Foram encontradas 40 questões.
2997884
Ano: 2023
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
A atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou
liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de
fato, em razão de interesse público concernente à
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à
disciplina da produção e do mercado, ao exercício de
atividades econômicas dependentes de concessão
ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos
individuais ou coletivos é conhecida por:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
2997883
Ano: 2023
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
- Agentes PúblicosCargos, Empregos e Funções PúblicasAcessoConcurso Público
- Agentes PúblicosCargos, Empregos e Funções PúblicasFormas de Provimento
- Lei 8.112/1990: RJU
As formas de ingresso no serviço público podem
variar de acordo com as classificações dos cargos
públicos, já que cada um conta com uma estrutura
de admissão que segue critérios específicos. Dessa
forma, aquele que aprovado em concurso público,
no entanto, está sob regime celetista, ou seja,
regras estabelecidas pela Consolidação das Leis do
Trabalho – CLT, é identificado como:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
2997882
Ano: 2023
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
Servidor público é a pessoa legalmente investida
em cargo ou em emprego público na administração
direta, nas autarquias ou nas fundações públicas.
São deveres dos servidores públicos civis, exceto:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
2997861
Ano: 2023
Disciplina: Administração Pública
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Administração Pública
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
Ato pelo qual a autoridade competente
estabelece procedimentos administrativos,
instruções sobre aplicação de leis ou define
situações funcionais, como, por exemplo,
nomeações, demissões, cessões e redistribuições de
servidores:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os estabelecimentos de ensino de educação
básica da rede pública, por meio dos respectivos
sistemas de ensino, e os estabelecimentos de ensino
de educação básica e de recreação infantil da rede
privada deverão, obrigatoriamente, capacitar
professores e funcionários em noções de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container