tainha é o principal recurso dessa interação, por isso
nós utilizamos os dados da pesca local, que sugerem
uma provável redução nos estoques de tainhas, para
prever o que pode acontecer no futuro, caso persista
esse processo de redução da sua abundância", explica
Daura-Jorge.
Eles também descobriram que a sincronia de
forrageamento - a busca pelo alimento - entre botos e
pescadores aumenta substancialmente a probabilidade
de pescar e o número de peixes capturados. Outro dado
importante identificado pelo estudo é que a interação é
benéfica à sobrevivência dos animais, já que aqueles
que praticam a pesca cooperativa têm um aumento de
13% nas taxas de sobrevivência. De acordo com
Daura-Jorge, isso também ocorre porque, enquanto
estão entretidos cooperando e interagindo com os
pescadores, os botos ficam longe de outros perigos que
podem levá-los à morte, como pescarias ilegais que
ocorrem na área.
A pesquisa também apontou que a compreensão dos
pescadores sobre a tradição da pesca correspondia às
evidências produzidas por meio de ferramentas e
métodos científicos. "Questionários e observações
diretas são maneiras diferentes de olhar para o mesmo
fenômeno e combinam bem, disse Cantor. "Ao
integrá-los, pudemos obter a imagem mais completa e
confiável de como esse sistema funciona e, mais
importante, como ele beneficia tanto os pescadores
quanto os botos".
Onde estão e quem são os botos pescadores
Os botos pescadores vivem há anos no sistema
estuarino de Laguna e são reconhecidos por suas
características morfológicas, sendo também batizados
com nomes pela comunidade de pesca. No ano
passado, Caroba, o mais antigo boto pescador da região
morreu aos 50 anos, possivelmente de causas naturais.
A equipe liderada por Daura-Jorge realiza o
monitoramento dessa população há 16 anos. Ele explica
que nem todos praticam a pesca cooperativa com
pescadores. Na localidade, há entre 50 e 60 botos, mas
menos da metade - por volta de 40% - são cooperativos.
Algumas hipóteses são sugeridas para explicar por que
apenas alguns botos se envolvem na interação com
pescadores. "Essa prática envolve questões de
aprendizado e desenvolvimento cultural animal, algo bem
discutido na literatura, e alguns botos podem ser mais
propícios que outros a aprender, talvez por um traço de
personalidade ou por consequência de suas relações sociais com outros indivíduos", explica.
De acordo com ele, no que se refere à população do
local, aparentemente não há variações significativas ao
longo dos anos, apesar das muitas atividades humanas
que contribuíram para a morte não natural de alguns
indivíduos. "Esse número constante de indivíduos é uma
boa notícia, mas não o suficiente para despreocupações
e comemorações. Para uma espécie que pode viver mais
de 50 anos e que começa a se reproduzir só depois dos
10 anos, uma população de 50 indivíduos é muito
pequena e estará sempre em risco de extinção",
explicou, em texto no qual descreve a atividade de
monitoramento.
Retirado e adaptado de: MIRANDA, Amanda. Jornalismo UFSC.
Disponível em: https://jornalismoufsc.shorthandstories.com/raraintera-o-entre-botos-e-pescadores-documentada-de-forma-in-di
ta-pela-ci-ncia/index.html. Acesso em: 16 de mar. 2023.
Primeira coluna: palavra (1) Equipamento (2) Procura por comida (3) Estrutura (4) Afirmação (5) Suposição (6) Proximidade (7) Foz (8) Simultaneidade
Segunda coluna: significado (__)Sincronia (__)Munição (__)Estuário (__)Adjacência (__)Asserção (__)Forrageamento (__)Morfologia (__)Hipótese
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Poluição por plásticos nos oceanos atinge níveis
sem precedentes em 15 anos
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com estudo
A poluição por plásticos nos oceanos em todo o mundo
alcançou níveis sem precedentes nos últimos 15 anos.
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com um estudo que alerta para esse
novo recorde preocupante.
