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Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina
por Lígia Sotratti
Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.
Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.
Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.
A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.
Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.
Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.
A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.
Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.
Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013.
O quinto parágrafo caracteriza-se como uma sequência linguística dominantemente
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Um tanque vai ser preparado para ser usado na criação de tilápias. Para isso, serão colocados, nesse tanque, 1.000 litros de água pela manhã e 1.400 litros de água à tarde, faltando ainda 1/3 de sua capacidade para que fique completamente cheio. Quando toda a capacidade do tanque for atingida, um medicamento será colocado nele, na dose de 0,02 gramas por litro de água. A massa total do medicamento que se deverá adicionar à água quando o tanque estiver completamente cheio será de
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Diabetes Mellitus é uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal da glicose no sangue. Alguns sinais de alerta dessa doença presentes nos diabéticos são: cansaço, perda de peso, vontade frequente de urinar muitas vezes e sede exagerada. Na Diabetes Mellitus,
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Ratos de laboratório têm mais mordomias do que se imagina
por Lígia Sotratti
Eles já participaram da invenção da penicilina, das vacinas contra poliomielite e febre amarela e da criação de remédios para hipertensão e antidepressivos. E seguem colaborando na busca de uma cura para o câncer, de tratamentos para problemas cardíacos e estudos sobre ansiedade. Por serem genética e fisiologicamente parecidos conosco e se multiplicarem rapidamente, os ratos e seus primos — camundongos, porquinhos-da-índia — são as cobaias preferidas da ciência. Os ratinhos que vão dedicar sua vida e morte à ciência são tratados como reis e vendidos ao preço médio de R$ 15 para os laboratórios, onde vão perambular por labirintos, nadar em piscinas que não dão pé, beber e fazer sexo até alcançarem uma morte serena — ou virarem comida de cobra.
Os roedores que existem apenas porque a ciência precisa deles nascem nos biotérios (do latim “lugar onde fica a vida”), uma espécie de berçário que segue normas rígidas de higiene e conforto ditadas por órgãos internacionais como AAALAC (Associação para Avaliação e Validação dos Cuidados com Animais de Laboratório) e Iclas (Conselho Internacional para Animais de Laboratórios Científicos). A ideia é mantê-los limpos e livres de doenças, para não comprometer os resultados dos estudos. “Na investigação de uma parasitose, o animal pode apresentar um sintoma de uma doença que já tinha, e não da pesquisada”, diz o veterinário Joel Majerowicz, diretor do Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal), da Fiocruz.
Para manter os ratos longe de vírus, germes e bactérias, os biotérios são isolados. As salas de esterilização de materiais e de criação e repouso dos bichinhos não têm janela, e a ventilação é feita por ar-condicionado. Ao entrar em uma sala, por exemplo, só se consegue abrir a porta seguinte quando a anterior se fecha. A entrada é restrita aos funcionários — ainda assim, não para todos. “Quem trabalha na área externa tem uniforme de cor diferente para facilitar o controle”, conta a bióloga Ubimara Pereira Rodrigues, diretora da Divisão Biotério Central do Instituto Butantan, centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável por 93% dos soros e vacinas produzidas no país. Para entrar, os funcionários vestem touca, luvas, máscaras e proteção para o pé — semelhante ao que é exigido em uma UTI.
A mania de limpeza ajuda a manter as cobaias aptas para os experimentos, mas é também uma forma de respeitar seu estilo natural de ser. Pois, acredite, ratos não são seres imundos, nem os de bueiro. “Eles se limpam o tempo inteiro. A gente sabe quando estão doentes porque deixam de lavar o rosto, se lambendo”, afirma a biomédica do laboratório de Cronofarmacologia (que analisa o efeito de medicamentos no organismo de acordo com a hora em que são tomados) da USP Regina Markus.
Os cuidados não param por aí. Nos biotérios, os ratos são tratados com a mordomia de um hotel 5 estrelas: as camas são de fibra natural (uma serragem esterilizada), arrumadas no mínimo 3 vezes por semana. Isso porque têm alta capacidade de absorção e ficam limpas por mais tempo, sem necessidade da troca diária. A temperatura é agradável ao corpo, 22 °C. A cada hora, o ar é trocado de 15 a 20 vezes. Uma luz baixa dá um clima no ambiente. Se fosse um hotel, a diária seria com comida e bebida à vontade. Os funcionários falam em voz baixa e zelam para que os hóspedes não sejam incomodados com cheiros de cigarro ou perfumes. Nada pode interferir no sossego das cobaias.
