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Velhas Árvores
Olavo Bilac
Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
BILAC, Olavo. Velhas Árvores. Disponível em:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bilac3.html#velhas.
Acesso: 24.9.17
Ao tratar do tema da velhice, os poemas acima têm em comum
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A imigrante italiana que se formou em nutrição
aos 87 anos escreveu o TCC inteiro à mão
Os cabelos brancos de Luísa Valencic Ficara contrastaram com a juventude dos colegas durante sua formatura. Nascida na Itália, Luísa imigrou para a América do Sul durante a Segunda Guerra Mundial, viveu em três países sul-americanos e se estabeleceu em Jundiaí, no interior de São Paulo. Aos 87 anos, ela acaba de se formar em nutrição.
Dona Luísa, como é conhecida, vive na cidade há 40 anos. Após o falecimento do marido e de sua irmã, ela decidiu voltar a estudar para se manter ocupada. Foi assim que surgiu a ideia de se matricular no curso de nutrição do Centro Universitário Padre Anchieta. A graduação foi concluída após seis anos de estudos, com um TCC sobre a cana-de-açúcar no Brasil. Segundo informações do Grupo Anchieta, todo o trabalho foi escrito à mão. Colegas, professores e funcionários da instituição ajudaram com a parte da digitação, configuração e impressão do trabalho, para apoiar Dona Luísa.
Mas a graduação não é o limite para a idosa. Ela, que também frequenta aulas de alemão, inglês e francês, já está pensando em ingressar em um curso de pós-graduação para continuar estudando, segundo contou ao G1.
Disponível em:
http://www.hypeness.com.br/2017/09/a-
imigrante- italiana-que-se-formou-em-nutricao-
aos- 87-anos-escreveu-o-tcc-inteiro-a-mao/.
Acesso: 23/9/17.
O trecho “[...] Luísa imigrou para a América do Sul durante a Segunda Guerra Mundial, viveu em três países sul-americanos e se estabeleceu em Jundiaí, no interior de São Paulo” caracteriza-se por
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A imigrante italiana que se formou em nutrição
aos 87 anos escreveu o TCC inteiro à mão
Os cabelos brancos de Luísa Valencic Ficara contrastaram com a juventudeA) dos colegas durante suaA) formatura. Nascida na ItáliaD), Luísa imigrou para a América do Sul durante a Segunda Guerra Mundial, viveu em três países sul-americanos e se estabeleceu em Jundiaí, no interior de São Paulo. Aos 87 anos, ela acaba de se formar em nutrição.
Dona Luísa, como é conhecida, vive na cidadeD) há 40 anos. Após o falecimento do marido e de sua irmã, ela decidiu voltar a estudar para se manter ocupada. Foi assim que surgiu a ideia de se matricular no curso de nutrição do Centro Universitário Padre Anchieta. A graduaçãoB) foi concluída após seis anos de estudos, com um TCC sobre a cana-de-açúcar no Brasil. Segundo informações do Grupo AnchietaC), todo o trabalhoB) foi escrito à mão. Colegas, professores e funcionários da instituiçãoC) ajudaram com a parte da digitação, configuração e impressão do trabalho, para apoiar Dona Luísa.
Mas a graduação não é o limite para a idosa. Ela, que também frequenta aulas de alemão, inglês e francês, já está pensando em ingressar em um curso de pós-graduação para continuar estudando, segundo contou ao G1.
Disponível em:
http://www.hypeness.com.br/2017/09/a-
imigrante- italiana-que-se-formou-em-nutricao-
aos- 87-anos-escreveu-o-tcc-inteiro-a-mao/.
Acesso: 23/9/17.
A notícia acima apresenta elementos coesivos que ajudam na “costura” temática do texto. A partir dessa ideia, é correto asseverar que
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A imigrante italiana que se formou em nutrição
aos 87 anos escreveu o TCC inteiro à mão
Os cabelos brancos de Luísa Valencic Ficara contrastaram com a juventude dos colegas durante sua formatura. Nascida na Itália, Luísa imigrou para a América do Sul durante a Segunda Guerra Mundial, viveu em três países sul-americanos e se estabeleceu em Jundiaí, no interior de São Paulo. Aos 87 anos, ela acaba de se formar em nutrição.
Dona Luísa, como é conhecida, vive na cidade há 40 anos. Após o falecimento do marido e de sua irmã, ela decidiu voltar a estudar para se manter ocupada. Foi assim que surgiu a ideia de se matricular no curso de nutrição do Centro Universitário Padre Anchieta. A graduação foi concluída após seis anos de estudos, com um TCC sobre a cana-de-açúcar no Brasil. Segundo informações do Grupo Anchieta, todo o trabalho foi escrito à mão. Colegas, professores e funcionários da instituição ajudaram com a parte da digitação, configuração e impressão do trabalho, para apoiar Dona Luísa.
