Foram encontradas 210 questões.
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Leia este fragmento do texto.
“Fábio não aguentou mais: caiu em prantos.”
Sem alteração do sentido original, esse trecho está corretamente reescrito em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A volta do filho pródigo
Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre.
As brigas, em casa, eram frequentes. Os pais reclamavam
do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens.
Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus
velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho
único. Mas estava na hora de mostrar que não era
mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição.
Botou algumas coisas na mochila e, numa madrugada,
deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma
cidade distante onde tinha amigos.
Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência
gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na
primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria
sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha,
morava num barraco, foi assaltado várias vezes,
até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou
um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias.
E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da
Bíblia, assinou-se como “Filho Pródigo”.
Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde
morava. Como já não tinha a chave do apartamento,
bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade,
ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia
quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o
a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em
uma imobiliária:
– Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.
A causa da separação tinha sido exatamente a fuga
do Fábio:
– Depois que você foi embora, eles começaram a
brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga.
Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior.
De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de
cidade, mas não sei qual.
Fábio não aguentou mais: caiu em prantos. O homem
se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu
antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar.
Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro,
o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo
tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se,
Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.
A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira,
mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa.
Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram,
é por uma única razão: não o compreendem. Um dia,
ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente,
quando for homem, quando tiver sua própria casa.
Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os
que ele tem precisam ser controlados.
SCLIAR, Moacyr. A volta do filho pródigo.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/
ff0404200505.htm. Acesso em: 8 ago. 2023.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container