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Foram encontradas 130 questões.

1393461 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina

por Lígia Sotratti

Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.

Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.

Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.

A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.

Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.

Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.

A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.

Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.

Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013.

De acordo com o texto,

 

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1393255 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina

por Lígia Sotratti

Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.

Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.

Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.

A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.

Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.

Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.

A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.

Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.

Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013.

Considere o período a seguir.

“Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória.”

Se trocarmos a formal verbal em destaque por uma forma do verbo vir, mantendo-se o mesmo modo e o mesmo tempo verbais, a flexão correta será

 

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1393107 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Inteligência entomológica

Rogério Tuma

Um estudo publicado na revista PLoS ONE, em setembro, mostra como a punição severa aos corruptos e a proteção e os benefícios aos punidores promovem uma sociedade cooperante e sadia, sem corrupção. Quando olhamos um formigueiro em funcionamento, a primeira coisa que vem à cabeça é: como uma sociedade de insetos pode ser mais produtiva e eficiente que a nossa? A resposta é simples: não existem corruptos, existem regras e elas são obedecidas.

A falha na sociedade humana é que aquele que pune quem não coopera pode ser punido por retaliação ou sofrer ameaças e acaba até correndo risco de extinção, e esse custo para o punidor acaba provocando uma tolerância maior à não colaboração dos outros e consequente deterioração da sociedade. Na grande maioria das sociedades de insetos, não há perdão. Não colaborou, vira inimigo, o que é considerado cientificamente um sistema de retidão. Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que os punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e em uma de formiga. Esse modelo é interpretado como corrupto: nesses dois casos, a sociedade se beneficia dos desertores, pois, apesar de tolerantes, continuam contribuindo, mesmo que pouco, para o grupo.

Estudos mostram que, entre humanos, a corrupção deteriora os laços sociais, estimula a criminalidade e gera desconfiança na hierarquia, reduzindo investimentos e o desenvolvimento sustentável. A corrupção piora a saúde psíquica e a física.

Os pesquisadores Duenez-Guzman e Sadedin entendem que na sociedade humana o interesse econômico promove a não punição para os não colaboradores, isto é, fomenta a corrupção, e a única maneira de evitá-la é promover benefícios financeiros para o agente punidor e infligir alto custo para o infrator. Baseados na teoria de que a punição a quem não coopera pode melhorar substancialmente a performance de uma sociedade, e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior, como na sociedade dos insetos, os pesquisadores criaram jogos teóricos com tipos de sociedades com interações diferentes entre seus personagens: punidores desertores, punidores não corruptos, corruptos e os colaboradores.

Os autores concluem que a sociedade humana existe com a interação de todos esses tipos, mas em um equilíbrio bastante instável onde a diferença entre o poder dos punidores corretos contra a soma de seus desertores com o número de corruptos é que define o sucesso. Mesmo uma discreta diferença a favor da honestidade, como um posto mais alto na sociedade para os corretos, pode fazer a diferença, pois a busca dessa posição social melhora a colaboração de todos contra os corruptos e reduz o número de deserções entre os punidores.

Segundo o estudo, o caminho para a retidão social é um só: todos da sociedade precisam contribuir remunerando os punidores e precisam aumentar drasticamente os custos para corruptos e desertores. Os autores acreditam que, se a colaboração entre humanos fosse baseada apenas na punição, a corrupção seria universal, inversamente proporcional à deserção e diretamente relacionada ao bem-estar da sociedade. Mas ela cresce junto, alimenta o crime e piora o desenvolvimento. Portanto, a sociedade ideal é aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar, e a pior sociedade é aquela onde existe um enorme número de colaboradores e o poder está na mão dos corruptos.

A democratização e o surgimento do aparato policial facilitou o aparecimento da corrupção na sociedade moderna. Mas as sociedades que mudaram o equilíbrio tendendo à correção obtiveram ganhos bem maiores que as que permaneceram corruptas. A chave para a mudança é uma punição equalitária, uma justiça sem distinção. Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança.

Disponível em: <www.cartacapital.com.br> Acesso em: 27 mar. 2013 [Adaptado]

Em “[...] a sociedade ideal é aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar [...]”, as formas nominais dos verbos estão no singular porque

 

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1391926 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina

por Lígia Sotratti

Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.

Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.

Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.

A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.

Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.

Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.

A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.

Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.

Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013.

Em “Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis [...]”, o emprego do acento grave justifica-se

 

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1390122 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Inteligência entomológica

Rogério Tuma

Um estudo publicado na revista PLoS ONE, em setembro, mostra como a punição severa aos corruptos e a proteção e os benefícios aos punidores promovem uma sociedade cooperante e sadia, sem corrupção. Quando olhamos um formigueiro em funcionamento, a primeira coisa que vem à cabeça é: como uma sociedade de insetos pode ser mais produtiva e eficiente que a nossa? A resposta é simples: não existem corruptos, existem regras e elas são obedecidas.

A falha na sociedade humana é que aquele que pune quem não coopera pode ser punido por retaliação ou sofrer ameaças e acaba até correndo risco de extinção, e esse custo para o punidor acaba provocando uma tolerância maior à não colaboração dos outros e consequente deterioração da sociedade. Na grande maioria das sociedades de insetos, não há perdão. Não colaborou, vira inimigo, o que é considerado cientificamente um sistema de retidão. Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que os punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e em uma de formiga. Esse modelo é interpretado como corrupto: nesses dois casos, a sociedade se beneficia dos desertores, pois, apesar de tolerantes, continuam contribuindo, mesmo que pouco, para o grupo.

Estudos mostram que, entre humanos, a corrupção deteriora os laços sociais, estimula a criminalidade e gera desconfiança na hierarquia, reduzindo investimentos e o desenvolvimento sustentável. A corrupção piora a saúde psíquica e a física.

Os pesquisadores Duenez-Guzman e Sadedin entendem que na sociedade humana o interesse econômico promove a não punição para os não colaboradores, isto é, fomenta a corrupção, e a única maneira de evitá-la é promover benefícios financeiros para o agente punidor e infligir alto custo para o infrator. Baseados na teoria de que a punição a quem não coopera pode melhorar substancialmente a performance de uma sociedade, e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior, como na sociedade dos insetos, os pesquisadores criaram jogos teóricos com tipos de sociedades com interações diferentes entre seus personagens: punidores desertores, punidores não corruptos, corruptos e os colaboradores.

Os autores concluem que a sociedade humana existe com a interação de todos esses tipos, mas em um equilíbrio bastante instável onde a diferença entre o poder dos punidores corretos contra a soma de seus desertores com o número de corruptos é que define o sucesso. Mesmo uma discreta diferença a favor da honestidade, como um posto mais alto na sociedade para os corretos, pode fazer a diferença, pois a busca dessa posição social melhora a colaboração de todos contra os corruptos e reduz o número de deserções entre os punidores.

Segundo o estudo, o caminho para a retidão social é um só: todos da sociedade precisam contribuir remunerando os punidores e precisam aumentar drasticamente os custos para corruptos e desertores. Os autores acreditam que, se a colaboração entre humanos fosse baseada apenas na punição, a corrupção seria universal, inversamente proporcional à deserção e diretamente relacionada ao bem-estar da sociedade. Mas ela cresce junto, alimenta o crime e piora o desenvolvimento. Portanto, a sociedade ideal é aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar, e a pior sociedade é aquela onde existe um enorme número de colaboradores e o poder está na mão dos corruptos.

A democratização e o surgimento do aparato policial facilitou o aparecimento da corrupção na sociedade moderna. Mas as sociedades que mudaram o equilíbrio tendendo à correção obtiveram ganhos bem maiores que as que permaneceram corruptas. A chave para a mudança é uma punição equalitária, uma justiça sem distinção. Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança.

Disponível em: <www.cartacapital.com.br> Acesso em: 27 mar. 2013 [Adaptado]

No período “Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e uma de formiga.” , o uso da palavra em destaque justifica-se porque

 

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1389467 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Inteligência entomológica

Rogério Tuma

Um estudo publicado na revista PLoS ONE, em setembro, mostra como a punição severa aos corruptos e a proteção e os benefícios aos punidores promovem uma sociedade cooperante e sadia, sem corrupção. Quando olhamos um formigueiro em funcionamento, a primeira coisa que vem à cabeça é: como uma sociedade de insetos pode ser mais produtiva e eficiente que a nossa? A resposta é simples: não existem corruptos, existem regras e elas são obedecidas.

