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Dentre as competências do Estado do Paraná previstas na Constituição Estadual, em relação aos assuntos e condições nela estabelecidos, está a possibilidade de legislar concorrentemente ou complementarmente sobre os assuntos que lhe são peculiares.
Com base nessa afirmação, considere as seguintes afirmativas:
1. Inexistindo lei federal sobre as normas gerais, o Estado poderá exercer competência legislativa plena para atender às suas peculiaridades.
2. O Estado, no exercício de sua competência suplementar, observará as normas gerais estabelecidas pela União.
3. A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrária.
4. O Estado pode legislar suplementarmente sobre o disposto em lei federal, desde que a proposta legislativa seja oriunda do Poder Executivo.
Assinale a alternativa correta.
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Considere as seguintes premissas:
Calvino escreveu “o visconde partido ao meio” ou Malraux escreveu “a morte do leão”.
Se Saramago escreveu “ensaio sobre a cegueira” então Rimbaud escreveu “a batalha”.
Se Malraux escreveu “a morte do leão” então Rimbaud não escreveu “a batalha”.
Saramago escreveu “ensaio sobre a cegueira”.
Conclui-se que:
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A atrofia virtual dos sentidos
Vivemos hoje o paradoxo entre a exuberância na oferta de meios para ouvir música – e para se comunicar nos mais diferentes níveis hierárquicos – e uma atrofia na qualidade da experiência sonora e musical. Digo isso constatando que cada vez se ouve um número menor de músicas e de uma forma pouco recomendada. À medida que as ofertas tecnológicas em comunicação se multiplicam num leque amplo de equipamentos, protocolos e linguagens codificadas, observa-se um movimento contrário, uma guetização, uma segmentação extrema que termina por apartar as diferenças e criar nichos praticamente secretos de acesso e fruição. Ou seja, além das esferas facilitadoras de consumo, de simplificação prática das tarefas do dia-a-dia, em que medida a capacidade de comunicação está realmente se ampliando? À primeira vista, parece que toda essa facilitação traz um verdadeiro avanço e ganho na comunicação social, embora uma característica básica da linguagem digital seja a de operar por faixas, por grupos, por segmentação.
Com relação à escuta, a multiplicação dos equipamentos que num primeiro momento ofereciam uma qualidade baixa na gravação e reprodução digital, hoje oferece a qualidade que o dinheiro de cada um puder comprar, sem restrições. Essa miniaturização e compactação com que operam se reverteria em uma maior capacidade e qualidade na experiência musical do consumidor.
No entanto alguns aspectos de sua utilização chamam a atenção. O caso dos fones de ouvido, do tocador portátil, por exemplo. Além de nocivos ao aparelho auditivo, os fones isolam a pessoa do ambiente externo. Assim, a atrofia da escuta se verifica em dois pontos: tomando os sites na Internet como fonte provedora de informação musical, a experiência da descoberta de músicos, estilos, grupos por meio da própria presença em shows, apresentações, se restringe, sendo direcionada apenas para aqueles grupos bem cotados nos sites de download. É uma ilusão achar que as pessoas, em sua grande maioria, navegam na Internet em busca do desconhecido – muito pelo contrário.
O segundo ponto que gera atrofia na escuta é fisiológico mesmo. O massacrante número de horas em que o indivíduo passa colado aos fones de ouvido diminui a capacidade quantitativa e qualitativa da percepção sonora. O músculo do ouvido, literalmente, se enrijece.
(TRAGTENBERG, Lívio. Folha de S. Paulo, 16 abr. 2006.)
Indique a alternativa que NÃO apresenta problema de grafia.
