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Preferencialmente, os protocolos que utilizam pequenos roedores devem ser realizados em animais livres de patógenos específicos, com a intenção de se garantir a qualidade das observações experimentais, principalmente aquelas relacionadas à resposta imunológica. A contaminação indesejada do biotério por helmintos eleva consideravelmente a proporção dos seguintes linfócitos T, detectados por citometria de fluxo:
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Para a criação de pequenos roedores é necessário que estes possuam um bom nível sanitário. Para isso, o controle parasitológico das fezes é fundamental. Com base nesta declaração, é correto afirmar que:
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Os ratos de laboratório são curiosos, dóceis e mais facilmente manipuláveis que camundongos. Quanto ao comportamento desses animais, é correto afirmar que:
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A sexagem de camundongos e ratos pode ser feita em filhotes, por comparação de características externas dos animais. Neste sentido, é correto afirmar que:
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Quanto ao manejo reprodutivo de pequenos roedores de laboratório, é correto afirmar que:
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A ética na criação e experimentação com animais é hoje regida por leis nacionais, baseadas em códigos de conduta internacionais sobre o tema. Tais normativas visam eliminar protocolos e condutas cruéis, garantindo aspectos „humanitários" no tratamento de animais utilizados em experimentação nos laboratórios. Estes princípios foram elaborados inicialmente por Russell & Burch (1959) e são conhecidos como o „Princípio dos 3 Rs", que se referem aos seguintes termos:
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Leia o texto a seguir.
Virtualização dos saberes
O advento das tecnologias eletrônicas na cultura contemporânea conduz a uma frutífera reflexão sobre a questão da virtualização dos saberes, circunstância própria da era informática na qual, de uma maneira geral, estamos todos inseridos. Certamente, jamais encontramos tanta facilidade para a divulgação imediata de conteúdos tal como atualmente existe no sistema informático, circunstância que, interpretada por um viés otimista, representa uma democratização do processo de criação intelectual e sua consequente difusão pública. Nessas condições, Pierre Lévy afirma: "As atividades de pesquisa, de aprendizagem e de lazer serão virtuais ou comandadas pela economia virtual. O ciberespaço será o epicentro do mercado, o lugar da criação e da aquisição de conhecimentos, o principal meio da comunicação e da vida social".
A "Cibercultura" é um termo utilizado na definição dos agenciamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual. Estas comunidades estão ampliando e popularizando a utilização da Internet e outras tecnologias de comunicação, possibilitando assim maior aproximação entre as pessoas de todo o mundo. Este termo se relaciona diretamente com as dinâmicas sociais, econômicas, políticas e filosóficas dos indivíduos conectados em rede, assim como a tentativa de englobar os desdobramentos que este comportamento requisita.
Uma análise genealógica do conceito filosófico de virtual nos remete diretamente a Aristóteles, que estabelece a célebre distinção entre ato, aquilo que está efetivamente realizado, e potência, aquilo que virá a ser e que existe em nível intensivo: "O que não tem potência de ser não pode existir em parte alguma, enquanto tudo o que tem potência pode também não existir em ato. Portanto, o que tem potência para ser pode ser e também pode não ser: a mesma coisa tem possibilidade de ser e de não ser". É importante destacar que, para a consciência irrefletida do senso comum, o virtual representaria algo próprio do irreal, quiçá inexistente de fato. Todavia, tal perspectiva não corresponde ao significado filosófico de virtual: algo que existe sem possuir, todavia, concretude, caráter palpável, encontrando-se assim em estado de potência; o virtual ainda não é de fato, atual, mas poderá vir a ser; assim sendo, o virtual de alguma maneira já existe, ainda que em uma dimensão não concreta.
O virtual se caracteriza pela intensidade. A potência do virtual reside na sua fonte indefinida de atualizações, circunstância que transcende as naturais limitações espaço-temporais tal como existentes nos processos difusores comuns. Decorre desse contexto a assimilação do conceito de virtual pelo jogo de linguagem da informática, ela mesma um modelo de discurso epistemológico que trouxe para o âmbito do pensamento humano a reflexão sobre a possibilidade de um meio desprovido de extensão fornecer aos seus usuários uma possibilidade de trocas constante de conteúdos informativos. Um meio virtual, no sentido amplo, é um universo de possíveis, calculáveis a partir de um modelo digital.
