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Foram encontradas 310 questões.

1042391 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

No final de 1865, d. Pedro II solicitou a José Antônio Pimenta Bueno, futuro visconde, depois marquês de São Vicente, que realizasse estudos preliminares e elaborasse propostas de ação legislativa visando à emancipação dos escravos. O trabalho de Pimenta Bueno seria depois discutido em sessões do Conselho de Estado pleno. O objetivo do esforço era dotar o governo de projeto de lei sobre emancipação a ser submetido à discussão e aprovação do Legislativo. Pimenta Bueno concluiu a tarefa em janeiro de 1866. Todavia, as dificuldades da guerra com o Paraguai e a resistência do chefe de gabinete na ocasião, o marquês de Olinda − escravocrata raivoso e empedernido −, fizeram com que o assunto fosse engavetado por alguns meses. Em meados de 1866, o interesse do imperador em promover o debate sobre o problema da escravidão recebeu novo alento com a correspondência enviada por uma prestigiosa sociedade abolicionista francesa, a Comité pour l'Abolition de l'Esclavage, solicitando-lhe que usasse o seu poder e influência para abolir a escravidão no Brasil. A resposta, assinada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, indicava que o novo gabinete liberal, liderado por Zacarias de Góes e Vasconcellos, estava pronto para promover a causa. A emancipação no Brasil parecia coisa decidida, sendo apenas questão de forma e oportunidade.

A resposta enviada aos abolicionistas franceses surpreendeu políticos e grandes proprietários. Foi, na verdade, a moldura para os debates sobre o trabalho de Pimenta Bueno, então visconde de São Vicente, no Conselho de Estado, em abril de 1867. Os conselheiros estavam numa situação delicada. Confrontados com a determinação do imperador em fazer caminhar o problema da emancipação, ficavam talvez inibidos em opor resistência decidida à iniciativa, por mais que esta fosse de encontro às suas convicções mais íntimas. O resultado dessa tensão entre conveniência política e convicções escravocratas foi a formulação, por parte da maioria dos conselheiros, de argumentos sibilinos destinados a concordar com o imperador em que a emancipação era questão decidida, ao mesmo tempo que sustentavam a opinião de que nada devia ser feito sobre o assunto.

(Sidney Chalhoub. Escravidão e cidadania: a experiência histórica de 1871. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p.139 e 140)

A resposta aos abolicionistas franceses

 

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1042389 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena, fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado: "Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita, falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal de comunicação para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma crítica ou reflexão pausada. "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.

Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.

(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)

O termo inicial do segundo parágrafo foi omitido, como o indica o uso dos colchetes. A coerência do texto exige que essa lacuna seja preenchida com a seguinte formulação, seguida da necessária vírgula:

 

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1042388 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

Entrevista
Otaviano Canuto

O Brasil é considerado, pelo Banco Mundial, um país com renda por habitante de nível médio para alto. Esse status foi confirmado em 1987 e ameaçado pela última vez em 2002. Estamos na faixa de renda por habitante entre US$ 4 mil e US$ 12.500 por ano. Por esse critério, parecemos bem próximos dos cerca de 30 países ricos da mesma classificação. Mas há um obstáculo no caminho. [...]

ÉPOCA – O Brasil corre hoje o risco de ficar preso numa armadilha de baixo crescimento?
Otaviano Canuto – Acho que ele é baixo hoje, mas o Brasil corre esse risco se não avançar no ritmo necessário para a educação de qualidade. [...] Além disso, precisa recuperar a capacidade de investir em infraestrutura, a tradicional – transportes, energia – e a avançada, de telecomunicações. Esse atraso, aliás, pode ser visto como problema e oportunidade. Se as deficiências de infraestrutura forem enfrentadas, o efeito em aumento de produtividade e redução dos gargalos será tamanho que abrirá oportunidade de o país continuar crescendo substancialmente. No caso da infraestrutura, quanto mais o Brasil perseguir a criação de campeões nacionais nessas áreas, maior é o risco de deixar para trás o usufruto e o potencial produtivo do acesso às novas tecnologias para todos [...].

ÉPOCA – Mas o país foi bem-sucedido ao passar de economia de baixa renda para média renda. Por que o processo não continuaria?
Otaviano Canuto – Aí é que está: isso não é um processo contínuo. É o que se conclui da observação dos países na história recente que fizeram a transição para a renda alta. Não são muitos. [...] Entre esses, há sete que servem mesmo como referência: Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Israel e Ilhas Maurício, além de Hong Kong e Taiwan, que no Banco Mundial tratamos como parte da China. [...]

