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Com uma bengala na mão e um guarda-chuva na outra, o professor de língua portuguesa Júlio César Sbarrais caminha com dificuldade pelos corredores da Escola Estadual Padre Afonso Paschotte, em Mauá, na Grande São Paulo. Enquanto os alunos aguardam o início da aula, ele abre a porta da classe caracterizado da cabeça aos pés: sapatos extravagantes, calças coloridas, maquiagem no rosto e um nariz de palhaço, fantasia caprichada para arrancar sorrisos dos estudantes da 8.ª série do ensino fundamental.
Formado em Letras e em Artes Cênicas, Júlio César é o que se pode chamar de artista- docente, expressão utilizada para denominar educadores que trabalham com a linguagem artística em suas práticas pedagógicas. Desde 2007, o professor recorre ao palhaço Tinin para tornar as suas atividades com os alunos mais lúdicas. “Há uma questão pedagógica e didática na linguagem teatral. Apesar de o palhaço ser mudo, ele passa as regras de convivência em sala de aula. Eu uso lousa e giz, mas utilizo o palhaço como uma forma de conquistar o aluno, que tem de dar conta de muita coisa. Esses projetos são válidos no sentido de amenizar a sobrecarga do conteúdo ensinado”, afirma o docente.
Frederico Guimarães. A sala é um palco. In: Sala
de aula, ed.199, nov.2013. Internet: <http://revistaeducacao.uol.com.br> (com adaptações).
No que concerne às estruturas linguísticas e gramaticais do texto acima, julgue o item.
Na linha 12, preserva-se a correção gramatical do período ao se substituir o pronome “que” por dos quais como forma de explicitação da relação entre esse pronome e o antecedente “educadores”.
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Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. Cia das Letras, 2013.
A partir da leitura do texto “Elegia 1938”, julgue o item a seguir.
Em termos gerais, um dos tipos textuais mais presentes no poema, a despeito do lirismo, é a narração.
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Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) apontam desigualdades entre as regiões brasileiras. Segundo relatório dos técnicos de Planejamento e Pesquisa do IPEA, 90% dos municípios nas categorias baixo e médio-inferior do IDEB estão localizados no Norte e no Nordeste do país. O Sul e o Sudeste possuem, respectivamente, 74% e 85% dos municípios com nota médio- superior e alta. E 47% dos municípios do Centro-Oeste apresentam notas ruins e 53%, notas boas.
Na educação, os técnicos identificaram que fatores como renda, moradia, água, esgoto, coleta de lixo e escolaridade da população do município influenciaram mais para a qualidade da nota do IDEB do que o acesso à infraestrutura pedagógica, como biblioteca escolar e laboratório de informática. E o fator que mais pode aumentar o desempenho do aluno é a escolaridade dos pais, principalmente a da mãe.
Em uma comparação entre o IDEB e o Índice das Condições Sociais (ICS), 94% dos municípios com ICS alto tiraram nota do IDEB entre alto e médio-superior. “Esses dados corroboram o entendimento de que é maior a probabilidade de se obter um resultado elevado no IDEB quando se tem um maior número de fatores sociais considerados adequados”, explica um dos autores do relatório.
Os técnicos afirmam que, na área de educação, não basta aos governos oferecerem boas escolas às crianças que se encontram à margem do acesso aos direitos básicos de cidadania, embora boas instalações e professores qualificados sejam importantes requisitos para o rendimento escolar.
Adriana Nicacio. Um novo olhar sobre a diversidade
territorial. In: Desafios do Desenvolvimento. Revista do IPEA, ano 10, n.º 77, 7/10/2013 (com adaptações).
No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o item.
Os números apresentados demonstram que há correspondência entre a nota do IDEB e a infraestrutura oferecida pela escola, confirmando que a qualidade da nota está relacionada a um fator intrínseco à escola.
