Foram encontradas 435 questões.
Para responder à questão, leia o poema “Urge
o tempo” de Gonçalves Dias (1823-1864).
Urge o tempo, os anos vão correndo,
Mudança eterna os seres afadiga!
O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho,
Quem vive, o que vegeta, vai tomando
Aspectos novos, nova forma, enquanto
Gira no espaço e se equilibra a terra.
Tudo se muda, tudo se transforma;
O espírito, porém, como centelha,
Que vai lavrando solapada e oculta,
Até que enfim se torna incêndio e chamas,
Quando rompe os andrajos morredouros,
Mais claro brilha, e aos céus consigo arrasta
Quanto sentiu, quanto sofreu na terra.
Tudo se muda aqui! Somente o afeto,
Que se gera e se nutre em almas grandes,
Não acaba, nem muda; vai crescendo,
Co’o tempo avulta, mais aumenta em forças
E a própria morte o purifica e alinda.
Semelha estátua erguida entre ruínas,
Firme na base, intacta, inda mais bela
Depois que o tempo a rodeou de estragos.
DIAS, Gonçalves. Cantos. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
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Para responder à questão, leia a crônica
“Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo.
A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe
se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha
adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia
alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não
lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi
ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o
mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava
até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e
naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o
chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros
que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias
conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de
cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não
conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a
ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor,
como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as
paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama,
refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado.
Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe
disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde
sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que
ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro
novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você
parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a
casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e
disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco
– apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou
a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e
fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa
de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o
pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma
coisa. Catorze anos é fogo.
VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.
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“Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo.
A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe
se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha
adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia
alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não
lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi
ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o
mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava
até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e
naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o
chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros
que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias
conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de
cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não
conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a
ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor,
como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as
paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama,
refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado.
Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe
disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde
sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que
ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro
novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você
parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a
casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e
disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco
– apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou
a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e
fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa
de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o
pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma
coisa. Catorze anos é fogo.
VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.
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Para responder à questão, leia a crônica
“Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo.
A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe
se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha
adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia
alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não
lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi
ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o
mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava
até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e
naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o
chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros
que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias
conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de
cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não
conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a
ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor,
como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as
paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama,
refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado.
Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe
disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde
sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que
ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro
novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você
parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a
casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e
disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco
– apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou
a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e
fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa
de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o
pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma
coisa. Catorze anos é fogo.
VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.
I. “havia alguma coisa diferente dos outros verões”.
II. “Naquela noite a filha leu um pouco”.
III. “Catorze anos é fogo”.
Verifica-se o emprego de linguagem figurada apenas em
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Para responder à questão, leia a crônica
“Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo.
A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe
se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha
adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia
alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não
lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi
ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o
mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava
até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e
naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o
chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros
que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias
conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de
cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não
conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a
ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor,
como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as
paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama,
refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado.
Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe
disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde
sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que
ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro
novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você
parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a
casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e
disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco
– apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou
a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e
fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa
de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o
pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma
coisa. Catorze anos é fogo.
VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013. Adaptado.
Ocorre o chamado discurso indireto livre no seguinte trecho da crônica:
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Leia o texto para responder à questão.
Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
edição digital. Adaptado.
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Leia o texto para responder à questão.
Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
edição digital. Adaptado.
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Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
edição digital. Adaptado.
I. O trecho sublinhado em “basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da frente” está corretamente substituído do seguinte modo: “tirar-lhe”.
II. Em “a aceleração tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que demandam sempre nosso engajamento e mais trabalho”, a supressão da vírgula altera o sentido do trecho.
III. Sem prejuízo para o sentido, o trecho “um pano de fundo que sustenta a virtualidade das relações” está corretamente reescrito da seguinte forma: um pano de fundo no qual se sustenta relações virtuais.
Está correto o que se afirma apenas em
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Leia o texto para responder à questão.
Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
edição digital. Adaptado.
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Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
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