Foram encontradas 198 questões.
- Interpretação de TextosCoesão e CoerênciaCoesãoCoesão Referencial
- Interpretação de TextosFunções da LinguagemConotativa, Apelativa, Metafórica ou Figurada
- Interpretação de TextosFunções da LinguagemDenotativa, Própria, Referencial, Literal ou Informativa
- Interpretação de TextosInferência Textual
Leia o texto abaixo:
Do cachimbo e de seu uso
Dominado o fogo, o homem cozinhou alimentos e achou que podia aproveitar o seu subproduto mais óbvio. Talos de plantas com caule oco serviram para aspirar a fumaça – que não era lá essas coisas. Mas o cachimbo estava inventado.
Daí até chegar aos cachimbos de nó de cerejeira, aos “dunhill” e aos “savinellis”, demorou um pouco, mas foi aparentemente mais fácil do que chegar à Lua e ao computador pessoal.
O homem sempre procurou aspirar, se não a um alto destino, ao menos a qualquer coisa que lhe provoque a sensação de euforia, lucidez ou calma. Usou rapé nas narinas, agora usa cocaína. Entre o rapé e a coca, o fumo ficou no meio-termo e, antes da onda que o acusa de dar câncer, infarto e impotência, ele foi tão importante que até hoje figura, em forma de folhas verdes, no escudo oficial do Brasil.
O cachimbo, embora mais antigo, ficou no meio--termo entre o cigarro e o charuto. Sherlock Holmes o usava sempre. E, embora também se servisse de cocaína e tocasse violino, o cachimbo lhe era mais útil do que o dr. Watson, que não passava de um elementar. Tal como no caso dos “pretos veios” da umbanda, o cachimbo formou-lhe o logotipo. (…)
O encanto do cachimbo é outro. Ele foi feito para o silêncio, até mesmo para a solidão. É o companheiro da reflexão, equipamento de mergulho para o homem dentro de si mesmo. É muito eficiente, também, para depois do amor. A começar pelo perfume, que combina com o cheiro dos lençóis – se há lençóis na jogada. E pela nuvem da fumaça que cria no espaço aquelas curvas arredondadas, que entram umas dentro das outras. Olhadas com atenção, essas curvas convidam para mais uma vez.
CONY, Carlos Heitor – Folha de S. Paulo, 29/12/98, editado
Assinale a alternativa correta em relação ao texto.
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- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos Átonos
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “que”
- Interpretação de TextosAnálise de Estruturas Linguísticas
- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisArtigo de Opinião
Leia o texto abaixo:
No ritmo atual da destruição, uma espécie se extingue a cada 20 minutos. Há muito para ser feito, mas o tempo é curto. Por onde começar, então? Muitos acreditam que bastam dados alarmantes para a conscientização das pessoas. Especialistas em comunicação advertem, no entanto, que pode acontecer o contrário: a grandiosidade do problema talvez provoque a imobilização e o conformismo nas pessoas. Segundo Michael Soulé, professor da Universidade de Recursos Naturais de Michigan, “a realidade mostra que as más notícias, quando apresentadas sem perspectivas de saída, criam uma repulsão pelo tema”.
As organizações não governamentais, que dependem do apoio público para sobreviver, há muito descobriram a importância de propor estímulos positivos enquanto denunciam a devastação. “É preferível o otimismo das ações ao pessimismo das ideias”, sustentam os militantes do Greenpeace, num dos seus slogans prediletos. Essas ideias são compartilhadas por Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, hoje com mais de 23.000 associados. “Reforçamos os fatos positivos. Mostrar uma área da Mata Atlântica que tenha se regenerado depois de praticamente destruída prova para as pessoas que a luta vale a pena.”
“Não conseguiremos ensinar às pessoas o amor à vida com argumentos econômicos e raciocínio lógico”, sentencia Michael Soulé. Para ele, a conscientização depende de um sentimento de comunhão com a natureza. Para amá-la, é preciso um contato direto, o pé na trilha, a caminhada na praia, o pôr do sol na praça. “Não há argumento que substitua a experiência direta com o mundo natural”, assegura.