No entanto, o virtual não se contrapõe ao real tal como nós o conhecemos no cotidiano; é, na verdade, uma espécie de extensão desse mundo que denominamos como "real" por meio de instâncias imateriais, justamente pelo fato de não depender de bases concretas para se desenvolver: "O virtual não "substitui" o "real", ele multiplica as oportunidades para atualizá-lo". Nessas condições, torna-se claro que, em cada momento de nossas existências e experiências, nos encontramos plenamente delineados pela condição virtual: "O mundo humano é "virtual" desde a origem, mesmo antes das tecnologias digitais, porque contém por todo o lado sementes do futuro, possibilidades inexploradas, formas por nascer que a nossa atenção, os nossos pensamentos, as nossas percepções, os nossos atos e as nossas invenções não param de atualizar".
A expansão da informática e sua culminação epistemológica pela Internet possibilitaram o desenvolvimento de um sistema colaborativo entre os indivíduos separados espaço-temporalmente em decorrência das condições físicas da própria condição concreta da existência, mas virtualmente unificados pela grande rede: "Sujeitos e objetos, autores e destinatários perdem a sua bem distinta identidade em favor de redes contínuas de produção de informações". Em outras palavras, a mensagem parte de um centro difuso para atingir uma periferia numerosa de receptores separados entre si fisicamente. Esse processo comunicativo é o único que torna os usuários centros ativos da construção dos modelos de contato interpessoal.
Na era informática, a construção antropológica do saber se torna uma experiência multilateral, e não mais unilateral, conforme os princípios dogmáticos da instituição teológica normativa (sectária do argumento de autoridade), ou bilateral, disposição característica da relação dialógica; desse modo, todos os sujeitos devidamente conectados na rede eletrônica tornam-se difusores de conceitos, 65 informações, saberes. Pierre Lévy denomina essa experiência holística de "inteligência coletiva", pois a Internet depende, para o seu contínuo progresso, da atividade plena dos seus usuários, que elaboram de maneira interativa os conteúdos disponibilizados na rede virtual: "O problema da inteligência coletiva é descobrir ou inventar um além da escrita, um além da linguagem tal que o tratamento da informação seja distribuído e coordenado por toda parte, que não seja mais o apanágio de órgãos sociais separados, mas se integre naturalmente, pelo contrário, a todas as atividades humanas, volte às mãos de cada um". A finalidade da inteligência coletiva consiste em colocar os recursos das grandes coletividades ao serviço das pessoas e dos pequenos grupos, e não o contrário.
Trata-se do deslocamento de um sistema em que o emissor produz um discurso, enviando-o em seguida para um grupo de receptores para uma estrutura de comunicação multidirecional, onde não está definido quem são os emissores e os receptores. O filósofo polonês Adam Schaff postulava que a sociedade informática permitirá a formação do homem universal, no sentido de sua formação global, que lhe permitirá fugir do estreito caminho da especialização unilateral e não de se libertar do enclausuramento numa cultura nacional - para converter-se em um cidadão do mundo no melhor sentido do termo. Nesse sentido, o jogo de linguagem da Internet exige do usuário uma transformação em seus paradigmas intelectuais, sustentados tradicionalmente por uma adequação a um modelo epistemológico de caráter centralizador próprio da configuração ideológica da cultura ocidental, marcada pelo respeito cego ao argumento de autoridade e aos discursos universalistas próprios da tradição ocidental.
Para Pierre Lévy, "O uso socialmente mais rico da informática comunicacional consiste, sem dúvida, em fornecer aos grupos humanos os meios de reunir suas forças mentais para constituir coletivos inteligentes e dar vida a uma democracia em tempo real".
BITTENCOURT, Renato Nunes. Filosofia,Ano VI, nº 68 (Adaptado)
Considere os fragmentos a seguir.
1. “Portanto, o que tem potência para ser pode ser e também pode não ser: a mesma coisa tem possibilidade de ser e de não ser".
2. “[...] nos encontramos plenamente delineados pela condição virtual: O mundo humano é ´virtual´ desde a origem [...]”.
3. “Nessas condições, Pierre Lévy afirma: ´As atividades de pesquisa, de aprendizagem e de lazer serão virtuais ou comandadas pela economia virtual´. “
Assinale a alternativa em que a(s) proposição(ões) em destaque tem/têm a finalidade de explicar/justificar um segmento anterior.