ÉPOCA – Como funciona o salto, da média renda para a alta renda?
Otaviano Canuto – O que caracteriza aqueles sete casos que mencionei que servem de exemplo? Em todos eles, a partir de certo momento, foi esgotado o filão da simples transferência de gente (entre setores e do campo para a cidade). Esses países foram para o outro estágio, em que a mão de obra precisa ser muito educada. Mas não basta fazer o esforço educacional se não houver um escoadouro da mão de obra para atividades de maior conteúdo tecnológico. Houve a criação local de capacidade de gestão, de organização de processos de produção, em setores com alto valor de mercado na economia mundial. A transição da média renda para a renda alta acontece quando uma parcela crescente da população é ocupada com atividades no alto da escala de sofisticação tecnológica. Elas exigem manejo de tecnologia, a adaptação, a inovação em processos e produtos. No Brasil, você tem altas capacidades tecnológicas e gerenciais [...]. Mas a proporção dessas atividades não é alta o suficiente para puxar para cima a renda média do país.

(CORONATO, Marcos. Entrevista [com Otaviano Canuto]. ÉPOCA. São Paulo: Editora Globo, 21 de janeiro de 2013, p. 34 e 36)

A análise da primeira sequência do diálogo autoriza a seguinte afirmação:

 

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1042387 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

Entrevista
Otaviano Canuto

O Brasil é considerado, pelo Banco Mundial, um país com renda por habitante de nível médio para alto. Esse status foi confirmado em 1987 e ameaçado pela última vez em 2002. Estamos na faixa de renda por habitante entre US$ 4 mil e US$ 12.500 por ano. Por esse critério, parecemos bem próximos dos cerca de 30 países ricos da mesma classificação. Mas há um obstáculo no caminho. [...]

ÉPOCA – O Brasil corre hoje o risco de ficar preso numa armadilha de baixo crescimento?
Otaviano Canuto – Acho que ele é baixo hoje, mas o Brasil corre esse risco se não avançar no ritmo necessário para a educação de qualidade. [...] Além disso, precisa recuperar a capacidade de investir em infraestrutura, a tradicional – transportes, energia – e a avançada, de telecomunicações. Esse atraso, aliás, pode ser visto como problema e oportunidade. Se as deficiências de infraestrutura forem enfrentadas, o efeito em aumento de produtividade e redução dos gargalos será tamanho que abrirá oportunidade de o país continuar crescendo substancialmente. No caso da infraestrutura, quanto mais o Brasil perseguir a criação de campeões nacionais nessas áreas, maior é o risco de deixar para trás o usufruto e o potencial produtivo do acesso às novas tecnologias para todos [...].

ÉPOCA – Mas o país foi bem-sucedido ao passar de economia de baixa renda para média renda. Por que o processo não continuaria?
Otaviano Canuto – Aí é que está: isso não é um processo contínuo. É o que se conclui da observação dos países na história recente que fizeram a transição para a renda alta. Não são muitos. [...] Entre esses, há sete que servem mesmo como referência: Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Israel e Ilhas Maurício, além de Hong Kong e Taiwan, que no Banco Mundial tratamos como parte da China. [...]

ÉPOCA – Como funciona o salto, da média renda para a alta renda?
Otaviano Canuto – O que caracteriza aqueles sete casos que mencionei que servem de exemplo? Em todos eles, a partir de certo momento, foi esgotado o filão da simples transferência de gente (entre setores e do campo para a cidade). Esses países foram para o outro estágio, em que a mão de obra precisa ser muito educada. Mas não basta fazer o esforço educacional se não houver um escoadouro da mão de obra para atividades de maior conteúdo tecnológico. Houve a criação local de capacidade de gestão, de organização de processos de produção, em setores com alto valor de mercado na economia mundial. A transição da média renda para a renda alta acontece quando uma parcela crescente da população é ocupada com atividades no alto da escala de sofisticação tecnológica. Elas exigem manejo de tecnologia, a adaptação, a inovação em processos e produtos. No Brasil, você tem(d) altas capacidades tecnológicas e gerenciais [...]. Mas a proporção dessas atividades não é alta o suficiente para puxar para cima a renda média do país.

(CORONATO, Marcos. Entrevista [com Otaviano Canuto]. ÉPOCA. São Paulo: Editora Globo, 21 de janeiro de 2013, p. 34 e 36)

Assinale a alternativa que contém comentário correto sobre a terceira sequência da entrevista.

 

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1042386 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena, fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado: "Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita, falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal de comunicação para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma crítica ou reflexão pausada. "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.

Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.

(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)

Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade.

A frase em que se nota emprego de vírgula determinado pelo mesmo motivo que definiu sua presença no segmento destacado acima é:

 

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1042384 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP
Assinale a alternativa que contém enunciado redigido de forma clara e correta.

 

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1042382 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena, fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado: "Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita, falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal de comunicação para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma crítica ou reflexão pausada. "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.

Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.

(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)

Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer.

É legítimo afirmar que, na frase acima,

 

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1042381 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena, fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado: "Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita, falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal de comunicação para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma crítica ou reflexão pausada. "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.

Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.

(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)

Considerado o contexto, a frase em que a ação destacada, tendo ocorrido no passado, é referida como sendo anterior a outra ação igualmente passada é:

 

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1042380 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

Desespero de causa

As manifestações que deslancharam a Primavera Árabe tiveram início num ato isolado de desespero. Em dezembro de 2010, o tunisiano Mohamed Bouazizi ateou fogo ao corpo e desencadeou uma revolta contra a situação econômica em seu país, onde o desemprego afligia um quarto da população.

