Foram encontradas 25 questões.
De acordo com Oscar Zander (1979, p. 59), “A atitude do regente não deve ser encarada como fator secundário ou como mera formalidade exterior”. Considerando essa informação, é CORRETO o regente fazer movimentos:
Provas
Nelson Mathias (1986) esquematiza uma sequência de procedimentos que entende como a mais adequada forma de preparar uma obra musical vocal. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de procedimentos:
Provas
Quanto aos gestos da regência, para Oscar Zander (1979), é CORRETO executar os movimentos:
Provas
A liderança musical, na visão de Nelson Mathias (1986), deve contemplar os seguintes valores:
Provas
De acordo com Nelson Mathias (1986), são qualidades de um maestro, na relação com seu coral:
Provas
SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
Das alterações processadas em passagens do texto, assinale aquela em que há ERRO de concordância verbal:
Provas
SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
“O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos [...], são também a gente [...].” (§ 6) Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que o emprego da preposição em destaque CONTRARIA a norma culta da língua é:
Provas
SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
"Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros.” (§ 2) “[...] quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós [...].” (§ 6)
É frequente a confusão que se faz entre mal e mau, bem como entre porque e por que. Assinale a alternativa em que a palavra em destaque aparece grafada INCORRETAMENTE:
Provas
SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
“[...] mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo [...].” (§ 4) O trecho sublinhado na passagem acima pode ser substituído, sem que haja substancial alteração de sentido, por:
Provas
SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
O autor se vale de palavras ou expressões altamente sugestivas, de valor conotativo. Assinale a alternativa em que a conotação atribuída à palavra ou expressão sublinhada NÃO condiz com o sentido geral do texto:
Provas
Caderno Container