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Após pouco mais de seis décadas de existência, a televisão brasileira ostenta condições peculiares: sofisticação técnica, forte presença na cultura, agência de porte na vida econômica e políticae - aqui começa o problema - elevada capacidade de manutenção, quando não de consolidação, de um padrão organizacional e de funcionamento construído em grande medida num período marcado pela concentração do poder político e econômico.
A situação tem algo de paradoxal. Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapa. Não há como fugir à evidência de que esse é o grande problema que as políticas da comunicação e da cultura terão de enfrentar com mais força daqui pra frente. Esse é o pano de fundo que dá sentido a todo esforço que fizermos para caracterizar a natureza desse “meio” de comunicação, que há muito deixou de ser meio no sentido de veículo de mensagens para converter-se em meio no sentido de ambiente que fornece enquadramento para a vida das pessoas.
Talvez um bom ponto de partida consista em examinar melhor a capacidade que acabei de atribuir à televisão, a de funcionar como um “ambiente” de vida. Seu nome altissonante esconde a fragilidade de um meio dependente de um sentido direcional como a visão. Por maiores que sejam seus avanços técnicos, a TV não tem como dispensar a técnica do rádio e joga boa parte do seu esforço no áudio. A questão é: feitas as pazes com o rádio e o cinema, que já se apresentavam prontos e com perfil bem definido quando a TV nasceu, como ficam as tecnologias mais recentes, às quais ela agora tem de se adaptar, em especial se considerarmos que essas tecnologias de última geração condensam em si todas as características das anteriores? De certo modo a resposta já foi antecipada: trata-se de uma questão de adaptação mais do que de incorporação ou apropriação, como já ocorreu com o cinema e o rádio. E nisso a televisão tem se revelado um meio técnico altamente eficiente no uso, como recurso na produção e como plataforma na distribuição, das novas conquistas informáticas. No entanto, ela não se transforma por dentro, no modo como organiza as mensagens que transmite, nem dá sinais de que vá ser incorporada por tecnologias mais recentes(c). Em suma, a televisão será capaz de manter a iniciativa na formatação do espaço simbólico no qual se movem as pessoas - leia-se, seus consumidores? Continuará a atrair e manter consumidores da sua programação, ou seja, continuará a programar amplos segmentos da vida de grandes setores da sociedade? Tudo indica que ela tem poder e flexibilidade para permanecer um bom tempo entre nós, fazendo aquilo que sempre soube fazer, que é captar energias no entorno para desenvolvê-las organizadas em programas.
O que afinal sustenta a televisão em posição tão firme no complexo de meios de comunicação? A resposta é de ordem organizacional: trata-se do caráter compactamente controlado que ela assumiu no confronto com os outros meios no complexo da indústria cultural ao longo do século XX, com desdobramentos atuais. A boa e velha indústria cultural tem na televisão seu último bastião.
Avanços na tecnologia da comunicação não envolvem a substituição dos meios mais antigos pelos mais novos. Estes simplesmente incorporam ao seu padrão próprio os recursos fornecidos pelos anteriores. Imprensa, rádio, cinema, televisão e redes digitais seguem essa linha. Mas a entrada no complexo das comunicações de novos ramos exige uma reconfiguração que necessariamente afeta aquele cuja posição era solidamente central(b).
Por mais que se revele capaz de incorporar traços básicos do universo on-line, a televisão fica exposta ao novo padrão de “divisão do trabalho” que se cria com a expansão do sistema, formado por uma imprensa ultra concentrada e apta a não só selecionar como a carimbar os eventos ditos importantes, atribuindo-lhes marcas de fácil identificação.
A televisão vem se revelando capaz de manter seus traços básicos, pois combina uma radiofonia dispersa, mas muito presente e com alto grau de disseminação e inculcação de temas e conteúdos, e uma ampla e multifacetada rede digital com sinais de crescente concentração e controle; e busca reorientar seu espaço nisso.
