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Poema da necessidade
Carlos Drummond de Andrade
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana [...].
O título do poema se justifica:
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Dentro da economia capitalista, cada indivíduo é avaliado pelo número que representa sua renda e na mente de todos existe, reforçando-se cada vez mais, a noção de que todas as coisas têm um valor, que tal valor é sempre o mesmo e pode ser “medido” pelo preço de compra ou venda do objeto.
A produção em massa de notícias, objetos e divertimentos, logo consumidos por grande número de pessoas, tende a criar nessa massa humana tal uniformidade em matéria de uso e consumo de bens materiais, de modo de ser e de pensar, que o indivíduo tende a perder-se totalmente, quer aos olhos dos outros, quer aos seus próprios olhos.
(GAIARSA, J. A. A engrenagem e a flor. São Paulo: Ícone, 1992)
“[...] tende a criar nessa massa humana tal uniformidade em matéria de uso e consumo de bens materiais [...]”. O verbo em destaque se refere a:
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Dentro da economia capitalista, cada indivíduo é avaliado pelo número que representa sua renda e na mente de todos existe, reforçando-se cada vez mais, a noção de que todas as coisas têm um valor, que tal valor é sempre o mesmo e pode ser “medido” pelo preço de compra ou venda do objeto.
A produção em massa de notícias, objetos e divertimentos, logo consumidos por grande número de pessoas, tende a criar nessa massa humana tal uniformidade em matéria de uso e consumo de bens materiais, de modo de ser e de pensar, que o indivíduo tende a perder-se totalmente, quer aos olhos dos outros, quer aos seus próprios olhos.
(GAIARSA, J. A. A engrenagem e a flor. São Paulo: Ícone, 1992)
Pela leitura do texto, pode-se dizer que uma das consequências do consumo é:
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Dentro da economia capitalista, cada indivíduo é avaliado pelo número que representa sua renda e na mente de todos existe, reforçando-se cada vez mais, a noção de que todas as coisas têm um valor, que tal valor é sempre o mesmo e pode ser “medido” pelo preço de compra ou venda do objeto.
A produção em massa de notícias, objetos e divertimentos, logo consumidos por grande número de pessoas, tende a criar nessa massa humana tal uniformidade em matéria de uso e consumo de bens materiais, de modo de ser e de pensar, que o indivíduo tende a perder-se totalmente, quer aos olhos dos outros, quer aos seus próprios olhos.
(GAIARSA, J. A. A engrenagem e a flor. São Paulo: Ícone, 1992)
Para o autor, o indivíduo, na sociedade capitalista, é descrito, principalmente, como:
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É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas, como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recurso, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988)
Na oração “Não distingue entre gente e bicho”, temos um sujeito:
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É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas, como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recurso, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988)
A palavra “jubiloso” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
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É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas, como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recurso, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988)
“É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso.” A expressão em destaque introduz uma ideia, em relação à primeira oração, de:
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É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas, como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recurso, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988)
A palavra “cardume” é classificada, na gramática do português, como:
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É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas, como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recurso, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988)
Para o narrador, sua amiga:
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