Os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira
(08/03/2023) na revista americana PLOS One, preveem
até uma aceleração do fenômeno se nada for feito para
impedir essa tendência e pedem ao mundo que conclua
o tratado internacional, previsto para 2024, que
supostamente salvará o planeta desse lixo.
O peso total dessa poluição representa 2,3 milhões de
toneladas, estima o estudo. Os resultados são baseados
em amostras de plástico coletadas em mais de 11 mil
estações de observação em todo o mundo, ao longo de
40 anos, de 1979 a 2019.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma tendência
clara até 1990 e depois flutuações entre 1990 e 2005.
Mas, depois dessa data, "vemos um aumento muito
rápido, devido ao grande crescimento na produção [de
plástico] e um número limitado de políticas de controle de
eliminação na natureza", explicou Lisa Erdle, uma das
autoras da pesquisa.
No meio dos oceanos, essa poluição é formada
principalmente por equipamentos de pesca e boias,
enquanto roupas, pneus de carros e plásticos de uso
único costumam ser mais encontrados perto da costa. A
presença desses dejetos ameaça os animais, que ficam
presos nos pedaços maiores ou ingerem microplásticos,
que circulam na cadeia alimentar até chegar aos
humanos.
Se a tendência se confirmar, o uso de plásticos nos
países do G20 deve quase dobrar até 2050 em relação a
2019, para 451 milhões de toneladas por ano, de acordo
com um relatório internacional recente. Depois da guerra,
em 1950, eram apenas 2 milhões de toneladas
produzidas no planeta.
Os resíduos certamente diminuíram entre 1990 e 2005,
em parte devido a políticas eficazes, como a convenção
Marpol, de 1988, para acabar com as descargas por
navios. Mas a reciclagem, mesmo nos países mais ricos,
não tem sido suficiente para conter o problema.
No ano passado, 175 países concordaram em acabar
com essa poluição desenvolvendo um tratado, amparado
pela ONU, até o final de 2024. A próxima sessão de
negociação está marcada para maio, em Paris. Para os
autores, esse tratado deve ser ambicioso o suficiente
para reduzir a produção e o uso de plástico, mas
também gerenciar melhor sua eliminação.
"A coleta de plástico no meio ambiente tem apenas um
efeito limitado, por isso as soluções devem se concentrar
em limitar as liberações de plástico", indica o estudo.
Retirado e adaptado de: cossnnoos-oeeaos-atingee-neess-emm-prcee
dentes-em-15--anos.
por-plasticos-nos-oceanos-atinge-niveis-sem-precedentes-em-15-anos.
Acesso em: 13 mar. 2023.
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Poluição por plásticos nos oceanos atinge níveis
sem precedentes em 15 anos
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com estudo
A poluição por plásticos nos oceanos em todo o mundo
alcançou níveis sem precedentes nos últimos 15 anos.
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com um estudo que alerta para esse
novo recorde preocupante.
Os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira
(08/03/2023) na revista americana PLOS One, preveem
até uma aceleração do fenômeno se nada for feito para
impedir essa tendência e pedem ao mundo que conclua
o tratado internacional, previsto para 2024, que
supostamente salvará o planeta desse lixo.
O peso total dessa poluição representa 2,3 milhões de
toneladas, estima o estudo. Os resultados são baseados
em amostras de plástico coletadas em mais de 11 mil
estações de observação em todo o mundo, ao longo de
40 anos, de 1979 a 2019.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma tendência
clara até 1990 e depois flutuações entre 1990 e 2005.
Mas, depois dessa data, "vemos um aumento muito
rápido, devido ao grande crescimento na produção [de
plástico] e um número limitado de políticas de controle de
eliminação na natureza", explicou Lisa Erdle, uma das
autoras da pesquisa.
No meio dos oceanos, essa poluição é formada
principalmente por equipamentos de pesca e boias,
enquanto roupas, pneus de carros e plásticos de uso
único costumam ser mais encontrados perto da costa. A
presença desses dejetos ameaça os animais, que ficam
presos nos pedaços maiores ou ingerem microplásticos,
que circulam na cadeia alimentar até chegar aos
humanos.
