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De acordo com a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e suas alterações, ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 36 (trinta e seis) meses, durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores:

 

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Estabelece a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e suas alterações, que o concurso público terá validade de até

 

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De acordo com a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e suas alterações, o servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica. Para o primeiro período de férias serão exigidos

 

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Empatia

1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

No trecho “Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência...” (linhas 28 e 29), os verbos passar e ter se referem a eventos que

 

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Empatia

1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

A palavra logo no trecho “Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos.” (linha 28) tem o sentido de

 

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1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

De acordo com o texto, só a gentileza não basta para melhorar o mundo em que vivemos. É preciso desenvolver a empatia porque

 

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Empatia

1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

O verbo dever (linha 20) se apresenta na terceira pessoa do plural porque concorda com

 

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1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

No trecho “...qualquer sentimento que não lhe diga respeito.” (linhas 10 e 11), o pronome lhe se refere a

 

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1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

O termo prosaicas (linha 21) é sinônimo de

 

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Empatia

1 As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e

2 algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar

3 do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar

4 com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado

5 jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

6 Nada impede?

7 Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada

8 que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um

9 segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e

10 concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga

11 respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima.

12 Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

13 Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não

14 circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes

15 tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua

16 hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

17 E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de

18 pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se

19 empilham: políticos corruptos, empresários que só visam o lucro sem respeitar a legislação, pessoas que

20 “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem

21 falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo

22 Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que se faz no automático sem

23 pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

24 É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira

25 para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas

26 colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que

27 vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.

28 Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como

29 heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma

30 corrente de acertos e de responsabilidade - colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se

31 faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

(MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: Arqueiro, 2015)

A palavra se, que, no texto Empatia, foi empregada com sentidos diferentes, expressa a ideia de condição em

 

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