Longe de estar desatenta aos grandes movimentos da sociedade e de desviar a atenção deles, a televisão, mais do que qualquer outro meio, empenha-se em detectar as tendências emergentes e em capturá-las ao seu modo na programação. Neste sentido, nada tem de marcadamente “conservadora”. Está sempre um passo, mas nunca mais do que um passo, à frente das massas. Nisso, ela tem foco específico: capta os sinais da emergência de novos grupos no mercado e imediatamente os projeta na programação, ganhando com isso a iniciativa na definição social das suas novas identidades, desde logo como consumidores “de tudo, incluindo programação de TV”. Mulheres, idosos “para não falar das indefectíveis crianças” e grupos étnicos de todo tipo são capturados nesse processo que não é de ajuste puro e simples ao mundo que já está dado, mas de preparação “seletiva” àquilo que se anuncia para vir. É prospectiva e atuante com relação às tendências que reforçarão o cenário no qual ela prospera, e nisso reside o principal segredo da sua vitalidade e longevidade.
Entretanto, o traço característico mais importante na televisão revela-se na decisiva conversão, que se deu ao longo da sua história(d), de meio no sentido de veículo de mensagens e programas para meio no sentido de ambiente de vida, de atmosfera em cujo interior se movem os homens. A imprensa nunca fez isso, nem se propôs a tanto.
A televisão é envolvente, mas de modo incompleto, insaturado(a). A questão é sua organização como centro de poder econômico e político, mais do que cultural. E aqui entramos no jogo aberto dos interesses, das reivindicações e da capacidade de organização – um jogo que mal começou a ser jogado entre nós.
COHN, Gabriel. Le Monde Diplomatique Brasil. Mar. 2003, p. 7-8 (Adaptado).
Assinale a alternativa em que o termo em destaque introduz um argumento positivo em defesa da televisão.
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Após pouco mais de seis décadas de existência, a televisão brasileira ostenta condições peculiares: sofisticação técnica, forte presença na cultura, agência de porte na vida econômica e políticae - aqui começa o problema - elevada capacidade de manutenção, quando não de consolidação, de um padrão organizacional e de funcionamento construído em grande medida num período marcado pela concentração do poder político e econômico.
A situação tem algo de paradoxal. Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapa. Não há como fugir à evidência de que esse é o grande problema que as políticas da comunicação e da cultura terão de enfrentar com mais força daqui pra frente. Esse é o pano de fundo que dá sentido a todo esforço que fizermos para caracterizar a natureza desse “meio” de comunicação, que há muito deixou de ser meio no sentido de veículo de mensagens para converter-se em meio no sentido de ambiente que fornece enquadramento para a vida das pessoas.
Talvez um bom ponto de partida consista em examinar melhor a capacidade que acabei de atribuir à televisão, a de funcionar como um “ambiente” de vida. Seu nome altissonante esconde a fragilidade de um meio dependente de um sentido direcional como a visão. Por maiores que sejam seus avanços técnicos, a TV não tem como dispensar a técnica do rádio e joga boa parte do seu esforço no áudio(b). A questão é: feitas as pazes com o rádio e o cinema, que já se apresentavam prontos e com perfil bem definido quando a TV nasceu, como ficam as tecnologias mais recentes, às quais ela agora tem de se adaptar(d), em especial se considerarmos que essas tecnologias de última geração condensam em si todas as características das anteriores? De certo modo a resposta já foi antecipada: trata-se de uma questão de adaptação mais do que de incorporação ou apropriação, como já ocorreu com o cinema e o rádio(a). E nisso a televisão tem se revelado um meio técnico altamente eficiente no uso, como recurso na produção e como plataforma na distribuição, das novas conquistas informáticas. No entanto, ela não se transforma por dentro, no modo como organiza as mensagens que transmite, nem dá sinais de que vá ser incorporada por tecnologias mais recentes. Em suma, a televisão será capaz de manter a iniciativa na formatação do espaço simbólico no qual se movem as pessoas - leia-se, seus consumidores? Continuará a atrair e manter consumidores da sua programação, ou seja, continuará a programar amplos segmentos da vida de grandes setores da sociedade? Tudo indica que ela tem poder e flexibilidade para permanecer um bom tempo entre nós, fazendo aquilo que sempre soube fazer, que é captar energias no entorno para desenvolvê-las organizadas em programas.
O que afinal sustenta a televisão em posição tão firme no complexo de meios de comunicação? A resposta é de ordem organizacional: trata-se do caráter compactamente controlado que ela assumiu no confronto com os outros meios no complexo da indústria cultural ao longo do século XX, com desdobramentos atuais. A boa e velha indústria cultural tem na televisão seu último bastião.