Mas a graduação não é o limite para a idosa. Ela, que também frequenta aulas de alemão, inglês e francês, já está pensando em ingressar em um curso de pós-graduação para continuar estudando, segundo contou ao G1.
Disponível em:
http://www.hypeness.com.br/2017/09/a-
imigrante- italiana-que-se-formou-em-nutricao-
aos- 87-anos-escreveu-o-tcc-inteiro-a-mao/.
Acesso: 23/9/17.
O texto acima, embora classificado como um gênero jornalístico “notícia”, apresenta muitas características do
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Velhice
Vinícius de Moraes
ViráA) o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado
definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão
encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem
sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da
vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de
uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os
pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de
uma mocidade criadora.
MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível
em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-
br/ poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.
Sobre o uso da expressão verbal composta “eu hei de ser” no poema, é correto afirmar que
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Velhice
Vinícius de Moraes
Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado
definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão
encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem
sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da
vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de
uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os
pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de
uma mocidade criadora.
MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível
em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-
br/ poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.
Vários aspectos do poema Velhice, de Vinícius de Moraes, manifestam valores estéticos afirmados na poesia do Modernismo da década de 1930 com a qual o autor estava ligado, com exceção da
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Velhice
Vinícius de Moraes
Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado
definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão
encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem
sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da
vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de
uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os
pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de
uma mocidade criadora.
MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível
em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-
br/ poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.
Pela leitura atenta do poema Velhice, depreende-se que o autor, ao tratar do tema da velhice, constrói o seu texto com um tom
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Velhice
Vinícius de Moraes
Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado
definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão
encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem
sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da
vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de
uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os
pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de
uma mocidade criadora.
MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível
em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-
br/ poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.
Os versos “Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente/ Olhando as coisas através de uma filosofia sensata/ E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite” podem ser traduzidos pelo seguinte ditado popular:
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Gestos amorosos
Rubem Alves
Dei-me conta de que estava velho cerca de 25 anos atrás. Já contei o ocorrido várias vezes, mas vou contá-lo novamente. Era uma tarde em São Paulo. Tomei um metrô. Estava cheio. Segurei-me num balaústre sem problemas. Eu não tinha dificuldades de locomoção. Comecei a fazer algo que me dá prazer: ler o rosto das pessoas.
Os rostos são objetos oníricos: fazem sonhar. Muitas crônicas já foram escritas provocadas por um rosto - até mesmo o nosso - refletido no espelho. Estava eu entregue a esse exercício literário quando, ao passar de um livro para outro, isto é, de um rosto para outro, defrontei-me com uma jovem assentada que estava fazendo comigo aquilo que eu estava fazendo com os outros. Ela me olhava com um rosto calmo e não desviou o olhar quando os seus olhos se encontraram com os meus. Prova de que ela me achava bonito. Sorri para ela, ela sorriu para mim... Logo o sonho sugeriu uma crônica: "Professor da Unicamp se encontra, num vagão de metrô, com uma jovem que seria o amor de sua vida..."
Foi então que ela me fez um gesto amoroso: ela se levantou e me ofereceu o seu lugar... Maldita delicadeza! O seu gesto amoroso me humilhou e perfurou o meu coração... E eu não tive alternativas. Como rejeitar gesto tão delicado! Remoendo-me de raiva e sorrindo, assentei-me no lugar que ela deixara para mim. Sim, sim, ela me achara bonito. Tão bonito quanto o seu avô... Aconteceu faz mais ou menos um mês. Era a festa de aniversário de minha nora. Muitos amigos, casais jovens, segundo minha maneira de avaliar a idade. Eu estava assentado numa cadeira num jardim observando de longe. Nesse momento chegou um jovem casal amigo. Quando a mulher jovem e bonita me viu, veio em minha direção para me cumprimentar. Fiz um gesto de levantar-me. Mas ela, delicadíssima, me disse: "Não, fique assentadinho aí..." Se ela me tivesse dito simplesmente "Não é preciso levantar", eu não teria me perturbado. Mas o fio da navalha estava precisamente na palavra "assentadinho". Se eu fosse moço, ela não teria dito "assentadinho". Foi justamente essa palavra que me obrigou a levantar para provar que eu era ainda capaz de levantar-me e assentar-me. Fiquei com dó dela porque eu, no meio de uma risada, disse-lhe que ela acabava de dar-me uma punhalada...
Contei esse acontecido para uma amiga, mais ou menos da minha idade. E ela me disse: "Estou só esperando que alguém venha até mim e, com a mão em concha, bata na minha bochecha, dizendo: "Mas que bonitinha..." Acho que vou lhe dar um murro no nariz..."
