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Texto 1
CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
Observe que, no último parágrafo, o enunciador repete a expressão “Por longos e longos decênios”. Emprega-a três vezes no início de períodos seguidos e uma quarta vez no meio de outro período. Essa insistente repetição só NÃO pode ser considerada um recurso para enfatizar
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Texto 1
CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
No primeiro parágrafo, o locutor emprega dois modalizadores: “pode (ser)” e “deve (ser)”. Atente ao que se diz sobre esse uso.
I. Com o uso do “pode (ser)”, o locutor expressa possibilidade; com o uso do “deve (ser)”, indica obrigatoriedade.
II. O emprego dessas duas expressões modalizadoras, do modo como aparecem no texto, é um recurso linguístico para valorizar a segunda: “deve (ser)”.
III. Expressões como a primeira atenuam a responsabilidade do locutor; expressões como a segunda maximizam a responsabilidade do locutor.
Está correto o que se diz em
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Texto 1
CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por issoC) chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece serA) indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutívelB), das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvezD), em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
Há palavras ou expressões consideradas modalizadoras. Com elas, o locutor expressa sua atitude em relação ao seu próprio discurso. Dentre as expressões em destaque assinale a única que NÃO tem essa função.
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influênciaD), não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmesA). [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidadeC), como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanosB), adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
Entendendo-se concessão como um “fato subordinado e contrário ao da ação principal de uma oração, mas incapaz de impedir que tal ação venha a ocorrer” (Houaiss), assinale a opção que apresenta uma concessão.
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
A oração “Exigindo a alfabetização” poderia ser substituída, sem prejuízo da compreensão do texto, por
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
As seguintes expressões destacadas do texto são marcas de autoria: “Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país” ; “Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência.”; “Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.”
Essas marcas caracterizam o enunciador como
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
Atente ao que se diz sobre “alienação cultural” de acordo com o raciocínio seguido pelo enunciador, no contexto específico do texto em análise. A alienação cultural pressupõe
I. duas sociedades: uma que desempenha um papel ativo (a que aliena) e outra que desempenha um papel passivo (a que não reage e se deixa alienar).
II. uma sociedade que se afasta de sua real natureza, de seus valores e assimila a natureza e os valores de outra sociedade.
III. uma indiferença aos problemas políticos e sociais de uma sociedade, em decorrência de uma decepção com os governantes.
Está correto o que se diz em
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
A expressão inglesa “way of life” significa “modo de vida”. Como foi usada no texto, inclui os seguintes elementos:
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CINEMA
Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
“Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo”. Marque a opção correta em relação ao que se diz sobre o excerto transcrito.
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Entre os meios de comunicação que padronizam o comportamento de milhões, e são por isso chamados de massa, o cinema é o mais antigo, entre nós. A imprensa o antecedeu, certamente, mas o problema cronológico não é o essencial no caso. Exigindo a alfabetização, a imprensa, ainda que exercendo enorme influência, não teve, particularmente no passado, característica de meio de comunicação de massa. A antecedência do cinema, assim, parece ser indiscutível. E cinema pode ser apresentado, e deve, sob o aspecto cultural e sob o aspecto econômico, material. Nos dois, fomos, por longos decênios, aqui, protagonistas de papel passivo: consumimos influências culturais estranhas, sofremos de sua penetração e domínio, ao mesmo passo que constituímos mercado consumidor de proporções crescentes para a produção estrangeira de filmes. [...]
Há que pensar, também, na deformação cultural: há mais de meio século, o cinema norte-americano trabalha o espírito de massas brasileiras apresentando o seu way of life, isto é, o cowboy, o gangster, a violência desenfreada, e as suas glórias, os seus mitos, os seus heróis — a sua cultura, em suma. Que isso tenha sido assim, e continue a ser assim, constitui, por si só, anomalia indiscutível, das mais graves e profundas a que foi já submetida a cultura, em qualquer época, em qualquer país; mas que, além disso, essa gigantesca deformação tenha sido financiada pelas próprias vítimas — como se aos condenados coubesse pagar o serviço dos carrascos — constitui um dos problemas da singular época histórica em que vivemos. A deformação se apresenta com dimensões tão extraordinárias e com duração tão longa que chegou ao cúmulo de ganhar foros de naturalidade, como se o contrário é que fosse absurdo.
Por longos e longos decênios, foram familiares aos brasileiros padrões de comportamento inteiramente diversos dos aqui vigentes, e hábitos, e normas, e regras. Por longos e longos decênios, nossas crianças adoraram heróis estrangeiros, sentiram-se fascinadas por seus feitos, incorporaram impressões e sentimentos deles derivados à sua cultura. Por longos e longos decênios, as massas brasileiras aprenderam histórias norte-americanas, cultuando feitos norte-americanos, adotando posições norte-americanas. E, por tudo isso, há longos e longos decênios, vêm pagando, e pagando caro [...]. Nossos jovens assimilam padrões culturais de uma civilização em crise, angustiada entre o sexo e a violência. Esse tem sido o papel de descaracterização cultural que o cinema norte-americano vem desenvolvendo, há mais de meio século, no Brasil. Não há talvez, em toda a história, exemplo tão gigantesco de alienação cultural.
Nélson Werneck Sodré. Síntese de História da Cultura Brasileira. Extraído da 15ª edição, de 1988. p. 79-80; 91-92. Texto adaptado.
Releia o que o enunciador diz sobre a imprensa no Brasil e marque com 1 as informações explícitas no texto e com 2 o que se pode inferir delas.
( ) A imprensa brasileira, no passado, não teve características de meio de comunicação de massa porque exigia pessoas que soubessem ler.
( ) No Brasil da época, o índice de analfabetismo era muito alto.
( ) A influência cultural da imprensa sobre as massas brasileiras é mais recente que a do cinema.
( ) Os jovens brasileiros assimilaram a cultura norte-americana como se fosse nacional.
( ) Para o enunciador, o prolongado tempo de ação do cinema americano sobre os valores nacionais brasileiros constitui uma anomalia.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
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