Avanços na tecnologia da comunicação não envolvem a substituição dos meios mais antigos pelos mais novos. Estes simplesmente incorporam ao seu padrão próprio os recursos fornecidos pelos anteriores. Imprensa, rádio, cinema, televisão e redes digitais seguem essa linha. Mas a entrada no complexo das comunicações de novos ramos exige uma reconfiguração que necessariamente afeta aquele cuja posição era solidamente central.
Por mais que se revele capaz de incorporar traços básicos do universo on-line, a televisão fica exposta ao novo padrão de “divisão do trabalho” que se cria com a expansão do sistema, formado por uma imprensa ultra concentrada e apta a não só selecionar como a carimbar os eventos ditos importantes, atribuindo-lhes marcas de fácil identificação.(c)
A televisão vem se revelando capaz de manter seus traços básicos, pois combina uma radiofonia dispersa, mas muito presente e com alto grau de disseminação e inculcação de temas e conteúdos, e uma ampla e multifacetada rede digital com sinais de crescente concentração e controle; e busca reorientar seu espaço nisso.
Longe de estar desatenta aos grandes movimentos da sociedade e de desviar a atenção deles, a televisão, mais do que qualquer outro meio, empenha-se em detectar as tendências emergentes e em capturá-las ao seu modo na programação. Neste sentido, nada tem de marcadamente “conservadora”. Está sempre um passo, mas nunca mais do que um passo, à frente das massas. Nisso, ela tem foco específico: capta os sinais da emergência de novos grupos no mercado e imediatamente os projeta na programação, ganhando com isso a iniciativa na definição social das suas novas identidades, desde logo como consumidores “de tudo, incluindo programação de TV”. Mulheres, idosos “para não falar das indefectíveis crianças” e grupos étnicos de todo tipo são capturados nesse processo que não é de ajuste puro e simples ao mundo que já está dado, mas de preparação “seletiva” àquilo que se anuncia para vir. É prospectiva e atuante com relação às tendências que reforçarão o cenário no qual ela prospera, e nisso reside o principal segredo da sua vitalidade e longevidade.
Entretanto, o traço característico mais importante na televisão revela-se na decisiva conversão, que se deu ao longo da sua história, de meio no sentido de veículo de mensagens e programas para meio no sentido de ambiente de vida, de atmosfera em cujo interior se movem os homens. A imprensa nunca fez isso, nem se propôs a tanto.
A televisão é envolvente, mas de modo incompleto, insaturado. A questão é sua organização como centro de poder econômico e político, mais do que cultural. E aqui entramos no jogo aberto dos interesses, das reivindicações e da capacidade de organização – um jogo que mal começou a ser jogado entre nós.
COHN, Gabriel. Le Monde Diplomatique Brasil. Mar. 2003, p. 7-8 (Adaptado).
Assinale a alternativa em que o termo em negrito expressa conformidade.
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Após pouco mais de seis décadas de existência, a televisão brasileira ostenta condições peculiares: sofisticação técnica, forte presença na cultura, agência de porte na vida econômica e políticae - aqui começa o problema - elevada capacidade de manutenção, quando não de consolidação, de um padrão organizacional e de funcionamento construído em grande medida num período marcado pela concentração do poder político e econômico.
A situação tem algo de paradoxal. Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapa. Não há como fugir à evidência de que esse é o grande problema que as políticas da comunicação e da cultura terão de enfrentar com mais força daqui pra frente. Esse é o pano de fundo que dá sentido a todo esforço que fizermos para caracterizar a natureza desse “meio” de comunicação, que há muito deixou de ser meio no sentido de veículo de mensagens para converter-se em meio no sentido de ambiente que fornece enquadramento para a vida das pessoas.
