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Ciência e política em tempos de negacionismo

Compreender os fatores que culminaram na decisão de vários governantes de voltar às ruas antes do tempo recomendado para enfrentar a pandemia do coronavírus demanda uma análise cuidadosa.

Uma matéria do jornal O Globo, publicada em 11 de junho de 2020, tratava da impressionante multidão atraída aos shoppings do Rio de Janeiro, reabertos à frequentação naquele mesmo dia. Muitos ficaram assombrados – não sem razão – pela decisão da prefeitura de permitir a reabertura dos estabelecimentos comerciais num momento em que a pandemia estava ainda longe de ser controlada. Mas, justamente porque tantos de nós já não esperamos coerência ou proteção desses governantes, o que aparentemente causou mais espanto foi a avidez com que tantas pessoas responderam ao chamado de “retorno à normalidade”, mesmo com os números de infectados e mortos aumentando.

Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

A expressão “retorno à normalidade” está entre aspas para sinalizar que se trata de um(uma)

 

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Ciência e política em tempos de negacionismo

Compreender os fatores que culminaram na decisão de vários governantes de voltar às ruas antes do tempo recomendado para enfrentar a pandemia do coronavírus demanda uma análise cuidadosa.

Uma matéria do jornal O Globo, publicada em 11 de junho de 2020, tratava da impressionante multidão atraída aos shoppings do Rio de Janeiro, reabertos à frequentação naquele mesmo dia. Muitos ficaram assombrados – não sem razão – pela decisão da prefeitura de permitir a reabertura dos estabelecimentos comerciais num momento em que a pandemia estava ainda longe de ser controlada. Mas, justamente porque tantos de nós já não esperamos coerência ou proteção desses governantes, o que aparentemente causou mais espanto foi a avidez com que tantas pessoas responderam ao chamado de “retorno à normalidade”, mesmo com os números de infectados e mortos aumentando.

Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

A palavra “bem-estar” apresenta hífen seguindo a mesma regra que a usada em

 

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Compreender os fatores que culminaram na decisão de vários governantes de voltar às ruas antes do tempo recomendado para enfrentar a pandemia do coronavírus demanda uma análise cuidadosa.

Uma matéria do jornal O Globo, publicada em 11 de junho de 2020, tratava da impressionante multidão atraída aos shoppings do Rio de Janeiro, reabertos à frequentação naquele mesmo dia. Muitos ficaram assombrados – não sem razão – pela decisão da prefeitura de permitir a reabertura dos estabelecimentos comerciais num momento em que a pandemia estava ainda longe de ser controlada. Mas, justamente porque tantos de nós já não esperamos coerência ou proteção desses governantes, o que aparentemente causou mais espanto foi a avidez com que tantas pessoas responderam ao chamado de “retorno à normalidade”, mesmo com os números de infectados e mortos aumentando.

Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

O uso de travessões no trecho “não sem razão” se justifica por indicar

 

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Uma matéria do jornal O Globo, publicada em 11 de junho de 2020, tratava da impressionante multidão atraída aos shoppings do Rio de Janeiro, reabertos à frequentação naquele mesmo dia. Muitos ficaram assombrados – não sem razão – pela decisão da prefeitura de permitir a reabertura dos estabelecimentos comerciais num momento em que a pandemia estava ainda longe de ser controlada. Mas, justamente porque tantos de nós já não esperamos coerência ou proteção desses governantes, o que aparentemente causou mais espanto foi a avidez com que tantas pessoas responderam ao chamado de “retorno à normalidade”, mesmo com os números de infectados e mortos aumentando.

Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

O uso de crase na expressão “às ruas” se justifica pela mesma regra utilizada em

 

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Uma matéria do jornal O Globo, publicada em 11 de junho de 2020, tratava da impressionante multidão atraída aos shoppings do Rio de Janeiro, reabertos à frequentação naquele mesmo dia. Muitos ficaram assombrados – não sem razão – pela decisão da prefeitura de permitir a reabertura dos estabelecimentos comerciais num momento em que a pandemia estava ainda longe de ser controlada. Mas, justamente porque tantos de nós já não esperamos coerência ou proteção desses governantes, o que aparentemente causou mais espanto foi a avidez com que tantas pessoas responderam ao chamado de “retorno à normalidade”, mesmo com os números de infectados e mortos aumentando.

Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

O texto sugere que “a decisão dos governantes de voltar às ruas antes do tempo recomendado” foi

 

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Nesse contexto, a frase dita por um dos entrevistados na reportagem, que aguardava pacientemente na fila para entrar no shopping, pode soar atordoante: “É engraçado: sou contra, mas estou aqui. Acho que o shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Mesmo vindo, acho que não era o momento da reabertura. Estamos em uma situação crítica e acredito que vai aumentar o número de casos. Mesmo assim, a gente é tentado a vir”.

O testemunho expressa desorientação, de fato, mas não ignorância. As narrativas da ciência são ouvidas, mas não bastam para induzir comportamentos. Esse é o nó. Vivemos tempos em que sinais contrários são emitidos todo o tempo, evidenciando um conflito de autoridade.

Nossa hipótese é a de que não há déficit de conhecimento ou de saber atuando como pressuposto dessas ações: as pessoas sabem dos riscos, mas o que explica a contradição entre o que elas sabem e fazem é uma “incompatibilidade de mundos”.

Essa defasagem se estabelece não apenas entre as diferentes classes sociais, mas também no interior delas, com a crescente cisão que a chamada “crise da democracia” vem provocando entre nossas vidas privadas – incluindo nossas relações mais próximas – e nosso senso de pertencimento a uma coletividade ampliada (a sociedade). Essa crise da democracia, evidentemente, reverbera nas instituições que a sustentam, o que não exclui a ciência. É assim que suas verdades não têm conseguido engajar a maioria das pessoas num projeto comum, não têm contribuído para a construção de um tecido social coeso, não têm servido de ponte para conectar necessidades e desejos individuais a projetos coletivos.

Disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/ciencia-e-politica-em-tempos-de-negacionismo/ Acesso em 22/01/22. Texto Adaptado.

De acordo com o texto, a população em geral

 

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2580058 Ano: 2022
Disciplina: Química
Banca: UFPA
Orgão: UFPA
Provas:

Uma mistura de NaCl e KCl, pesando 0,415 g, foi dissolvida em água destilada. Em seguida, adicionou-se excesso de nitrato de prata (AgNO3), e o precipitado obtido pesou 0,861 g. Assim, respectivamente, a porcentagem, em massa, de NaCl e de KCl na mistura de cloretos será, aproximadamente,

Dado: Massas molares (g mol–1): Na = 23; Cl = 35,5; K = 39; Ag = 108

Questão Anulada

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Quando ocorre o preenchimento de cargo decorrente de vínculo anterior entre o servidor e a administração, tem-se o provimento derivado. Sobre as formas de provimento derivado – reintegração e recondução, é correto afirmar:

Questão Anulada

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Levando-se em conta os parâmetros normativos do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil Federal (Dec. 1.171, de 22 de junho de 1994), é(são) regra(s) de conduta profissional:

Questão Anulada

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A Lei 8.112/90 denomina de vantagens qualquer valor recebido pelo servidor que não se enquadre na definição de vencimento. Sobre as vantagens que recebem os servidores públicos, é correto afirmar:

Questão Anulada

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