“É quase uma experiência religiosa”, disse o biólogo Russel Mittermeier, presidente da organização Conservation International, à revista Time. Esses momentos podem ser precedidos por informações colhidas em livros, revistas, filmes ou mesmo exposições. Mittermeier conta que aprendeu a amar a natureza com os livros de Tarzan. Porém, esses contatos indiretos só são sedimentados nos momentos de real comunhão, ao vivo. “Se quiser convencer alguém da importância da biodiversidade, em vez dos números, tenha a coragem de contar uma experiência emocional concreta sua com a natureza”, sugere o professor Michael Soulé. O amor pela diversidade da vida continua sendo a nossa melhor arma.
ALVES, Liane Camargo de Almeida. Um mundo por conhecer e preservar. Terra, São Paulo, v.8, n. 5, p. 29, maio 1999, adaptação
Assinale a alternativa correta em relação ao texto.
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- Interpretação de TextosFunções da LinguagemDenotativa, Própria, Referencial, Literal ou Informativa
- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
Leia o texto abaixo:
Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita.
Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Lagoa – posso não ver melhor, mas vejo mais. Otto Maria Carpeaux não gostava do gênero “crônica”, nem adiantava argumentar contra, dizer, por exemplo, que os cronistas, uns pelos outros, escreviam bem. Carpeaux lembrava então que escrever é verbo transitivo, pede objeto direto: escrever o quê? Maldade do Carpeaux. (…)
Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegalmente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem assunto.
Carlos Heitor Cony, Folha de S. Paulo, 02/01/98
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao texto.
( ) A crônica é gênero textual que emprega linguagem mais coloquial, buscando a proximidade com o leitor.
( ) A palavra janela, nas duas ocorrências do primeiro parágrafo, foram empregadas em sentido denotativo.
( ) Infere-se que o autor do texto, do mesmo modo que Otto Maria Carpeaux, não gostava do gênero crônica.
( ) Depreende-se do texto que Nelson Rodrigues e o autor não tinham boa relação.
( ) Pelo texto, verifica-se que a crônica não tem compromisso com o acontecido, ou seja, mistura muitas vezes o ocorrido com ficção.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Leia o texto abaixo:
Sobre Política e Jardinagem
De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim “vocare”, quer dizer “chamado”. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um “fazer”. No lugar desse “fazer” o vocacionado quer “fazer amor” com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
“Política” vem de “polis”, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu “o que é política?”, ele nos responderia: “A arte da jardinagem aplicada às coisas públicas”.
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.
Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. (texto editado)
Rubem Alves, 66, educador, escritor e psicanalista, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas. É autor de “Entre a Ciência e a Sapiência: o Dilema da Educação” (Edições Loyola), entre outras obras.
Assinale a alternativa correta em relação ao texto.
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- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosRevisão Textual
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoEquivalência
Leia o texto abaixo:
O filme Central do Brasil, de Walter Salles, tem como protagonista a professora aposentada Dora, que ganha um dinheiro extra escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, estação ferroviária do Rio de Janeiro. Outra personagem é o menino Josué, filho de Ana, que contrata os serviços de Dora para escrever cartas passionais para seu ex-marido, pai de Josué. Logo após ter contratado a tarefa, Ana morre atropelada. Josué, sem ninguém a recorrer na metrópole sem rosto, sob o jugo do estado mínimo (sem proteção social), vê em Dora a única pessoa que poderá levá-lo até seu pai, no interior do Sertão nordestino.
Dos vários momentos emocionantes do filme, o mais sensibilizante é o encontro de Josué com os presumíveis irmãos que, como o pai elaborado em seus sonhos, são também marceneiros. A câmera faz uma panorâmica no interior do sertão para mostrar um conjunto habitacional de casas populares recém--construídas; em uma das casas, os moradores são os filhos do pai de Josué que, em sua residência simples, acolhem para dormir Josué e Dora. Os irmãos dormem juntos e dividem a mesma cama. Existe uma comunhão de sentimentos entre os irmãos: os que têm um teto para morar, têm trabalho, dão amparo ao menino órfão sem eira nem beira.
No filme, a grande questão do analfabetismo está acoplada a outro desafio, que é a questão nordestina, ou seja, o atraso econômico e social da região. Não basta combater o analfabetismo, que, por si só, necessitaria dos esforços de, no mínimo, uma geração de brasileiros para ser debelado, pois, em 1996, o analfabetismo da população de 15 anos e mais, no Brasil, era de 13,03%, representando um total de 13,9 milhões de pessoas. Segundo a UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os países com maior número de analfabetos.
