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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
No trecho “a claridade da manhã desenhava o horizonte.”, nota-se a correta grafia das palavras da nossa língua.
Nas frases relacionadas a seguir, também ocorre esse respeito à norma ortográfica, EXCETO em:
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
A frase que resume a mensagem da história é:
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
No desfecho da narrativa, “a moça escolheu uma linha clara”.
O que a escolha da linha de cor clara simboliza no conto?
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.(a)
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas(b) e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte.(c) Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo.(d) Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.(e)
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
Como se pode compreender durante a narrativa, tudo o que a moça tecia ganhava vida.
O trecho que exemplifica essa afirmação é:
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro,(a) como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.(b)
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha,(c) e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta,(d) tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior(e) que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
O trecho que apresenta um elemento responsável pela continuidade dos fatos da narrativa é:
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
O fragmento “bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.” explicita, no conto, uma relação de
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
A começar pelo título “A moça tecelã”, a personagem principal do conto era chamada de “moça”. A partir de um dado momento, ela passa a ser tratada também como “mulher”.
O fato que motivou essa mudança foi o(a)
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A moça tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou o homem.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse.
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Segurou a lançadeira ao contrário, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. E novamente se viu na sua casa pequena.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.
Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.
Então, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento.
Rio de Janeiro: Global Editora, 2000. p. 18. Adaptado.
Como se sabe, em um texto narrativo as personagens geralmente têm nome.
Considerando a história de “A moça tecelã”, o fato de as personagens não apresentarem nome confere à história um sentido
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Que calorão!
O clima na Terra não é sempre igual e a temperatura aumenta e diminui de vez em quando. O grande problema é que nem sempre isso acontece naturalmente. Atualmente os cientistas estão muito preocupados porque acham que a ação do homem está fazendo o planeta ficar mais quente.
A causa disso pode ser o efeito estufa. Para entender esse fenômeno, imagine uma estufa daquelas em que se cultivam plantas. Lá dentro faz bastante calor. Com a Terra é a mesma coisa, mas, em vez de vidros, há gases na atmosfera que conservam o calor. A energia solar passa por eles e aquece a superfície do planeta. Parte dessa energia, que seria refletida para o espaço, acaba ficando na atmosfera, barrada pelos gases.
Isso é normal e, se não existisse o efeito estufa, a temperatura do planeta hoje seria cerca de −76 º Celsius.
Ninguém conseguiria viver em um lugar tão gelado e até os oceanos congelariam. Mas agora a quantidade de gases na atmosfera está aumentando e o calor também.
Bichos em perigo
O gás carbônico, por exemplo, sempre existiu, mas nunca em quantidade tão grande, pois é liberado com a queima de combustíveis como carvão, petróleo e gás natural, muito usados atualmente. Com isso a temperatura na Terra pode subir demais e esse aquecimento vai causar muitas mudanças em todo o planeta. [...]
Alguns efeitos do aquecimento exagerado já foram percebidos. O derretimento acelerado do gelo nas regiões polares, por exemplo, está prejudicando a sobrevivência de vários animais, que não conseguem caçar ou encontrar alimentos.
[...] alguns (cientistas) acreditam que mudanças no clima causaram a extinção de um sapo da Costa Rica. Para diminuir o problema é preciso usar outras fontes de energia, como o sol e o vento, que não emitem gases perigosos.
Revista Recreio. São Paulo: Abril, ano 2, n. 59, 2001.
A palavra que transmite ideia de tempo ao trecho destacado do Texto II, “atualmente os cientistas estão muito preocupados porque acham que a ação do homem está fazendo o planeta ficar mais quente”, é
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Que calorão!
O clima na Terra não é sempre igual e a temperatura aumenta e diminui de vez em quando. O grande problema é que nem sempre isso acontece naturalmente. Atualmente os cientistas estão muito preocupados porque acham que a ação do homem está fazendo o planeta ficar mais quente.
A causa disso pode ser o efeito estufa. Para entender esse fenômeno, imagine uma estufa daquelas em que se cultivam plantas. Lá dentro faz bastante calor. Com a Terra é a mesma coisa, mas, em vez de vidros, há gases na atmosfera que conservam o calor. A energia solar passa por eles e aquece a superfície do planeta. Parte dessa energia, que seria refletida para o espaço, acaba ficando na atmosfera, barrada pelos gases.
Isso é normal e, se não existisse o efeito estufa, a temperatura do planeta hoje seria cerca de −76 º Celsius.
Ninguém conseguiria viver em um lugar tão gelado e até os oceanos congelariam. Mas agora a quantidade de gases na atmosfera está aumentando e o calor também.
Bichos em perigo
O gás carbônico, por exemplo, sempre existiu, mas nunca em quantidade tão grande, pois é liberado com a queima de combustíveis como carvão, petróleo e gás natural, muito usados atualmente. Com isso a temperatura na Terra pode subir demais e esse aquecimento vai causar muitas mudanças em todo o planeta. [...]
Alguns efeitos do aquecimento exagerado já foram percebidos. O derretimento acelerado do gelo nas regiões polares, por exemplo, está prejudicando a sobrevivência de vários animais, que não conseguem caçar ou encontrar alimentos.
[...] alguns (cientistas) acreditam que mudanças no clima causaram a extinção de um sapo da Costa Rica. Para diminuir o problema é preciso usar outras fontes de energia, como o sol e o vento, que não emitem gases perigosos.
Revista Recreio. São Paulo: Abril, ano 2, n. 59, 2001.
No trecho do Texto II, “Mas agora a quantidade de gases na atmosfera está aumentando”, que palavra poderia substituir a que está destacada, sem alterar o sentido da frase?
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