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O movimento Todos pela Educação lançou, no dia 4 de dezembro de 2013, o portal Observatório, do Plano Nacional da Educação (PNE), com o objetivo de acompanharo andamento do plano, aprovado no dia 27 de novembro de 2013, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal. O projeto de lei que instituiu o programa (PLC n.º 103/2012) segue para votação em plenário em regime de urgência. Como o texto foi modificado no Senado, deve voltar à Câmara dos Deputados. É preciso ressaltar que o país está há 1.068 dias sem o PNE, uma vez que o anterior venceu em 2010 e o atual ainda está em tramitação.
O Observatório originou-se da constatação de que foram cumpridas apenas 20% das metas previstas no PNE anterior, que regeu o período de 2000 a 2010. A finalidade do Observatório é que ele seja uma ferramenta de gestão, referência para gestores públicos e educadores e instrumento para que a sociedade civil possa cobrar a consecução desse plano.
No PNE, são estabelecidas 20 metas para a educação, que contemplam desde a infantil até a formação continuada de professores, além da ampliação do investimento público no setor, a qual visa chegar a 10% do produto interno bruto (PIB) do país, no final dos dez anos de vigência da lei.
Segundo a avaliação do movimento Todos pela Educação, o PNE a ser aprovado perpassa os pontos principais da educação no país, mas ainda deixa arestas. Na meta 6, por exemplo, são definidas as diretrizes para a educação em tempo integral, a qual se desdobra em ampliação do tempo de permanência na escola, construção de escolas, recursos (infraestrutura e equipamentos, material didático e formação), articulação no território, parcerias com entidades privadas, parcerias ONG-escolas, diversidade local e tempo integral para pessoas com necessidades especiais. Uma das cobranças do Todos pela Educação é que a definição sobre a educação em tempo integral seja mais específica: não é o caso apenas de mais tempo na escola; é tempo na escola com exposição ao aprendizado.
Todos pela Educação lança portal para
monitorar PNE. Internet: <www.noticias.r7.com>, 5/12/2013 (com adaptações).
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Na linha, a forma “mas” poderia ser substituída por embora, sem prejuízo para a correção gramatical e para os sentidos originais do texto.
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Para entender a educação de hoje, nós precisamos olhar para o passado da história. Há 150 anos, pessoas trabalhavam sobre a terra, ao ar livre, com ferramentas produzidas manualmente e em pequenos grupos. Elas não viajavam muito. O trabalho quase não mudava de geração para geração. Filhas faziam o mesmo trabalho de suas mães e de suas avós e suas mães antes delas. Com as mesmas ferramentas. Elas conversavam enquanto trabalhavam. O mesmo valia para os filhos e pais e avôs. Grupos de trabalho incluíam jovens e velhos. A tecnologia para o trabalho mudava lentamente. Quando as ferramentas quebravam, as pessoas podiam consertá-las. Podemos chamar isso de Ambiente de Trabalho 1.0.
Agora, vamos olhar para as escolas daquela época. Os estudantes aprendiam na terra, ao ar livre, em pequenos grupos. Eles não viajavam muito. Usavam simples ferramentas produzidas manualmente. O trabalho em grupo incluía jovens e velhos. Pais e avós frequentavam a mesma escola e aprendiam as mesmas coisas. Nós podemos chamar isso de Educação 1.0.
Quinze anos depois, o trabalho mudou. As pessoas foram trabalhar em fábricas, com ferramentas mecânicas. Elas trabalhavam em grandes grupos, mas sozinhas em suas máquinas. Todos faziam a mesma coisa e ao mesmo tempo, durante todo o dia. Eles não podiam conversar. Usavam papel e lápis e ficavam sentados em suas mesas. Eles não eram felizes e eram supervisionados de perto. Vamos chamar isso de Ambiente de Trabalho 2.0. Esse novo trabalho exigia um novo conjunto de habilidades e um novo tipo de cidadão.
