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Gisele olhou o livro de receitas e decidiu fazer um bolo que precisa de três quartos de um quilo de farinha. Essa receita rende para 6 pessoas. Como ela quer fazer um bolo para 21 pessoas, vai precisar de que fração de quilo de farinha para realizar essa receita?
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Um concurso público obteve 360 candidatos inscritos para um determinado cargo que tinha 20 vagas. A razão do número de vagas oferecidas para o total de candidatos desse cargo é igual a
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Um comerciante tem estoque com 1 800 sacos de arroz. Um freguês comprou \( \dfrac{5}{12} \) desses sacos. Um segundo freguês comprou \( \dfrac{2}{3} \) do que sobrou. O total de sacos que sobraram é igual a
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
O plural de “bacalhau” (L.1) é
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- OrtografiaPontuação
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
Agora sofre o bolso de quem, para manter uma tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau na Semana Santa. (L.55-57)
Assinale a alternativa em que a pontuação tenha continuado correta com a alteração do período acima.
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
O drama da conservação da comida se repetia nas cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres, bacalhau. (L.20-23)
No período acima, há quantas ocorrências de artigo?
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
Assinale a alternativa em que, retirando-se o acento da palavra, não seja criada uma nova palavra.
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Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo. (L.33-34)
Com base no período acima, é correto afirmar que
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Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
O ideal seria praticar períodos de jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a dieta tão radical. (L.42-44)
A palavra sublinhada no período acima tem
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Bacalhau: de comida de pobre ao luxo na Semana Santa
"Para quem é, bacalhau basta." Esse é um ditado que
meu pai aprendeu na infância e gostava de repetir para a família
no afã de causar espanto – como se a mesma piada contada mil
vezes ainda tivesse alguma graça.
5 O provérbio diz respeito a uma pessoa tão reles que,
para ela, qualquer coisa está de bom tamanho. Até mesmo
bacalhau.
Uma completa baboseira quando se sabe que o
bacalhau é um alimento caro, reservado para ocasiões especiais
10 como a Semana Santa. Era essa a dissonância que meu velho
pretendia jogar no ar para os filhos.
Tínhamos uma situação bem diferente quando o pai
crescia, nos anos 1930.
A refrigeração de alimentos ainda era coisa para
15 poucos. A carne que se encontrava no mercado era charque,
porco salgado, linguiça defumada, camarão seco. Não havia
como se entregar peixe oceânico fresco em Lençóis Paulista, a
370 km de Santos (pelas rodovias que só seriam construídas
décadas depois).
20 O drama da conservação da comida se repetia nas
cidades maiores. Gelo era precioso, um luxo. Carne e peixe
frescos, só para quem podia pagar muito. Para os pobres,
bacalhau.
É fácil entender por que bacalhau era comida de gente
25 pobre. Se você o observar com um olhar desapaixonado, verá
um naco de peixe seco e fedorento, nada apetitoso.
Requer muito trabalho e algum talento converter o
bacalhau numa refeição digna. Os portugueses nos
transmitiram esse savoir-faire. Um bacalhau bem-feito é algo
30 absurdamente bom.
Tão bom que a demanda pelo peixe cresceu até
ameaçar a existência do Gadus morhua, nome científico do dito-
cujo. Escasso, tornou-se caro; caro, tornou-se cobiçado: é nesse
ponto que começa a girar o moto-perpétuo da indústria do luxo.
35 Meu pai assistiu ao vivo à ascensão social do bacalhau.
Para ele, não tinha sentido o valor que o peixe seco e fedido
adquiriu ao longo do século 20.
Aos olhos de um ateu (eu), o aburguesamento do
bacalhau expõe uma curiosa incoerência no hábito de comê-lo
40 na Semana Santa.
As restrições alimentares impostas na Quaresma têm
por finalidade a penitência. O ideal seria praticar períodos de
jejum, mas logo o clero percebeu que era baixíssima a adesão a
dieta tão radical.
45 Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de
alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo
na simbologia cristã.
Permaneceu o veto às outras carnes, pois remetem à
abundância e à celebração. O festim do cordeiro e do porco
50 ficava reservado para a Páscoa, quando a vida retomava o
compasso normal.
O bacalhau se encaixou perfeitamente no ritual de
expiação dos tempos passados. Um humilde pedaço de peixe
seco para sustentar o corpo enquanto o espírito sofria.
55 Agora sofre o bolso de quem, para manter uma
tradição desviada do sentido original, faz questão de bacalhau
na Semana Santa. O bacalhau virou a abundância, a ostentação
e a alegria que os padres se esforçaram para proibir enquanto o
Cristo está morto na cruz.
60 Eu, que espio pelo lado de fora, acho até divertido.
(Marcos Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2023/04/bacalhau-de-comida-de-pobre-ao-luxo-na-semana-santa.shtml. 7.abr.2023)
Assim, foram sendo liberadas algumas categorias de alimentos: pão, vegetais e, por fim, peixe – sempre fortíssimo na simbologia cristã. (L.45-48)
A expressão sublinhada no período acima se refere a
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