Tendem ao simplismo, como se sabe, as explicações puramente econômicas para eventos sociais(a). São ainda menos consistentes as tentativas de atribuir um motivo genérico e unilateral a reações eminentemente complexas, como as que atravessam a psicologia e a história peculiar a cada indivíduo(b).

Contra o pano de fundo do desemprego estrutural, o ato de desespero do jovem tunisiano surgiu após os violentos achaques da polícia, aos quais ele era submetido por tentar a sobrevivência como vendedor ambulante sem licença(c).

Autoritarismo, repressão, conflitos religiosos e economia misturaram-se naquele momento, e seria incerto transferir esse quadro específico para os países europeus, por exemplo, onde a crise tem determinado índices similares de desemprego(d), e ainda mais elevados entre os jovens.

O desespero, entretanto, não é menor no mundo desenvolvido e produz efeitos equivalentes, no plano individual, aos que se abateram sobre o ambulante da Tunísia(e).
[...]

Não é apenas a privação econômica, certamente grave, mas ainda assim amenizada por décadas de progresso social, o que se abate sobre largas parcelas da população nos países desenvolvidos.

A ausência de perspectivas, especialmente entre os mais jovens, propicia uma sensação psicológica em que o indivíduo se vê como que dispensado de prosseguir numa vida útil, diante de um mecanismo impessoal e cego, que a esfera política só aparentemente se acha em condições de administrar.

Talvez seja exagero prever uma "Primavera Europeia" em países como Espanha, Grécia e Portugal, caso ali persistam os atuais índices de desemprego. É inegável, entretanto, que pouco se tem feito para dissipar tamanho surto de aflições.

(Folha de S.Paulo, opinião, p. 2A, 7/ 11/2012)

Unidades do texto, abaixo identificadas, tiveram redação alterada. A única transformação que, no contexto, preserva a correção − segundo o padrão culto escrito − e manifesta equivalência com o sentido original é:

 

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1042378 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: SEFAZ-SP

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

No final de 1865, d. Pedro II solicitou a José Antônio Pimenta Bueno, futuro(I) visconde, depois marquês de São Vicente, que realizasse estudos preliminares e elaborasse propostas de ação legislativa visando à emancipação dos escravos. O trabalho de Pimenta Bueno seria depois discutido em sessões do Conselho de Estado pleno(III). O objetivo do esforço era dotar o governo de projeto de lei sobre emancipação a ser submetido à discussão e aprovação do Legislativo. Pimenta Bueno concluiu a tarefa em janeiro de 1866. Todavia, as dificuldades da guerra com o Paraguai e a resistência do chefe de gabinete na ocasião, o marquês de Olinda − escravocrata raivoso e empedernido −, fizeram com que o assunto fosse engavetado por alguns meses. Em meados de 1866, o interesse do imperador em promover o debate sobre o problema da escravidão recebeu novo alento com a correspondência enviada por uma prestigiosa sociedade abolicionista francesa, a Comité pour l'Abolition de l'Esclavage, solicitando-lhe que usasse o seu poder e influência(II) para abolir a escravidão no Brasil. A resposta, assinada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, indicava que o novo gabinete liberal, liderado por Zacarias de Góes e Vasconcellos, estava pronto para promover a causa. A emancipação no Brasil parecia coisa decidida, sendo apenas questão de forma e oportunidade.

A resposta enviada aos abolicionistas franceses surpreendeu políticos e grandes proprietários. Foi, na verdade, a moldura para os debates sobre o trabalho de Pimenta Bueno, então(I) visconde de São Vicente, no Conselho de Estado, em abril de 1867. Os conselheiros estavam numa situação delicada. Confrontados com a determinação do imperador em fazer caminhar o problema da emancipação, ficavam talvez inibidos em opor resistência decidida à iniciativa, por mais que esta fosse de encontro às suas convicções mais íntimas. O resultado dessa tensão entre conveniência política e convicções escravocratas foi a formulação, por parte da maioria dos conselheiros, de argumentos sibilinos destinados a concordar com o imperador em que a emancipação era questão decidida, ao mesmo tempo que sustentavam a opinião de que nada devia ser feito sobre o assunto.

(Sidney Chalhoub. Escravidão e cidadania: a experiência histórica de 1871. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p.139 e 140)

Considere as seguintes afirmações:

I. Embora tenham significados distintos, as palavras futuro e então remetem a um mesmo período da vida de Pimenta Bueno.

II. A depender da articulação entre o termo destacado em o seu poder e influência e outras partes da frase, são possíveis duas leituras.

III. Está correta a grafia da palavra destacada em sessões do Conselho de Estado pleno, assim como o está a destacada em “Você encontrará os dados na segunda secção do primeiro capítulo”.

Está correto o que se afirma em

 

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