E então as escolas mudaram para acompanhar as necessidades da nova economia industrial. Estudantes se formavam em grandes grupos, com a mesma idade. Eles ficavam em lugares fechados e trabalhavam de acordo com o relógio. Usavam ferramentas mecânicas, lápis e papel. Todos faziam a mesma coisa e ao mesmo tempo e eram supervisionados de perto. Vamos chamar isso de Educação 2.0.
Agora, vamos olhar para o trabalho de hoje, no ambiente 3.0, muito diferente das fábricas. A maioria das pessoas, atualmente, trabalha em pequenos grupos. Elas resolvem problemas juntas. Usam ferramentas digitais. Elas apresentam novas ideias para o outro. Robôs fazem trabalhos mecânicos. Elas trabalham com problemas que ninguém tinha visto antes. Elas devem recorrer à química, matemática, biologia, história e literatura para solucionar problemas. Elas devem reunir informações de várias fontes, a maior parte na rede de relacionamentos, chegando a muitos formatos diferentes. Elas devem ser multitarefas. Elas conversam umas com as outras. E usam ferramentas digitais para comunicação. Trabalham com um amplo círculo de pessoas, de todo o mundo. Vamos chamar isso de Ambiente de Trabalho 3.0.
A questão de hoje para nós é: “Como deve ser a Educação 3.0 para desenvolvermos crianças e cidadãos que necessitamos formar para hoje e para amanhã?”. Qual é o seu sonho de Educação 3.0?
Jim G. Lengel. Educação 3.0. In: O Estado de S.Paulo. 7/11/2012 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
O advérbio “Agora” refere-se de forma extratextual ao século XXI.
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O movimento Todos pela Educação lançou, no dia 4 de dezembro de 2013, o portal Observatório, do Plano Nacional da Educação (PNE), com o objetivo de acompanharo andamento do plano, aprovado no dia 27 de novembro de 2013, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal. O projeto de lei que instituiu o programa (PLC n.º 103/2012) segue para votação em plenário em regime de urgência. Como o texto foi modificado no Senado, deve voltar à Câmara dos Deputados. É preciso ressaltar que o país está há 1.068 dias sem o PNE, uma vez que o anterior venceu em 2010 e o atual ainda está em tramitação.
O Observatório originou-se da constatação de que foram cumpridas apenas 20% das metas previstas no PNE anterior, que regeu o período de 2000 a 2010. A finalidade do Observatório é que ele seja uma ferramenta de gestão, referência para gestores públicos e educadores e instrumento para que a sociedade civil possa cobrar a consecução desse plano.
No PNE, são estabelecidas 20 metas para a educação, que contemplam desde a infantil até a formação continuada de professores, além da ampliação do investimento público no setor, a qual visa chegar a 10% do produto interno bruto (PIB) do país, no final dos dez anos de vigência da lei.
Segundo a avaliação do movimento Todos pela Educação, o PNE a ser aprovado perpassa os pontos principais da educação no país, mas ainda deixa arestas. Na meta 6, por exemplo, são definidas as diretrizes para a educação em tempo integral, a qual se desdobra em ampliação do tempo de permanência na escola, construção de escolas, recursos (infraestrutura e equipamentos, material didático e formação), articulação no território, parcerias com entidades privadas, parcerias ONG-escolas, diversidade local e tempo integral para pessoas com necessidades especiais. Uma das cobranças do Todos pela Educação é que a definição sobre a educação em tempo integral seja mais específica: não é o caso apenas de mais tempo na escola; é tempo na escola com exposição ao aprendizado.
Todos pela Educação lança portal para
monitorar PNE. Internet: <www.noticias.r7.com>, 5/12/2013 (com adaptações).
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Os vocábulos “Observatório”, “plenário”, “urgência” e “vigência” são acentuados em decorrência da mesma regra de acentuação gráfica.
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Prezado senhor ou senhora, residente a uma quadra da PUC, que provavelmente não sabe que seu cachorrinho está com problemas.