Talvez um bom ponto de partida consista em examinar melhor a capacidade que acabei de atribuir à televisão, a de funcionar como um “ambiente” de vida. Seu nome altissonante esconde a fragilidade de um meio dependente de um sentido direcional como a visão. Por maiores que sejam seus avanços técnicos, a TV não tem como dispensar a técnica do rádio e joga boa parte do seu esforço no áudio. A questão é: feitas as pazes com o rádio e o cinema, que já se apresentavam prontos e com perfil bem definido quando a TV nasceu, como ficam as tecnologias mais recentes, às quais ela agora tem de se adaptar, em especial se considerarmos que essas tecnologias de última geração condensam em si todas as características das anteriores? De certo modo a resposta já foi antecipada: trata-se de uma questão de adaptação mais do que de incorporação ou apropriação, como já ocorreu com o cinema e o rádio. E nisso a televisão tem se revelado um meio técnico altamente eficiente no uso, como recurso na produção e como plataforma na distribuição, das novas conquistas informáticas. No entanto, ela não se transforma por dentro, no modo como organiza as mensagens que transmite, nem dá sinais de que vá ser incorporada por tecnologias mais recentes. Em suma, a televisão será capaz de manter a iniciativa na formatação do espaço simbólico no qual se movem as pessoas - leia-se, seus consumidores? Continuará a atrair e manter consumidores da sua programação, ou seja, continuará a programar amplos segmentos da vida de grandes setores da sociedade? Tudo indica que ela tem poder e flexibilidade para permanecer um bom tempo entre nós, fazendo aquilo que sempre soube fazer, que é captar energias no entorno para desenvolvê-las organizadas em programas.
O que afinal sustenta a televisão em posição tão firme no complexo de meios de comunicação? A resposta é de ordem organizacional: trata-se do caráter compactamente controlado que ela assumiu no confronto com os outros meios no complexo da indústria cultural ao longo do século XX, com desdobramentos atuais. A boa e velha indústria cultural tem na televisão seu último bastião.
Avanços na tecnologia da comunicação não envolvem a substituição dos meios mais antigos pelos mais novos. Estes simplesmente incorporam ao seu padrão próprio os recursos fornecidos pelos anteriores. Imprensa, rádio, cinema, televisão e redes digitais seguem essa linha. Mas a entrada no complexo das comunicações de novos ramos exige uma reconfiguração que necessariamente afeta aquele cuja posição era solidamente central.
Por mais que se revele capaz de incorporar traços básicos do universo on-line, a televisão fica exposta ao novo padrão de “divisão do trabalho” que se cria com a expansão do sistema, formado por uma imprensa ultra concentrada e apta a não só selecionar como a carimbar os eventos ditos importantes, atribuindo-lhes marcas de fácil identificação.
A televisão vem se revelando capaz de manter seus traços básicos, pois combina uma radiofonia dispersa, mas muito presente e com alto grau de disseminação e inculcação de temas e conteúdos, e uma ampla e multifacetada rede digital com sinais de crescente concentração e controle; e busca reorientar seu espaço nisso.
Longe de estar desatenta aos grandes movimentos da sociedade e de desviar a atenção deles, a televisão, mais do que qualquer outro meio, empenha-se em detectar as tendências emergentes e em capturá-las ao seu modo na programação. Neste sentido, nada tem de marcadamente “conservadora”. Está sempre um passo, mas nunca mais do que um passo, à frente das massas. Nisso, ela tem foco específico: capta os sinais da emergência de novos grupos no mercado e imediatamente os projeta na programação, ganhando com isso a iniciativa na definição social das suas novas identidades, desde logo como consumidores “de tudo, incluindo programação de TV”. Mulheres, idosos “para não falar das indefectíveis crianças” e grupos étnicos de todo tipo são capturados nesse processo que não é de ajuste puro e simples ao mundo que já está dado, mas de preparação “seletiva” àquilo que se anuncia para vir. É prospectiva e atuante com relação às tendências que reforçarão o cenário no qual ela prospera, e nisso reside o principal segredo da sua vitalidade e longevidade.
Entretanto, o traço característico mais importante na televisão revela-se na decisiva conversão, que se deu ao longo da sua história, de meio no sentido de veículo de mensagens e programas para meio no sentido de ambiente de vida, de atmosfera em cujo interior se movem os homens. A imprensa nunca fez isso, nem se propôs a tanto.
A televisão é envolvente, mas de modo incompleto, insaturado. A questão é sua organização como centro de poder econômico e político, mais do que cultural. E aqui entramos no jogo aberto dos interesses, das reivindicações e da capacidade de organização – um jogo que mal começou a ser jogado entre nós.
COHN, Gabriel. Le Monde Diplomatique Brasil. Mar. 2003, p. 7-8 (Adaptado).
Talvez um bom ponto de partida consista em examinar melhor a capacidade que acabei de atribuir à televisão, a de funcionar como um “ambiente” de vida. Seu nome altissonante esconde a fragilidade de um meio dependente de um sentido direcional como a visão.
No trecho acima, a proposição em negrito funciona como:
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