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2184009 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Gestos amorosos

Rubem Alves

Dei-me conta de que estava velho cerca de 25 anos atrás. Já contei o ocorrido várias vezes, mas vou contá-lo novamente. Era uma tarde em São Paulo. Tomei um metrô. Estava cheio. Segurei-me num balaústre sem problemas. Eu não tinha dificuldades de locomoção. Comecei a fazer algo que me dá prazer: ler o rosto das pessoas.

Os rostos são objetos oníricos: fazem sonhar. Muitas crônicas já foram escritas provocadas por um rosto - até mesmo o nosso - refletido no espelho. Estava eu entregue a esse exercício literário quando, ao passar de um livro para outro, isto é, de um rosto para outro, defrontei-me com uma jovem assentada que estava fazendo comigo aquilo que eu estava fazendo com os outros. Ela me olhava com um rosto calmo e não desviou o olhar quando os seus olhos se encontraram com os meusB). Prova de que ela me achava bonito. Sorri para ela, ela sorriu para mim... Logo o sonho sugeriu uma crônica: "Professor da Unicamp se encontra, num vagão de metrô, com uma jovem que seria o amor de sua vida..."

Foi então que ela me fez um gesto amoroso: ela se levantou e me ofereceu o seu lugar... Maldita delicadeza! O seu gesto amoroso me humilhou e perfurou o meu coração... E eu não tive alternativas. Como rejeitar gesto tão delicado! Remoendo-me de raiva e sorrindo, assentei-me no lugar que ela deixara para mim. Sim, sim, ela me achara bonito. Tão bonito quanto o seu avô... Aconteceu faz mais ou menos um mês. Era a festa de aniversário de minha nora. Muitos amigos, casais jovens, segundo minha maneira de avaliar a idade. Eu estava assentado numa cadeira num jardim observando de longe. Nesse momento chegou um jovem casal amigo. Quando a mulher jovem e bonita me viu, veio em minha direção para me cumprimentar. Fiz um gesto de levantar-me. Mas ela, delicadíssima, me disse: "Não, fique assentadinho aí..." Se ela me tivesse dito simplesmente "Não é preciso levantar", eu não teria me perturbado. Mas o fio da navalha estava precisamente na palavra "assentadinho". Se eu fosse moço, ela não teria dito "assentadinho". Foi justamente essa palavra que me obrigou a levantar para provar que eu era ainda capaz de levantar-me e assentar-meA). Fiquei com dó dela porque eu, no meio de uma risada, disse-lhe que ela acabava de dar-me uma punhalada...

Contei esse acontecido para uma amiga, mais ou menos da minha idade. E ela me disse: "Estou só esperando que alguém venha até mim e, com a mão em concha, bata na minha bochecha, dizendo: "Mas que bonitinha..." Acho que vou lhe dar um murro no nariz..."

Vem depois as grosserias a que nós, os velhos, somos submetidos nas salas de espera dos aeroportos. Pra começar, não entendo por que "velho" é politicamente incorreto. "Idoso" é palavra de fila de banco e de fila de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesiaC). Já imaginaram se o Hemingway tivesse dado ao seu livro clássico o nome de "O idoso e o mar"? Já imaginaram um casal de cabelos brancos, o marido chamando a mulher de "minha idosa querida"?

Os alto-falantes nos aeroportos convocam as crianças, as gestantes, as pessoas com dificuldades de locomoção e a "melhor idade"... Alguém acredita nisso? Os velhos não acreditam. Então essa expressão "melhor idade" só pode ser gozaçãoD).

Disponível em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200804.h

tm. Acesso em: 22/9/17

Os textos costumam manifestar simultaneamente diversas funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. Encontramos, na crônica de Rubem Alves, a presença marcante da função metalinguística. Atente aos excertos apresentados a seguir e assinale a opção em que essa função NÃO se revela.

 

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2184008 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Gestos amorosos

Rubem Alves

Dei-me conta de que estava velho cerca de 25 anos atrás. Já contei o ocorrido várias vezes, mas vou contá-lo novamente. Era uma tarde em São Paulo. Tomei um metrô. Estava cheio. Segurei-me num balaústre sem problemas. Eu não tinha dificuldades de locomoção. Comecei a fazer algo que me dá prazer: ler o rosto das pessoas.