De uns dias para cá, durante a manhã e a tarde, temos ouvido o choro dele. Um choro fraco, que começa como um lamento, na forma de ganidos alongados, depois se torna um apelo, misturado com um ou outro latido isolado, depois evolui para um tom de reivindicação, com mais latidos do que gemidos, depois o tom se mostra indignado, com latidos um pouco mais fortes, como se reclamasse “será que ninguém me ouve?”, e em seguida com raiva, só latidos, como se perdesse a paciência e passasse a xingar, e então não lamenta mais, só xinga. Ao fim de algum tempo, ele para, como cansado; creio que descansa, talvez beba água, e recomeça. É uma pequena voz, sem volume, não terá muito alcance. Como a que tem um bebê humano deixado sozinho.
Devo dizer, senhor, senhora, que isso só acontece durante o dia, pois no fim da tarde o cãozinho se cala. Às vezes se cala na hora do almoço e recomeça um tempo depois. À noitinha silencia de verdade e só recomeça no meio da manhã seguinte.
Permito-me imaginar que o senhor ou a senhora saia para trabalhar, passe em casa na hora do almoço, volte para o trabalho, retorne no fim da tarde e a partir daí o cãozinho se aquiete, tenha companhia. Suponho que então brinque, faça festas, cumpra seu fado canino. Nesses casos, o dono, ou dona, nem fica sabendo que o bebê chorou, bradou aos céus sua indignação. O abandonado esquece, perdoa, como é próprio dos cães.
Acredito, senhor ou senhora, que esse seja o seu primeiro cachorrinho filhote; atribuo à inexperiência esse abandono durante o dia, à ignorância de que a espécie não suporta a solidão. Ele pode estar cumprindo quarentena antes de ser vacinado, prisão domiciliar, mas, perdão, nunca aceitará ficar sozinho.
Desculpe me intrometer na sua vida, senhora, senhor, mas... a sua rotina com o cão vai ser essa? Ou é uma fase, falta de empregada, filhos ausentes?... Pergunto porque, se o senhor ou a senhora não precisa de companhia durante o dia, ele precisa de alguma.
O cão de companhia é assim: um carente que supre a carência do dono. É como um casamento: quando um não comparece, está na hora de discutir a relação. É o que ele está fazendo.
Atenciosamente...
A partir das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
No segundo parágrafo do texto, é possível identificar um procedimento figurativo relacionado à personificação do cãozinho.
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Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) apontam desigualdades entre as regiões brasileiras. Segundo relatório dos técnicos de Planejamento e Pesquisa do IPEA, 90% dos municípios nas categorias baixo e médio-inferior do IDEB estão localizados no Norte e no Nordeste do país. O Sul e o Sudeste possuem, respectivamente, 74% e 85% dos municípios com nota médio- superior e alta. E 47% dos municípios do Centro-Oeste apresentam notas ruins e 53%, notas boas.
Na educação, os técnicos identificaram que fatores como renda, moradia, água, esgoto, coleta de lixo e escolaridade da população do município influenciaram mais para a qualidade da nota do IDEB do que o acesso à infraestrutura pedagógica, como biblioteca escolar e laboratório de informática. E o fator que mais pode aumentar o desempenho do aluno é a escolaridade dos pais, principalmente a da mãe.
Em uma comparação entre o IDEB e o Índice das Condições Sociais (ICS), 94% dos municípios com ICS alto tiraram nota do IDEB entre alto e médio-superior. “Esses dados corroboram o entendimento de que é maior a probabilidade de se obter um resultado elevado no IDEB quando se tem um maior número de fatores sociais considerados adequados”, explica um dos autores do relatório.
Os técnicos afirmam que, na área de educação, não basta aos governos oferecerem boas escolas às crianças que se encontram à margem do acesso aos direitos básicos de cidadania, embora boas instalações e professores qualificados sejam importantes requisitos para o rendimento escolar.