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A atrofia virtual dos sentidos
Vivemos hoje o paradoxo entre a exuberância na oferta de meios para ouvir música – e para se comunicar nos mais diferentes níveis hierárquicos – e uma atrofia na qualidade da experiência sonora e musical. Digo isso constatando que cada vez se ouve um número menor de músicas e de uma forma pouco recomendada. À medida que as ofertas tecnológicas em comunicação se multiplicam num leque amplo de equipamentos, protocolos e linguagens codificadas, observa-se um movimento contrário, uma guetização, uma segmentação extrema que termina por apartar as diferenças e criar nichos praticamente secretos de acesso e fruição. Ou seja, além das esferas facilitadoras de consumo, de simplificação prática das tarefas do dia-a-dia, em que medida a capacidade de comunicação está realmente se ampliando? À primeira vista, parece que toda essa facilitação traz um verdadeiro avanço e ganho na comunicação social, embora uma característica básica da linguagem digital seja a de operar por faixas, por grupos, por segmentação.
Com relação à escuta, a multiplicação dos equipamentos que num primeiro momento ofereciam uma qualidade baixa na gravação e reprodução digital, hoje oferece a qualidade que o dinheiro de cada um puder comprar, sem restrições. Essa miniaturização e compactação com que operam se reverteria em uma maior capacidade e qualidade na experiência musical do consumidor.
No entanto alguns aspectos de sua utilização chamam a atenção. O caso dos fones de ouvido, do tocador portátil, por exemplo. Além de nocivos ao aparelho auditivo, os fones isolam a pessoa do ambiente externo. Assim, a atrofia da escuta se verifica em dois pontos: tomando os sites na Internet como fonte provedora de informação musical, a experiência da descoberta de músicos, estilos, grupos por meio da própria presença em shows, apresentações, se restringe, sendo direcionada apenas para aqueles grupos bem cotados nos sites de download. É uma ilusão achar que as pessoas, em sua grande maioria, navegam na Internet em busca do desconhecido – muito pelo contrário.
O segundo ponto que gera atrofia na escuta é fisiológico mesmo. O massacrante número de horas em que o indivíduo passa colado aos fones de ouvido diminui a capacidade quantitativa e qualitativa da percepção sonora. O músculo do ouvido, literalmente, se enrijece.
(TRAGTENBERG, Lívio. Folha de S. Paulo, 16 abr. 2006.)
O texto explora a relação entre “atrofia” e “exuberância” observada em vários aspectos. Identifique as alternativas que caracterizam adequadamente o pensamento do autor quanto à atrofia e exuberância na experiência musical.
1. Atrofia: as pessoas conhecem músicos e estilos não por frequentarem shows, mas por fazerem buscas em alguns sites da Internet.
2. Exuberância: os aparelhos usados para a reprodução sonora são cada vez maiores, mais potentes e sofisticados.
3. Atrofia: o uso inadequado e prolongado de fones de ouvido reduz a capacidade auditiva tanto qualitativa quanto quantitativamente.
4. Exuberância: as pessoas têm atualmente à disposição uma imensa variedade de equipamentos digitais.
5. Exuberância: o uso de fones de ouvido, ao isolar o indivíduo do ambiente, permite que ele se concentre na percepção de todas as nuanças das músicas que ouve.
Assinale a alternativa correta.
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A atrofia virtual dos sentidos
Vivemos hoje o paradoxo entre a exuberância na oferta de meios para ouvir música – e para se comunicar nos mais diferentes níveis hierárquicos – e uma atrofia na qualidade da experiência sonora e musical. Digo isso constatando que cada vez se ouve um número menor de músicas e de uma forma pouco recomendada. À medida que as ofertas tecnológicas em comunicação se multiplicam num leque amplo de equipamentos, protocolos e linguagens codificadas, observa-se um movimento contrário, uma guetização, uma segmentação extrema que termina por apartar as diferenças e criar nichos praticamente secretos de acesso e fruição. Ou seja, além das esferas facilitadoras de consumo, de simplificação prática das tarefas do dia-a-dia, em que medida a capacidade de comunicação está realmente se ampliando? À primeira vista, parece que toda essa facilitação traz um verdadeiro avanço e ganho na comunicação social, embora uma característica básica da linguagem digital seja a de operar por faixas, por grupos, por segmentação.