Os rostos são objetos oníricos: fazem sonhar. Muitas crônicas já foram escritas provocadas por um rosto - até mesmo o nosso - refletido no espelho. Estava eu entregue a esse exercício literário quando, ao passar de um livro para outro, isto é, de um rosto para outro, defrontei-me com uma jovem assentada que estava fazendo comigo aquilo que eu estava fazendo com os outros. Ela me olhava com um rosto calmo e não desviou o olhar quando os seus olhos se encontraram com os meus. Prova de que ela me achava bonito. Sorri para ela, ela sorriu para mim... Logo o sonho sugeriu uma crônica: "Professor da Unicamp se encontra, num vagão de metrô, com uma jovem que seria o amor de sua vida..."

Foi então que ela me fez um gesto amoroso: ela se levantou e me ofereceu o seu lugar... Maldita delicadeza! O seu gesto amoroso me humilhou e perfurou o meu coração... E eu não tive alternativas. Como rejeitar gesto tão delicado! Remoendo-me de raiva e sorrindo, assentei-me no lugar que ela deixara para mim. Sim, sim, ela me achara bonito. Tão bonito quanto o seu avô... Aconteceu faz mais ou menos um mês. Era a festa de aniversário de minha nora. Muitos amigos, casais jovens, segundo minha maneira de avaliar a idade. Eu estava assentado numa cadeira num jardim observando de longe. Nesse momento chegou um jovem casal amigo. Quando a mulher jovem e bonita me viu, veio em minha direção para me cumprimentar. Fiz um gesto de levantar-me. Mas ela, delicadíssima, me disse: "Não, fique assentadinho aí..." Se ela me tivesse dito simplesmente "Não é preciso levantar", eu não teria me perturbado. Mas o fio da navalha estava precisamente na palavra "assentadinho". Se eu fosse moço, ela não teria dito "assentadinho". Foi justamente essa palavra que me obrigou a levantar para provar que eu era ainda capaz de levantar-me e assentar-me. Fiquei com dó dela porque eu, no meio de uma risada, disse-lhe que ela acabava de dar-me uma punhalada...

Contei esse acontecido para uma amiga, mais ou menos da minha idade. E ela me disse: "Estou só esperando que alguém venha até mim e, com a mão em concha, bata na minha bochecha, dizendo: "Mas que bonitinha..." Acho que vou lhe dar um murro no nariz..."

Vem depois as grosserias a que nós, os velhos, somos submetidos nas salas de espera dos aeroportos. Pra começar, não entendo por que "velho" é politicamente incorreto. "Idoso" é palavra de fila de banco e de fila de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesia. Já imaginaram se o Hemingway tivesse dado ao seu livro clássico o nome de "O idoso e o mar"? Já imaginaram um casal de cabelos brancos, o marido chamando a mulher de "minha idosa querida"?

Os alto-falantes nos aeroportos convocam as crianças, as gestantes, as pessoas com dificuldades de locomoção e a "melhor idade"... Alguém acredita nisso? Os velhos não acreditam. Então essa expressão "melhor idade" só pode ser gozação.

Disponível em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200804.h

tm. Acesso em: 22/9/17

É correto afirmar que, no texto 2, o autor

 

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2184007 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Envelhecer

Arnaldo Antunes

A coisa mais moderna que existe nessa vida

é envelhecer

A barba vai descendo e os cabelos vão

caindo pra cabeça aparecer

Os filhos vão crescendo e o tempo vai

dizendo que agora é pra valer

Os outros vão morrendo e a gente

aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver

Como será que deve ser envelhecer

Eu quero é viver pra ver qual é

E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe

No meio da sala de estar

Eu quero que a panela de pressão pressione

E que a pia comece a pingar

Eu quero que a sirene soe

E me faça levantar do sofá

Eu quero pôr Rita Pavone

No ringtone do meu celular

Eu quero estar no meio do ciclone

Pra poder aproveitar

E quando eu esquecer meu próprio nome

Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é

mais démodé

Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa

que não para de crescer

Não sei por que essa gente vira a cara pro

presente e esquece de aprender

Que felizmente ou infelizmente sempre o

tempo vai correr

Disponível em

https://www.vagalume.com.br/arnaldo-

antunes/ envelhecer.html. Acesso: 22/9/17.