Adriana Nicacio. Um novo olhar sobre a diversidade
territorial. In: Desafios do Desenvolvimento. Revista do IPEA, ano 10, n.º 77, 7/10/2013 (com adaptações).
No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o item.
De acordo com o texto, os números apresentados no relatório dos técnicos do IPEA evidenciam desigualdade entre as regiões brasileiras no quesito educação.
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Quando se pensa em educação popular, logo se recorre às ideias do educador e escritor Paulo Freire, que, durante toda a sua vida, se dedicou à questão do educar para a vida, por meio de uma educação voltada para a formação do indivíduo crítico, criativo e participante na sociedade.
Na visão de Paulo Freire, a educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é a prática da dominação, implica a negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como a negação do mundo como uma realidade ausente dos homens. Os caminhos da libertação só estabelecem sujeitos livres, e a prática da liberdade só pode concretizar-se em uma pedagogia em que o oprimido tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica.
Observe-se que o ser humano, nessa modalidade de educação, é um sujeito que não deve somente estar no mundo, mas com o mundo, ou seja, fazer parte dessa imensa esfera giratória, não apenas vivendo, mas construindo sua própria identidade e intervindo no melhoramento de suas condições como cidadão e buscando o direito de construir uma cidadania justa e igualitária.
Paulo Freire acreditava que a melhor maneira de se ensinar é defender com seriedade e apaixonadamente uma posição, estimulando e respeitando, ao mesmo tempo, o direito ao discurso contrário. Nisso reside o dever de lutar pelas próprias ideias e, ao mesmo tempo, o respeito mútuo.
Para o autor, o problema central do homem não era o simples alfabetizar, mas fazer com que o homem assumisse sua dignidade como detentor de uma cultura própria, capaz de fazer história. O homem que detém a crença em si mesmo é capaz de dominar os instrumentos de ação à sua disposição, incluindo a leitura, dos livros e do mundo.
Paulo Freire. A educação como prática da liberdade.
23.ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999 [Resenha]. In: Internet: <www.webartigos.com> (com adaptações).
Com referência às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Na linha 8, a forma verbal “implica” aceita dupla regência, razão pela qual pode ser seguida por “a”, como no texto, ou por na, ao reger o elemento “negação”.
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Com uma bengala na mão e um guarda-chuva na outra, o professor de língua portuguesa Júlio César Sbarrais caminha com dificuldade pelos corredores da Escola Estadual Padre Afonso Paschotte, em Mauá, na Grande São Paulo. Enquanto os alunos aguardam o início da aula, ele abre a porta da classe caracterizado da cabeça aos pés: sapatos extravagantes, calças coloridas, maquiagem no rosto e um nariz de palhaço, fantasia caprichada para arrancar sorrisos dos estudantes da 8.ª série do ensino fundamental.
Formado em Letras e em Artes Cênicas, Júlio César é o que se pode chamar de artista- docente, expressão utilizada para denominar educadores que trabalham com a linguagem artística em suas práticas pedagógicas. Desde 2007, o professor recorre ao palhaço Tinin para tornar as suas atividades com os alunos mais lúdicas. “Há uma questão pedagógica e didática na linguagem teatral. Apesar de o palhaço ser mudo, ele passa as regras de convivência em sala de aula. Eu uso lousa e giz, mas utilizo o palhaço como uma forma de conquistar o aluno, que tem de dar conta de muita coisa. Esses projetos são válidos no sentido de amenizar a sobrecarga do conteúdo ensinado”, afirma o docente.
Frederico Guimarães. A sala é um palco. In: Sala
de aula, ed.199, nov.2013. Internet: <http://revistaeducacao.uol.com.br> (com adaptações).
No que concerne às estruturas linguísticas e gramaticais do texto acima, julgue o item.
As palavras “língua”, “Júlio”, “início”, “série” e “convivência” são classificadas ora como paroxítonas terminadas em ditongo crescente, ora como proparoxítonas eventuais ou relativas.
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