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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações


Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir.

Depreende-se do texto que a pesquisa arqueológica deve prescindir de fontes documentais e concentrar-se na avaliação de achados materiais.
 

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920689 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: STJ

A um coronel que se queixava da vida de quartel, um jornalista disse:

— E o senhor não sabe como é chato militar na imprensa.

Sírio Possenti. Os humores da língua. São Paulo: Mercado de Letras, 1998, p. 86.

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima, julgue o item a seguir.



Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima,
julgue os itens a seguir.
O trecho “A um coronel que se queixava da vida de quartel” poderia ser assim reescrito, sem prejuízo para a correção gramatical do texto: Para um coronel que queixava-se da vida em quartel.
 

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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
O trecho “jamais poderiam localizá-la" (L20) poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: jamais a poderiam localizar.
 

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920687 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: STJ

A um coronel que se queixava da vida de quartel, um jornalista disse:

— E o senhor não sabe como é chato militar na imprensa.

Sírio Possenti. Os humores da língua. São Paulo: Mercado de Letras, 1998, p. 86.

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima, julgue o item a seguir.



Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima,
julgue os itens a seguir.
O emprego do vocábulo “chato”, cujo sentido é pejorativo, é inadequado ao gênero do texto em questão.
 

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920686 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: STJ

Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
A pergunta às linhas 16-17 poderia ser suprimida do texto sem prejuízo para a sua coerência.
 

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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
Na linha 37, é obrigatório o emprego da vírgula após o travessão.
 

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920682 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
Na linha 23, o ponto final após “rolos" poderia ser substituído por ponto e vírgula, desde que o termo “Quantas" fosse grafado com minúscula: quantas.
 

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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
Na linha 7, “cujos" expressa uma relação de posse.
 

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Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III

a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita

para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As

escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos

maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de

arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca

imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,

contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que

se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do

enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por

rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,

atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.

Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas

paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de

Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas

paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma

de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os

arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de

Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance

das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não

levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação

dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca

estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas

de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a

materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a

reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores

de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,

transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de

comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da

cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de

comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época

determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular

de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na

Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o

cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias

—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto

a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e

o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da

que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos

impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito

comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem

um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.

Compreender, portanto, como tais materialidades influem na

elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender

como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações



Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
A preposição “para", em “para a discussão" (L.3) e em “para colecionar livros" (L.23), introduz expressão que exprime finalidade.
 

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920679 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: STJ
enunciado 920679-1

Julgue os itens de 6 a 8, relativos às estruturas linguísticas do texto
acima.
Mantendo-se a correção gramatical do texto, o trecho “Carregar cerca de vinte litros de água sobre a cabeça implica, na verdade, um esforço físico considerável” (L.8-10) poderia ser reescrito da seguinte forma: Para que se carreguem aproximadamente vinte litros d’água na cabeça, requer-se, na realidade, um imenso esforço físico.
 

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