Se a tendência se confirmar, o uso de plásticos nos
países do G20 deve quase dobrar até 2050 em relação a
2019, para 451 milhões de toneladas por ano, de acordo
com um relatório internacional recente. Depois da guerra,
em 1950, eram apenas 2 milhões de toneladas
produzidas no planeta.
Os resíduos certamente diminuíram entre 1990 e 2005,
em parte devido a políticas eficazes, como a convenção
Marpol, de 1988, para acabar com as descargas por
navios. Mas a reciclagem, mesmo nos países mais ricos,
não tem sido suficiente para conter o problema.
No ano passado, 175 países concordaram em acabar
com essa poluição desenvolvendo um tratado, amparado
pela ONU, até o final de 2024. A próxima sessão de
negociação está marcada para maio, em Paris. Para os
autores, esse tratado deve ser ambicioso o suficiente
para reduzir a produção e o uso de plástico, mas
também gerenciar melhor sua eliminação.
"A coleta de plástico no meio ambiente tem apenas um
efeito limitado, por isso as soluções devem se concentrar
em limitar as liberações de plástico", indica o estudo.
Retirado e adaptado de: cossnnoos-oeeaos-atingee-neess-emm-prcee
dentes-em-15--anos.
por-plasticos-nos-oceanos-atinge-niveis-sem-precedentes-em-15-anos.
Acesso em: 13 mar. 2023.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Poluição por plásticos nos oceanos atinge níveis
sem precedentes em 15 anos
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com estudo
A poluição por plásticos nos oceanos em todo o mundo
alcançou níveis sem precedentes nos últimos 15 anos.
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com um estudo que alerta para esse
novo recorde preocupante.
Os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira
(08/03/2023) na revista americana PLOS One, preveem
até uma aceleração do fenômeno se nada for feito para
impedir essa tendência e pedem ao mundo que conclua
o tratado internacional, previsto para 2024, que
supostamente salvará o planeta desse lixo.
O peso total dessa poluição representa 2,3 milhões de
toneladas, estima o estudo. Os resultados são baseados
em amostras de plástico coletadas em mais de 11 mil
estações de observação em todo o mundo, ao longo de
40 anos, de 1979 a 2019.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma tendência
clara até 1990 e depois flutuações entre 1990 e 2005.
Mas, depois dessa data, "vemos um aumento muito
rápido, devido ao grande crescimento na produção [de
plástico] e um número limitado de políticas de controle de
eliminação na natureza", explicou Lisa Erdle, uma das
autoras da pesquisa.
No meio dos oceanos, essa poluição é formada
principalmente por equipamentos de pesca e boias,
enquanto roupas, pneus de carros e plásticos de uso
único costumam ser mais encontrados perto da costa. A
presença desses dejetos ameaça os animais, que ficam
presos nos pedaços maiores ou ingerem microplásticos,
que circulam na cadeia alimentar até chegar aos
humanos.
Se a tendência se confirmar, o uso de plásticos nos
países do G20 deve quase dobrar até 2050 em relação a
2019, para 451 milhões de toneladas por ano, de acordo
com um relatório internacional recente. Depois da guerra,
em 1950, eram apenas 2 milhões de toneladas
produzidas no planeta.
Os resíduos certamente diminuíram entre 1990 e 2005,
em parte devido a políticas eficazes, como a convenção
Marpol, de 1988, para acabar com as descargas por
navios. Mas a reciclagem, mesmo nos países mais ricos,
não tem sido suficiente para conter o problema.
No ano passado, 175 países concordaram em acabar
com essa poluição desenvolvendo um tratado, amparado
pela ONU, até o final de 2024. A próxima sessão de
negociação está marcada para maio, em Paris. Para os
autores, esse tratado deve ser ambicioso o suficiente
para reduzir a produção e o uso de plástico, mas
também gerenciar melhor sua eliminação.