Depois do tratamento VIP no berçário, onde passam dias ou até meses, os animais são recrutados para os laboratórios. Começa aí sua vida de aventuras e desventuras. Há os que se tornam reprodutores. Outros vão se embriagar por dias para ajudar a decifrar o quanto o álcool ataca a memória. Há ainda os que terão desafios em labirintos e piscinas.
A maior parte das ratinhas não sai do biotério. Se a ninhada de fêmeas for excessiva, elas podem ser sacrificadas ou virar alimento de outro animal. Mas há aquelas que se dedicam a produzir filhotes que serão recrutados pelos laboratórios. E todo biotério tem seus machos reprodutores. Cada um tem uma espécie de harém: podem viver com até 5 fêmeas e devem acasalar ao longo de seu período produtivo, que dura 7 meses — cada gestação leva 21 dias e resulta em cerca de 10 filhotes. Para conquistar o cargo, é preciso ter proles numerosas e saudáveis. Quando os cientistas precisam de uma linhagem pura, elas começam com bebês de proveta. Porém, chega um momento, quando perdem a capacidade de se reproduzir, que as aventuras amorosas cessam.
Depois de uma vida desafiando os próprios medos, bebendo ou fazendo sexo, chega a hora da aposentadoria. Aos dois anos, os roedores já estão velhos como um humano de 80. Aí, há dois finais: a eutanásia ou virar refeição de cobras. Os pesquisadores garantem que tudo é feito com analgésicos para que não sofram. Justo. Afinal, dedicaram sua vida ao bem da ciência e muitos deixam descendentes para seguir o trabalho.
Disponível em: <www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 4 abr. 2013
Na frase “[...] o animal precisa se acostumar com a presença do pesquisador.”, se flexionarmos o termo em destaque, no diminutivo e no plural, obtém-se a forma
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A figura abaixo representa cadeias alimentares.

Disponível em:< www.professorbio.br>. Acesso em: 15 abr. 2013.
A respeito dessas cadeias, é correto afirmar que
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Quando uma abelha visita uma flor em busca de néctar, os grãos de pólen grudam nos pelos que recobrem seu corpo e, em seguida, ficam armazenados em bolsas localizadas na parte posterior de suas patas. Os grãos de pólen carreados pelas abelhas servem como fonte de alimento para os indivíduos de uma colmeia e também são importantes para as plantas porque promovem
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A quarentena é uma prática imprescindível para assegurar que um plantel de animais se mantenha livre de doenças introduzidas por novos indivíduos, além de garantir a saúde do pessoal técnico envolvido nos cuidados desse plantel. Nesse contexto, o tempo mínimo de quarentena recomendado para primatas é de
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Considere as seguintes características:
Adaptação à vida saltatória arbórea, com locomoção vertical pelos troncos; cauda com comprimento maior que a cabeça mais o corpo, sem preensibilidade; com exceção do hálux, todos os dedos possuem unhas em forma de garras, facilitando a captura de insetos em frestas. Apresentam 32 dentes com incisivos inferiores longos e estreitos, em forma de cinzel, e ausência de molares. São classificados, quanto à dieta, em gomívoros-insetívoros.
As características listadas acima referem-se ao primata neotropical do gênero
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As afirmativas a seguir referem-se a tecidos.
I Alguns tecidos possuem dois ou mais tipos de células.
II O tecido sanguíneo é um exemplo de tecido conjuntivo.
III O tecido epitelial apresenta a substância intercelular unindo uma célula à outra.
IV Quando uma pessoa está sorrindo, o tecido muscular que se contrai é o liso.
Estão corretas as afirmações
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Um servidor público estável falece, deixando três dependentes habilitados às pensões vitalícia e temporária: seu cônjuge e duas filhas, uma com idade de 14 anos e a outra, com 16 anos. Nessa situação, considerando o que dispõe a Lei nº 8.112/90, é correto afirmar que a pensão será distribuída entre os dependentes habilitados
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