Foram encontradas 210 questões.
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- OrtografiaPontuaçãoAspas
- OrtografiaPontuaçãoReticências
- Interpretação de TextosTipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Sobre cartas e crateras
O que você salvaria se sua casa fosse desabar?
Em situações emergenciais as pessoas geralmente
tentam salvar documentos, dinheiro, joias, roupas e
fotos. A vida é sempre o valor maior, e sua
manutenção, motivo de alívio. Diz Andreza de Souza,
23, moradora da rua Capri, em São Paulo: “Eu queria
pegar umas calcinhas, mas fiquei com vergonha do
funcionário da Defesa Civil que me acompanhava.
Ele me deu somente dois minutos, e só tinha tempo para
levar minha escova de dentes, um edredom, duas calças
jeans e uma blusa”.
— O que é que você levaria, se tivesse de abandonar
sua casa às pressas? — perguntou o rapaz à namorada,
depois de ler-lhe a notícia publicada na Folha.
Ela pensou um pouco.
— Acho que levaria a mesma coisa que essa
moça: escova de dentes, edredom, calças jeans,
blusa... E calcinha: eu não teria vergonha do funcionário.
Prefiro ficar sem a vergonha do que sem as calcinhas.
— Só isso? — disse ele. — Só isso, você levaria?
Ela pensou um pouco:
— Não. Você tem razão, essas coisas são importantes,
mas não suficientes. Eu pegaria meus documentos:
a identidade, a carteira de trabalho... pegaria também
a única joia que tenho, aquele colar que mamãe
me deixou. Seria o caso de apanhar alguma grana,
claro, mas dinheiro você sabe que eu não tenho,
mesmo porque estou desempregada.
Ele ficou algum tempo em silêncio, e aí voltou à carga.
E desta vez sua voz soava estranha, hostil mesmo:
— É isso, então? É isso que você levaria, se a sua casa
estivesse a ponto de desabar?
Ela se deu conta de que alguma coisa estava
incomodando o namorado, alguma coisa séria.
Já pressentindo um bate-boca, perguntou em que,
afinal, ele estava pensando. O que ela deveria
ter mencionado, que não mencionara? O que
havia esquecido?
— As cartas — disse ele, e a irritação agora transparecia
em seu tom de voz. As cartas de amor que lhe escrevi.
Ela deu-se conta do erro que cometera: de fato,
as cartas eram muito importantes para ele,
sempre falava nelas. Mas também ela agora estava
irritada, e disposta a partir para o confronto.
— Verdade, esqueci as cartas. Mas tenho de lhe
dizer uma coisa: não sei onde estão essas cartas,
simplesmente não sei. Você me conhece, sabe que sou
desorganizada. Em dois minutos, não encontraria carta
alguma. Provavelmente a casa desabaria, e eu morreria
procurando. Você não havia de querer isso, certo?
Você não quereria que eu morresse procurando essas
suas cartas.
Ele agora estava pálido, pálido de ódio.
— Vou lhe dizer uma coisa — falou, por fim. — Se você
não encontra minhas cartas, a razão é muito simples:
você não me ama mais. E se você não me ama, a mim
pouco importa o que iria lhe acontecer.
Levantou-se, e foi embora. Ela ficou pensando:
há muitas crateras na vida, mas poucas são tão profundas
quanto aquela em que o amor cai, quando desaba.
Era isso que ela precisava dizer ao namorado. E decidiu
que, naquele dia mesmo, lhe escreveria uma carta
dizendo que, apesar das tragédias, a vida continua,
e que, mesmo no fundo das crateras da vida,
sempre resta uma esperança.
SCLIAR, Moacyr. Sobre cartas e crateras.
Folha de S. Paulo. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/
fsp/cotidian/ff2201200707.htm. Acesso em: 7 ago. 2023.
[Fragmento adaptado]
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Considerando-se a norma-padrão da Língua Portuguesa,
assinale a alternativa em que a regência verbal
está correta.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Conforme o Novo Acordo Ortográfico, devem ser escritas
com hífen as palavras
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO I
Ao longo dos anos, venho refletindo sobre uma
noção de texto que contemple outras linguagens
que ultrapassam a verbal. Após muitas leituras,
reflexões e compartilhamentos, conceituo texto como
uma manifestação constituída de elementos verbais
e / ou não verbais, intencionalmente selecionados
e organizados, que ocorre durante uma atividade
sociointerativa, de modo a permitir aos agentes da
interação duas ações simultâneas: a depreensão
e geração de sentido, em decorrência da ativação
de processos e estratégias de ordem cognitiva,
e a atuação responsiva, em consonância a práticas
socioculturais instituídas.