Com relação à escuta, a multiplicação dos equipamentos que num primeiro momento ofereciam uma qualidade baixa na gravação e reprodução digital, hoje oferece a qualidade que o dinheiro de cada um puder comprar, sem restrições. Essa miniaturização e compactação com que operam se reverteria em uma maior capacidade e qualidade na experiência musical do consumidor.
No entanto alguns aspectos de sua utilização chamam a atenção. O caso dos fones de ouvido, do tocador portátil, por exemplo. Além de nocivos ao aparelho auditivo, os fones isolam a pessoa do ambiente externo. Assim, a atrofia da escuta se verifica em dois pontos: tomando os sites na Internet como fonte provedora de informação musical, a experiência da descoberta de músicos, estilos, grupos por meio da própria presença em shows, apresentações, se restringe, sendo direcionada apenas para aqueles grupos bem cotados nos sites de download. É uma ilusão achar que as pessoas, em sua grande maioria, navegam na Internet em busca do desconhecido – muito pelo contrário.
O segundo ponto que gera atrofia na escuta é fisiológico mesmo. O massacrante número de horas em que o indivíduo passa colado aos fones de ouvido diminui a capacidade quantitativa e qualitativa da percepção sonora. O músculo do ouvido, literalmente, se enrijece.
(TRAGTENBERG, Lívio. Folha de S. Paulo, 16 abr. 2006.)
Para o autor, a experiência musical das pessoas na atualidade é:
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O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se do editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no dia da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
O quinto centenário
Há 500 anos, a nau capitânia do navegador português Pedro Álvares Cabral aportava na região da atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Decerto tratou-se do início de uma história relevante, a história do Brasil branco, porque existe uma outra para ser contada a respeito dos vários povos indígenas que aqui habitavam desde remotos tempos.
Na época estavam os portugueses mais interessados nos lucros do comércio ultramarino de especiarias. Dominavam uma rota alternativa de comércio, contornando o Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para chegar ao Oriente. Não foi à toa que a expedição de Cabral permaneceu nas terras brasileiras apenas alguns dias, para tomar posse efetiva de uma porção de terras que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia aos portugueses. Foi apenas uma parada em uma viagem que tinha como destino Calicute, na Índia. [...]
Mas não é preciso cobrar rigor historiográfico das comemorações que ocorrem na data de hoje sobre os 500 anos da chegada da frota do navegador português. Como a maioria das festas cívicas do gênero, ela fala muito mais do presente que do passado. E é esse presente histórico, o Brasil de 22 de abril do ano 2000, que é particularmente interessante. Imagine-se o que seria uma comemoração dessas no regime militar ou no Estado Novo de Getúlio Vargas. Paradas nas ruas, garotos uniformizados cantando o “hino do descobrimento”, livros editados para louvar a beleza e as riquezas do Brasil. Enfim, uma sombria demonstração de força do governo de plantão, de tipo parecido com o que praticavam os regimes soviéticos ou com o que ocorre na China.
Em oposição a isso, o próprio aspecto de precária organização, com as devidas exceções, e mesmo de pouca importância dedicada pelo governo aos festejos – comandados por um inexpressivo ministro do Turismo – não deixa de ter seu lado positivo. Os governantes parecem estar menos interessados em fazer valer pela força ou pela máquina da propaganda oficial a sua versão da história. A esse respeito, há um visível amadurecimento no comportamento dos mandatários, que deve ser creditado quase exclusivamente ao fato de se ter hoje uma democracia razoavelmente estabelecida neste país.
Também a democracia permite que estejam em Porto Seguro representantes de forças sociais que contestam vivamente a versão oficial para os 500 anos. Afinal, o que deveriam comemorar os descendentes dos povos indígenas, que foram sendo destruídos enquanto avançava a colonização? Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos? Em nome de que festejariam os despossuídos? Essas organizações estão em Porto Seguro colocando uma pitada de pimenta nos festejos e é absolutamente lícito que possam dar o seu recado sem constrangimento. [...] O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável para fazer com que os governantes ouçam mais a voz das ruas.
(Folha de S. Paulo, 22 abr. 2000.)
“O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável.”