No Brasil, carecemos de políticas públicas que atendam, de forma igualitária, a população, em especial aquelas voltadas para as crianças, os idosos e as mulheres. A permanência da questão nordestina é um exemplo constante das nossas desigualdades, do desprezo à vida e da falta de políticas públicas que atendam aos anseios mínimos do povo trabalhador. Não saber ler nem escrever, no Brasil, é um elemento a mais na desagregação dos indivíduos que serão párias permanentes em uma sociedade que se diz moderna e globalizada, mas que é debilitada naquilo que é mais premente ao povo: alimentação, trabalho, saúde e educação. Sem essas condições básicas, praticamente se nega o direito à cidadania da ampla maioria da população brasileira.
Os ensinamentos que podemos tirar de Central de Brasil são que devemos atacar a questão social de várias frentes, em especial na educação de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar por políticas públicas de qualidade que direcionem os investimentos para promover uma desconcentração regional e pessoal da renda no país, propugnando por um novo modelo econômico e social. Ao garantir uma vida digna, a maioria da população saberá, por meio da solidariedade de classe, responder às necessidades da construção de uma sociedade mais justa. Central do Brasil é um exemplo vivo de que o Brasil tem rumo e esperança.
Salvatore Santagada – Zero Hora – 20/03/1999
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao texto.
( ) Em relação à estrutura do texto, os dois parágrafos iniciais fazem um relato do filme; os parágrafos seguintes dissertam sobre o tema central, que é a desagregação da família brasileira.
( ) O texto deve ser classificado quanto ao gênero como resenha, por se tratar de opinião sobre um filme.
( ) A palavra acoplada,no terceiro parágrafo, poderia ser substituída, sem alteração de significado, por relacionada, mas haveria a necessidade de empregar o sinal indicativo de crase na sequência.
( ) Pode-se inferir do texto que o autor não concorda com a ideia de que a sociedade brasileira é moderna e globalizada.
( ) Na conclusão, o autor propõe genericamente algumas medidas, alguns caminhos a serem seguidos, mas é pessimista em relação ao futuro.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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- MorfologiaPronomesPronomes Demonstrativos
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Leia o texto abaixo:
O homem, como alguns insetos, vários pássaros e muitos de seus primos, os primatas, é um ser social.................... dois detalhes, no entanto, o diferenciam: a fala e o sexo feito às escondidas. Desde que o ser humano é humano, aquela tem sido usada para tornar pública a privacidade deste, sobretudo quando há em jogo algum tipo de transgressão. Em resumo, basta haver linguagem articulada e libido praticada privadamente para que haja fofocas. (…)
ASCHER, Nelson – Fofoca e bisbilhotice nascem com o homem. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1997, p. 27. Adaptação
Assinale a alternativa correta em relação ao texto.
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Leia os textos abaixo:
Texto 1
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorgeiam
Não gorgeiam como lá.
Gonçalves Dias
Texto 2
Canto de Regresso à Pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá.
Oswald de Andrade
Texto 3
Europa, França e Bahia
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a “Canção do Exílio”.
Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
Carlos Drummond de Andrade
Analise as afirmativas abaixo sobre os textos apresentados.
1. Os três textos marcam a intertextualidade, em que o texto 2 faz uma paródia do texto 1.
2. O texto 2 e 3 possuem trechos de paráfrase do texto 1.
3. Não há relação entre os três textos, porque tratam de temáticas diferentes.
4. O texto 3 está parodiando o texto 1.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Assinale a alternativa correta de acordo com a concordância.
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Assinale a alternativa em que o sinal de crase está corretamente utilizado.
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- OrtografiaEmprego de Letras e FonemasEmprego das letras E, I, O, U
- OrtografiaEmprego de Letras e FonemasEmprego da letra X
- OrtografiaProblemas da Norma Culta
Identifique a palavra correta entre as duas opções indicadas nos parenteses das frases abaixo.
1. (Trás/Traz) o almoço, por favor!
2. Como a tela era grande, usou (brochas/broxas) para pintá-la.
3. O juiz (infligirá/infringirá) uma multa muito pesada a todos os transgressores!
4. Ele se sentiu (descriminado/discriminado) por ser impedido de entrar no recinto.
5. Tiveram que sair do local, as vigas estavam soltas e o perigo era (eminente/iminente).
Assinale a alternativa que indica todas as palavras corretas.
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