A falha na sociedade humana é que aquele que pune quem não coopera pode ser punido por retaliação ou sofrer ameaças e acaba até correndo risco de extinção, e esse custo para o punidor acaba provocando uma tolerância maior à não colaboração dos outros e consequente deterioração da sociedade. Na grande maioria das sociedades de insetos, não há perdão. Não colaborou, vira inimigo, o que é considerado cientificamente um sistema de retidão. Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que os punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e em uma de formiga. Esse modelo é interpretado como corrupto: nesses dois casos, a sociedade se beneficia dos desertores, pois, apesar de tolerantes, continuam contribuindo, mesmo que pouco, para o grupo.

Estudos mostram que, entre humanos, a corrupção deteriora os laços sociais, estimula a criminalidade e gera desconfiança na hierarquia, reduzindo investimentos e o desenvolvimento sustentável. A corrupção piora a saúde psíquica e a física.

Os pesquisadores Duenez-Guzman e Sadedin entendem que na sociedade humana o interesse econômico promove a não punição para os não colaboradores, isto é, fomenta a corrupção, e a única maneira de evitá-la é promover benefícios financeiros para o agente punidor e infligir alto custo para o infrator. Baseados na teoria de que a punição a quem não coopera pode melhorar substancialmente a performance de uma sociedade, e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior, como na sociedade dos insetos, os pesquisadores criaram jogos teóricos com tipos de sociedades com interações diferentes entre seus personagens: punidores desertores, punidores não corruptos, corruptos e os colaboradores.

Os autores concluem que a sociedade humana existe com a interação de todos esses tipos, mas em um equilíbrio bastante instável onde a diferença entre o poder dos punidores corretos contra a soma de seus desertores com o número de corruptos é que define o sucesso. Mesmo uma discreta diferença a favor da honestidade, como um posto mais alto na sociedade para os corretos, pode fazer a diferença, pois a busca dessa posição social melhora a colaboração de todos contra os corruptos e reduz o número de deserções entre os punidores.

Segundo o estudo, o caminho para a retidão social é um só: todos da sociedade precisam contribuir remunerando os punidores e precisam aumentar drasticamente os custos para corruptos e desertores. Os autores acreditam que, se a colaboração entre humanos fosse baseada apenas na punição, a corrupção seria universal, inversamente proporcional à deserção e diretamente relacionada ao bem-estar da sociedade. Mas ela cresce junto, alimenta o crime e piora o desenvolvimento. Portanto, a sociedade ideal é aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar, e a pior sociedade é aquela onde existe um enorme número de colaboradores e o poder está na mão dos corruptos.

A democratização e o surgimento do aparato policial facilitou o aparecimento da corrupção na sociedade moderna. Mas as sociedades que mudaram o equilíbrio tendendo à correção obtiveram ganhos bem maiores que as que permaneceram corruptas. A chave para a mudança é uma punição equalitária, uma justiça sem distinção. Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança.

Disponível em: <www.cartacapital.com.br> Acesso em: 27 mar. 2013 [Adaptado]

No período “A resposta é simples: não existem corruptos, existem regras e elas são obedecidas.”, considerando-se as orientações normativas do português padrão, é correta a substituição das formas verbais em destaque pelo verbo

 

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1388922 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Dois criadores de gado, José e Adailton, possuíam, juntos, em 2010, 1.320 cabeças de boi. José tinha 120 bois a mais do que Adailton. Hoje, o número de bois de Adailton dobrou, e o de José aumentou em 30%. Hoje, Adailton deseja vender a quantidade de bois que tem a mais do que José a R$ 600,00 cada um. Com a venda desses bois, o valor total arrecadado por ele será de

 

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1387860 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Inteligência entomológica

Rogério Tuma

Um estudo publicado na revista PLoS ONE, em setembro, mostra como a punição severa aos corruptos e a proteção e os benefícios aos punidores promovem uma sociedade cooperante e sadia, sem corrupção. Quando olhamos um formigueiro em funcionamento, a primeira coisa que vem à cabeça é: como uma sociedade de insetos pode ser mais produtiva e eficiente que a nossa? A resposta é simples: não existem corruptos, existem regras e elas são obedecidas.