Indique a alternativa em que substituição da expressão grifada mantém o mesmo efeito de sentido do texto original.
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O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se do editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no dia da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
O quinto centenário
Há 500 anos, a nau capitânia do navegador português Pedro Álvares Cabral aportava na região da atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Decerto tratou-se do início de uma história relevante, a história do Brasil branco, porque existe uma outra para ser contada a respeito dos vários povos indígenas que aqui habitavam desde remotos tempos.
Na época estavam os portugueses mais interessados nos lucros do comércio ultramarino de especiarias. Dominavam uma rota alternativa de comércio, contornando o Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para chegar ao Oriente. Não foi à toa que a expedição de Cabral permaneceu nas terras brasileiras apenas alguns dias, para tomar posse efetiva de uma porção de terras que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia aos portugueses. Foi apenas uma parada em uma viagem que tinha como destino Calicute, na Índia. [...]
Mas não é preciso cobrar rigor historiográfico das comemorações que ocorrem na data de hoje sobre os 500 anos da chegada da frota do navegador português. Como a maioria das festas cívicas do gênero, ela fala muito mais do presente que do passado. E é esse presente histórico, o Brasil de 22 de abril do ano 2000, que é particularmente interessante. Imagine-se o que seria uma comemoração dessas no regime militar ou no Estado Novo de Getúlio Vargas. Paradas nas ruas, garotos uniformizados cantando o “hino do descobrimento”, livros editados para louvar a beleza e as riquezas do Brasil. Enfim, uma sombria demonstração de força do governo de plantão, de tipo parecido com o que praticavam os regimes soviéticos ou com o que ocorre na China.
Em oposição a isso, o próprio aspecto de precária organização, com as devidas exceções, e mesmo de pouca importância dedicada pelo governo aos festejos – comandados por um inexpressivo ministro do Turismo – não deixa de ter seu lado positivo. Os governantes parecem estar menos interessados em fazer valer pela força ou pela máquina da propaganda oficial a sua versão da história. A esse respeito, há um visível amadurecimento no comportamento dos mandatários, que deve ser creditado quase exclusivamente ao fato de se ter hoje uma democracia razoavelmente estabelecida neste país.
Também a democracia permite que estejam em Porto Seguro representantes de forças sociais que contestam vivamente a versão oficial para os 500 anos. Afinal, o que deveriam comemorar os descendentes dos povos indígenas, que foram sendo destruídos enquanto avançava a colonização? Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos? Em nome de que festejariam os despossuídos? Essas organizações estão em Porto Seguro colocando uma pitada de pimenta nos festejos e é absolutamente lícito que possam dar o seu recado sem constrangimento. [...] O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável para fazer com que os governantes ouçam mais a voz das ruas.
(Folha de S. Paulo, 22 abr. 2000.)
“Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos?”
Indique a alternativa que reformula adequadamente a frase acima, fazendo a substituição do pronome relativo assinalado.
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O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se do editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no dia da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
O quinto centenário
Há 500 anos, a nau capitânia do navegador português Pedro Álvares Cabral aportava na região da atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Decerto tratou-se do início de uma história relevante, a história do Brasil branco, porque existe uma outra para ser contada a respeito dos vários povos indígenas que aqui habitavam desde remotos tempos.
Na época estavam os portugueses mais interessados nos lucros do comércio ultramarino de especiarias. Dominavam uma rota alternativa de comércio, contornando o Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para chegar ao Oriente. Não foi à toa que a expedição de Cabral permaneceu nas terras brasileiras apenas alguns dias, para tomar posse efetiva de uma porção de terras que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia aos portugueses. Foi apenas uma parada em uma viagem que tinha como destino Calicute, na Índia. [...]
Mas não é preciso cobrar rigor historiográfico das comemorações que ocorrem na data de hoje sobre os 500 anos da chegada da frota do navegador português. Como a maioria das festas cívicas do gênero, ela fala muito mais do presente que do passado. E é esse presente histórico, o Brasil de 22 de abril do ano 2000, que é particularmente interessante. Imagine-se o que seria uma comemoração dessas no regime militar ou no Estado Novo de Getúlio Vargas. Paradas nas ruas, garotos uniformizados cantando o “hino do descobrimento”, livros editados para louvar a beleza e as riquezas do Brasil. Enfim, uma sombria demonstração de força do governo de plantão, de tipo parecido com o que praticavam os regimes soviéticos ou com o que ocorre na China.