Então, um livro é um texto? Se o livro compreende
uma manifestação que reúne linguagens verbais
– e, ocasionalmente, linguagens não verbais,
como ilustrações, figuras, fotos – selecionadas de
modo intencional e organizadas sociointerativamente
de maneira a permitir aos leitores tanto a geração de
sentido, ao ativarem estruturas cognitivas que levam
a determinadas compreensões, quanto a ações em
resposta ao que leram, ao pensarem sobre o que foi
lido, tomando como base práticas sociais e culturais
já instauradas na comunidade, o livro é um texto.
Um texto passível de comentários, críticas e
manifestações diversas. E como todo texto,
um livro provoca reações.
Pensando em provocar reações, organizei este livro que
reúne relatos de experiências de professores da rede
estadual de Minas Gerais. Essas experiências merecem
ser compartilhadas, uma vez que é importante dar voz
ao professor que assume, em suas aulas, a missão de
transformar seus alunos em pessoas comprometidas
com sua participação no mundo e solidárias umas com
as outras para promover o bem-estar das comunidades
em que vivem.
Assim, este livro, sem qualquer pretensão grandiosa,
é instrumento de reflexão para professores,
educadores e alunos em formação que acreditam que
educar ainda é o melhor meio para a construção de uma
sociedade sadia. Ao todo são 16 artigos, que tratam
de diversos temas e que têm em comum o interesse
em divulgar experiências mineiras de sala de aula que
podem ser adotadas em outras turmas em qualquer lugar
deste país.
DELL’ISOLA, Regina L. P. Um livro para chamar de seu.
In: Práticas de linguagem no Ensino Fundamental. Brasil-Argentina: Editora Cognoscere, 2019. p. 5-9.
Leia este trecho.
“[...] educar ainda é o melhor meio para a construção de uma sociedade sadia.”
A reescrita cujo sentido corresponde ao sentido original desse trecho é:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO I
Ao longo dos anos, venho refletindo sobre uma
noção de texto que contemple outras linguagens
que ultrapassam a verbal. Após muitas leituras,
reflexões e compartilhamentos, conceituo texto como
uma manifestação constituída de elementos verbais
e / ou não verbais, intencionalmente selecionados
e organizados, que ocorre durante uma atividade
sociointerativa, de modo a permitir aos agentes da
interação duas ações simultâneas: a depreensão
e geração de sentido, em decorrência da ativação
de processos e estratégias de ordem cognitiva,
e a atuação responsiva, em consonância a práticas
socioculturais instituídas.
Então, um livro é um texto? Se o livro compreende
uma manifestação que reúne linguagens verbais
– e, ocasionalmente, linguagens não verbais,
como ilustrações, figuras, fotos – selecionadas de
modo intencional e organizadas sociointerativamente
de maneira a permitir aos leitores tanto a geração de
sentido, ao ativarem estruturas cognitivas que levam
a determinadas compreensões, quanto a ações em
resposta ao que leram, ao pensarem sobre o que foi
lido, tomando como base práticas sociais e culturais
já instauradas na comunidade, o livro é um texto.
Um texto passível de comentários, críticas e
manifestações diversas. E como todo texto,
um livro provoca reações.
Pensando em provocar reações, organizei este livro que
reúne relatos de experiências de professores da rede
estadual de Minas Gerais. Essas experiências merecem
ser compartilhadas, uma vez que é importante dar voz
ao professor que assume, em suas aulas, a missão de
transformar seus alunos em pessoas comprometidas
com sua participação no mundo e solidárias umas com
as outras para promover o bem-estar das comunidades
em que vivem.
Assim, este livro, sem qualquer pretensão grandiosa,
é instrumento de reflexão para professores,
educadores e alunos em formação que acreditam que
educar ainda é o melhor meio para a construção de uma
sociedade sadia. Ao todo são 16 artigos, que tratam
de diversos temas e que têm em comum o interesse
em divulgar experiências mineiras de sala de aula que
podem ser adotadas em outras turmas em qualquer lugar
deste país.
DELL’ISOLA, Regina L. P. Um livro para chamar de seu.
In: Práticas de linguagem no Ensino Fundamental. Brasil-Argentina: Editora Cognoscere, 2019. p. 5-9.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container