"A coleta de plástico no meio ambiente tem apenas um
efeito limitado, por isso as soluções devem se concentrar
em limitar as liberações de plástico", indica o estudo.
Retirado e adaptado de: cossnnoos-oeeaos-atingee-neess-emm-prcee
dentes-em-15--anos.
por-plasticos-nos-oceanos-atinge-niveis-sem-precedentes-em-15-anos.
Acesso em: 13 mar. 2023.
bem os pães, que eles conforme as .
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Poluição por plásticos nos oceanos atinge níveis
sem precedentes em 15 anos
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com estudo
A poluição por plásticos nos oceanos em todo o mundo
alcançou níveis sem precedentes nos últimos 15 anos.
Cerca de 170 trilhões de pedaços de plástico e
microplásticos estariam presentes na superfície dos
oceanos, de acordo com um estudo que alerta para esse
novo recorde preocupante.
Os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira
(08/03/2023) na revista americana PLOS One, preveem
até uma aceleração do fenômeno se nada for feito para
impedir essa tendência e pedem ao mundo que conclua
o tratado internacional, previsto para 2024, que
supostamente salvará o planeta desse lixo.
O peso total dessa poluição representa 2,3 milhões de
toneladas, estima o estudo. Os resultados são baseados
em amostras de plástico coletadas em mais de 11 mil
estações de observação em todo o mundo, ao longo de
40 anos, de 1979 a 2019.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma tendência
clara até 1990 e depois flutuações entre 1990 e 2005.
Mas, depois dessa data, "vemos um aumento muito
rápido, devido ao grande crescimento na produção [de
plástico] e um número limitado de políticas de controle de
eliminação na natureza", explicou Lisa Erdle, uma das
autoras da pesquisa.
No meio dos oceanos, essa poluição é formada
principalmente por equipamentos de pesca e boias,
enquanto roupas, pneus de carros e plásticos de uso
único costumam ser mais encontrados perto da costa. A
presença desses dejetos ameaça os animais, que ficam
presos nos pedaços maiores ou ingerem microplásticos,
que circulam na cadeia alimentar até chegar aos
humanos.
Se a tendência se confirmar, o uso de plásticos nos
países do G20 deve quase dobrar até 2050 em relação a
2019, para 451 milhões de toneladas por ano, de acordo
com um relatório internacional recente. Depois da guerra,
em 1950, eram apenas 2 milhões de toneladas
produzidas no planeta.
Os resíduos certamente diminuíram entre 1990 e 2005,
em parte devido a políticas eficazes, como a convenção
Marpol, de 1988, para acabar com as descargas por
navios. Mas a reciclagem, mesmo nos países mais ricos,
não tem sido suficiente para conter o problema.
No ano passado, 175 países concordaram em acabar
com essa poluição desenvolvendo um tratado, amparado
pela ONU, até o final de 2024. A próxima sessão de
negociação está marcada para maio, em Paris. Para os
autores, esse tratado deve ser ambicioso o suficiente
para reduzir a produção e o uso de plástico, mas
também gerenciar melhor sua eliminação.
"A coleta de plástico no meio ambiente tem apenas um
efeito limitado, por isso as soluções devem se concentrar
em limitar as liberações de plástico", indica o estudo.
Retirado e adaptado de: cossnnoos-oeeaos-atingee-neess-emm-prcee
dentes-em-15--anos.
por-plasticos-nos-oceanos-atinge-niveis-sem-precedentes-em-15-anos.
Acesso em: 13 mar. 2023.
I.Coletar plásticos no meio ambiente é uma ação essencial para impedir a poluição dos oceanos.
II.São encontrados objetos de plástico de naturezas distintas no meio do oceano e acerca da costa.
III.A poluição por plástico nos oceanos vem crescendo depressa e nenhuma medida está sendo tomada.
IV.A redução da produção e o efetivo gerenciamento da eliminação dos plásticos são ações fundamentais para lidar com o problema.
É correto o que se afirma em:
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