Em oposição a isso, o próprio aspecto de precária organização, com as devidas exceções, e mesmo de pouca importância dedicada pelo governo aos festejos – comandados por um inexpressivo ministro do Turismo – não deixa de ter seu lado positivo. Os governantes parecem estar menos interessados em fazer valer pela força ou pela máquina da propaganda oficial a sua versão da história. A esse respeito, há um visível amadurecimento no comportamento dos mandatários, que deve ser creditado quase exclusivamente ao fato de se ter hoje uma democracia razoavelmente estabelecida neste país.
Também a democracia permite que estejam em Porto Seguro representantes de forças sociais que contestam vivamente a versão oficial para os 500 anos. Afinal, o que deveriam comemorar os descendentes dos povos indígenas, que foram sendo destruídos enquanto avançava a colonização? Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos? Em nome de que festejariam os despossuídos? Essas organizações estão em Porto Seguro colocando uma pitada de pimenta nos festejos e é absolutamente lícito que possam dar o seu recado sem constrangimento. [...] O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável para fazer com que os governantes ouçam mais a voz das ruas.
(Folha de S. Paulo, 22 abr. 2000.)
O terceiro parágrafo do texto marca um redirecionamento no tratamento do tema. Indique a alternativa que caracteriza a mudança temática introduzida no 3º parágrafo.
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O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se do editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no dia da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
O quinto centenário
Há 500 anos, a nau capitânia do navegador português Pedro Álvares Cabral aportava na região da atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Decerto tratou-se do início de uma história relevante, a história do Brasil branco, porque existe uma outra para ser contada a respeito dos vários povos indígenas que aqui habitavam desde remotos tempos.
Na época estavam os portugueses mais interessados nos lucros do comércio ultramarino de especiarias. Dominavam uma rota alternativa de comércio, contornando o Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para chegar ao Oriente. Não foi à toa que a expedição de Cabral permaneceu nas terras brasileiras apenas alguns dias, para tomar posse efetiva de uma porção de terras que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia aos portugueses. Foi apenas uma parada em uma viagem que tinha como destino Calicute, na Índia. [...]
Mas não é preciso cobrar rigor historiográfico das comemorações que ocorrem na data de hoje sobre os 500 anos da chegada da frota do navegador português. Como a maioria das festas cívicas do gênero, ela fala muito mais do presente que do passado. E é esse presente histórico, o Brasil de 22 de abril do ano 2000, que é particularmente interessante. Imagine-se o que seria uma comemoração dessas no regime militar ou no Estado Novo de Getúlio Vargas. Paradas nas ruas, garotos uniformizados cantando o “hino do descobrimento”, livros editados para louvar a beleza e as riquezas do Brasil. Enfim, uma sombria demonstração de força do governo de plantão, de tipo parecido com o que praticavam os regimes soviéticos ou com o que ocorre na China.
Em oposição a isso, o próprio aspecto de precária organização, com as devidas exceções, e mesmo de pouca importância dedicada pelo governo aos festejos – comandados por um inexpressivo ministro do Turismo – não deixa de ter seu lado positivo. Os governantes parecem estar menos interessados em fazer valer pela força ou pela máquina da propaganda oficial a sua versão da história. A esse respeito, há um visível amadurecimento no comportamento dos mandatários, que deve ser creditado quase exclusivamente ao fato de se ter hoje uma democracia razoavelmente estabelecida neste país.
Também a democracia permite que estejam em Porto Seguro representantes de forças sociais que contestam vivamente a versão oficial para os 500 anos. Afinal, o que deveriam comemorar os descendentes dos povos indígenas, que foram sendo destruídos enquanto avançava a colonização? Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos? Em nome de que festejariam os despossuídos? Essas organizações estão em Porto Seguro colocando uma pitada de pimenta nos festejos e é absolutamente lícito que possam dar o seu recado sem constrangimento. [...] O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável para fazer com que os governantes ouçam mais a voz das ruas.