Vem depois as grosserias a que nós, os velhos, somos submetidos nas salas de espera dos aeroportos. Pra começar, não entendo por que "velho" é politicamente incorreto. "Idoso" é palavra de fila de banco e de fila de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesia. Já imaginaram se o Hemingway tivesse dado ao seu livro clássico o nome de "O idoso e o mar"? Já imaginaram um casal de cabelos brancos, o marido chamando a mulher de "minha idosa querida"?
Os alto-falantes nos aeroportos convocam as crianças, as gestantes, as pessoas com dificuldades de locomoção e a "melhor idade"... Alguém acredita nisso? Os velhos não acreditam. Então essa expressão "melhor idade" só pode ser gozação.
Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200804.h
tm. Acesso em: 22/9/17
A presença, no texto, das formas diminutivas “assentadinho” e “bonitinha” expressa para quem as emprega
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Gestos amorosos
Rubem Alves
Dei-me conta de que estava velho cerca de 25 anos atrás. Já contei o ocorrido várias vezes, mas vou contá-lo novamente. Era uma tarde em São Paulo. Tomei um metrô. Estava cheio. Segurei-me num balaústre sem problemas. Eu não tinha dificuldades de locomoção. Comecei a fazer algo que me dá prazer: ler o rosto das pessoas.
Os rostos são objetos oníricos: fazem sonhar. Muitas crônicas já foram escritas provocadas por um rosto - até mesmo o nosso - refletido no espelho. Estava eu entregue a esse exercício literário quando, ao passar de um livro para outro, isto é, de um rosto para outro, defrontei-me com uma jovem assentada que estava fazendo comigo aquilo que eu estava fazendo com os outros. Ela me olhava com um rosto calmo e não desviou o olhar quando os seus olhos se encontraram com os meus. Prova de que ela me achava bonito. Sorri para ela, ela sorriu para mim... Logo o sonho sugeriu uma crônica: "Professor da Unicamp se encontra, num vagão de metrô, com uma jovem que seria o amor de sua vida..."
Foi então que ela me fez um gesto amoroso: ela se levantou e me ofereceu o seu lugar... Maldita delicadeza! O seu gesto amoroso me humilhou e perfurou o meu coração... E eu não tive alternativas. Como rejeitar gesto tão delicado! Remoendo-me de raiva e sorrindo, assentei-me no lugar que ela deixara para mim. Sim, sim, ela me achara bonito. Tão bonito quanto o seu avô... Aconteceu faz mais ou menos um mês. Era a festa de aniversário de minha nora. Muitos amigos, casais jovens, segundo minha maneira de avaliar a idade. Eu estava assentado numa cadeira num jardim observando de longe. Nesse momento chegou um jovem casal amigo. Quando a mulher jovem e bonita me viu, veio em minha direção para me cumprimentar. Fiz um gesto de levantar-me. Mas ela, delicadíssima, me disse: "Não, fique assentadinho aí..." Se ela me tivesse dito simplesmente "Não é preciso levantar", eu não teria me perturbado. Mas o fio da navalha estava precisamente na palavra "assentadinho". Se eu fosse moço, ela não teria dito "assentadinho". Foi justamente essa palavra que me obrigou a levantar para provar que eu era ainda capaz de levantar-me e assentar-me. Fiquei com dó dela porque eu, no meio de uma risada, disse-lhe que ela acabava de dar-me uma punhalada...
Contei esse acontecido para uma amiga, mais ou menos da minha idade. E ela me disse: "Estou só esperando que alguém venha até mim e, com a mão em concha, bata na minha bochecha, dizendo: "Mas que bonitinha..." Acho que vou lhe dar um murro no nariz..."
Vem depois as grosserias a que nós, os velhos, somos submetidos nas salas de espera dos aeroportos. Pra começar, não entendo por que "velho" é politicamente incorreto. "Idoso" é palavra de fila de banco e de fila de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesia. Já imaginaram se o Hemingway tivesse dado ao seu livro clássico o nome de "O idoso e o mar"? Já imaginaram um casal de cabelos brancos, o marido chamando a mulher de "minha idosa querida"?
Os alto-falantes nos aeroportos convocam as crianças, as gestantes, as pessoas com dificuldades de locomoção e a "melhor idade"... Alguém acredita nisso? Os velhos não acreditam. Então essa expressão "melhor idade" só pode ser gozação.
Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200804.h
tm. Acesso em: 22/9/17
Há várias características que definem o gênero crônica. Dentre elas encontram-se:
I. a abordagem de aspectos do cotidiano, em que se apresentam episódios retirados da vida real;
II. a construção de um texto curto e inteligível, escrito em linguagem marcada pelo tom de oralidade e de coloquialidade;
III. a narração dos episódios em primeira pessoa em que predominam as reflexões pessoais do narrador;
IV. a presença de trechos cômicos no relato das cenas narradas.
Considerando as características da crônica descritas acima, é correto afirmar que está presente, no texto de Rubem Alves, o que consta nos itens
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