Sobre as locuções verbais presentes na primeira estrofe da canção (“vai descendo”, “vão caindo”, “vão crescendo”, “vai dizendo”, “vão morrendo”), NÃO é lícito afirmar que

 

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2184006 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Envelhecer

Arnaldo Antunes

A coisa mais moderna que existe nessa vida

é envelhecer

A barba vai descendo e os cabelos vão

caindo pra cabeça aparecer

Os filhos vão crescendo e o tempo vai

dizendo que agora é pra valer

Os outros vão morrendo e a gente

aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver

Como será que deve ser envelhecer

Eu quero é viver pra ver qual é

E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe

No meio da sala de estar

Eu quero que a panela de pressão pressione

E que a pia comece a pingar

Eu quero que a sirene soe

E me faça levantar do sofá

Eu quero pôr Rita Pavone

No ringtone do meu celular

Eu quero estar no meio do ciclone

Pra poder aproveitar

E quando eu esquecer meu próprio nome

Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é

mais démodé

Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa

que não para de crescer

Não sei por que essa gente vira a cara pro

presente e esquece de aprender

Que felizmente ou infelizmente sempre o

tempo vai correr

Disponível em

https://www.vagalume.com.br/arnaldo-

antunes/ envelhecer.html. Acesso: 22/9/17.

Os versos da canção “A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer; “Eu quero pôr Rita Pavone no ringtone do meu celular”; “Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé” têm em comum

 

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2184005 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Envelhecer

Arnaldo Antunes

A coisa mais moderna que existe nessa vida

é envelhecer

A barba vai descendo e os cabelos vão

caindo pra cabeça aparecer

Os filhos vão crescendo e o tempo vai

dizendo que agora é pra valer

Os outros vão morrendo e a gente

aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver

Como será que deve ser envelhecer

Eu quero é viver pra ver qual é

E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe

No meio da sala de estar

Eu quero que a panela de pressão pressioneD)

E que a pia comece a pingar

Eu quero que a sirene soeD)

E me faça levantar do sofá

Eu quero pôr Rita Pavone

No ringtone do meu celular

Eu quero estar no meio do cicloneA)

Pra poder aproveitar

E quando eu esquecer meu próprio nome

Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é

mais démodé

Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa

que não para de crescer

Não sei por que essa gente vira a cara pro

presente e esquece de aprender

Que felizmente ou infelizmente sempre o

tempo vai correr

Disponível em

https://www.vagalume.com.br/arnaldo-

antunes/ envelhecer.html. Acesso: 22/9/17.

No enunciado “Eu quero que o tapete voe“, tem-se

 

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2184004 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Envelhecer

Arnaldo Antunes

A coisa mais moderna que existe nessa vida

é envelhecer

A barba vai descendo e os cabelos vão

caindo pra cabeça aparecer

Os filhos vão crescendo e o tempo vai

dizendo que agora é pra valer

Os outros vão morrendo e a gente

aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver

Como será que deve ser envelhecer

Eu quero é viver pra ver qual é

E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe

No meio da sala de estar

Eu quero que a panela de pressão pressione

E que a pia comece a pingar

Eu quero que a sirene soe

E me faça levantar do sofá

Eu quero pôr Rita Pavone

No ringtone do meu celular

Eu quero estar no meio do ciclone

Pra poder aproveitar

E quando eu esquecer meu próprio nome

Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é

mais démodé

Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa

que não para de crescer

Não sei por que essa gente vira a cara pro

presente e esquece de aprender

Que felizmente ou infelizmente sempre o

tempo vai correr

Disponível em

https://www.vagalume.com.br/arnaldo-

antunes/ envelhecer.html. Acesso: 22/9/17.

O autor do texto Envelhecer tem o propósito de

 

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2184003 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: UECE
Orgão: UECE
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A solução real da equação \( \begin{vmatrix} 1 & log_2(x) & 3 \\ 2 & 1 & 2 \\ 3 & log_2(x) &1 \end{vmatrix} = 8 \) é um número inteiro

\( log_2(x) \equiv \) logaritmo de \( x \)

na base 2

 

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2184002 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Se \( x \) é tal que \( tg { \large x \over 2} = z \), então, é correto afirmar que \( cos \ x \) é igual a

 

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2184001 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: UECE
Orgão: UECE
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No plano, com o sistema de coordenadas cartesianas usual, a equação da reta que contém o ponto P(9, 8) e é tangente à curva representada pela equação x2 + y2 – 10x – 10y + 25 = 0 é

 

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2184000 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Considere um decágono regular com centro no ponto O cuja medida do lado é igual a 2 m. Se U e V são dois vértices consecutivos deste decágono e se a bissetriz do ângulo \( O\hat UV \) intercepta o segmento OV no ponto W, então, a medida do perímetro do triângulo UVW é

 

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