A falha na sociedade humana é que aquele que pune quem não coopera pode ser punido por retaliação ou sofrer ameaças e acaba até correndo risco de extinção, e esse custo para o punidor acaba provocando uma tolerância maior à não colaboração dos outros e consequente deterioração da sociedade. Na grande maioria das sociedades de insetos, não há perdão. Não colaborou, vira inimigo, o que é considerado cientificamente um sistema de retidão. Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que os punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e em uma de formiga. Esse modelo é interpretado como corrupto: nesses dois casos, a sociedade se beneficia dos desertores, pois, apesar de tolerantes, continuam contribuindo, mesmo que pouco, para o grupo.

Estudos mostram que, entre humanos, a corrupção deteriora os laços sociais, estimula a criminalidade e gera desconfiança na hierarquia, reduzindo investimentos e o desenvolvimento sustentável. A corrupção piora a saúde psíquica e a física.

Os pesquisadores Duenez-Guzman e Sadedin entendem que na sociedade humana o interesse econômico promove a não punição para os não colaboradores, isto é, fomenta a corrupção, e a única maneira de evitá-la é promover benefícios financeiros para o agente punidor e infligir alto custo para o infrator. Baseados na teoria de que a punição a quem não coopera pode melhorar substancialmente a performance de uma sociedade, e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior, como na sociedade dos insetos, os pesquisadores criaram jogos teóricos com tipos de sociedades com interações diferentes entre seus personagens: punidores desertores, punidores não corruptos, corruptos e os colaboradores.

Os autores concluem que a sociedade humana existe com a interação de todos esses tipos, mas em um equilíbrio bastante instável onde a diferença entre o poder dos punidores corretos contra a soma de seus desertores com o número de corruptos é que define o sucesso. Mesmo uma discreta diferença a favor da honestidade, como um posto mais alto na sociedade para os corretos, pode fazer a diferença, pois a busca dessa posição social melhora a colaboração de todos contra os corruptos e reduz o número de deserções entre os punidores.

Segundo o estudo, o caminho para a retidão social é um só: todos da sociedade precisam contribuir remunerando os punidores e precisam aumentar drasticamente os custos para corruptos e desertores. Os autores acreditam que, se a colaboração entre humanos fosse baseada apenas na punição, a corrupção seria universal, inversamente proporcional à deserção e diretamente relacionada ao bem-estar da sociedade. Mas ela cresce junto, alimenta o crime e piora o desenvolvimento. Portanto, a sociedade ideal é aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar, e a pior sociedade é aquela onde existe um enorme número de colaboradores e o poder está na mão dos corruptos.

A democratização e o surgimento do aparato policial facilitou o aparecimento da corrupção na sociedade moderna. Mas as sociedades que mudaram o equilíbrio tendendo à correção obtiveram ganhos bem maiores que as que permaneceram corruptas. A chave para a mudança é uma punição equalitária, uma justiça sem distinção. Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança.

Disponível em: <www.cartacapital.com.br> Acesso em: 27 mar. 2013 [Adaptado]

Em “Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança.”, o autor do texto optou por deixar elíptica a palavra que explicitaria a relação semântica entre esses dois períodos. Trata-se, nesse caso, da palavra

 

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1386765 Ano: 2013
Disciplina: Matemática
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Três tábuas medindo, respectivamente, 80 cm, 120 cm e 60 cm devem ser usadas para o conserto de um curral. Para efetuar esse reparo, as tábuas devem ser cortadas em pedaços iguais, com o maior comprimento possível. Cada pedaço cortado deve ter

 

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1384937 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN

Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina

por Lígia Sotratti

Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.

Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.

Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.

A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.

Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.

Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.

A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.

Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.

Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013.

No terceiro e no quarto parágrafos, as aspas são utilizadas para demarcar

 

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