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Durante procedimento médico realizado nas instalações de um hospital, dois servidores públicos discutiram acaloradamente, sendo certo que um dos servidores ofendeu gravemente com inúmeros xingamentos seu superior hierárquico, recusando-se a realizar suas funções, conforme determinado por esse superior. Segundo o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro (decreto-lei nº 220/1975), a sanção disciplinar aplicável, nesse caso, é:

 

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De acordo com o plano de cargos, carreiras e remuneração do quadro de pessoal dos servidores técnicos universitários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (lei nº 6.701/2014), responda às questões de números 13 e 14.

A progressão, ou seja, a passagem do servidor para o padrão de vencimento imediatamente superior, além da avaliação periódica de desempenho satisfatória, tem como requisitos:

 

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De acordo com o plano de cargos, carreiras e remuneração do quadro de pessoal dos servidores técnicos universitários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (lei nº 6.701/2014), responda às questões de números 13 e 14.

A jornada de trabalho do servidor médico (em horas) corresponde a:

 

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FALA, AMENDOEIRA

Carlos Drummond de Andrade

1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

O complemento verbal tem a função de completar o sentido de um verbo transitivo. O trecho em que o pronome “lhe” funciona como complemento do verbo é:

 

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FALA, AMENDOEIRA

Carlos Drummond de Andrade

1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

No trecho, “E como o cronista lhe perguntasse – fala, amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe” (l. 20 e 22), o conector “como” assume o valor semântico de:

 

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Carlos Drummond de Andrade

1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

Nessa crônica, o travessão foi empregado com funções diversas. O trecho em que esse sinal de pontuação cumpre a função de separar o aposto, marcando uma explicação, é:

 

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Carlos Drummond de Andrade

1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

A coesão referencial é o mecanismo responsável por estabelecer relações entre palavras e expressões em um texto. No trecho “e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada” (l. 18 e 19), o pronome “elas” retoma:

 

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natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

Em “Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra” (l. 12 e 13), a palavra “placidez” pode ser substituída, mantendo o significado básico que tem no texto, por:

 

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Carlos Drummond de Andrade

1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

Com certa dose de lirismo, essa crônica traz algumas reflexões que circundam a temática central. O trecho “Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo” (l. 1) refere-se à(ao):

 

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1 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à

natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou

no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a

linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que

5 algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras

destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está

plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo

vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a

10 fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela

fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia,

garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore

madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos

anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes

15 de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas

de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição,

depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se

preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio,

20 se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse – fala,

amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu

explicar-lhe:

– Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio

do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

25 – E vais outoneando sozinha?

– Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um

resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me

fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

– Somos todos assim.

30 – Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal,

meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa

hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação

da alma que da natureza.

– Não me entristeças.

35 – Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te

outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor.

As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso:

parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

Com base no texto apresentado, responda às questões de números 1 a 10.

O texto mescla trechos de tipologias textuais diversas. Como argumentativo, reconhece-se o trecho:

 

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