(Folha de S. Paulo, 22 abr. 2000.)
Segundo o texto, qual a principal lição a tirar das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil?
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O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se do editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no dia da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
O quinto centenário
Há 500 anos, a nau capitânia do navegador português Pedro Álvares Cabral aportava na região da atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Decerto tratou-se do início de uma história relevante, a história do Brasil branco, porque existe uma outra para ser contada a respeito dos vários povos indígenas que aqui habitavam desde remotos tempos.
Na época estavam os portugueses mais interessados nos lucros do comércio ultramarino de especiarias. Dominavam uma rota alternativa de comércio, contornando o Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para chegar ao Oriente. Não foi à toa que a expedição de Cabral permaneceu nas terras brasileiras apenas alguns dias, para tomar posse efetiva de uma porção de terras que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia aos portugueses. Foi apenas uma parada em uma viagem que tinha como destino Calicute, na Índia. [...]
Mas não é preciso cobrar rigor historiográfico das comemorações que ocorrem na data de hoje sobre os 500 anos da chegada da frota do navegador português. Como a maioria das festas cívicas do gênero, ela fala muito mais do presente que do passado. E é esse presente histórico, o Brasil de 22 de abril do ano 2000, que é particularmente interessante. Imagine-se o que seria uma comemoração dessas no regime militar ou no Estado Novo de Getúlio Vargas. Paradas nas ruas, garotos uniformizados cantando o “hino do descobrimento”, livros editados para louvar a beleza e as riquezas do Brasil. Enfim, uma sombria demonstração de força do governo de plantão, de tipo parecido com o que praticavam os regimes soviéticos ou com o que ocorre na China.
Em oposição a isso, o próprio aspecto de precária organização, com as devidas exceções, e mesmo de pouca importância dedicada pelo governo aos festejos – comandados por um inexpressivo ministro do Turismo – não deixa de ter seu lado positivo. Os governantes parecem estar menos interessados em fazer valer pela força ou pela máquina da propaganda oficial a sua versão da história. A esse respeito, há um visível amadurecimento no comportamento dos mandatários, que deve ser creditado quase exclusivamente ao fato de se ter hoje uma democracia razoavelmente estabelecida neste país.
Também a democracia permite que estejam em Porto Seguro representantes de forças sociais que contestam vivamente a versão oficial para os 500 anos. Afinal, o que deveriam comemorar os descendentes dos povos indígenas, que foram sendo destruídos enquanto avançava a colonização? Por que engrossariam o coro oficial também os negros, cujos antepassados foram escravizados ao longo de 300 anos? Em nome de que festejariam os despossuídos? Essas organizações estão em Porto Seguro colocando uma pitada de pimenta nos festejos e é absolutamente lícito que possam dar o seu recado sem constrangimento. [...] O dissenso, quando praticado dentro do que requer a democracia, sem violência, é sempre saudável para fazer com que os governantes ouçam mais a voz das ruas.
(Folha de S. Paulo, 22 abr. 2000.)
Sobre o descobrimento do Brasil, considere as seguintes afirmativas:
1. Os portugueses que aportaram em Porto Seguro fizeram apenas uma parada de poucos dias no seu trajeto da viagem comercial para a Índia.
2. A história iniciada com o descobrimento das terras brasileiras por Pedro Álvares Cabral é apenas uma das histórias do país.
3. O governo não foi capaz de organizar paradas, editar livros e patrocinar a composição de hinos comemorativos relacionados a esse evento.
4. Grupos de índios e negros se organizaram para questionar as comemorações dos 500 anos em Porto Seguro.
5. A expedição de Cabral parou em Porto Seguro apenas para tomar posse efetiva das terras que o Tratado de Tordesilhas destinava a Portugal.
O texto usa como argumentos para reduzir a importância do fato:
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